sábado, 30 de março de 2019

Silente



SILENTE

Em teu silêncio há, sim, palavras,
que eu, em segredo, ouvi-las tento;
e segregado em dor, lamentos,
almejo o som que ao peito afaga.

Na esperança de ser se agarra
aquele que, num só momento,
quer te falar, mas cala atento
à meiga voz: fulgaz espada!

Acho-me, então, fixo em teus olhos;
perco-me em teu-eu refletido;
enveredado em teus mistérios:

A contentar-me em teus espólios.
Seria, pois, teu veredicto 
sentenciar-me a um querer néscio?