quinta-feira, 15 de junho de 2017

Crucificado

 
Crucificado

No Cristo crucificado, lemos que o poder absoluto de Deus se opera na ocasião em que não há mais possibilidades de se mover as mãos ou os pés, posto que os cravos estacados os prendem ao madeiro. É ali que o pecado é destruído! É ali que a redenção e perdão são consumados! Sem gritos! Sem oração forte! Sem voz entonada por um microfone! 

É na vergonha! É na exposição pública a torturas e xingamentos! É nos açoites e nos espinhos que penetram a fronte! É na carne rasgada! É no corpo moído! É nas chagas e no sangue derramado! Em tudo isso é que o Poder de Deus se revela absoluto e absolutamente para a salvação de todo aquele que crê!

Eis, diante de nós o Escândalo, a Loucura e a Redenção!

Caminho

 
CAMINHO

O dia vem clareando tudo. É a consequência natural da vereda do justo. Chega o momento que não dá pra esconder mais nada, pois a luz vai se tornando plena.

Isso é uma verdade em todas as questões da vida. É caminhando em sinceridade nessa vereda, segundo a consciência que por Graça e mediante a fé vem inundando mais e mais o nosso ser, que passamos a perceber o que na vida simplesmente é, bem como tudo aquilo que, de fato, nunca o foi.

Com relação às amizades, por exemplo, quanto mais caminhamos nessa sinceridade, no Evangelho, vamos percebendo aqueles que são irmãos, no amor de verdade, e aqueles que nunca se disponibilizaram a ser. As invejas, ações, omissões e olhares vão se manifestando e manifestando quem é e quem não é amigo.

Nas decisões do mesmo modo! Vamos tendo a percepção clara do que devemos semear para que colhamos em justiça, paz e verdade. Mas só tem essa percepção quem se permite enveredar-se pelo caminhos dos justos. Ou melhor: Pelo Caminho daquEle Único que foi plenamente Justo e que, sendo de fato Justo e Justiça, também é o Único Caminho!

NEle, as de-cisões, são realmente cisões, cortes, que determinam a transformação do entendimento, e a inapelável experiência do que é misteriosa, assustadora e maravilhosamente, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus! Essas cisões, fruto das nossas decisões, se revelam em relação a tudo que, de fato, nunca foi Verdade! São cisões com todos os tipos de "ismos"; os quais, antes de tudo, não passam de vários tipos de religiosismos, com fundamento no próprio idiotismo! 

Enquanto caminhamos iluminados pela necessidade de cisões com tudo aquilo que, no âmago não passam de tentativas frustradas de "religare" (religiões), vamos compreendendo o que, de fato, religa, conecta! E vamos entendendo que o verdadeiro Caminho do "religare" passa necessariamente pela simplicidade, pela humildade, pela Graça! 

Bem, não vou me estender mais! Entretanto, sei que nessa Vereda, tudo que é para se revelar, se revela; e tudo que é para cindir, cinde-se; e tudo que é para se religar, também se religa! Essa vereda é como a luz da manhã, e um dia será, para os que nela caminham, Dia Perfeito e Perfeito Dia!

Caminhando naquEle que É,

Jordanny.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Deixa-me

 
Deixa-me

Deixa-me provar teus lábios, 
Tua doçura;
Deixa-me provar-te, e encher-te 
De ternura...
Deixa-me saber teus medos,
Tua loucura;
Deixa-me tocar tua nobre
Alma nua...
Deixa-me deitar-te em minha
Cama-tua;
Deixa-me olhar tua bela 
Face-lua...
Deixa-me sondar tuas vias,
Rotas, ruas;
Deixa-me perder-me em tuas
Sendas, curvas...
Deixa-me beber tua poção,
Tua cura;
Deixa-me encantar por tuas
Artes puras...
Deixa-me escalar teus seios,
Tuas alturas;
Deixa-me medir teu ventre,
Tua fundura...
Deixa-me abraçar-te em noites
Frias, turvas;
Deixa-me salvar-te nas fendas
Mais escuras...
Deixa-me sorrir, em tuas
Travessuras;
Deixa-me chorar, em tuas
Amarguras...
Deixa-me gozar tuas breves
Aventuras;
Deixa-me romper tua forte
Armadura...
Em sombras, à deriva, ou longe
De tua paz,
Deixa-me expressar um só
Desejo mais:
Que não me deixes ir, tampouco
Te deixar,
Posto que, condenado, minha sina
É te amar!

Em 14 de abril de 2017.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Soneto aos Miniformandos

 
Soneto aos Miniformandos

Incontáveis estrelas do céu
que aos meus olhos me fez encantar,
inda que numa ilusão sem par,
ao mar feito um “barquim” de papel;

foi daí que um presente de mel
veio aqui, neste mundo, brilhar,
num sorriso tão doce e um olhar,
de tão puro, fez sentir-me um réu

condenado à sina do amor.
Seja herói, princesinha ou que for
fez morada em meu coração

recheando minha vida e canção,
que outrora se viu tão vazia,
mas que agora é de intensa poesia!

Gama, 19 de dezembro de 2012.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Aquarela

 
AQUARELA

Numa sequência peculiar de detalhes, a vida se revela como uma única e magnífica obra. É como uma aquarela, que, vista de perto, não passa de um borrão de tinta. Mas ao distanciarmos a visão, o que era borrão cria forma; e o que parecia não ter significado, alcança significância. 

Tudo, porém, é para a Glória daquEle que se dedicou a pintar!

Não faça pouco caso dos detalhes, pois tudo na vida conta! E o que aparenta ser um simples e pequenino detalhe, é o que essencialmente compõe a arte de viver!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Quando até o "bem" não me convém

 

QUANDO ATÉ O "BEM" NÃO ME CONVÉM

Tudo nessa vida precisa ser comedido, equilibrado. Até mesmo as virtudes! Uma virtude exercitada de modo imprudente se torna um fardo de inconveniência. A conveniência, por sua vez, sempre deve amparar a licitude de todas as coisas. Por isso Paulo nos diz que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.

É fácil entender o fator conveniência versus licitude quando estamos diante de algo manifestamente errado. Entretanto, quando o assunto são as nossas virtudes, parece que temos o direito-dever de manifestá-las sem qualquer pudor, ou equilíbrio.

A sinceridade, por exemplo: Pensamos ser uma virtude a ser manifestada de qualquer modo, em qualquer ocasião e lugar, e a qualquer um. Há em alguns de nós uma necessidade pulsante de expô-la irrefreadamente. E, expondo-a, cheios de razão, ainda justificamos o nosso inconveniente vômito de sinceridade sob argumentos do tipo "eu sou sincero mesmo; não sou falso; vão ter que me engolir; quem não gostou é porque não gosta da verdade!". 

Meus caros amigos, a medida de sobriedade para o exercício de quaisquer virtudes, deve ser o amor consciente, que nos alcança e nos enche de discernimento. E que discernimento é esse? Discernimento acerca do momento oportuno, dos motivos certos, e até mesmo em relação a quem é sujeito e objeto de nossas virtudes. No nosso exemplo acerca da sinceridade, o fato é que há até mesmo pessoas para as quais não podemos expô-la. Não obstante, será como lançar pérolas aos porcos.

Nossas virtudes devem ser exercidas em todo o tempo, mas com todo o amor, zelo e discernimento. Assim, acresce-se às virtudes que se evidenciam em nós, a conveniência, que em si mesma compreende o lugar apropriado, o momento oportuno e a pessoa (ou grupo de pessoas) certa.

A conveniência é, assim, uma virtude que nos ensina o exercício inteligente e apropriado de outras virtudes.

Reitero que até mesmo nossas mais sublimes qualidades não podem ser o fim em si mesmas que justifica as nossas atitudes inconvenientes. 

Ajamos sempre com equilíbrio, inteligência e, sobretudo, em amor.

Não manifestar algo que poderia se auto-aclamar como virtude própria em alguns momentos, não representa em todos os casos falsidade, desvio de caráter, medo, covardia, omissão, ou coisas desse tipo. Pode simplesmente revelar maturidade daquele que carrega, em si, a virtude.

Entender isso pode nos ajudar a evitar muitos problemas. Mas lembre-se de mais uma coisa: Há momentos em que nossas virtudes devem ser exercidas manifesta e inequivocamente. Discernir isso é que é imprescindível!

sábado, 1 de abril de 2017

A Graça nas Bolotas

 
A GRAÇA NAS BOLOTAS

Inúmeras vezes são nas "bolotas dos porcos" que a Graça termina por se evidenciar em nós, visto que ali a nossa consciência é brindada com o arrependimento e o desejo de retornar ao seio do Pai. 

Essa Graça, que habita na consciência, é tão misteriosa e extraordinariamente sublime, que chega a desnudar a hipocrisia do "irmão mais velho", o qual, julgando ter vivido sempre junto ao Pai, nunca regozijou-se nisso, posto que sua consciência se fez reduzida à obrigação de tornar-se aquele que é digno. Agora, imaginando-se o mais digno, este imão mais velho tenta justificar sua inveja mediante um vitimismo vil, ingrato.

Já a Graça que frutifica no entendimento do pecador se manifesta sempre como consciência de indignidade e posterior súplica por misericórdia. A consequência inevitável disso é o retorno quebrantado, seguido da recepção calorosa de um Pai amoroso, coroada por vestes novas, comunicada num banquete especial, e selada com um anel posto no dedo!