sexta-feira, 12 de abril de 2024

Restauração X Transfomação

 


Então, os que estavam reunidos lhe perguntaram: Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? (Atos 1:6)

 

          Nós estamos diante de Cristo que, mesmo tendo padecido na cruz, apareceu vivo com muitas provas incontestáveis. Durante quarenta dias, já ressuscitado, E falou das coisas concernentes ao reino de Deus. Ainda assim, a preocupação daqueles que o viram ressuscitado, era se ele restauraria o reino a Israel; era uma preocupação político-temporal; era uma preocupação terrena.

 

          É preciso entender melhor o que aconteceu:

 

Três anos fazendo, ensinando e realizando milagres, os discípulos do Senhor olharam para todo o poder que emanava daquele homem, simples em viver, mas poderoso em ações e palavras, e o sonho da restauração, tantas vezes prometido pelos oráculos do Senhor, pulsavam em seus corações. Jesus era o Messias e os sinais, os ensinos, a autoridade e tudo que acontecia em volta dEle revelavam isso.

 

          Entretanto, após a última ceia, eles veem seu mestre sendo levado preso e agora ele não apresenta qualquer resistência. Outrora, Ele tinha o poder de desaparecer no meio da multidão (João 8:59 ARC), mas agora, ele se mantinha inerte, silente, aceitando os açoites, os escárnios, os espancamentos, as falsas acusações. Antes, com autoridade Ele apontava a hipocrisia dos fariseus; agora Ele decide calar-se. É o cordeiro mudo levado ao matadouro. Os discípulos olham à distância o homem em quem depositaram tanta confiança sendo brutal e covardemente maltratado, moído; e isso lhes corta coração num misto de medo, de decepção, de tristeza, de sensação de impotência. Então Ele é levado ao vitupério; e é colocado fora da cidade. Entenda isso: como bode expiatório onde depositam a culpa, ele é mandado para fora da cidade e ali é também o local onde Ele é imolado.

 

          Os discípulos assistem, mas não entendem, conquanto Ele tenha dito tantas vezes que isso se sucederia. Apenas veem suas convicções e expectativas despedaçadas. E, assim, por três dias, em meio ao luto e sentindo-se perdidos e desesperançados, a pedra do túmulo é arrancada, o corpo fétido do nosso amado mestre é transformado e Ele aparece vivo, primeiro às mulheres, e depois aos discípulos e a muitos outros, restaurando a esperança, porém, ainda na forma que eles interpretavam as profecias.

 

          Contudo, e este é o ponto chave, a esperança não era para ser restaurada, mas era para ser morta e ressuscitada. Assim como o corpo de Cristo não foi restaurado, mas transformado, a esperança falha dos discípulos precisava ser transformada. Entendam o seguinte, Lázaro, que estivera morto por quatro dias, teve o seu corpo restaurado. Contudo, anos depois, teve que morrer. Cristo, entretanto, não teve o seu corpo restaurado, mas transformado. A morte, a dor, a angústia e tudo que opera nesse corpo de morte já não lhe afligiria. E essa também é a nossa esperança: não cremos que nosso corpo será restaurado. A obra salvívica do nosso redentor não é uma clínica de estética que retira as nossas rugas, que deixam os traços dos rostos mais “harmônicos”. Aliás, a maioria dessas clínicas que prometem restaurar, acaba deformando as feições das pessoas.

 

          A obra salvívica de Cristo tem por objetivo a transformação ou como Paulo chama: O Ministério da Reconciliação (II Coríntios 5:18,19; leia também Efésios 1:9,10;20-23 e Romanos 8:19-21). NEle esperamos a completa aniquilação daquilo que outrora foi e, valendo-se da mesma substância, há a conversão em um corpo novo, incorruptível, perfeito e espiritual; e isso não é exclusivo ao homem mas a todo o cosmo.

 

          Entretanto, voltando para o verso 6 do texto citado no preâmbulo, a expectativa dos discípulos era a restauração do reino a Israel. Mesmo após testemunharem o incontestável fato da ressurreição, eles ainda desejavam um milagre menor. Para eles bastava um “Lázaro, vem para fora”. Sim, eu também sei que o milagre que chama Lázaro para fora do túmulo é tremendo, maravilhoso e representava, nas próprias palavras de Cristo, uma antevisão da manifestação glória de Deus (João 11:40). Contudo, ainda que os discípulos desejassem a restauração, Israel restaurado ainda está submetido à sina de fenecer no decorrer do tempo.

 

          Sabemos que em 14/05/1948 o Estado de Israel foi novamente criado e restaurado no lugar onde hoje o conhecemos. Entretanto, essa restauração está estabelecida em meio à perseguição, guerra e morte. É no meio das lágrimas que aquele Estado tem sido mantido. Por esse motivo é que, conquanto os discípulos desejassem a restauração do reino de Israel, Jesus lhe propunha a transformação, não só do reino de Israel, mas de todos os reinos desse mundo e, não somente isso, mas a transformação de todo o mundo. Vejam que Ele lança uma determinação sobre aquelas pessoas: ficai em Jerusalém até que sejais revestidos de poder, e sereis minhas testemunhas em toda Jerusalém, Judeia, Samaria e até aos confins da terra.

 

          Ora, o tempo da Transformação não cabia a ninguém saber. Não era competência de nenhum dEles, mas se reservava exclusivamente na autoridade soberana do Pai. E lhes digo que era de fato o tempo da transformação. Reitero que, assim como há uma promessa de ressurreição que nos transforma de uma natureza caída para uma natureza incorruptível, a grande promessa do Senhor é a transformação completa de tudo. É o novo céu e uma nova terra. Essa sempre foi a principal promessa do Senhor (Apocalipse 21:1,2)

 

          O que quero dizer com tudo isso? Primeiro, as nossas expectativas, dentro do nosso olhar terral e limitado, são sempre muito menores do que aquilo que o Senhor tem preparado para nós (I Coríntios 2:9; Isaías 55.8,9). O que Ele nos reservou é sempre mais amplo, mais profundo, mais alto, mais largo, mais glorioso. Nossos olhos e nossa mente não conseguem imaginar. E mesmo diante de um vislumbre daquilo que nos foi preparado, tal como ocorreu com Paulo ao ser arrebatado até o terceiro céu (II Coríntios 12:2-5), fica impossível explicar para essa nossa existência terral o que foi visto; torna-se ilícito falar.

 

          O que o Senhor nos preparou é infinitamente maior. É maior que a sua prosperidade mateiral; é maior que a cura do seu corpo; é maior que restauração da sua alma; é maior do que todas as suas expectativas que são viciadas e limitadas à essa realidade aqui. Entretanto, no decorrer desse percurso aqui, Ele ainda restaura muitas coisas: Sim, Ele restaura a nossa alma, nos curando dos traumas e feridas passadas, gerados pelo pecado que nos habita; Ele tem poder para restaurar a nossa saúde, mas um dia, mesmo o Lázaro que teve sua vida terreal restaurada, veio a morrer novamente; Ele restaura relações matrimoniais e de amizade; Ele restaura a visão dos cegos. Porém, compreenda que o fundamento maior da nossa fé, que foi a ressurreição física, visível, palpável de Cristo é muito maior que todo o resto.

 

          A restauração ou implementação de um reino político, pelo qual tantos têm lutado hoje é algo muito miúdo diante do propósito que o Senhor tem para todos nós. Entendo totalmente lídimas manifestações, passeatas, defesa de direitos civis. Mas lhes digo que esse nunca foi e nunca será o propósito do Senhor para o seu povo. Os seus pensamentos são mais altos e os seus caminhos também.

 

          A angústia que é gerada pela instituição de um governo terreno e corrupto não deve repousar nos corações daqueles que crêem na ressurreição de Cristo. De mesmo modo, todas as angústias que nascem das limitações às quais estamos submetidos pela própria deterioração patente de nossos corpos e almas, não devem aniquilar a promessa que recebemos em Seu Grande Amor. Antes deve repousar na calma e na esperança. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do filho do Seu amor (Colossenses 1:13). Não é aqui que firmamos a nossa esperança. Quem passa a crer na transformação, não se contenta mais com a restauração, conquanto seja grato quando Ele a nos concede como vislumbre de Sua glória futura.

 

          Repouse o seu coração no Senhor Jesus! Ele é o caminho, a verdade e a vida e ninguém vem ao Pai senão por Ele. O que o Pai determinou no Seu Filho foi a transformação de todas as coisas para que, no fim Cristo entregue tudo novamente ao Pai (II Coríntios 15:24). Novos corpos, nova vida, novo céu e nova terra... novo nome: Isso é o que Ele tem reservado para os crêem. O que você espera? Creia no Senhor Jesus!

 

          NEle, que nos chamou, justificou e glorificou,

 

          Jordanny.