segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Essência do Evangelho




A essência do Evangelho nunca esteve em prodígios e maravilhas. A essência do Evangelho nunca residiu em curas e milagres. A essência do Evangelho nunca foi gritar ao microfone uma oração "forte". A essência do Evangelho nunca foi culpar o diabo por tudo de ruim que acontece. A essência do Evangelho nunca se manifestou por sofisticações musicais e oferendas inundadas de técnica e orgulho, a exemplo da oferta de Caim. A essência do Evangelho nunca caminhou com questões ideológicas, tampouco com bandeiras políticas. A essência do Evangelho nunca se propôs mudar algum contexto econômico para uma fórmula liberal. A essência do Evangelho nunca totenizou homens, erguendo-os a um nível de evidência tão sublime que os torna inquestionáveis. A essência do Evangelho nunca se preocupou em aderir ao sistema mundano e à moda secular. A essência do Evangelho nunca se fez fiadora da prosperidade ou mesmo do bem estar. A essência do Evangelho nunca dependeu de uma elevada auto-estima. A essência do Evangelho nunca se sustentou na força do homem. A essência do Evangelho nunca se respaldou em uma espiritualidade mística e inalcançável. A essência do Evangelho nunca fez de línguas estranhas seu canal superior de comunicação. 

Se você olhar com mais cuidado, verá que a essência do Evangelho sempre comunicou a simplicidade. É no amor desinteressado que a encontramos. É na fé sublime naquEle que é poderoso para perdoar pecados que se manifesta. É em ações do tipo: Aquele que mentia, não minta mais; aquele que furtava, não furte mais, porém trabalhe; contente-se com o seu soldo, não aceite propina; cobre o que é justo; assista e cuide dos necessitados com quem você cruzar no caminho. Não há segredos! Apenas leia a impactante e extraordinária mensagem da Cruz que você perceberá o quanto a Verdade exposta no Evangelho é escandalosa e loucamente simples!

sábado, 12 de agosto de 2017

Alvo de Contradição




ALVO DE CONTRADIÇÃO

Simeão estava em Jerusalém na ocasião em que o menino Jesus foi levado para ser circuncidado, segundo o costume judeu, aos 8 dias de idade.

Estava ali, provavelmente já em avançada idade, mas seguro na promessa de que seus olhos veriam a salvação, porquanto ele veria o Cristo.

A salvação se revela a Simeão de modo completamente inusitado: Um bebezinho pobre de 8 dias de vida, completamente dependente de seu papai e de sua mamãe! Era a fraqueza estampada! Era a limitação evidente e escancarada! Mas, para Simeão, era o favor de Deus, a Graça e a Verdade manifestas a ele, que tanto aguardou a promessa de que seus olhos contemplariam o redentor!

Mas Simeão não era um simples espectador da manifestação gloriosa do fraquinho e limitado Salvador que estava diante dele, era também um profeta que trazia, não só uma palavra de conforto, e sim de dor, porquanto inundada de verdade. Eis o que ele disse à mãe do menino, após abençoa-los:

 "E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição, sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações." (Lucas 2: 34, 35).

Há uma tradução que se vale do termo "predestinado" no lugar de "posto". E esse termo parece casar mais com o que Cristo realmente manifestou. Ou seja: Estando predestinado, para Cristo não havia escolha; não havia livre arbítrio! Só Lhe restou uma única possibilidade: Ser alvo de contradição; ter sua alma traspassada por uma espada; ser o motivo da queda e levantamento de muitos em Israel!

Hoje, os verdadeiros profetas, os que se comprometem verdadeiramente com o Reino, com Deus da Palavra e com a Palavra de Deus, guardam com alegria e paciência o Dia em que contemplarão a razão de sua esperança se manifestar diante deles. E ficam apercebidos mesmo quando essa manifestação se faz em total fraqueza e limitação. Porém, não podem se calar mesmo quando o teor de suas profecias geram desconforto de dor. Assim, assemelham-se ao seu Senhor também como alvos de contradição, e sabendo que a Espada, que é a Palavra de Deus, lhes traspassa a alma em todo o tempo!

É fácil reconhecê-los! À semelhança das duas testemunhas de Apocalipse, também de suas bocas sai fogo (juízo), mediante a Verdade que denuncia! O difícil, é amá-los!

Em Cristo,

Jordanny

domingo, 16 de julho de 2017

Aplicativos


APLICATIVO

Dê-me um aplicativo
Que me faça bendito,
Ainda que eu tenha dito mal
De qualquer um que, em especial,
Prenda em meu coração ferido!

Dê-me um aplicativo
Que me torne bem quisto,
Ainda que a indiferença
Eu tenha plantado na essência
De meu olhar altivo!

Dê-me um aplicativo
Que me devolva o riso,
Ainda que a futilidade
De uma vida sem verdade
Seja meu "ser" preferido!

Dê-me um aplicativo
Que me torne o mais bonito,
Ainda uma alma pútrida
Seja minha vera face rústica,
Meu segredo guarnecido!

Dê-me um aplicativo
Que me apresente convicto,
Ainda que ideias turvas
Sejam as reais molduras
De tudo que eu acredito!

Dê-me um aplicativo
Que me encha de algum sentido,
Ainda que a torpe apatia,
De minhas veredas a guia,
Delate-me adormecido!

Dê-me um aplicativo
Que me faça bem visto,
Ainda que toda a maldade,
Sócia de minha vaidade,
Seja tudo que eu tenha nutrido!

Dê-me um aplicativo
Que me mantenha iludido,
Ainda que de fato eu perceba
Na vida, lida e até na natureza,
Tudo o que é, será, ou tenha sido!

Dê-me um aplicativo
Que me mostre destemido,
Ainda que a covardia
Seja a fiel companhia
De meu ser omisso!

Dê-me um aplicativo
Que me afaste o gemido,
Ainda que meu caminho
Esteja coberto de espinhos,
Que eu mesmo tenha produzido!

Dê-me um aplicativo
Que me faça atrativo,
Ainda que a essência
De minha amarga existência
Guarde um ser repulsivo!

Dê-me um aplicativo
Que me encha de amigos,
Ainda que minha real intenção
Seja somente a bajulação,
De qualquer um que tenha conhecido!

Não mais se estenda,
E tão logo me atenda:
Dê-me o Aplicativo dos aplicativos,
Conforme todos os meus caprichos,
E assim sacie a sede e a fome
De meu ser vil, e infame,
E preencha meu Vazio,
Que não se encontrou no Infinito!

Gama - DF, 16 de julho de 2017.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Crucificado

 
Crucificado

No Cristo crucificado, lemos que o poder absoluto de Deus se opera na ocasião em que não há mais possibilidades de se mover as mãos ou os pés, posto que os cravos estacados os prendem ao madeiro. É ali que o pecado é destruído! É ali que a redenção e perdão são consumados! Sem gritos! Sem oração forte! Sem voz entonada por um microfone! 

É na vergonha! É na exposição pública a torturas e xingamentos! É nos açoites e nos espinhos que penetram a fronte! É na carne rasgada! É no corpo moído! É nas chagas e no sangue derramado! Em tudo isso é que o Poder de Deus se revela absoluto e absolutamente para a salvação de todo aquele que crê!

Eis, diante de nós o Escândalo, a Loucura e a Redenção!

Caminho

 
CAMINHO

O dia vem clareando tudo. É a consequência natural da vereda do justo. Chega o momento que não dá pra esconder mais nada, pois a luz vai se tornando plena.

Isso é uma verdade em todas as questões da vida. É caminhando em sinceridade nessa vereda, segundo a consciência que por Graça e mediante a fé vem inundando mais e mais o nosso ser, que passamos a perceber o que na vida simplesmente é, bem como tudo aquilo que, de fato, nunca o foi.

Com relação às amizades, por exemplo, quanto mais caminhamos nessa sinceridade, no Evangelho, vamos percebendo aqueles que são irmãos, no amor de verdade, e aqueles que nunca se disponibilizaram a ser. As invejas, ações, omissões e olhares vão se manifestando e manifestando quem é e quem não é amigo.

Nas decisões do mesmo modo! Vamos tendo a percepção clara do que devemos semear para que colhamos em justiça, paz e verdade. Mas só tem essa percepção quem se permite enveredar-se pelo caminhos dos justos. Ou melhor: Pelo Caminho daquEle Único que foi plenamente Justo e que, sendo de fato Justo e Justiça, também é o Único Caminho!

NEle, as de-cisões, são realmente cisões, cortes, que determinam a transformação do entendimento, e a inapelável experiência do que é misteriosa, assustadora e maravilhosamente, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus! Essas cisões, fruto das nossas decisões, se revelam em relação a tudo que, de fato, nunca foi Verdade! São cisões com todos os tipos de "ismos"; os quais, antes de tudo, não passam de vários tipos de religiosismos, com fundamento no próprio idiotismo! 

Enquanto caminhamos iluminados pela necessidade de cisões com tudo aquilo que, no âmago não passam de tentativas frustradas de "religare" (religiões), vamos compreendendo o que, de fato, religa, conecta! E vamos entendendo que o verdadeiro Caminho do "religare" passa necessariamente pela simplicidade, pela humildade, pela Graça! 

Bem, não vou me estender mais! Entretanto, sei que nessa Vereda, tudo que é para se revelar, se revela; e tudo que é para cindir, cinde-se; e tudo que é para se religar, também se religa! Essa vereda é como a luz da manhã, e um dia será, para os que nela caminham, Dia Perfeito e Perfeito Dia!

Caminhando naquEle que É,

Jordanny.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Deixa-me

 
Deixa-me

Deixa-me provar teus lábios, 
Tua doçura;
Deixa-me provar-te, e encher-te 
De ternura...
Deixa-me saber teus medos,
Tua loucura;
Deixa-me tocar tua nobre
Alma nua...
Deixa-me deitar-te em minha
Cama-tua;
Deixa-me olhar tua bela 
Face-lua...
Deixa-me sondar tuas vias,
Rotas, ruas;
Deixa-me perder-me em tuas
Sendas, curvas...
Deixa-me beber tua poção,
Tua cura;
Deixa-me encantar por tuas
Artes puras...
Deixa-me escalar teus seios,
Tuas alturas;
Deixa-me medir teu ventre,
Tua fundura...
Deixa-me abraçar-te em noites
Frias, turvas;
Deixa-me salvar-te nas fendas
Mais escuras...
Deixa-me sorrir, em tuas
Travessuras;
Deixa-me chorar, em tuas
Amarguras...
Deixa-me gozar tuas breves
Aventuras;
Deixa-me romper tua forte
Armadura...
Em sombras, à deriva, ou longe
De tua paz,
Deixa-me expressar um só
Desejo mais:
Que não me deixes ir, tampouco
Te deixar,
Posto que, condenado, minha sina
É te amar!

Em 14 de abril de 2017.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Soneto aos Miniformandos

 
Soneto aos Miniformandos

Incontáveis estrelas do céu
que aos meus olhos me fez encantar,
inda que numa ilusão sem par,
ao mar feito um “barquim” de papel;

foi daí que um presente de mel
veio aqui, neste mundo, brilhar,
num sorriso tão doce e um olhar,
de tão puro, fez sentir-me um réu

condenado à sina do amor.
Seja herói, princesinha ou que for
fez morada em meu coração

recheando minha vida e canção,
que outrora se viu tão vazia,
mas que agora é de intensa poesia!

Gama, 19 de dezembro de 2012.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Aquarela

 
AQUARELA

Numa sequência peculiar de detalhes, a vida se revela como uma única e magnífica obra. É como uma aquarela, que, vista de perto, não passa de um borrão de tinta. Mas ao distanciarmos a visão, o que era borrão cria forma; e o que parecia não ter significado, alcança significância. 

Tudo, porém, é para a Glória daquEle que se dedicou a pintar!

Não faça pouco caso dos detalhes, pois tudo na vida conta! E o que aparenta ser um simples e pequenino detalhe, é o que essencialmente compõe a arte de viver!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Quando até o "bem" não me convém

 

QUANDO ATÉ O "BEM" NÃO ME CONVÉM

Tudo nessa vida precisa ser comedido, equilibrado. Até mesmo as virtudes! Uma virtude exercitada de modo imprudente se torna um fardo de inconveniência. A conveniência, por sua vez, sempre deve amparar a licitude de todas as coisas. Por isso Paulo nos diz que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.

É fácil entender o fator conveniência versus licitude quando estamos diante de algo manifestamente errado. Entretanto, quando o assunto são as nossas virtudes, parece que temos o direito-dever de manifestá-las sem qualquer pudor, ou equilíbrio.

A sinceridade, por exemplo: Pensamos ser uma virtude a ser manifestada de qualquer modo, em qualquer ocasião e lugar, e a qualquer um. Há em alguns de nós uma necessidade pulsante de expô-la irrefreadamente. E, expondo-a, cheios de razão, ainda justificamos o nosso inconveniente vômito de sinceridade sob argumentos do tipo "eu sou sincero mesmo; não sou falso; vão ter que me engolir; quem não gostou é porque não gosta da verdade!". 

Meus caros amigos, a medida de sobriedade para o exercício de quaisquer virtudes, deve ser o amor consciente, que nos alcança e nos enche de discernimento. E que discernimento é esse? Discernimento acerca do momento oportuno, dos motivos certos, e até mesmo em relação a quem é sujeito e objeto de nossas virtudes. No nosso exemplo acerca da sinceridade, o fato é que há até mesmo pessoas para as quais não podemos expô-la. Não obstante, será como lançar pérolas aos porcos.

Nossas virtudes devem ser exercidas em todo o tempo, mas com todo o amor, zelo e discernimento. Assim, acresce-se às virtudes que se evidenciam em nós, a conveniência, que em si mesma compreende o lugar apropriado, o momento oportuno e a pessoa (ou grupo de pessoas) certa.

A conveniência é, assim, uma virtude que nos ensina o exercício inteligente e apropriado de outras virtudes.

Reitero que até mesmo nossas mais sublimes qualidades não podem ser o fim em si mesmas que justifica as nossas atitudes inconvenientes. 

Ajamos sempre com equilíbrio, inteligência e, sobretudo, em amor.

Não manifestar algo que poderia se auto-aclamar como virtude própria em alguns momentos, não representa em todos os casos falsidade, desvio de caráter, medo, covardia, omissão, ou coisas desse tipo. Pode simplesmente revelar maturidade daquele que carrega, em si, a virtude.

Entender isso pode nos ajudar a evitar muitos problemas. Mas lembre-se de mais uma coisa: Há momentos em que nossas virtudes devem ser exercidas manifesta e inequivocamente. Discernir isso é que é imprescindível!

sábado, 1 de abril de 2017

A Graça nas Bolotas

 
A GRAÇA NAS BOLOTAS

Inúmeras vezes são nas "bolotas dos porcos" que a Graça termina por se evidenciar em nós, visto que ali a nossa consciência é brindada com o arrependimento e o desejo de retornar ao seio do Pai. 

Essa Graça, que habita na consciência, é tão misteriosa e extraordinariamente sublime, que chega a desnudar a hipocrisia do "irmão mais velho", o qual, julgando ter vivido sempre junto ao Pai, nunca regozijou-se nisso, posto que sua consciência se fez reduzida à obrigação de tornar-se aquele que é digno. Agora, imaginando-se o mais digno, este imão mais velho tenta justificar sua inveja mediante um vitimismo vil, ingrato.

Já a Graça que frutifica no entendimento do pecador se manifesta sempre como consciência de indignidade e posterior súplica por misericórdia. A consequência inevitável disso é o retorno quebrantado, seguido da recepção calorosa de um Pai amoroso, coroada por vestes novas, comunicada num banquete especial, e selada com um anel posto no dedo!

quinta-feira, 30 de março de 2017

O que sou...

 

Dizia o poeta:
Então, meu complexo de inferioridade, que nascia de uma sensação fundada na minha insegurança, foi substituído por uma forte e segura convicção de minha pequenez... Não me acho mais inferior: tenho certeza de que sou muito - muito mesmo! - pequeno!

Assim, vou me convertendo ao que desde o início eu deveria ser, no caminho do abandono de quem, querendo ser, de fato nunca fui. E na brisa da simplicidade de me achar no propósito sob o qual sou, revisto-me da leveza de não desejar mais ser outrem! 

Enfim, o fardo da necessidade de grandeza, deixei para trás. E hoje, apenas caminho conforme a vida, em verdade, se revela a mim! Fora disso, fora dessa consciência - entendi - não há viver, mas somente existir!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Abandono

 

ABANDONO

A vida é, em si mesma, a contínua lição do abandono. É o esvaziar-se sempre de razões, motivações, e até de respostas prontas, para que a Verdade seja impressa, firmada no ser. É, portanto, abrir mão de "ter"! Mas não somente o "ter" material, mas também do "ter" imaterial.

Contudo, quanto menos parecemos ter, quanto mais deixamos para trás, mais passamos a possuir, porquanto, efetivamente, mais passamos a ser. 

Sobretudo, que Ele Seja, o que de fato extraordinariamente É, em nós, para que, tendo-O, sejamos nEle!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Gostando e Desgostando

 

GOSTANDO E DESGOSTANDO

A vida vai se desenvolvendo na experiência do gostar. Desde cedo as nossas predileções vão sendo aguçadas e, com o tempo, afuniladas. Entretanto, no caminhar do tempo, parece que as nossas tendências e gostos vão se acrescentando, subtraindo, multiplicando, dividindo. 

Em muitos casos a gente, sob a égide de Cronos, de tanto provar mais e mais o que se gosta, parece que acaba por desgostar. A experiência do desgosto tem que caminhar junto com a do gosto, daí decorrendo em alguns casos. Isso nos amadurece; isso nos torna mais graves; isso nos desenvolve como seres humanos. 

Você conhece facilmente o grau de imaturidade de alguém de acordo com o quanto esse alguém se propõe a saciar ao máximo os seus gostos. Ou seja: quanto mais indeciso acerca do que realmente se gosta, e ávido em atender o que já supõe gostar, mais imatura uma pessoa normalmente é. E quanto mais decidida a, inclusive, abrir mão de vários de seus gostos, mais amadurecida e humana uma pessoa se apresentará. 

Alguns nesse caminho, após experimentarem tantos gostos e desgostos, se veem cansados, fatigados, entristecidos, sem mais desejo algum de se saciar, ou enveredando-se no saciar-se em qualquer novidade que lhes seja apresentada. Então se perdem no despropósito de ser, caindo num vazio de angústia; num turbilhão de ansiedade inexplicável; num sentimento nostálgico inquietantemente depressivo. Tudo isso porque se perdeu no propósito de ser, enquanto buscava ardentemente atender seus gostos, ou enquanto se fez moralmente motivador de seus desgostos.

É também verdade que tanto a avidez pelos próprios gostos, quanto o repúdio fanático a estes mesmos gostos, objetificando-os como o núcleo de seus pecados, apontam para a consciência imatura do ser. Gostos e desgostos são para o homem, mas o homem não deveria ser para os gostos e desgostos. Assim como o comer e as vestimentas são para o homem, mas o homem não é para a comida e nem para as vestimentas.

Quando se entende isso, entende-se também que o núcleo de tudo não é a coisa que se gosta ou se desgosta, mas a motivação que me faz deixar o que eu gosto, ou até experimentar o desgosto. Nesse ponto, chego no amor! O amor transcende nossos desejos, ou mesmo nossas predileções. O amor também nos faz provar até mesmo o que não gostamos. Enfim, no amor, gostos e desgostos se tornam apenas instrumentos de quem ama, em favor desinteressado a quem é amado. 

Fazemos, por amor, o que não gostamos, e deixamos de lado o que gostamos. E enquanto fazemos tudo isso, o amor, em si mesmo, nos supre em alegria, gratidão e paz. Em tudo isso, há inefável e completo prazer!

Transcenda, pois, o gostar e o desgostar e apenas AME!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Fotografia

 

Fotografia

Então nas fotos eu tenho tudo o que não sou. Nas fotos eu fui tudo o que não pude e até o que nem quis. Meus sorrisos eram os mais belos; minha alma a mais triste... Fotos, enganem-me um pouco mais, iludam-me... Que os flashs brilhem... Mas a luz foi imediata, rápida, instantânea, e se apagou... Assim como o sonho que se registrou... Fotos, escondam minha tristeza, e gritem o que nem mesmo sei de alguém que enfim não sou...

terça-feira, 21 de março de 2017

Visto de Longe e Fora de Foco

 
VISTO DE LONGE E FORA DE FOCO

A imagem acima representa uma parábola perfeitamente aplicável à vida. Gostaria, antes de tudo, que você tentasse decifrar mentalmente o que está vendo.

Alguns vão pegar essa imagem e virar de um lado para o outro, ou colocar de cabeça para baixo na tentativa de decifrá-la. Há, porém, um segredo que provavelmente nos facilita discerni-la: Olhar à distância! 

Você tentou novamente? Ainda não conseguiu? Então vai mais um segredo: Olhando-a a certa distância, desfaça um pouco o foco! Pronto? Provavelmente agora a imagem ficou nítida! E, se você conseguiu decifrá-la, você também está perplexo com a obviedade do que se revelou. E digo mais: Você praticamente não consegue ver outra coisa a não ser o que, de fato, esse desenho é!

Pois bem, meus amigos: Algumas coisas na vida também são assim. Alguns problemas; algumas circunstâncias adversas; algumas dificuldades que experimentamos... Vários fatores podem, em determinado momento, atrair a nossa atenção e o nosso foco de modo conciso, direto, fatalista! Contudo, olhar de perto alguns problemas, pode significar distanciar-se do discernimento preciso para se encontrar a solução. Não poucas vezes, discernimos claramente algumas situações quando nos distanciamos e nos desfocamos um pouco destas! 

Nossas vidas, conforme percebo, são como magníficas obras de arte pinceladas sobre a tela do existir! Algumas circunstâncias parecem não fazer sentido, principalmente, quando estamos com olhos fitos e aproximados dessa tela! Entretanto, ao passo que vamos nos desprendendo um pouco, e mudando o olhar e o foco, o que aparentava ser um borrão obscuro, se evidencia e se completa na junção com outras cores novas e, no fim, tudo vai se discernindo de modo belo e extraordinário... É quando percebemos que as cores claras dependem das cores escuras, e que as cores tristes deixam nítidas as cores alegres!

Não se pode, porém, confundir o distanciar-se com o "ignorar", ou com o "fugir" do problema! Pelo contrário: Distanciar-se de modo cônscio, é caminhar no sentido da meditação, do exame, e do enfrentamento inteligente, mas não desesperado!

Também não se pode confundir o "desfocar" com o "desconcentrar". Desfocar, nesse caso, representa o ato de não absolutizar o problema ou a circunstância, tornando-o maior do que realmente é. Desfocar de modo inteligente, é descansar o olhar que estava estagnado, inerte, sobre a adversidade. É permitir-se ver além! E ver além é a chave que abre as portas para novas oportunidades!

Então, não se desespere; afaste-se um pouco e alivie o esforço impingido sobre o olhar! Descanse enquanto age! Busque olhar além! Você verá, depois disso tudo, que a imagem ficará nítida, e que o que aparentava ser um borrão indecifrável, será palpavelmente discernível. Então, de repente, você se verá perplexo pela escandalosa verdade manifesta no que agora é óbvio!

Há sempre uma saída! Há sempre solução! E a beleza se torna nítida e indiscutível!

Gama - DF, 21 de março de 2017.

terça-feira, 14 de março de 2017

Ingratidão

 

INGRATIDÃO

Gritaste-me teu silêncio, 
E eu não ouvi;
Tremulaste-me em tua quietude,
E não me comovi;
Tocaste-me à distância,
E eu não senti;
Regaste-me em tuas lágrimas,
E as não bebi;
Choraste-me teus risos,
E não os discerni;
Sopraste-me teus versos,
E eu não os li;
Sussurraste-me teus sonhos,
E eu adormeci;
Fitaste-me em teus olhos,
E eu me escondi;
Provaste-me em teus lábios,
E eu me esvaí;
Colheste-te me em tuas mãos,
E eu te feri;
Deste-me teu coração,
E eu escarneci;
Achaste-me em tua alma,
E eu te perdi!

Gama DF, 14 de março de 2017.

Jordanny Silva

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulher

 
MULHER

Mulher que é linda,
Seja qual lida lhe impôs a vida, 
Que nos deu, sobretudo,
O privilégio de contigo lidar...

Mulher que é vida, 
Porquanto divide
Em sua própria vida, a vida
Gerada em seu corpo-ventre,
E assim multiplica, deixando-nos
A eterna dívida de podermos
A vida experimentar.

Mulher que nos dá alimento 
E alento, tudo em seu seio,
No simples contento de se doar;
E que enche esse peito,
No sacrifício, de respeito,
Perdão e amor, 
Na sublime missão de se ofertar!

Mulher que ensina a linguagem
Da vida, condensada em olhar,
Gesto, jeito, riso, choro,
E até no rebolar; 
Deixa o poeta louco, perdido,
Absorto, pois no dever
De encontrar as palavras, 
Percebe quão limitadas são
Todas as línguas, 
De homens e anjos,
Para expressar o que
No amor, e em silêncio, 
Mulher, tu nos dizes!

Mulher que é também
Paixão e ardência, que excita,
Provoca e, porém,
Invoca decência; 
Cabe, pois, a nós, 
Total reverência, ao adentrarmos
Nos palácios de teu coração;
E com todo o zelo, amor,
E aconchego, bebermos 
Do cálice da intimidade, e do mel,
Que em teu corpo guardaste,
- Creio eu - desde a eternidade,
Junto as deidades; a ambrosia
Que nos eterniza, 
Enquanto humanidade!

Mulher que é saudade, 
Que é força e vitalidade, 
Seja qual for a idade,
Seja sempre a simplicidade,
Que nos cativa e invade.

Mulher de verdade
Não deseja ser mais,
Mas deseja apenas ser o que é:
Em tudo, por tudo, e sobretudo,
Mulher!

Gama, 08 de março de 2017.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Aforismos e Poesias: Lúcidos Devaneios - Parte 31



Bela

No mistério que há em teu olhar
tua alma se despiu fascinante,
com receios, mas a cada instante,
quanto mais se deixou cativar.

E eu aqui de ansiedade sem par
desejava te ver mais que antes;
conhecer teus detalhes, teus lances;
ler tua face, teu nobre luar.

Nomeei em teu céu as estrelas:
Busquei nelas prever o futuro;
decifrar teu sorrir, tua tristeza.

Quis perder-me em teus labirintos,
navegar em teus mares longínquos;
de tua nau, ser o porto seguro.

Jordanny Silva

Gama – DF, 18 de abril de 2012.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Aforismos e Poesias: Lúcidos Devaneios - Parte 30


Transcendente Tempo

Tempo que vai, que foi, que é;
Tempo que tem poder 
De dar, e de tirar, e devolver;
Só não devolve a si mesmo, e, 
Enquanto a si dá, a si tira;
Mas tire de mim sobretudo 
O medo de ti, feroz Tempo, 
Para que o tempo que resta não suprima o que é,
Sendo então tempo infinito, 
Conforme o poeta
Nos deixou dito,
Enquanto durar.
E que este seja o tempo, na memória, no alento, 
Seja veloz, ou seja lento, conforme indique o riso,
Ou o sofrimento;
E que sempre fale ao coração atento:
"Pareço-lhe senhor, mas ao Senhor me rendo,
Porquanto a mim fizeste, 
Antes de mim, fora de mim,
Em tempo e fora de tempo,
Singelo e forte como o vento:
Eu, o Tempo!"
Temporal também sopraste, 
Mas na atemporalidade, 
Senhor do Tempo, me guardaste!
E torno-me a ti, insaciável e voraz Tempo,
Pois não quero que te esvaias, 
Porém apenas que te vás,
Esvaziando-te e assim me enchendo,
Seja de dor, ou de contento;
Síntese de teses e antíteses de meus momentos...
E me encontro no momento,
Enquanto perco-me em pensamentos:
Que a frágil vida, imbuída de sua natural lida,
Em suas vindas e idas, 
Contra ou a favor do tempo 
Te transcenda, Tempo!

Gama - DF, 02 de janeiro de 2017.


Jordanny