sexta-feira, 8 de novembro de 2019



O BOM DA VIDA!

O bom da vida não é se permitir conhecer as coisas complexas, os discursos, as teorias e as filosofias mais difíceis, ou os assuntos relevantes discernidos nos meios acadêmicos! O bom da vida é aprender a rir de bobagens, ainda que pareçam super infantis; é se divertir com uma criança enquanto canta as músicas do Patati e Patatá; é ter humor para entender as brincadeiras e modos daquilo que é deveras rotulado como imaturidade. 

Particularmente gosto de temas científicos, filosóficos, políticos e afins. Mas gosto muito mais de achar graça de coisa pouca, e em coisa pouca. Pego-me sorrindo sozinho por diversas vezes e, quando alguém vem verificar do que se trata, é simplesmente porque estou assistindo ao Chaves na TV, ou vendo uma frase no Bode Gaiato!

Não me isento de buscar compreender e me aprofundar em qualquer assunto que seja do meu interesse, seja profissional, ou pessoal. Contudo, na singeleza do olhar; no sorriso leve, tímido e de canto de boca; na gargalhada solta, a depender do lugar e ocasião; nas cócegas que minha filha me faz toda desajeitadazinha; nas historinhas "bobas" mas criativas que ela e outras crianças me contam; numa imagem boba; numa piada "fraca"; em admirar a aurora, ou em contemplar o crepúsculo; na brisa que massageia a face; no meu tropeço desastrado e estabanado que me fez rir de mim mesmo; nessas coisas e tantas outras provavelmente tão mais simples é que o meu coração se vê atraído e cativado! 

É tudo muito "bobo", eu sei! Mas é tudo muito bom; bom de se viver!
Quanto mais amadureço, mas amadureço para perceber o quão imatura é a maturidade que os homens e mulheres mais "sérios" exigem de nós! O que muitos chamam de "idiota", eu tenho enxergado com graciosidade!

(Texto escrito em 8/11/2016 e publicado no blog hoje).

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Porto-Olhar



Porto-Olhar

Teus olhos escuros refletem tua luz;
Teus olhos escuros de imenso mistério,
Que me arrebatam com vigor etéreo;
De intensa verdade, que vida produz...

Cintilam, sublimes, majestosos, nus,
Aos quais até Órion se curva austero,
A dancar ao som de angelicais saltérios
Do eternal concerto que aos mortais seduz...

Quisera, outrora, vertê-los a mim
E, mesmo distante, firmar tua atenção
Só por um instante, qual sonho – quimera? –

De efêmero tempo, princípio e fim;
Completa, a alegria, seria e, então,
Aportar-me-ia ao cais que me esmera...

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Feridas incuráveis


Ninguém passa pela existência incólume. A dor é a primeira e a última companhia do todo homem. Existir exige decisão: de-cisão - corte! 
Sem cortes, sem feridas, sejam voluntárias ou involuntárias, não se amadurece. 
Algumas feridas, contudo, cicatrizam plenamente, e tornam-se uma lembrança de outros tempos que, às vezes, parecem tão distantes, que aparentam pertencer a outra era, outra vida.
Mas há feridas que, de fato, nunca cicatrizarão por completo... É um espinho na carne que convidará a mente a relembrar que, apesar de quaisquer feitos produzidos, apenas uma coisa importa: a Graça que se aperfeiçoa em nós! É o tormento da benevolência daquEle que É... Essas feridas nos situam, para que não caiamos na loucura de alegarmos que somos grandes e incomparáveis. São marcas que nos humilham; são fendas na alma que nos humanizam.
Entender isso é amadurecer sob o sol e a chuva da Graça que Ele nos concede hoje, e sempre!

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Evangelho X Religião

O Evangelho expande; a religião limita. O Evangelho liberta; a religião oprime. O Evangelho traz saúde à alma; a religião lhe adoece. O Evangelho transforma; a religião maquia. O Evangelho é confissão e arrependimento; a religião é desculpa e remorso. O Evangelho é humildade; a religião é arrogância. O Evangelho é consciência de vida; a religião é ressentimento de culpa. O Evangelho é ação de amor; a religião é discurso vazio. O Evagelho é perdão absoluto; a religião é aceitação condicionada. O Evangelho é loucura para os super racionais; a religião é dar razão para a própria loucura. O Evangelho é salvação para o que crê; a religião é validação para o que se dobra ao dogma institucional. O Evangelho é a graça superabundando em nós; a religião é a lei que tem por ocasião o pecado. O Evangelho é o véu que se rasga; a religião é uma cortina de retalhos e remendos. O Evangelho é boa-nova ao pecador; a religião é má notícia. O Evangelho é simplicidade; a religião é complicação ardil. O Evangelho é regeneração; a religião é sepulcro caiado. O Evangelho é juízo de vida; a religião é juízo temerário. O Evangelho é essência de adoração; a religião é o vício da idolatria. O Evangelho é virtude que vem do alto; a religião é moralismo que brota do homem. O Evangelho é de graça; a religião é barganha. O Evagelho é Cristo; a religião é diabólica.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

InstaFace



InstaFace

E ela segue
Me encantando,
Me parando,
Me entretendo...
... e tudo isso sem saber...
E eu sigo
Observando,
Aprendendo,
Admirando...
... mas sem ela perceber...
E ela segue
Inteligente,
Toda sexy,
Sapiente...
... me atraindo sem querer...
E eu sigo
Já cativo,
Dominado
E pensativo...
... vai que queira me querer?
E ela segue
Lá na dela,
Sem saber
Que eu existo...
... vou ter que me oferecer...
Se ela aceita
Vir comigo, 
Na verdade,
Eu que a sigo...
... vamos nos surpreender?

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O que tenho além de Ti?

"Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra." (Sl 73.25)

Antes de concluir as palavras acima, o salmista se vê num dilema profundo, e numa amargura indizível decorrente de observar o mal que impera no mundo.
Ele fica pasmo diante da prosperidade dos ímpios, que vivem regaladamente se ufanando de todas más obras de suas mãos, sem qualquer aflição de espírito que lhes conduza a sentir o peso de seus feitos. Olham para Deus com desdém, e ainda zombam diante de Sua aparente passividade com relação à impiedade que praticam. 
O salmista olha para o seu coração e para o coração daqueles que guardam um espírito sensível, e lê todas as reações químicas que seu corpo produz, fazendo sua alma sentir o fardo de eventuais feitos maus que tenha executado. Enquanto os homens normais são visitados pela culpa, pelo remorso, pela dor decorrente do erro, os ímpios nada sentem e, por isso, se alegram na sua maldade. De fato, a maldade dos ímpios é o seu playground, seu vício, seu ópio, seu deleite, sua paixão!
O pior é que, percebendo que o espírito dos homens maus não é afligido por tudo que operam em seus ardis, o salmista chega ao cúmulo de invejá-los! Assim pode ser com qualquer um de nós enquanto observamos, perplexos, a prosperidade dos ímpios. 
Mas, por graça, quando volta à lucidez e, deixando de fitar o olhos na maldade que se multiplica e faz os ímpios prosperarem, volta a olhar para a infinita bondade que habita no Senhor e dEle emana, o salmista se rende e confessa as palvras registradas no verso 25, as quais cito novamente: "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra."
A verdade é que a perplexidade ante a maldade que se multiplica no mundo tem o poder de nos conduzir à insanidade. Por isso, devemos firmar nosso olhar naquEle que é bom, a fim de experimentarmos dEle, e só assim fazermos coro com o salmista... Nada há nessa terra que desperte em mim um desejo mais forte, do que o Senhor. E no céu não é o ouro, nem a beleza, e nem o extraordinário que me prende coração, mas tão somente o Senhor, que é meu, posto que O tenho, porquanto eu também sou dEle, e Ele me tem! Nesse contexto, a terra é céu, pois Ele é nosso galardão e nossa herança. E o céu é apenas o gozo da Eternidade na qual habitaremos nEle, que hoje habita em nós!


domingo, 11 de agosto de 2019

O "Evangelho" publicitário



O "EVANGELHO" PUBLICITÁRIO!

Quem não entende o Evangelho tenderá a aprender diversos malabarismos e pirotecnias a fim de, aplicando-os, chamar a atenção à mensagem de um outro "evangelho". A partir disso, esse outro "evangelho" dependerá da eloquência, da manifestação artística, musical e de tudo mais. É um teatro para chamar a atenção; é um pantomima para atrair os olhares; é uma dancinha legal para contagiar a galera; é uma caixa de som na rua para o grito do "pregador" ficar mais audível e irritante; é uma oração forte para convencer os incautos; é uma "profecia" positivista para motivar os imbecis; é uma boa banda de música, para emocionar a plateia; é uma massagem de ego para derreter e enaltecer autocomplacentes; é um determinismo torpe esbravejado para exaltar os arrogantes.

O verdadeiro Evangelho, em contrapartida, não é dependente de nenhuma estratégia humana. O verdadeiro Evangelho se manifesta na sinceridade das relações humanas; na caridade e no altruísmo desinteressado da exaltação e da honra pessoal; no olhar que não inveja, mas deseja o bem; no ouvir que é paciente e atento seguido de uma falar que, no amor, expõe verdade, ainda que seja desconfortável e exortativa; é o agir secreto em prol do próximo com espírito subserviente e reverente; é a imparcialidade não inerte, manifesta em prol da verdade que defende o oprimido e faz justiça ao necessitado; é o amor simples e dedicado que confunde até mesmo o inimigo, ajuntando brasas em sua cabeça; é a oração humilde, secreta, que intercede pelo bem, clama pela misericórdia e anseia pela justiça. Diante de ações como essas, não há espaço para inventar, ou para pirotecnizar, e o Evangelho, com seu poder de salvar todo aquele que crê, se estende em verdade e simplicidade; em escândalo por conta da liberdade; em poder e em autenticidade; em coragem e em perplexidade.

Deixo claro que não sou contra qualquer manifestação artística. Contudo, o Evangelho nunca dependerá de nada disso! Deus nunca quis publicidade com o Evangelho, senão o Evangelho seria apenas um artigo publicitário. Seu propósito, contudo, é muito mais profundo: É revelar o Evangelho na vida de todo aquele que crê! Quando você efetivamente vive o Evangelho, muitos se convencerão e se converterão à mensagem que ressoa de sua vida. Reitero que eu não desejo que você seja um objeto de amostragem, de publicidade de um outro "evangelho", pois o Evangelho não é propaganda. Antes, eu desejo que você seja um sujeito que revela o Evangelho em tudo o que você é, fazendo com que Cristo seja engrandecido tanto na sua vida, quanto na sua morte!