sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 8



CAPÍTULO 6 - Qual Tem Sido a Preocupação do Crente da Atualidade?




Em proporção ao desenvolvimento tecnológico e científico da atualidade, encontramos o aumento de falsos mestres e falsos profetas. Tudo isso foi profetizado por Cristo, bem como pelos diversos escritores do Novo Testamento (Mt 7.15; 24.11; 2Co 11.5; 2Ts 2.3-15; 1Tm 4.1-4; 2Tm 3.1-5; 4.3,4 etc.). A apostasia generalizada é a regra dos últimos dias e é o que temos testemunhado. Não obstante, as próprias mensagens são focadas muito mais no homem do que no próprio Deus. O que verdadeiramente acontece, é que o número de falsos mestres aumenta segundo o próprio interesse de seus expectadores, fãs e admiradores. Esta é uma verdade irrefutável!




É, por exemplo, crescente a procura por livros cristãos voltados para a auto-ajuda. De mesmo modo, dentro das igrejas assistimos a uma pregação triunfalista, onde cristãos se julgam tão senhores de si, que passam a determinar bênçãos e a decretar vitórias. Tais crentes se julgam deuses, com poderes especiais e quase absolutos, albergados por uma fé que se baseia no poder da fé.




Nos ajuntamentos evangélicos, ao contrário do exemplo de Cristo, o que vemos é um grande número de pessoas que se dizem cristãs, cheias de arrogância, cheias de si. Parece um bando de crianças mimadas acostumadas a caprichos com um Deus a sua mercê, para atender todos os desejos de seus coraçõezinhos. Apostam na prosperidade material e no sucesso nas finanças e na vida pessoal como sendo o propósito principal e inegociável sobre o qual Deus lhes colocou. Logo, berram que o sucesso, o dinheiro e/ou a fama são seus direitos e que Deus lhes dará custe o que custar. Ao mesmo tempo, apresentam um novo tipo de fidelidade baseada em barganhas onde os dízimos e eventuais ofertas cumprem o papel implícito, ou às vezes explícito, de fazer com que Deus lhes abençoe. Vão à igreja e se julgam adoradores extravagantes, mas são vazios de Deus e cheios de si. Adotam símbolos judaizantes, dos mais variados possíveis, e rogam para si os direitos prometidos à nação de Israel, valendo-se dos tais amuletos como pontos de contato para o aumento de sua fé. Dão ênfase, em suas pregações, ao poder de Deus, mas se esquecem de pregar a fraqueza de Deus: Cristo e a cruz (que para os tais é escândalo). São invejosos, consumistas, cobiçosos, insaciáveis e estupidamente otimistas.




Deleitam-se em seus prazeres e esquecem-se do restante do mundo. Querem os melhores concursos públicos, os melhores cargos e empregos, os melhores salários; tudo para seu próprio deleite (Tg 4.1-3). Aplaudem mais às conquistas atreladas a bens materiais, como automóveis, casas, viagens e afins, do que a salvação das almas perdidas. Quando alguns manifestam certo regozijo com a conversão de um pecador, este está muito mais voltado para os números, para as metas de crescimento do que efetivamente para o resgate daquela vida.




Tornam-se supersticiosos, acreditando que se algo não está dando certo em suas vidas é por conta de olho grande, mandingas e encantamentos mil. Dizem que as dificuldades são resultantes de diversos tipos de maldições voluntárias e involuntárias, hereditárias, individuais e coletivas. Não são capazes de perceber que o sacrifício na cruz do calvário quebrou a maldição da lei (Gl 3.13). O evangelho da cruz é para os tais escândalo visto que estão obcecados pelo judaísmo, não pela lei em si, mas pela glória terreal a exemplo dos tempos de Salomão. Isolam textos bíblicos e exalam uma arrogância poética dizendo-se mais que vencedores, mas não sendo capazes de prevalecer perante a mais tenra das provações. Aliás, qualquer tribulação que venham a experimentar é fruto da falta de fé, ou de maldições, ou de feitiço ou de qualquer outra coisa; ao invés de ser fruto para o aperfeiçoamento (Tg 1.2-4; Rm 5.3-5).




Criam os mais diversos tipos de ídolos: cantores, músicas, pregadores, bandas e tudo mais. São toalhinhas com suor santo; água com poder sobrenatural; portal da bênção; arca da aliança para o milagre; paletó com a unção do “cai, cai”; azeite de Jerusalém. Há até mesmo vinhetas de uma produtora musical famosa que diz: “Você adora, a ...... toca”! Efetivamente, os cristãos atuais adoram, mas não o Deus absoluto. Adoram seu estilo de vida. Adoram suas convicções pessoais! Adoram o seu eu! Adoram suas contas bancárias recheadas de verdinhas!




Alvejam ao patamar da mídia comercial gospel a fim de viverem o glamour e o sucesso que ali é oferecido. Ajuntam-se desesperadamente para assistir a missionários que avocam para si um poder sobrenatural de cura, adivinhação, e milagres de preferência de ordem financeira. Atrelam-se a campanhas intermináveis de libertação onde são infectados por mais engodo e por manifestações espirituais duvidosas (Ef 4.14).




Muitos aprendem a crer nos “absolutos” que lhes convém, relativizando e negociando todo o restante. Na verdade, são cristãos nominais e absolutamente incrédulos uma vez que só se associam a determinada profissão de fé “por via das dúvidas”. E essas dúvidas são as mais variadas. Iniciam-se em relação, primeiramente, à ortodoxia da fé! Tais cristãos mal entendem o que é graça ou justificação, dentro do que a Revelação nos permitiu compreender; o que é salvação; o que é nova vida em Cristo; o que é evangelho do Reino; o que é confiança absoluta e plena em um Deus Todo-Poderoso! É uma safra de cristãos ignorantes, fitados em uma pragmática recheada de propósitos vãos, numerários, egocêntricos, imbecilizados!




Para manterem-se firmes nestes propósitos, atestam e colecionam frases de intenso efeito para o ego, mas vazias de verdade quando contrastadas com a Palavra de Deus. Vinculam-se a um otimismo idiotizado, onde gritam como que hipnotizados frases do tipo: “Este é o ano da colheita”; “Este é o ano da vitória”; “Este é o ano da conquista”; “Este é o ano da...” etc.. Chegam ao absurdo de acreditar que a repetição dessas frases terá um efeito mágico e o que observamos é que a grande maioria que vive dentro dessas igrejas não recebe o esperado. Enquanto isso, os líderes de tais denominações, engordam-se materialmente e almaticamente! Enchem-se de orgulho diante de um rebanho sem pastor! São cegos guiando cegos. Ambos iludidos com fábulas e mais fábulas vivendo o contexto do Velho Testamento que é apenas sombra, enquanto a revelação absoluta e majestosa do Cristo Ressurreto é esquecida.




Cristo, nesse viés, alcança uma figura de mero herói de historinhas dos quadrinhos infantis. Um substituto que, sabe lá porque e pra quê, se entregou e nos salvou. Verteu Seu precioso sangue para que pudéssemos arrogantemente invocar direitos legais advindos de uma herança eterna, mas que tem muito mais valor aqui, nessa vã temporalidade. É aqui que estes querem viver o “melhor” de Deus; ou melhor: o melhor do deus deste século (2Co 4.4).




Estes amontoam, para si, mestres e doutores segundo suas próprias concupiscências e conveniências (2Tm 4.3). O que tiver a pregação mais bonitinha, enfeitadinha, adocicadinha, mais facilzinha de se viver, ou pelo menos de se entender, ganha o título de profeta; de o homem mais sábio de nosso tempo! As profecias, por sua vez, são tão doces... Não denunciam o pecado, porém, trazem uma conotação positiva, bem adequada ao buraco negro inabitável de nosso ego! E a consequência dessas “profetadas”, são expectativas frustradas! São sonhozinhos que morrem e se ressuscitam ao som de uma canção qualquer de “restituição”! E novamente, outra dose de ilusão e de otimismo para mentes débeis é injetada nas veias destes cristãos já viciados nesse positivismo podre que ganha o título de pregação e, muito pior, de evangelho!




Há uma alta gama de ébrios, não do Espírito Santo, mas de um – na visão de Hegel – Zeitgeist (“espírito que rege o século”), induzidos pela necessidade do que é palpável, visível para que possam crer. Vivem ao mesmo tempo entorpecidos por uma fé infundada, vazia, obscura; que depende de métodos para se alcançar seu ápice. E a partir daí iniciam-se os catálogos e títulos de maior vendagem nesse mercado negro onde a fé é falsificada e contrabandeada: “101 degraus para se obter sucesso financeiro”; “dez passos para mudar a sua história” etc. A sobriedade, a coragem e disposição de buscar a Verdade são trocadas pelo conformismo e comodismo do American dream (sonho americano). Nesse patamar, o Cristo que passam a pregar e a crer, não passa de um contrato de adesão que lhes garante a “salvação”, ou pelo menos ameniza a culpa da consciência. E se iniciam outros dizeres arrogantes: “eu sou salvo; eu já ACEITEI Jesus”! O problema é que o verdadeiro Jesus não os aceitou: os tem vomitado! Há a necessidade de sobriedade! (1Ts 5.4-10).




As ditas músicas de adoração... Muitos dos ajuntamentos evangélicos atuais têm semelhança com o conto do “Flautista de Hamelin”[1], onde com uma flauta encantada várias crianças são seqüestradas da cidade tendo, aparentemente, o mesmo destino dos ratos que foram afogados. Não obstante, enquanto as canções da moda são entoadas, um grande número de pessoas fica hipnotizado diante de um “mover”, que lhe arranca a possibilidade de raciocinar sobre coisas simples como, por exemplo, a letra da música que é cantada. E alguns fazem dessas letras verdadeiras doutrinas e estilos de vida: “eu tenho a marca da promessa”; “eu quero de volta o que é meu” etc. Isso me faz questionar se seria, efetivamente, um cântico de adoração ou uma “adorada canção” entoada. E os “adoradores” ficam extasiados, freneticamente contagiados. Caem, gritam, riem, uivam, mas esse “mover” caminha poucos metros para fora da igreja, e novamente seus participantes rendem-se a uma fé inerte, inativa, morta. Ainda defendem que isto é obra do Espírito Santo, mas o próprio sentimento egoísta de prazer que lhes envolve já revela dissonância com o fruto do Espírito. São, portanto e, tão somente, prólogos de vaidade.




Nos “moveres” da atualidade, há muita pirotecnia; muito barulho; mas pouco fogo consistente. Ao exemplo dos fogos de artifício, estes sobem e explodem chamando a atenção, mas sua chama logo se esvai. Assim são estes novos cristãos e ajuntamentos: sua chama é curta e depende de uma pólvora que se consome rapidamente. Em pouco tempo se veem desmotivados, desanimados, desesperados. Já o combustível do Espírito, eterniza-se dentro de cada um de nós; vai além das línguas dos anjos ou dos homens; vai além de qualquer sacrifício que algum de nós possa realizar; vai além das profecias e da própria fé: é o amor de Deus derramado sobre nós (1Co 13; Rm 5.5). Acerca desse combustível tratarei no tópico ulterior.






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[1] Conto folclórico escrito pelos Irmãos Grimm.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 7









CAPÍTULO 5 - Cartas Escritas e Lidas




“Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2Co 3.2-6) [Ênfases adicionadas]




Somos cartas escritas. Mas a grande diferença entre nós e uma correspondência comum, é o endereçamento que transcende o pessoal e se direciona a todos os homens. Ser consciente dessa diferença é essencial para que a nossa fé tenha impacto nesse mundo perdido. Temos, enquanto cartas escritas, a função de expressar mediante um viver reto todo o conteúdo da nova aliança. Em outras palavras, o novo testamento é manifesto por meio de nossas vidas. Isso traduz uma responsabilidade sobrenatural que só é possível mediante a graça do Senhor.




Ao mesmo tempo, ao contrário dos fariseus hipócritas tão confrontados por Cristo, não expressamos uma teologia vazia, baseada em um conteúdo moral impossível de se viver. Não! Como bem observado por Paulo no texto a que se fez referência, Deus nos capacita a sermos ministros da nova aliança, não segundo a lei veterotestamentária, mas segundo a vida que se manifesta por meio do fruto do Espírito.




Somos, portanto, observados por todos que estão a nossa volta. Vivemos em um imenso “Big Brother”, onde o mundo lê a nossa vida e espera de nós testemunho convergente com o que professamos. Não há, pois, espaço para mau testemunho e, se esses existem, a consequência é o descrédito exponencial em relação a nossa fé. A gravidade disso aponta para a crescente apostasia observada nos dias atuais (2Ts 2.3; 1Tm 4.1; 2Tm 3.1-7; 4.1-4). Não obstante, o próprio Cristo chega a exclamar: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18.8).




A crise de fé acompanha a crise de piedade. Na verdade, a piedade deve ser exercitada pelo servo do Senhor (1Tm 4.7,8). É justamente na piedade que se revela a verdadeira religião, conforme nos ensina Tiago:




“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tg 1.27)




Ao contrário do que vemos atualmente dentro da maioria dos ajuntamentos evangélicos, a religião verdadeira não se manifesta por meio de ritos complexos ou invencionices baseadas em fábulas. É representada pelo amor aos necessitados. Essa religião grita alto, chama a atenção e convence o pecador do amor de Deus revelado em Seu Filho, Jesus Cristo.




Testemunhamos um crescente número de teólogos e estudiosos da palavra de Deus. Isso é algo bom! Contudo, o que não podemos é ter um grande número de teóricos que interpretam a Palavra, mas não a praticam (Tg 1.23-25).




É crescente, por exemplo, o mercado de livros no meio evangélico. Junto com isso aumenta-se o número de pregadores itinerantes, que vivem desse comércio. Enquanto isso, mais e mais a palavra tem sido mercadejada, fazendo com que alguns vivam confortavelmente os frutos do evangelho, mas poucos recursos adquiridos por meio desse comércio são aplicados em obras sociais; em projetos que atendam a menos favorecidos. A consequência é que o evangelho tem se tornado confortável para os que colhem os seus frutos, mas são poucos os que desejam realmente sofrer por ele. Quem dera se alguns desses pregadores adotassem o entendimento de Paulo: “de graça recebi; de graça dou”! Mas essa não é a nossa realidade.




Esse quadro todo representa um sacerdócio da letra morta. Têm-se ministros que se entregam a “moveres”, outros que mostram uma teologia plausível, mas pouca prática do amor. Grande maioria aquecida pelo frio vil metal.




De mesmo modo, majora-se a quantidade de músicos e cantores no mundo gospel que vive confortavelmente, com cachês expressivos. Novamente, percebe-se que pouco do que se ganha é aplicado em obras sociais. E quando isso é feito, parece que é apenas para desencargo de consciência, ou para tentar trazer uma aparência de piedade. Tempos estranhos são estes, não é mesmo? Com tudo isso, boas oportunidades de testemunho têm sido perdidas.




Se porventura, a igreja começar a viver o testemunho que se opera por altruísmo e caridade, provavelmente o quadro mudará. Não se pode chegar a uma igreja completamente pura, doutrinariamente falando, mas se pode caminhar nesse sentido, desde que observadas as obras do amor, a doutrina, a oração e a santidade.




No livro de Apocalipse temos o exemplo de sete igrejas, onde apenas duas são aprovadas por Deus (Ap 2 – 3). Sabendo que as características apresentadas ali se aplicam ao nosso tempo, citarei a título de exemplo, quatro dessas igrejas.




A primeira igreja apresentada é Éfeso. Conquanto esta igreja tenha sido elogiada por seu cuidado para com a doutrina, demonstrando forte conteúdo apologético no combate a falsos mestres, foi ainda assim exortada a retornar ao primeiro amor (Ap 2.1-7). Não seria esse o caso de inúmeros apologistas da atualidade que, apesar de demonstrar zelo para com a sã doutrina, pecam por não se mobilizarem em amor? Retorno às obras do amor é necessidade para a salvação. Como já demonstrado, a fé sem obras é morta. Sendo, pois, a fé essencial à justificação, a fé inoperante resulta em perdição.




A segunda igreja que citarei é a de Laodiceia (Ap 3.14-22). Vemos essa igreja adornada de prosperidade material. Uma igreja que se julga triunfalista e detentora de uma auto-suficiência aparentemente invejável. Mas a verdade é que não passa de uma comunidade desgraçada, pobre, cega e nua. É uma igreja que adotou um sincretismo tão perigoso que já perdeu sua característica essencial: ser sal e luz do mundo. Por esse motivo está a ponto de ser vomitada da boca de Deus. Essa igreja tem se adequado perfeitamente à nossa realidade. Triste verdade é essa...




Temos, a contra-senso, as igrejas de Esmirna e de Filadélfia. Esmirna é sofredora. Compõe-se de mártires dispostos a darem a própria vida pelo testemunho do evangelho. A sua pobreza material representa riqueza e peso de glória diante de Deus (2Co 4.17). De mesmo modo, a sua tribulação manifesta a sua fidelidade ao Senhor. É sofredora, disposta a prisões e mantém-se fiel até a morte, por isso, tem a garantia da coroa da vida.




Filadélfia, semelhantemente, demonstra paciência e zelo pela Palavra. Em coerência com o conselho do salmista, esta igreja guarda a palavra do Senhor em seu coração (Sl 119.11). Por esse motivo será resguardada do momento de tribulação que virá sobre toda a Terra. Que grande promessa é essa!




Sejamos como essas duas igrejas que apresentam um testemunho puro, santo e verdadeiro. Esse testemunho, sem palavras, responde aos confrontos e ataques do mundo. Esse testemunho revela o caráter precípuo do cristianismo: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo! Glória ao nome do Senhor!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 6









CAPÍTULO 4 - O perfume de Cristo



“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2Co 2.14-17) [Ênfases adicionadas]




Alguns anos antes de partir para a glória, A. W. Tozer de modo verdadeiro e, por isso, profético escreveu o seguinte:




Seria um arranjo conveniente se fôssemos constituídos de modo que não pudéssemos falar melhor do que vivemos. Por razões que Deus conhece, porém, parece que não há necessariamente ligação entre o nosso falar e o nosso agir; e aqui está uma das armadilhas mais terríveis da vida religiosa. [O Poder de Deus; A. W. Tozer, p. 29; Editora Mundo Cristão, 1995. 3ª ed. Tradução de Odayr Olivetti].




O motivo da preocupação desse exímio pastor, escrita nos anos 1950, é tão atual quanto sempre foi na história da caminhada da igreja cristã ao longo dos séculos. O crescimento efetivo da igreja santificada sempre esteve atrelado ao testemunho. É, nos dizeres de Paulo, a fragrância do conhecimento de Deus. Sendo assim, a percepção da manifestação do conhecimento acerca de Deus está no bom testemunho.




A palavra “mártir” significa, originalmente, testemunho. Não obstante, escreveu Tertuliano que o “sangue dos mártires é a semente da igreja”. Quanto mais a igreja primitiva se viu perseguida, por conta do testemunho, mais ela crescia. A maior parte da igreja ocidental, ao contrário da igreja sofredora, que aqui chamarei de Esmirna (Ap 2.8-11), não tem sido perseguida fisicamente. Entretanto, e mais perigosamente, a maior perseguição que se instala atualmente se dá mediante o conformismo, a acomodação espiritual. E quando digo acomodação espiritual, ao contrário do que muitos imaginam, o Espírito se manifesta ou autentica sua manifestação, sempre, por meio de ação (Gn 1.2; Jo 3.8; At 2.1-45; 4.31 etc.).




Não se trata, evidentemente, do que atualmente é entendido como “mover do Espírito”; pelo contrário, em tais movimentos o que temos percebido é muito barulho e pouco resultado. Logo, não me equivoco nem blasfemo quando digo que grande parte desses “moveres” que assistimos no meio de várias denominações evangélicas, é majoritariamente carnal e não espiritual.




Quando estamos diante de um genuíno avivamento, a característica mais marcante é a mudança comportamental, a atitude que o acompanha. Isso é a mais evidente manifestação da “fragrância do conhecimento de Deus”. Entretanto, como reconhecer o cheiro do bom perfume de Cristo, que é a igreja? Trataremos desse tema, a seguir.




1) O Bom Perfume não se dissipa logo




Não sou especialista em perfumes. Mas algo que já me disseram e acredito ser razoável, é que a fragrância de um bom perfume não se esvai rapidamente. Deve o bom perfume permanecer.




Temos testemunhado um grande número de ajuntamentos evangélicos que, em grande parte, se autodenominam pentecostais. Nesses, grande número de espectadores dizem experimentar um “mover” diferente que lhes eleva a um estado de êxtase que lhes proporciona um prazer imediato inexplicável. Acompanham esses moveres as mais variadas unções: unção do “cair no Espírito”; unção do riso; unção de conquista etc. Ocorre que, conquanto os que participam de tais movimentos defendem que as sensações ali experimentadas, a maioria destes ao dispersar-se, não demonstra atitude convergente com o fruto do Espírito.




Já consignei na postagem relativa à “Análise do Encontro” algumas observações relativas a um desses moveres que, por um tempo, foi adotado por minha igreja. Poderia, sem exageros, afirmar que centenas de pessoas participaram dos Encontros realizados pelo ministério a qual pertenço, mas certamente contamos nos dedos os que se firmaram. Na grande maioria, só continuaram participando de nossa congregação os que já eram de lá.




Do mesmo modo, mormente, vejo as igrejas neopentecostais cheias, quase que o tempo todo. Mas a rotatividade de membros é o que mais nos assusta. Os movimentos são criados com a finalidade de chamar a atenção de inúmeras pessoas que, em sua grande maioria, por não serem convertidas ao verdadeiro evangelho, simplesmente, em pouco tempo, abandonam a congregação. Às vezes, ainda valem-se do título de cristãos evangélicos, mas passam um grande período andando de igreja em igreja e, quando não se identificam com nenhuma destas, dispersam-se voltando ao mundo do qual, na realidade, nunca saíram.




Pela rápida dispersão desses frequentadores das igrejas envolvidas com esses “movimentos” espirituais, pode-se perceber que o perfume tem se esvaído rapidamente. Logo, não se pode confiar na doutrina de tais igrejas como sendo em total acordo com a Palavra da Verdade.




Entretanto, para os que continuam freqüentando esses seguimentos evangélicos, observem que seu crescimento se dá muito mais no âmbito da arrogância e orgulho do que da humildade. Os consolidados regozijam-se por participarem na construção de grandes templos, mas fazem pouco ou nada em relação aos necessitados, em contraste ao que efetivamente ganham. Esnobem e exibem grandes carros com um adesivo “Deus é fiel”, uma conta bancária significativa, mas não vivem o amor com uma doação realmente considerável a obras de caridade. São arrogantes, presunçosos, orgulhosos e medrosos. Vivem com medo de olho grande, de inveja e qualquer urucubaca que lhes possa ser acometidas. Dependem, por isso, o tempo todo das mais variadas quebras de maldição; e não conseguem desfrutar prazer em Deus, unicamente. Há excêntrica necessidade do consumismo e do entretenimento para que mantenham sua auto-estima elevada. Esta é a radiografia mais comum do cristão “triunfalista” contemporâneo.




Porém, quando estamos diante de uma igreja revestida com o Espírito Santo, certamente haverá uma consistência nos membros que dela participam. Estes podem até ser em número menor, mas são mais expressivos quanto às questões espirituais. Serão, certamente, mais ativos quanto à prática do amor; mais fortalecidos em meio às lutas; mais pacientes quanto à fé; mais profundos e arraigados quanto à doutrina; mais humildes quanto à consciência da salvação; mais perseverantes quanto à oração; mais cônscios quanto aos dons espirituais; e mais unidos e preocupados uns com os outros. Isso é o mínimo que se deve esperar de uma congregação forte. O problema é que atualmente não temos encontra sequer uma congregação com essas características. Deveríamos, evidentemente, caminhar nesse sentido a fim de o aperfeiçoamento dos santos ser manifesto a todos.




2) Pela fragrância é possível dizer o nome do perfume




Todos já ouviram a expressão: “isso não me cheira bem”. Exato! Tal exclamação popular resume claramente o que se pretende abordar nesse próximo capítulo em relação ao reconhecimento do “bom perfume de Cristo”.




Pois bem, os judeus de Beréia foram elogiados pelo doutor Lucas em face de sua atitude em relação à pregação da Palavra da Verdade:




“E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (At 17.10,11) [Ênfase adicionada]




Em suma, como aprendemos a discernir o cheiro do perfume de Cristo? Conhecendo a Sua Palavra. É nela que o conhecimento de Deus se manifesta. Logo, a fragrância do conhecimento de Deus tem que estar de acordo com a Sua Palavra. Assim eram os judeus de Beréia; após receberem a palavra, atestavam sua validade por meio do exame minucioso das Escrituras. Seguindo esse raciocínio, textos conhecidíssimos nos exortam:




“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Os 4.6)




A ignorância bíblica é a grande causadora dessa destruição de conceitos e declínio ético-moral vivido pelas igrejas evangélicas em nosso país, bem como em todo mundo ocidental que um dia ergueu, em estandarte, o título de cristão. Tudo isso somado a um sincretismo doutrinário faz com que a mensagem bíblica se misture ao veneno que o mundanismo apregoa como verdade. A consequência disso tudo é assassinato espiritual em massa. Tudo de mais vil e perverso decorre justamente desse desconhecimento generalizado ou mesmo da negação do conhecimento de Deus. Assim nos exortou o apóstolo Paulo em texto que eu, humildemente, rogo a cada um que leia e reflita com todo o temor e tremor diante de Deus:




“porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Rm 1.21-32) [Ênfases adicionadas]




O texto acima não tem revelado justamente o que assistimos em grande escala no contexto mundial? Inequivocamente, o grande segredo da vitória do cristão nascido de novo, neste mundo fétido, em avançado estado de putrefação, é conhecer o aroma do perfume do Senhor; a fragrância de Seu conhecimento. O profeta Oséias, mais uma vez nos exorta:




“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.3)




Amados no Senhor: meditem na Palavra dia e noite (Sl 1.1-6)! Não se deixem ser enganados! As mentiras e engodos multiplicam-se exponencialmente em nossos dias. Logo, estar bem preparado para a batalha espiritual que circunda nossas vidas é questão de vida eterna ou morte eterna, como já li de um piedoso escritor. (Ef 6.10-18).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 5






CAPÍTULO 3 - O fruto do Espírito



“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (...) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.16, 22, 23) [Ênfase adicionada]



Como dito anteriormente, o termo “obras” alcança seu equivalente em “frutos”. Percebe-se também que quaisquer boas obras ou frutos que se manifestem em nossas vidas não são essencialmente de nossa autoria, mas de Deus. Ele as “preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).



Observando o texto bíblico citado no preâmbulo deste tópico, percebemos a colocação verbal imperativa: “Andai”! Percebe-se, evidentemente, que as boas obras representam um caminho a ser percorrido pelo salvo em Cristo Jesus. Paulo, quando trata do amor, que é apresentado no texto acima como a primeira característica da obra do Espírito, o chama de “um caminho mais excelente” (1Co 12.31b). Tudo isso serve para reforçar que as boas obras não nascem do homem regenerado (Jo 3.8). São, porém, necessárias ao passo que indicam, incontestavelmente, se estamos diante de um salvo ou não! Jesus Cristo trata disso quando nos informa que “a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”.



Sendo, pois, evidenciado que as obras são tratadas como um caminho, o cristão que julga ser salvo, mas não avança nesse caminho, tem negado a própria essência da fé. A exortação de Tiago quanto a crer, mas não exercitar, por meio das boas obras o que se crê, nos faz analisar toda a questão com temor e tremor:



“Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tg 2.18,19). [Ênfase adicionada]



Ora, não há como olvidar correlação mais assustadora quanto à desculpa de uma fé inoperante e inativa, quando o crente, que somente crê, é comparado aos demônios que “crêem, e estremecem”.



Compreendendo-se que as boas obras são um caminho a ser percorrido, deve-se alvejar entender as características desse caminho para que possamos cursá-lo com total certeza.



Nos tempos da Lei dada por Deus a Moisés, é apresentado ao povo de Israel, também, um caminho sob o qual as bênçãos do Senhor seriam manifestas àqueles que perseverassem. No capítulo 28 de Deuteronômio, nos primeiros 14 versos, estão consignadas as bênçãos advindas, condicionalmente, da observância à Lei do Senhor. Nos demais 54 versos (vv. 15-68), vemos uma lista quase que infindável de maldições manifestas por causa da desobediência. O fato é que, conforme o apóstolo Paulo nos informa, todos nós desobedecemos à Lei. Ou seja, todos nós estamos, naturalmente, fadados aos castigos e maldições ali mencionados. Algum pode até argumentar que nunca desobedeceu a todos os pontos da Lei, visto que nunca cometeu, por exemplo, homicídio ou adultério. Entretanto, Tiago nos exorta que, se falharmos em apenas um ponto da Lei, falhamos contra toda esta (Tg 2.10). Algum humano se habilitaria a dizer que nunca tropeçou em algum ponto da Lei?



O apóstolo João, em sua primeira epístola, consigna preciosa exortação, quando nos diz que qualquer um que afirma não ter pecado já é mentiroso (1Jo 1.8). Na mesma carta, vemos João, por direção do Espírito Santo, nos informar que o próprio ato, tido como simples, de se aborrecer ao nosso irmão é imputado como homicídio (1Jo 3.15). Consequentemente, não há como qualquer humano imaginar-se cumpridor da Lei. Somos todos dignos de condenação.



A Lei do Senhor, dada a Seu povo por meio de Moisés, impinge uma série de “nãos”. Uma citação rápida do decálogo aponta que este se caracteriza por exaustiva proibição: “não terás outros deuses...”; “não farás para ti imagem de escultura...”; “não te encurvarás a elas e nem a servirás”; “não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”; “não farás nem uma obra [no sábado]...”; “não matarás”; “não adulterarás”; “não furtarás”; “não dirás falso testemunho...”; “não cobiçarás...” (Ex 20.1-17).



No mesmo sentido, a lista inconclusa apresentada por Paulo na epístola dirigida às igrejas da Galácia, aponta uma sequência de proibições:



“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gl 5.19-21) [Ênfase adicionada]



Esta é mais uma lista de “nãos”. A grande pergunta que surge e que é respondida no próprio texto é: como eu consigo evitar todas as obras da carne? Ficando estagnado, parado para que não cometa pecado? Não! Pelo contrário, é caminhando, andando segundo o Espírito. Em outras palavras, você cumpre os “nãos” praticando os “sins”. O texto inicial deste capítulo aponta para isso: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne”. E o que é andar em Espírito? É justamente praticar as boas obras que caracterizam o fruto do Espírito. É andar em “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Em relação a essa lista que é bem menor, não existem obstruções e nem “nãos”, somente “sins”.



Vejo diariamente diversos cristãos em uma luta extraordinária para vencer as obras da carne. Ficam paradas, inertes, acreditando que assim não vão pecar. O mais ascético de todos os eremitas, no inabitável ermo, comendo, quem sabe a exemplo de João Batista, somente gafanhoto e mel silvestre, não se vê livre das obras da carne se não andar em Espírito. E sozinho, sem a possibilidade de viver o amor prático, é bem provável que nunca andará em Espírito. Crescerá talvez em meditação e em oração. Mas perderá o vínculo da finalidade precípua para a qual fomos criados em Cristo: as boas obras.



É caminhando segundo as boas obras que evitamos, em proporção cada vez maior, as más obras. Deixando de nos preocupar com os “nãos” e assumindo o compromisso, em amor, dos “sins”, certamente galgaremos o “caminho mais excelente”.



Em relação a isso, Paulo nos exorta:



“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Rm 13.8-10) [Ênfases adicionadas]



Não existem deveres e proibições em dissonância com o amor. É justamente no amor, que representa o ápice dos “sins” é que alcançamos um resumo de toda a lei. Esta é cumprida, necessariamente, no amor. No mesmo sentido Jesus Cristo doutrina:



“E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.” (Lc 10.25-28) [Ênfases adicionadas]



Há, pois, como dissociar as boas obras da fé? E há como dissociar a fé da salvação? Fé inoperante, inativa não tem poder contra o pecado. Fé inoperante não tem poder contra a carne. A fé, necessariamente, deve caminhar. E em seu caminho não há obstruções; não há lei! Pois seu caminho é totalmente inverso ao caminho largo, por onde passam os que praticam as obras da carne (Mt 7.13). O fruto do Espírito não é o mais fácil caminho; mas é onde trafegam os verdadeiramente livres! (Jo 14.6; 8.32).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 4









CAPÍTULO 2 - As árvores e os frutos




Por toda a Palavra da Verdade, percebemos menção explícita às boas obras manifestas por intermédio da graça de Deus. Nos evangelhos, Jesus, por analogia, utiliza o termo “frutos”. É assim, por exemplo, que Ele discursa, conforme registrado no evangelho segundo escreveu Mateus:




“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.15-20)[Ênfase adicionada]




Nesse texto fica evidenciada a importância das boas obras como manifestação do caráter e da fé individual. Não é o objetivo aqui, ainda, falar acerca dos falsos profetas. Mas a analogia descrita pelo Mestre é suficiente para clarear e fundamentar a opinião exposta no presente trabalho. Ora, observa-se que a natureza dos frutos (obras) está completamente vinculada à natureza das árvores (pessoa que as pratica).




Em relação à natureza das árvores, Paulo clareia nosso entendimento na carta escrita aos Romanos, informando que todos nós somos, originalmente por conta do pecado do primeiro Adão, por natureza pecadores (Rm 5.12-21; 7.14-19; 3.23). Ora, em Cristo, nascemos de novo e recebemos com isso uma nova natureza (Jo 3.3-8). Essa nova natureza vincula-se e depende do nosso Senhor Jesus, pois Ele é a videira verdadeira e nós somos os ramos, como bem registrou o apóstolo João (Jo 15.1-8). Neste texto, a que se fez referência, percebemos que as obras glorificam ao Pai (v. 8), e determinam a posição de discípulo, ou não, do Mestre Jesus. De mesmo modo, os frutos não são gerados por causa dos ramos, mas por causa da raiz, sendo totalmente dependentes desta. Logo, não há como nos gloriarmos, sendo apenas ramos que, uma vez cortados, só servem para o fogo. Nenhuma dessas obras, ou frutos, nasce de nós, mas parte do Senhor Jesus tendo a cada um de nós somente como instrumentos (Jo 15.5).




Paulo, em analogia semelhante, diz que alguns dos ramos naturais (judeus) da Oliveira (Cristo) foram quebrados, de sorte que no lugar destes foram enxertados ramos do zambujeiro (nós, os gentios), tornando-os, pois, participantes de Sua raiz e seiva (Rm 11.16,17). É evidente que, uma vez enxertados em Cristo, somos capacitados a frutificar no Espírito (Gl 5.22). Acerca da possibilidade de gloriar-se por termos sido enxertados no lugar dos ramos naturais (judeus), Paulo nos traz a seguinte exortação:




“Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.” (Rm 11.18-22)






Impressiona como a doutrina bíblica é perfeita e se completa, sem contradizer-se em um único ponto, enquanto é exposta nas Escrituras Sagradas. Aqui, por exemplo, vemos total coerência com a carta paulina dirigida aos crentes de Éfeso, conforme já citado, em que fica claro que a salvação é dom de Deus e não vem de obras para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). Se há, pois, manifestação de boas obras por meio do servo de Deus, isso é consequência imediata e necessária de sua ligação à raiz, que é Cristo. Fora dEle, não podemos absolutamente nada (Jo 15.5). Aliás, quaisquer manifestações de boas obras ou justiças sem ligação direta em Jesus Cristo, não têm valor algum, já sendo totalmente contaminadas por nossa natureza. Assim se manifesta o Senhor por meio do profeta Isaías:




“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Is 64.6) [Ênfase adicionada]




Não há sequer valor em quaisquer obras de justiça que sejam feitas distante do Senhor. Para uma aprimorada compreensão desse texto, há que se relevar que a expressão “trapo de imundícia” refere-se ao absorvente feminino comumente utilizado naquela época, que era um pedaço de tecido. Desse modo, após utilizado, este absorvente tinha mais algum proveito? Não! Servia apenas para conter a hemorragia proveniente do tempo de impureza da mulher e, pasmem, a imundícia foi comparada a nós. Conclui-se, portanto, que as boas obras ou justiças praticadas fora de Cristo, só servem para maquiar, para esconder a iniquidade que participa de nossa natureza pecaminosa (somos como o imundo).



domingo, 18 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 3






CAPÍTULO 1 - Fé e Obras




A fé é requisito essencial à justificação e consequente salvação do homem (Rm 5.1,2; Ef 2.8-10). Quando falamos da lei, na forma do Velho Testamento, é evidente que a fé para a justificação se opera independente de suas obras. Porém, reitero: a fé que justifica o homem não se submete às obras da lei (Rm 3.20; 4.1-25). Isso não significa dizer que a fé se desvincula das obras manifestas por intermédio da graça de Deus. Segundo a doutrina bíblica das dispensações, vivemos hoje a “dispensação da graça de Deus” (Ef 3.2-6). Ocasião que nasce sob o ministério de Cristo na Terra, com sua morte e ressurreição na Cruz do calvário.




Logo, mediante a fé, surgem deveres arraigados e edificados no amor (Rm 13.8; Gl 3.12-14). É evidente que nós não somos salvos por conta das boas obras ou, como poderia colocar, do testemunho que manifestamos. Mas somos salvos para as boas obras e para o testemunho. Nesse sentido se manifestou o doutor dos gentios:







“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.8-10) [Ênfase adicionada]




Nesse texto, a doutrina de Paulo manifesta total coerência com a doutrina de Tiago, irmão de Jesus, quanto às obras. Veja que a nossa criação em Cristo (v. 10) manifesta uma finalidade que participa de modo indissociável da fé e da consequente salvação. Fomos, sim, criados em Cristo para as boas obras. Esse texto não revela outra finalidade. É evidente que, implicitamente, percebe-se nesse texto a Glória de Deus como finalidade da salvação do crente. Assim, as boas obras glorificam a Deus e não a nós mesmos. Por isso, não somos salvos pelas obras – “para que ninguém se glorie” –, mas para as boas obras, que glorificam a Deus.




As obras, portanto, apesar de não ser o motivo da salvação do homem, revelam-se essenciais, não podendo ser subtraídas do conceito bíblico de salvação em toda a sua abrangência. Nesse sentido, o apóstolo Tiago se manifesta:




“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tg 2.14-18) [Ênfase adicionada]




Nesse texto, percebemos que a manifestação de poder inerente à fé se dá de modo exclusivo por meio das obras. Assim, as obras é que autenticam o selo da salvação do homem. É a evidência clara e inequívoca de que aquele homem foi justificado pela Graça de Deus.




Ainda, em conclusão a este texto, Tiago traz a analogia do corpo sem o espírito, demonstrando que a fé sem obras vegeta, é inativa: é morta (Tg 2.26).




Contrastando as afirmações de Paulo com as de Tiago, o ledor desatento poderia afirmar que os dois entram em evidente contradição. Entretanto, e devo reiterar, quando o apóstolo Paulo diz que a fé é que justifica e não as obras, estava sendo específico quanto às obras da lei. Estas, como dito anteriormente, não se confundem com as obras manifestas por intermédio da graça.



quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 2






A VITÓRIA QUE VENCE O MUNDO



INTRODUÇÃO






Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. (1Jo 5.4)




Grande número de evangélicos se estremece ao pensar que um casal[1] homossexual, ao ser elevado ao patamar de entidade familiar por decisão do Supremo Tribunal Federal, poderá adotar uma criança que levará o nome de ambos em seu registro – já que se abriu precedente para o casamento homossexual no STJ – e será criada já acostumada com a ideia de que o relacionamento de seus pais adotivos é tão ou, dada a peculiaridade de sua educação, talvez mais natural do que um relacionamento heterossexual. Realmente, pensar nisso gera significativo desconforto.




Não obstante, os evangélicos e conservadores acham um absurdo extremo, a possibilidade de toda a formação dessa criança ser deturpada e adequada ao antinatural, afirmando que, atitude como essa, é uma afronta à família, destruindo-a em todas as suas bases. É inequívoco que, biblicamente, a relação homossexual é contrária aos planos divinos. É assustador também pensar que uma criança poderá ser influenciada a tal ponto de, até mesmo, em alguns casos, optar pela homossexualidade num determinado momento de sua vida.




Diante disso, há inúmeros cristãos se posicionando em defesa da verdade bíblica inegociável que, se contrapondo ao pecado em todas as suas formas, denuncia abominável a prática do homossexualismo.




A título de exemplo, certa vez vi um cristão defender que a probabilidade de essa criança sofrer eventual abuso sexual é majorada em face de os seus pais já manifestarem distúrbio de natureza comportamental, revelado em sua opção pela homossexualidade. Tal argumentação foi contestada diretamente por defensores da liberdade homossexual, apontando que, dentro das igrejas, há vários casos em que líderes religiosos já se viram envolvidos com escândalos de tal estirpe. E não há como se contrapor a essa realidade.




Vários outros argumentos desposados pela comunidade evangélica não têm alcançado proporção significativa junto às pessoas do mundo, que já se veem preparadas a responder à altura e com fundamento plausível às posições cristãs.




Entretanto, o que isso tudo tem a ver com o título do presente trabalho e com o texto indicado acima? Eu diria que tudo. A fraqueza do cristianismo atual inicia-se e fundamenta-se na sua fé. Por isso, faz-se necessário pormenorizar a visão bíblica de fé, para depois dar continuidade à reflexão.






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[1] Utilizo-me do termo “casal” em face da conotação atual que tem sido dada a essa expressão, que hoje abrange a relação homossexual. É evidente que, biblicamente, a terminologia se mostra inaplicável.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 1







PRÓLOGO



Como a Fé Cristã pode responder de forma vitoriosa ao avanço do mundanismo?



No mês de outubro de 2011, lia em um portal da internet notícia que divulgava a decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, em relação a um pleito que alvejava a autorização para um casamento homossexual. Essa notícia, no dia em que a li, estava acompanhada de mais de 160 comentários onde alguns de seus autores consignavam congratulações pela inédita decisão daquele órgão, enquanto outros, aparentemente em minoria, revelavam sua indignação em face do acórdão, tendo em vista estar em desacordo com preceitos religiosos.



Nesses comentários, as argumentações de ambos os lados eram repetitivas e não traziam nada de mais peculiar que pudesse chamar a atenção do leitor; apenas servindo de alimento às convicções pessoais e/ou coletivas dos que ali se manifestavam. Mas algo me chamou a atenção: todas as vezes que vi um cristão conservador se posicionar, evidentemente em oposição à decisão, era este seguido de ataques que, enquanto manifestavam certa carga de ódio, acompanhavam justificáveis e, muitas das vezes, incontestáveis argumentações. Estas, por sua vez, eram direcionadas quase sempre ao testemunho cristão.



Sem muito esforço intelectual, observei que tudo isso servia para reforçar a fraqueza e impotência da igreja cristã em relação ao sistema que nos cerca, visto que a fé cristã brasileira, quando confrontada, tem se revelado vazia e inoperante. Desse modo, gostaria de levantar questões que atingem ferinamente o comportamento cristão atual, principalmente quando relacionado ao testemunho de fé. Para muitos, este trabalho pode trazer a impressão de que eu estou fortalecendo as ideologias homossexuais. Para outros, poderá um absurdo, pois aparentemente nega a grande defesa de Paulo: de que somos justificados pela fé. Entretanto, com a reflexão aqui proposta, oro para que haja uma mudança expressiva em nosso meio, para que quaisquer argumentações mundanas sejam destruídas diante, paradoxalmente, de o mais eloquente silêncio, que grita altissonante: o testemunho!





Gama – DF, 02 de novembro de 2011.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Não percam! Em breve: "A Vitória que Vence o Mundo"!


Não gosto muito de jargões sensacionalistas, mas às vezes é importante utilizá-los para chamar a atenção do leitor, como é o caso do título dessa postagem. Mas devo algumas explicações a todos que, eventualmente, acompanham o trabalho que disponibilizo neste espaço. Pois bem, o fato é que estive bastante recluso este ano devido ao intenso trabalho enquanto dava início a um novo escritório de advocacia com uma nova parceria... Foi um laborioso processo de transação. Por esse motivo, não postei muitos textos de cunho apologético. Mas não pensem que eu amoleci... Pelo contrário, apenas estou com menos tempo para produção.

Contudo, iniciarei uma sequência de postagens de um texto que tenho trabalhado, que trata do avanço e da vitória que o mundo tem tido sobre a igreja evangélica brasileira. Devido ao serviço secular, pretendo finalizá-lo até segunda-feira da semana que vem. A partir de então, postá-lo-ei em partes para que facilite a leitura. Também disponibilizarei para download. Agradeço a todos que sempre passam por este espaço! Apesar de não estar postando com frequência tenho acompanhado sempre o trabalho de meus amigos, por meio de seus blogs.

Deus abençoe a todos!

Em Cristo,

Jordanny Silva

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 11




Flores

O tom suave e o aroma insinuaram,
e o que foi rastro fez-se agora evidência,
que descortina e manifesta toda essência
das pretensões que bem no peito se guardavam.

Já as cores fortes e pulsantes, pois, gritaram:
- Não tenho medo, que se explodam as aparências!
Sou réu confesso, pelo amor acorrentado,
de uma história que se finda em reticências...

Se a colisão dos lábios é culpa das flores,
à permanência é responsável o espinho,
pois não se faz só de alegria um caminho;

no intenso amor são tão normais algumas pedras,
e o que se pode esperar do amor de dores
é que ele vença o tempo e dure muitas eras...


Jordanny Silva
Gama – DF, 27 de novembro de 2011.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lembrança de um grande amigo...








Hoje fazem exatos 11 (onze) anos que meu grande amigo, Josué Rodrigues Neves, partiu para o Senhor.

Deixou muitas saudades visto que passou por esta existência marcando os nossos corações. Lembro-me de suas brincadeiras, de suas caras e bocas e o jeito moleque que conquistava qualquer um que o conhecia. Tinha ele 26 anos (como me corrigiu minha amiga Geyse Ambrósio) quando um acidente nos privou de sua alegre companhia. Recordo-me que, no seu último aniversário, a juventude Renovação enviou à porta de sua casa um carro de som para homenageá-lo, o que não o constrangeu nem um pouco. Depois ainda brincamos como crianças, dançando o check-check (acho que era esse o nome da dança).

Lembro-me de seu amor por seu Estado, Tocantins, e em especial por Palmas, manifesto numa foto que ele deixava a vista de todos em seu quarto, quando ainda morava em uma quite na quadra 4 do Setor Sul do Gama – DF. Em seu computador havia várias plantas e desenhos, pois seu desejo era tornar-se engenheiro arquitetônico. Creio que alguns daqueles desenhos nunca irão se apagar de minha mente. Recordo-me, também, do jornalzinho idealizado, construído e editado por sua mente criativa, onde havia várias matérias de interesse da igreja e da mocidade Renovação.

Infelizmente, na noite de 06 de outubro do ano 2000, devido à imprudência de um taxista que tentou uma ultrapassagem pelo acostamento, o carro em que Josué estava foi arremessado contra um ônibus ocasionando a morte dele e de outros dois jovens. Sobreviveu, por milagre, apenas o motorista do carro em que Josué se encontrava, Alan José da Costa. A partir daquele triste dia, três mães não mais sentiriam o afago de seus filhos, cujos nomes trago à memória: André Santos de Oliveira, Arlan de Souza Lima e, meu grande amigo, Josué Rodrigues Neves.

Não posso deixar de citar minha indignação ao saber que o condutor do táxi que deu causa a todo o acidente, cumpriu a pena de 2 (dois) anos, 4 (quatro) meses e 24 (quatro) dias de detenção, no regime aberto, e – pasmem! – teve sua carteira de habilitação suspensa por apenas 2 (dois) meses e 12 (doze) dias, conforme acórdão prolatado no dia 10 de maio de 2007, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (Apelação Criminal nº 2001.08.1.001207-3).

As nossas lágrimas, porém, foram estancadas pela esperança de um reencontro que, de modo singelo, expressei numa canção:

Um olhar sem direção
Ao ouvir uma canção
Muitas lembranças vêm e vão
Seria um adeus, ou não?
Palavras que às vezes dão
Uma pontada ao coração
Tornam mais forte a petição
Por um reencontro entre irmãos

Uma saudade que não cessa
Uma esperança que é certa

Aos que partiram até breve,
Que aos que ficaram nunca cesse
O amor de Deus que prevalece.
A união que nos aquece
Consola àquele que carece
De uma palavra ou uma prece
Tal qual o querer que se persegue
De um grande amigo não se esquece.

A todos vocês que têm grandes amigos, cultivem esse momento e curtam uns aos outros. O mais importante de tudo é cultivarem essa amizade na presença do Eterno, para que, nem mesmo a distância ou a morte, possam separá-los do amor que se revelará infinito, tanto em tempo quanto em profundidade, quando não mais estivermos nesse plano.

Em breve nos encontraremos de novo! Assim creio; assim espero!


Jordanny Silva

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 10



Separação

Sempre hei de lembrar com penosa tristeza
dos cantos e danças de tua alma serena,
e do insigne aroma que exala das fendas
que em teus lábios nascem e inspiram beleza.

Mas o teu olhar, que hoje expressa frieza,
não vê minha dor, que no choro se aquenta;
e os lábios, que outrora seguiram a senda
de teu corpo, vivem constante incerteza:

Incerteza do já que é logo passado;
incerteza do amor (futuro inexato);
incerteza da paz que quis ao teu lado.

E fica a memória do beijo profundo,
e morre a esperança de ter aqui junto,
a quem foi coluna; minha vida; meu mundo.

Jordanny Silva

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 9



Horizonte

Aqui e ali posso fugir de quiser onde?
Pois lá e de cá não sei sentir e ouvir o vento,
e em mim (sem mim) opera sempre a lei do tempo;
de per si me então perco... Adiante o horizonte,

que é alvo meu, mas, atrevido, se esconde;
sei que o não pego – estando à vista me contento;
e no existir o persegui-lo é meu alento:
De lá e de cá o quanto me achego se põe longe.

Talvez os olhos me enganem quanto ao fim,
- Não sei se ao certo a paz ou dor ali reside -
mas nunca fujo sempre e sigo no caminho,

e no fim chego não chegando ao fim da linha;
já que é certo que o incerto é regra, sim!
E que o previsto no imprevisto ali consiste.

Jordanny Silva

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 8

Querer
Quisera eu querer o que queres,
mas meu querer não quer o que quero
Quando quero ao bem querer.

Quisera eu querer o que queres
e me quiseste, a mim,
que só queria aos meus quereres.

Quisera eu querer o que queres
e me quiseste com bem querer
mesmo eu não sendo o que querias.

Quisera eu querer o que queres
e me quiseste num bem querer
sem que eu quisesse o que querias.

Quisera eu querer o que queres
e quiseste que eu quisesse
querer-te como me queres.

Quisera eu querer o que queres,
mas ainda te quero num querer
que não te quer o quanto me queres.

Quisera eu querer o que queres
e hoje quero que o meu querer
te queira o quanto sou querido.

Não quero muito do que queria
e quero querer menos o que já quis,
mas já te quero e quero-te, já, e mais,
pois me quiseste, me queres e me quererás.



Jordanny Silva
Brasília – DF, 16 de agosto de 2011.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 7

Esta publicação é dedicada a todos os papais e, em especial, aos seguintes:





*Divino Aparecido (meu paizão) *Vovô Antônio Honório e vovô Pedrinho (in memorian) *Aos meus tios: Bernardo, Carmelito, José de Fátima, Moisés, Nelino, Nilson e Pr. Cacá *Ao meu irmão, primos e amigos: Jonny, Heberson, Marcelo, Pedrinho, Rick, Junior Sax *Aos irmãos de minha igreja (ICADI Gama e Novo Gama): Alex, Anivaldo, Elson, Eliziário, Inácio, Inailson, Mário, Marcos, Pr. Pedro, Tom e Wellington (o mais novo papai da ICADI) * E todos aqueles que têm feito a diferença no cuidado e zelo que Deus os confiou, inclusive gerando filhos espirituais. Abraços a todos e Feliz dia dos Pais!



Acima de tudo ao nosso Papai Soberano que tem cuidado de nós, nunca nos deixando ao léu! Glória e honra ao Teu Nome...



Soneto do amor paterno

Busquei zelar-te inocente o quanto pude
Sabendo que hás cercada em tão bravas ondas
De um mar que de revolto grandes pedras, conchas
Mostrou bela aparência – mas é vil e rude

Tentei trazer-te à visão da vida cônscia
Enquanto vi, de cá, à submersão tão triste
Do bravo ser teu, que em respirar insiste
Mas que ao orgulho cede e rende à arrogância

Se pedes minha ajuda, a boia do conselho
Te lanço e se ainda te não for suficiente
Me deito às águas frias mesmo que distantes

Pois meu pavor maior de te perder adiante
Faz-me sacrificar da vida até o enredo
No anseio de manter-te ao peito meu bem rente.

Jordanny Silva
Gama – DF, 09 de agosto de 2011.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 6

Soneto da dor presente

À beira do mar um grito
Alento, ao léu, distante
Do ermo fiz meu amante
Quimera? Licor sombrio

Aquiesço à dor: amiga
Que nunca me deixa só
E faz-me lembrar (sou pó)
E em meu coração habita

No hálito: amor, desejo
Não sei definir se o quero
E volto ao ódio e medro

A ânsia do ser – tortura
Sã mente ou sã loucura?
Se a quero entender, esqueço.


Jordanny Silva
Brasília – DF, 02 de agosto de 2011.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Dois surdos: os religiosos e o movimento gay



Por Willian Douglas




Via: Genizah


A decisão do STF, de ser comemorada e criticada, é apenas mais um round na luta irracional que se desenvolve entre religiosos e o movimento gay. O STF acertou na decisão, mas errou em sua abordagem. Ao invés de interpretar a Constituição, ousou reescrevê-la sem legitimidade para tanto. Mas, que razões levaram a Corte Suprema a isso? A imperdoável incapacidade dos contendores de agir de forma tolerante, democrática e respeitosa. A terrível intenção, de ambos os lados, de forçar o outro a seguir seus postulados, em atentado contra a liberdade de escolha, opinião e crença.


Quem ler os relatos contidos em anais da constituinte verá que incluir o casamento gay na Constituição foi assunto derrotado nas votações. O STF mudar esse conceito e ignorar a decisão do constituinte originário é ativismo judicial da pior espécie, mas o STF tem suas razões: os religiosos, ao invés de negociar uma solução, se negam a mexer na Constituição.



O erro da intolerância, o movimento gay também comete ao tentar impor um novo conceito de casamento ao invés da aceitação da união civil estável homoafetiva, e mais ainda, ao defender um projeto de lei contra homofobia que desrespeita a liberdade de opinião e religiosa (PLC 122). Isso para não falar do “kit gay”, uma apologia ofensiva e inaceitável para grande parcela da população. Não há santos aqui, só pecadores. Em ambos os lados.




Erram os religiosos ao querer impedir a união civil homossexual, calcando-se em suas crenças, as quais, evidentemente, não podem ser impostas à força. Mas erra também o movimento gay em querer enfiar goela abaixo da sociedade seus postulados particulares. Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania.




Negar o direito dos gays é tirania dos religiosos. De modo idêntico, impor sua opinião aos religiosos, ou calá-los, ou segregá-los nas igrejas como se fossem guetos é tirania do movimento gay. Nesse diálogo de surdos, o STF foi forçado a decidir em face da incompetência do Congresso, dos religiosos e do movimento gay, pela incapacidade de se respeitar o direito alheio.
Anotemos os fatos. O STF existe para interpretar a Constituição, não para reescrevê-la. Onze pessoas, mesmo as mais sábias, não têm legitimidade para decidir em lugar dos representantes de 195 milhões de brasileiros. Os conceitos “redefinidos” pelo STF são uma violência contra a maioria da população. Nesse passo, basta ler o artigo Ulisses e o canto das sereias: sobre ativismos judiciais e os perigos da instauração de um terceiro turno da constituinte, de Lênio Luiz Streck, Vicente de Paulo Barreto e Rafael Tomaz de Oliveira, disponível em meu blog. O resumo: apenas Emenda à Constituição pode mudar esse tipo de entendimento. O problema: a maioria se recusa a discutir uma solução contemporizadora que respeite e englobe a todos.




O Supremo agiu bem em alertar sobre a incapacidade das partes de resolverem seus problemas no Congresso, mas errou em, ao invés de se limitar a assegurar direitos de casais discriminados, invadir o texto da Constituição para mudá-lo manu militari.




O STF não se limitou a garantir a extensão de direitos, mas quis reescrever a Constituição e modificar conceitos, invadindo atribuições do Poder Legislativo. Conceder aos casais homossexuais direitos análogos aos decorrentes da união estável é uma coisa, mas outra coisa é mudar conceito de termos consolidados, bem como inserir palavras na Constituição, o que pode parecer um detalhe aos olhos destreinados, mas é extremamente grave e sério em face do respeito à nossa Carta Magna. “Casamento” e “união civil” não são mera questão de semântica, mas de princípios, Nem por boas razões o STF pode ignorar os princípios da maioria da população e inovar sem respaldo constitucional.




Enfrentar discriminações é louvável, mas agir com virulência contra os conceitos tradicionais, e, portanto, contra o Congresso e a maioria da população, diminui a segurança jurídica diante da legislação. A tradição existe por algum motivo e não deve ser mudada pelo voto de um pequeno grupo, mas pela consulta ao grande público ou através de seus representantes, eleitos para isso.
O art. 1.726 do Código Civil diz que uma união estável pode ser convertida em casamento mediante requerimento ao juiz. Ora, pelo que o STF decidiu, foi imposto, judicialmente, o casamento gay. Até os ativistas gays, os moderados, claro, consignam o cuidado de não se chamar de casamento a união civil. Os ativistas não moderados, por sua vez, queriam exatamente isso: enfiar goela abaixo da maioria uma redefinição do conceito de casamento. Não se pode, nem se deve, impedir que um casal homossexual viva junto e tenha os direitos que um casal heterossexual tem, mas também não se pode impor um novo conceito que a maioria recusa.
Abriu-se, em uma decisão com intenção meritória, o precedente de o STF poder substituir totalmente o Congresso. Salvo expressa determinação da Constituição para que o faça, quando o Congresso não legisla sobre um tema, isso significa que ele não quer fazê-lo, pois se quisesse o teria feito. Há um período de negociação, existem trâmites, existem protocolos. O STF não pode simplesmente legislar em seu lugar, tomar as rédeas do processo legislativo. Mas, que o Congresso e as maiorias façam sua mea culpa em não levar adiante a solução para esse assunto.
O STF deve proteger as minorias, mas não tem legitimidade para ir além da Constituição e profanar a vontade da maioria conforme cristalizada na Constituição. O que houve está muito perto de criar, pelas mãos do STF, uma ditadura das minorias, ou uma ditadura de juízes. O STF é o último intérprete da Constituição, e não o último a maculá-la. Ou talvez o primeiro, se não abdicar de ignorar que algumas coisas só os representantes eleitos podem fazer.




Precisamos caminhar contra a homofobia e o preconceito. E também precisamos lembrar que cresce em nosso meio uma nova modalidade de preconceito e discriminação: a teofobia, a crençafobia e a fobia contra a opinião diferente – o que já vimos historicamente que não leva a bons resultados.




O PLC 122, em sua mais nova emenda, quer deixar ao movimento gay o direito de usar a mídia para defender seus postulados, mas nega igual direito aos religiosos. Ou seja, hoje, já se defende abertamente o desrespeito ao direito de opinião, de expressão e de liberdade religiosa. Isso é uma ditadura da minoria! Isso é, simplesmente, inverter a mão do preconceito, é querer criar guetos para os religiosos católicos, protestantes, judeus e muçulmanos (e quase todas as outras religiões que ocupam o planeta) que consideram a homossexualidade um pecado. Sendo ou não pecado, as pessoas têm o direito de seguir suas religiões e expressar suas opiniões a respeito de suas crenças.




E se o STF entender que o direito de opinião e expressão não é bem assim? Isso já é preocupante, porque o precedente acaba de ser aberto. E se o STF quiser, assim como adentrou em atribuições do Congresso, adentrar naquilo que cada religião deve ou não professar?




O fato é que as melhores decisões podem carregar consigo o vírus das maiores truculências. Boa em reconhecer a necessidade de retirar do limbo os casais homossexuais, a decisão errou na medida. Quanto ao mérito da questão, os religiosos e ativistas moderados deveriam retomar o comando a fim de que a sociedade brasileira possa conviver em harmonia dentro de nossa diversidade.




William Douglas é juiz federal , mestre em Direito,
especialista em políticas públicas e governo.
www.williamdouglas.com.br