sexta-feira, 20 de março de 2009

Ponto de vista - Aborto, caso Alagoinha

Este mês foi marcado pelo famoso caso que aconteceu na cidade de Alagoinha – PE, e que repercutiu de uma forma intensa, fazendo todos pensarem e opinarem acerca do assunto. Entretanto, se vocês observaram a grande parte das posições, induzidas pela mídia manipuladora, perceberam as seguintes conclusões:

1) Uma comoção em relação à garota em face da violência vivida, e aos seus pais por terem vivido uma situação tão terrível (com evidente razão);
2) Um ódio insano contra o agressor, o qual não poderia levar outro adjetivo melhor do que “monstro”;
3) Uma indignação geral contra a decisão da igreja Católica, prolatada por meio de sua liderança episcopal;
4) Uma exaltação da equipe médica que realizou o aborto, em face de serem estes os “heróis” compreensivos que agiram debaixo da lei (aliás, como diz o ditado, “fora da lei não há salvação”) e em observância às análises médicas que concluíram que havia risco se a gravidez fosse levada adiante.

Antes de dar continuidade à posição aqui apresentada, gostaria de informar que, normalmente, não gosto de referir-me a questões muito recentes, visto que, normalmente, o prazo para uma análise mais sucinta é curto, podendo haver uma conclusão equivocada. Contudo, dada a repercussão, achei devido tecer algumas considerações, observando algumas partes intrigantes do caso à luz da lei do homem e, principalmente, da Lei de Deus (Bíblia). Para isso, utilizarei as proposições acima, delimitadas.

A comoção em relação ao sofrimento da criança violentada e de sua família

Em relação à vítima do ato de violência, não há como deixar de se comover. Trata-se de uma criança que teve arrancada de si, por um ato tão brutal, o direito sobre seu corpo, em relação à sexualidade. Como pai, acredito que consigo imaginar um pouco do que os pais dessa garota sentiram ao tomarem ciência de todo o ocorrido. Porém, o servo de Deus não deve discernir tais questões por meio da alma, onde estão inseridas as emoções humanas (Jr. 17:9), pois corre o risco de cometer males e injustiças terríveis; pelo contrário, o cristão nascido de novo deve discernir espiritualmente (1Co 2:14), à luz da Palavra de Deus, por mais que seja contra o seu intelecto almático(sic). Logo, no julgamento deste caso, é necessário que nos apartemos, até certo grau, do nosso intelecto, que dita regras éticas e morais deturpadas, e das nossas emoções que tornam turvas e embaçadas a nossa visão e nos vinculemos aos preceitos bíblicos. Devemos, contudo, orar para que esta família seja alcançada pela resplandecente graça e amor (Tt. 2:11) de Deus, a fim de ser consolada pelo Espírito Santo (At. 9:31) neste momento de dificuldade. Dito isso, prossigamos em uma breve análise ao ocorrido.

O ódio incitado contra o agressor

É evidente que o crime cometido pelo agressor foi muito grave. E, segundo a legislação penal vigente, deve, ele, ser punido. Entretanto, o caráter punitivo da sociedade ultrapassa o dever de cumprir a sanção penal, desencadeando uma “rotulação” ao criminoso, o qual passa a ser insuscetível de perdão. Isso mesmo! É o espírito de vingança que acompanha uma ênfase na emoção social em relação à ação ilícita do acusado de ter cometido o crime – o que se agrava pelos fatos que se extraem do caso posto a análise. E isso é justificável em face da incompreensão que a maioria das pessoas tem do aspecto espiritual e bíblico-normativo.

Conquanto haja entre a população brasileira um ímpeto vingativo, que requer a punição, como sendo a justa medida em relação à aplicação da justiça, o cristão verdadeiro deve seguir o exemplo do Mestre (Lc. 23:34; Mc 11:25,26). Não falo aqui de avalizar o pecado, mas sim de apresentar amor pelo pecador (Lc 5:32; 3:16). Alguns devem estar pensando: - É fácil pra você dizer isso, Jordanny, já que não foi a sua filha. Contudo, o direcionamento desta postagem não é àqueles que não experimentaram o novo nascimento, mas sim àqueles que se julgam servos do Deus altíssimo, nascidos de novo por meio da regeneração e da renovação do Espírito (Tt. 3:5). Também não afasto aqui o caráter punitivo a ser aplicado sobre esse infrator. Junto à lei humana aquele homem, uma vez julgado, poderá ter sua punição cumprida. Porém, junto a Deus, é necessário que este se arrependa para que tenha parte no Reino. E, esta, deve ser a nossa oração como servos de Deus (Lc. 15:7,10), por mais que se apresente contrária à nossa razão humana. E se, como homens e mulheres de Deus, não agirmos assim, somos, conjuntamente a este pecador, iníquos (Is. 59:2), estando, pois, separados do Senhor.

Indignação geral contra a igreja Católica

Não sou católico, pois são evidentes os absurdos doutrinários e o afastamento desta religião dos preceitos descritos na Palavra de Deus. Entretanto, em um país que se diz, majoritariamente, católico, fico abismado com o fato de haver tanta contestação em relação à decisão desta igreja, no tocante a excomungar os praticantes do ato abortivo. Ora, a igreja Católica, ao contrário de nós evangélicos, não se fundamenta na Bíblia como regra de fé, mas sim nos preceitos papais. Se, portanto, dentre os pecados capitais (aqueles que levam a pessoa diretamente ao inferno, sem que tenha a oportunidade de “purificar-se” no “purgatório”), está o homicídio; e a tal instituição concebe que a vida existe desde a sua conceição, a interrupção da vida pela ação humana, mesmo antes do nascimento, tem como conseqüência o excomungo. Esta regra administrativa se aplica à igreja Católica e, necessariamente, aos seus fiéis. Logo, uma pessoa que se diz católica e não aceita tais preceitos, deve rever seus conceitos e, ou aceitar os ditames institucionais, ou mudar de religião. Não leva a nada discutir os equívocos éticos e práticos da decisão episcopal católica. Aliás, se houvesse na liderança, dessa igreja, temor do Senhor, com certeza já teria retornado a prática e observânica da Bíblia.

A “heróica” atuação equipe médica apoiada pelo IMIP

Que decisão fantástica teve a equipe médica juntamente ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco) em interromper a gravidez! Congratulações! É tão mais fácil para a consciência fazer aquilo que o clamor público deseja, não? Ademais, nós temos aqui um fato extremamente relevante: a vida de uma menina contra a patética existência de dois embriões... Já imaginou! Uma vida em jogo por causa de duas coisinhas tão insignificantes! Não temos dúvidas que foi acertada tal decisão médica! Aliás, e repito, não passam de dois meros embriõezinhos!

Frisa-se também que, apesar de o aborto estar tipificado no Código Penal em seus artigos 124 a 127, comportando um espacinho entre os “crimes contra a vida”, nos casos previstos no artigo 128, é plenamente lícita a prática do aborto, desde que, ou haja risco de vida para a gestante, ou proveniente de estupro desde que tenha o consentimento dos pais. Nesse caso, novamente a equipe médica, com apoio do IMIP, agiu prontamente e legitimamente! Veja que, mesmo que não houvesse consentimento dos pais, já estava decidido que a gravidez gerava risco para a criança; ou seja, há atuação mais lídima? Também, não há dúvidas quanto a consentimento dos pais da garota, não é mesmo?

Já tá (sic) bom demais! Cansei de ironizar! Agora, falando sério...
Primeiramente devemos considerar qual vida é mais importante: da mãe; ou dos “embriões”? Observou que, para trazer uma conotação de inferioridade, é só trocar o termo “bebê em formação”, ou mesmo “vida em formação”, por “embriões”? Um nascituro não é entendido com um ser humano? Interessante é que o próprio Código Civil resguarda, quando relacionado a direitos patrimoniais, a criança desde a concepção (art. 2º); quer dizer, a proteção não está relacionada à vida, mas sim ao dinheiro. Para se ter uma idéia, o aborto é tratado, pela legislação, de forma diferente do homicídio, até quanto à penalidade.

Agora, vamos fazer uma mudança proposital para que você perceba que, as palavras utilizadas para se convalidar um aborto, são previamente escolhidas a fim de retirar o sentido real, arrancando o afeto e comoção que, naturalmente, existiria: “O que é mais importante, duas vidas inocentes, completamente indefesas, que estão sendo geradas e que não têm culpa alguma de todo o ocorrido; ou a vida de uma hospedeira?”

Notou que a simples substituição das expressões dá outro sentimento para o caso em discussão? Perceba que é dessa forma que o sistema maligno tem extraído de nós os afetos naturais (2Tm 3:2,3). Entendam que não há intenção aqui de se levantar contra a vida dessa criança que foi terrivelmente violentada, porém, a mídia, sabe publicar as palavras certas a fim de levar o clamor público a pensar da forma que ela quer.

Dessa forma, e retomando o assunto, não seria o aborto uma espécie de homicídio? Quer saber: responder isso sob a ótica humana gera mais e mais equívoco; logo, tentaremos analisar algumas questões a luz da Palavra de Deus, que é perfeita e infalível.

Biblicamente, a origem da vida se dá pela concepção, ainda que sejamos gerados em pecado (Sl 51:5). Deus dá tanta importância à vida que está sendo gerada, que chega a proteger-nos enquanto ainda estamos no ventre de nossa mãe (Sl 139:13). Os olhos de Deus estão atentos à vida humana desde o momento em que é gerada, ainda sem forma (Sl 139:16), dando-a sustento (Sl 71:6). Percebemos que Deus se importa com o homem de uma forma muito especial, desde o ventre materno (Is 49:1). O próprio Senhor Jesus, já era cheio do Espírito Santo ainda enquanto estava sendo gerado (Lc 1:15). Na verdade, para Deus não há distinção entre o pecado de homicídio e o aborto; ambos são homicídios. E a Bíblia é enfática ao combater o homicídio, apresentando uma dura pena aos praticantes desse pecado (Ap. 21:8; 22:15).

Não intento, por meio desta postagem, adentrar na questão ética, visto que, como homem que sou, poderia acabar decidindo de acordo com o “consenso manipulado”, passando a acreditar na “inerrante ciência” (1Tm 6:20), ou mesmo nas filosofias humanistas (1Co 2:4,5; Rm 12:2), passando a tolerar o pecado, que tem como conseqüência, a morte (Rm 6:23). Apenas tenho apresentado a questão de uma ótica bíblica. E, contra o que está Escrito, não há argumentos (1Co 4:6; 2Tm 3:16), mas, e tão somente, o dever de obediência. Assevero que o verdadeiro servo de Deus não deve se deixar levar por preceitos eticamente definidos pela humanidade corrompida; deve, sim, guiar-se pela Palavra (Sl 119:105), que é a verdade absoluta (Jo 17:17) em termos de fé e de prática, a fim de herdar a vida eterna (Jo 3:16; 11:21; 14:6).

Por fim, quer saber um pouco mais do que a mídia não publicou? Clique
AQUI!

A paz do Senhor a todos!

Jordanny Silva

sexta-feira, 13 de março de 2009

"Autoridades" inquestionáveis? - Parte 2

Fatos que muitos esquecem... (Assista ao vídeo)

Nota: Amados, utilizei o vídeo apenas para trazer um pouco da verdade ao povo de Deus. Infelizmente, o autor do vídeo (que o disponibilizou no youtube), utilizou-se de algumas palavras baixas nas legendas. Mas, retirando-se isso, é interessante levarmos o restante em consideração.

(I Tm. 4:1,2; II Tm. 3:13; 4: 3,4) - MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.

Textos sugeridos: "Autoridades" inquestionáveis? - Parte 1, Façamos um "deus" à nossa semelhança - Parte 1 e Parte 2.

Vídeo extraído do youtube "Edir Macedo ensina a roubar".

(Rm. 1:16) - Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.

Entretanto há "evangelhos" que envergonham o povo de Deus...

A paz do Senhor a todos!

Jordanny Silva

quarta-feira, 11 de março de 2009

"Autoridades" inquestionáveis? - Parte 1

Vocês já observaram como, atualmente, existe uma espécie de “desespero” por parte de alguns pastores e líderes da igreja, no tocante a manterem sua “autoridade” intocável sobre os liderados e congregados de suas denominações? Não questiono aqui, especificamente, o dever que os verdadeiros cristãos têm em respeitar às autoridades (Rm. 13: 1-7). Entretanto, muitas dessas ditas "autoridades", principalmente no meio religioso, absolutizam o “poder”, que dizem ter recebido de Deus, a tal ponto de compreenderem que, o simples fato de serem questionadas quanto à doutrina que apresentam à igreja, significa insubmissão por parte de seus liderados. Um pouco estranho, não? Algumas vezes tenho visto “pastores” voltarem para seus liderados e dizerem-lhes: se você não fizer o que eu tenho dito estará debaixo de maldição. Outros “pastores” apontam àqueles que se levantam contra as distorções doutrinárias que vêm sendo pregadas e desferem palavras ameaçadoras do tipo “não toqueis no ungido de Deus”, “você está atraindo condenação para a sua vida por ser insubmisso”.

Para se ter uma idéia do que estou falando, certa vez, uma pessoa chegou até seu pastor (pastor não, “apóstolo”!), e disse que gostaria de mudar de igreja. Este “pastor” disse a ele que, não o autorizava e, se mesmo assim ele mudasse de igreja, estaria saindo debaixo de maldição. A que ponto nós chegamos! Até parece que tal pastor teria mesmo o “poder” de lançar maldição sobre tal irmão (Quanto a este assunto aconselho que os irmãos leiam o livro “Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria”, do pastor Ciro Sanches Zibordi, editado pela CPAD). Quanta apostasia e distorção das verdades bíblicas! O incrível é perceber que, mesmo diante destes desvios, as pessoas têm seguido, cegamente, a líderes que se afastaram do compromisso verdadeiro com a Palavra (II Tm. 3:13). Querem compreender um pouco mais acerca do perfil destes ditos “homens de Deus”?

Quando vejo episódios como esse, na verdade, o que percebo é uma total insegurança por parte do líder, no tocante à autoridade em que está revestido. Tal insegurança se dá por alguns motivos, dentre os quais explanarei a seguir:

1) O primeiro motivo é a falta de conhecimento (Mt. 22:29). O desconhecimento da Palavra de Deus é tão sério, que pode até gerar destruição entre o povo de Deus (Os. 4:6). Muitos líderes, atualmente, não se dedicam ao estudo da Palavra. A Bíblia é essencial na vida de todo servo de Deus. E a liderança tem o dever de conhecê-la e manejá-la bem (II Tm. 2:15).

2) Falta de unção do Espírito Santo, que é o poder de Deus (I Co. 2: 4,5; I Ts. 5: 19). A unção do Espírito Santo é essencial na vida do pastor. Se não estiver em comunhão com o Espírito, nada lhe adiantará, pois o homem, por si mesmo, não tem poder de convencimento (Jo. 16: 7,8). Aquele que já não vive sob a unção do Espírito, ou começa a se utilizar de meios humanos (emoções; filosofias; ciências) a fim de conseguir trazer o público ao convencimento, o que é muito perigoso, ou traz uma mensagem sem vida.

3) Acréscimos ao texto bíblico. Existem líderes que até são conhecedores da Palavra de Deus, mas preferem reter-se a explicações lógicas vinculadas à ciência, filosofia e psicologia chegando, muitas vezes, a acrescentar coisas que não estão na Bíblia. Isso é um erro! A filosofia humana é perigosa, e não deve ser o objeto fundamental das pregações (I Co. 2: 4,5). Ademais, não devemos ir além do que está escrito (I Co. 4:6).


Não obstante, muitos desses acréscimos à Palavra se dão ao fato de darmos ouvidos a determinadas pregações, sem, contudo, confrontarmos, em seguida, com o texto sagrado. Acho conveniente, após ouvir qualquer explanação da palavra, levantar a seguinte questão: “Contudo, o que diz a Escritura?” (Gl. 4: 30). Acerca deste tema, recomendo os livros “Erros que os pregadores devem evitar” e “Mais erros que os pregadores devem evitar”, também do Pr. Ciro Zibordi, editados pela CPAD.

Como conseqüência da inobservância destes três requisitos básicos, os líderes passam a aceitar toda sorte de doutrina em suas igrejas, deixando-se levar por espíritos enganadores e, muitas das vezes, por doutrinas de demônios (I Tm. 4:1). Logo, necessitam de argumentações vazias e de apelos (para não dizer ameaças) para que seus liderados os obedeçam, aplicando, como bem entendem, textos como Rm. 13 1-7 e fazendo menção de diversas “maldições” decorrentes da insubmissão.

Amados, não deixo de lado a Palavra de Deus. Sou conhecedor de diversos textos que nos informam acerca da sujeição e obediência às autoridades, inclusive daqueles que se direcionam explicitamente aos pastores (Hb. 13: 17). Mas a autoridade pastoral obedece à unção do Espírito Santo, e não a unção de homens. O ministério e os dons são dados pelo Espírito, a quem Ele quer, e não pelo homem (I Co. 12:4-11). Alguns acreditam que, pelo fato de terem sido ungidos pelo pastor Fulano de Tal, dentro da igreja tal, tornaram-se super-homens. Quanta ignorância e arrogância (I Pe. 5:1-3)! A Palavra nos exorta a conservarmos o dom e a doutrina de Deus sobre nossas vidas (Ap. 3:11; I Tm. 4:14; II Tm. 1:6). Uma vez que o pastor se afasta da fonte primária de autoridade (a Palavra do Deus vivo), automaticamente ele optou por não ter mais a autoridade de Deus (I Tm. 4:2) sobre sua vida. E a consequência dessa apostasia, é que um dia esse "servo de deus" será vomitado da boca do Deus verdadeiro (Ap. 3: 16; Mt. 7: 21-23) sofrendo um juízo muito mais duro (Tg. 3:1).

Não estou afirmando que os pastores e líderes não podem errar (I Jo. 2:1). Entretanto, sabemos que, aquele líder que se conserva segundo a Palavra de Deus, sendo piedoso, seguidor da justiça, da fé do amor, da paciência e da mansidão (I Tm. 6:11; I Tm. 4:7; I Tm. 4:8), tem humildade para se arrepender e voltar de onde errou (Ap. 2:5). Nisso ainda é mais confirmada a sua autoridade. Não obstante, o obreiro do deve manter-se firme à Palavra de Deus “para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tt. 1:9). É essa fidelidade que reveste o líder de autoridade. Ao mesmo tempo deve depender do Espírito Santo, dando testemunho do que prega (I Co. 1: 5,6).

Ainda quanto à obediência, percebemos que devemos ser submissos, sobretudo, a Deus (At. 5:29), tratando com respeito as lideranças episcopais, mas não deixando de denunciar, a luz das Sagradas Escrituras, desvios doutrinários, chamando-os, sempre que possível ao arrependimento (Ap. 2:5).

Alguns podem até argumentar: “Ora, Jordanny, você está incitando muitos à rebeldia, que é um pecado gravíssimo”. O pecado de rebeldia se apresenta, camuflado, na apostasia. A apostasia não é um afastamento dos fundamentos da fé? Logo, a apostasia é rebeldia contra o próprio Deus, gerando terríveis conseqüências (Jr. 2: 19; 5:6; 8:5). A questão que aqui levanto é: devo seguir, cegamente, uma liderança que se afastou dos parâmetros de fé, genuinamente revelados na Palavra? Devo lançar-me na
idolatria góspel, angariando, para mim, doutores segundo a minha concupiscência (II Tm. 4:3)? Devo aceitar qualquer tipo de manifestação evangélica que não tenha confronto com o mundo só para agradar meu pastor?

Renovemos, pois, o nosso entendimento e nos afastemos do padrão desse século (Rm. 12:2), e o Senhor, que é misericordioso, nos revelará Sua soberana vontade, arrancando-nos da cegueira espiritual por meio da verdade (Jo. 17:17; 8:32).

A paz do Senhor a todos!
Jordanny Silva

quinta-feira, 5 de março de 2009

Tira dúvidas - A mulher apanhada em adultério era Maria Madalena?


Estes dias, em um diálogo com uma irmã em Cristo, notei que ainda existem dúvidas e falsas compreensões acerca de temas inseridos na Palavra de Deus, aparentemente, simples. Apesar de algumas pessoas chegarem até mim, dizendo que algumas peculiaridades e considerações, quando relacionados a questões aparentemente irrelevantes, não acrescentam nada na fé, tenho aprendido que não podemos ir além do que está escrito (I Co. 4: 6). Afinal, a nossa regra de fé é a Palavra de Deus, e esta deve ser interpretada e compreendida corretamente para que guie e ilumine todo o nosso viver (Sl. 119: 105).

A confusão que atingia esta irmã era concernente à Maria Madalena ser a mesma mulher apanhada em adultério, bem como a mulher que ungiu Jesus em Betânia. Dessa forma, alvejando trazer àqueles, que não se atentaram às peculiaridades de cada um dos episódios, uma compreensão do assunto, passo à análise, segundo a Palavra de Deus.

Quem era Maria Madalena?

No evangelho segundo escreveu Mateus, Maria Madalena aparece como sendo uma das mulheres que, de longe, acompanhavam a crucificação de Cristo (Mt. 27: 55, 56) a qual O seguiu desde a Galiléia. Logo em seguida, Mateus informa que Maria Madalena se pôs sentada, defronte ao túmulo em que Cristo foi sepultado (Mt. 27: 61). Ela, juntamente com a outra Maria, também foi uma das primeiras testemunhas que viram o sepulcro vazio, de modo que o anjo do Senhor lhes informou que Jesus havia ressuscitado (Mt. 28: 1, 5).

No evangelho segundo escreveu Marcos, nós nos aproximamos mais da compreensão de quem foi Maria Madalena. Novamente, nos chega a informação de que Maria Madalena acompanhou a crucificação, acompanhando o Mestre desde a Galiléia (Mc. 15: 40, 41). Maria Madalena, junto com Maria mãe de José e Tiago, observam onde o corpo de Jesus é sepultado (Mc. 15: 47). Por conseguinte, Maria Madalena, Maria mãe de Jesus e Salomé, compram, no sábado, aroma a fim de ungir o corpo de Cristo (Mc. 16: 1). Neste evangelho, percebemos que Jesus apareceu, primeiramente, à Maria Madalena (Mc. 16: 9). Perceba que Maria Madalena não se confunde com a mulher pega em adultério (Jo. 8: 1-11), visto que aquela foi liberta pelo Senhor de espíritos malignos (sete demônios).

No evangelho segundo escreveu Lucas as informações de Marcos são corroboradas. Neste evangelho, nos é informado que Maria, chamada Madalena, era possessa por sete espíritos malignos, e que o Senhor Jesus a havia libertado (Lc. 8: 2). Depois, Maria Madalena aparece após a ressurreição de Cristo (Lc. 24: 10).

No evangelho segundo escreveu o apóstolo João, Maria Madalena é mencionada acompanhando a crucificação (Jo. 19: 25), indo ao sepulcro pela madrugada (Jo. 20: 1) e anunciando aos discípulos que Cristo ressuscitou (Jo. 20: 18).

Por conseguinte, quem era a mulher pega em adultério?

A mulher pega em adultério é mencionada em Jo. 8: 1-11, não mais havendo referências acerca dela nas escrituras, e não se confunde com Maria Madalena; esta foi liberta por Cristo por estar possessa por sete demônios.

Quem é a mulher que ungiu Jesus em Betânia?

A unção de Cristo em Betânia é informada nos evangelhos segundo escreveu Mateus (Mt. 26: 6-12), Marcos (Mc. 14: 1-10) e João (Jo. 12: 1-11). Entretanto, somente no evangelho segundo escreveu João é que obtemos a identidade dessa mulher. Observamos que esta Maria era irmã de Lázaro, a quem Jesus ressuscitara dentre os mortos (Jo. 11: 19; 43). Seu nome, como sendo a mulher que ungiu a Jesus com o conteúdo do vaso se alabastro, é apresentado em Jo. 12: 3. Esta Maria, contudo não se confunde com Maria Madalena, visto que esta última acompanhava Jesus desde a Galiléia (Mt. 27: 55, 56; Mc. 15: 40, 41), enquanto aquela mantinha domicílio, em Betânia (Jo. 11: 20), junto com sua irmã Marta e seu irmão Lázaro.

Minha intenção aqui é tirar algumas confusões que, apesar de simples e aparentemente insignificantes, têm levados muitos servos de Deus a cometerem erros na interpretação das Sagradas Escrituras, ou mesmo com invenções e acréscimos ao texto sagrado. Espero ter ajudado a alguns.

A paz do Senhor a todos.

Jordanny Silva

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Façamos um "deus" à nossa semelhança - Parte 2

As várias faces da idolatria...
(II Timóteo 4:3) - Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
Vídeo extraído do youtube:
Nota: Apesar de o autor do vídeo abaixo ter dado "nome aos bois" (o que particulamente não julgo muito ético), é possível obter um olhar crítico sobre o caminho que a igreja evangélica tem tomado.

Jordanny Silva

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Façamos um "deus" à nossa semelhança - Parte 1


Idolatria Evangélica - O povo de Deus ou o "deus" do povo?


Você quer aprender a criar um deus!? Isso mesmo! Um deus do jeito que você quiser! Se for de sua preferência, construa um altar para adorá-lo! Caso você não seja muito devoto, adore-o de acordo com a sua agenda (se houver um espacinho!?)! Esse deus é tudo que você sempre sonhou! E ele está pronto a sonhar os teus sonhos! A desejar os teus desejos! A viver segundo o teu querer (afinal ele é alimentado pelo teu ego)! Ah! Você está duvidando de que tenha este poder criacionista? Aproxime-se então! Vou te ensinar, passo a passo este processo de criação! Já pensou: um deus criado por você!? Quem será mais poderoso nessa história: você ou ele!? Mas, antes de tudo, algumas considerações...

A idolatria patente ao homem...

A contumácia do homem em desobedecer a Deus tem gerado, desde épocas mais remotas, diversos absurdos. Não obstante, é perceptível a dificuldade do homem em submeter-se à vontade soberana de Deus. Isso se dá por alguns motivos, dentre os quais, tentaremos compreender hoje.

Mas, para o entendimento mais profundo da abordagem aqui sugerida, deveremos analisar, à luz da Palavra de Deus, um pouco da natureza humana.

O homem foi criado para uma finalidade precípua: adorar e louvar ao Senhor (Mt. 4: 10; Lc. 4: 8). Entretanto, ao experimentar o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a natureza essencial do homem foi completamente arrancada (Gn. 3: 6). Observe que o homem come tal fruto acreditando na possibilidade de tornar-se igual a Deus, conforme havia sido sugerido pela serpente (Gn. 3: 5). Isso revela um pecado semelhante ao de Satanás, o qual também quis ser como Deus.

Como é sabido, a partir daquele momento, o homem decaiu. Mas esta queda não modificou por completo a composição humana, ao passo que, ainda assim, haveria uma intensa necessidade de buscar algo ou alguma coisa que pudesse preencher o vazio de Deus, a fim de ser adorada. É a partir daí que começa surgir a idolatria. Precisamos compreender que, no lugar onde originariamente habitava o Espírito do Senhor (Gn. 2: 7), começou a habitar o pecado.

Muitos acreditam que o pecado é, tão somente uma coisa impregnada na natureza humana. Entretanto, o pecado é um ser que habita no homem. Se não, vejamos:
(Romanos 7:17) - De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. (Ênfase adicionada)
Observem que o pecado habita no homem caído. Percebemos então que o pecado não é um objeto, mas sim um ser. Um objeto não habita. Já o ser habita. E este ser passa a fazer parte na natureza do homem. (Salmos 51:5) - Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Esta questão é um pouco lógica visto que, a partir do momento que Deus deixa de habitar o homem, algo ou alguma coisa ocupará o Seu lugar (Mt. 12: 43-45), surgindo, assim, a idolatria.

Nesse passo, a idolatria inserta no mundo é algo fácil de ser notada. Porém, a idolatria maquiada no seio do “povo de Deus”, é mais complicada de ser constatada e arrancada. Dito isso, façamos a leitura e análise do seguinte texto:

(Êxodo 32:1-4) - MAS vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo arrancou os pendentes de ouro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão. E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito. (Ênfase adicionada)

O texto em destaque revela uma conhecida passagem histórica contemporânea a Moisés, sendo ele um dos personagens. Em resumo a este episódio, Moisés havia subido ao monte Sinai, onde recebera, diretamente de Deus, a Legislação que regulamentaria o povo de Israel. Ocorre que a demora de Moisés, gerou desespero no povo, o qual, seguindo uma influência rebelde que existia no meio deles, assegurou para si um novo deus, à semelhança do que há na terra, para que fosse adorado.

O interessante, mesmo, é ver o relato descrito no verso 24:
(Êxodo 32:24) - Então eu lhes disse: Quem tem ouro, arranque-o; e deram-mo, e lancei-o no fogo, e saiu este bezerro. (Ênfase adicionada)
Percebe-se, aqui, claramente, o material utilizado para a confecção de um deus: ouro. O ouro denota, não só para os tempos modernos, mas também para os povos antigos, algo de valor, precioso, relacionado à riqueza. Isso se aplica à nossa vida espiritual. Normalmente, quando nos afastamos de Deus, em face da desesperança advinda de uma fé subtraída de fundamento sólido (Palavra do Deus Vivo), ajuntamos aquilo que nos é valioso e criamos um deus que visa atender, fielmente, às nossas expectativas e caprichos.

Criamos, por exemplo, um deus emotivo, que se ocupa no amor segundo o padrão humano; um deus que se apaixona e que te faz apaixonar-se por ele; um deus completamente almático, cheio de fantasias dramáticas e emocionais; um deus, às vezes, até lúdico, que não perde a oportunidade de fazer sua platéia rir-se de suas “palhaçadas” fundamentadas em passagens bíblicas descontextualizadas (quando não alteradas e distorcidas).

Chegamos a criar um deus, tão semelhante a nós mesmos, que é capaz de sonhar conosco e de nos fazer fruto dos seus sonhos; um deus capaz sonhar e desejar as minhas vontades; este mesmo deus gera sonhos em seus corações e se submete às determinações de seus “súditos”, visto que é dependente da criatividade destes. A questão que me vem à mente é: quem é o súdito de quem nessa brincadeira?

Nós unimos tudo aquilo é importante para nós (riquezas emocionais, sentimentais ou materiais), e começamos no processo de fundição. A Palavra de Deus, neste processo, não passa de uma ferramenta pronta a ser interpretada, utilizada, alterada e aplicada segundo a nossa conveniência. Diante de quaisquer pontos de divergência entre o nosso QUERER e o querer de Deus, escolhemos o primeiro em detrimento do segundo. Simples assim! Está feito o nosso novo deus: amigo do nosso ego; à semelhança do nosso orgulho e da nossa corrupção.

O terrível é perceber a igreja evangélica atual tem se afundado nesse mecanismo:

* Alguns criam um deus carrasco, que submete seus súditos a um jugo quase impossível de ser carregado em troca da segurança de ter uma casa garantida num lugar melhor. Esse deus tem prazer em punir, humilhar publicamente àquele que errou. Esse deus, ainda, tem prazer em condenar, pisar, vomitar qualquer um que não venha a se adequar a seus parâmetros de usos e costumes, por mais absurdos que sejam.

* Em contrapartida, outros criam um deus extremamente compreensivo, que não liga com o pecado, nem tampouco com a mistura de seus "filhos" com as coisas mundanas e passageiras. Um deus que nos permite fazer tudo o que quisermos; desde que nos seja, psicologicamente, saudável. Um deus que acha tudo normal e natural (até uma cervejinha, bem geladinha, no fim de semana). Um deus que valoriza nossos sentimentos e paixões infames. Um deus que, por intermédio da graça, legitimou todo tipo de imoralidade e apostasia no seio da igreja.

Poderia passar dias falando dos deuses criados pela igreja evangélica, mas sinto-me obrigado a falar acerca do Deus verdadeiro, que é Soberano! O Deus Criador dos céus e da terra (Gn. 1: 1), não se submete à vontade do homem (Jó 4: 17), pois conhece as limitações deste último (Is. 55: 8, 9). O Deus onipotente não se afasta dos princípios e da Palavra deixada por Ele (Lc. 21: 33), porque Ele é a Palavra (Jo. 1: 1, 14). O Deus soberano, mesmo amando o pecador (Jo. 3: 16), não admite o pecado, exigindo de nós que o amamos obediência (I Sm. 15: 22) e santidade (Hb. 12: 14). O Grande Eu Sou, nos exorta a não nos conformarmos (amoldarmos) com o padrão deste século (Rm. 12: 2), mas, sim, a mantermos e fazermos a diferença exalando o perfume de Cristo (II Co. 2: 14 – 17), requerendo bom testemunho (I Pe. 3: 11, 12; II Co. 3: 1-6), por meio dos frutos do Espírito (Gl. 5: 22). O verdadeiro Deus não é só fundamentalista (pois não se afasta da Sua Palavra), é também o fundamento (Sl. 62: 7; 86: 26; 95: 1) da nossa fé e da nossa esperança (Hb. 11: 1). Este Deus não atende aos caprichos do homem, reservando-Se a cumprir a Sua Vontade. Glórias a este Deus, o Deus verdadeiro!

Se você tem percebido em quão densas trevas o mundo se encontra; se você, mesmo crente, que tem percebido os desvios constantes do chamado “povo de Deus”; hoje é o melhor dia para o arrependimento. Hoje é melhor dia para retornar aos fundamentos de fé! Tome essa decisão hoje mesmo ou, se preferir, continue criando um deus de mentira, frágil e impotente...

Um forte abraço a todos e a Paz do Senhor!

Jordanny Silva

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Acerca da Lei e da Graça


Em tópicos anteriores nós tratamos da injustiça e corrupção do homem em relação à legislação e à própria aplicação da justiça segundo o seu entendimento. Concluímos pela falência humana e pela soberania e infalibilidade divina. Entretanto, sinto-me motivado a tecer algumas considerações acerca da Lei e da Graça de Deus, baseado em estudos que fiz. Boa leitura a todos!


I) Lei e o pecado

O Apóstolo Paulo em sua carta escrita aos Romanos do Capítulo 7, consigna algumas considerações acerca da Lei e do pecado. É comum colocarmos a culpa da existência do pecado na lei. Chegamos a acreditar que, se não houvesse Lei, não haveria pecado. Entretanto, vemo-nos obrigados a questionar se o pecado depende ou não da Lei.

Lendo a carta de Paulo, chegamos a algumas conclusões: na verdade, não é o pecado que depende da Lei; mas, e ao contrário, a Lei existe por causa do pecado. Veja que este texto bíblico apenas nos informa que a Lei, por ser boa, nos tira da ignorância e, por intermédio dela, nos tornamos cientes da existência do pecado. Para podermos compreender melhor, imaginemos um crime de homicídio: o assassinato de Abel, pelas mãos de Caim, dependeu da existência da lei? Foi necessário instituir uma lei que proibisse o homicídio para que o pecado de matar alguém viesse a existir? A resposta é clara: não.

Desse modo, o ato de homicídio existe independentemente da Lei. A Lei apenas legitima a punibilidade à transgressão. Veja que a Lei foi instituída para garantir a segurança daqueles que não praticam o pecado. Ou seja, a Lei, quando nos informa “não matarás”, na verdade, apenas assegurou àqueles que não cometem o ato de homicídio de serem afligidos em seu direito à vida.

Amados, o que quero dizer com tudo isso? A Lei de Deus não é ruim. E, tampouco, criou o pecado. A Lei de Deus tipificou os atos contrários à Sua vontade. Tais atos, consequentemente, receberam a nomenclatura de pecado. A Palavra nos informa que a Lei de Deus é boa e o pecado é mau. A Lei existe para nos trazer segurança contra os pecadores. Na verdade, a Lei existe para os infratores.

II) A Lei e a Justiça

Ora, mas se a Lei é boa, devemos então viver sob o jugo da Lei? O que significa viver sob o jugo da Lei? Para responder a esta indagação é necessário, também, compreender o que vem a ser a Justiça. Em um sentido mais restrito (por tratar-se da Justiça Divina) e, compreendendo-se que a Lei é boa, há que se entender a Justiça como sendo o ato de aplicação da Lei. Ou seja, para aplicação da Justiça deve haver o exercício jurisdicional (juris = direito; dictio = dizer). Deus, como o Justo Juiz é quem detém o poder jurisdicional sobre sua Lei. Entretanto, o inimigo é também conhecedor da Lei do Senhor e quer que a mesma seja aplicada a quem for infrator.

Desse modo, viver sob o jugo da Lei é o mesmo que estar subordinado à aplicação da Lei, por intermédio da Justiça, sobre nossas vidas. Entretanto, que conseqüências a incidência e aplicação da Lei traz pras nossas vidas? A palavra de Deus afirma que todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus. Como disse antes, a Lei é para os infratores, pois, necessariamente, os que infringem a Lei suportarão as sanções advindas deste ato. Contudo, todos nós somos infratores. Conclui-se, portanto, que todos nós somos dignos de condenação quando estamos debaixo da Lei.

III) A Lei e a Justificação

Ao tratar do tema “Justificação”, gostaria de, primeiramente, trazer uma rápida noção de direito penal. Um crime, segundo a definição do Código Penal, é um fato típico (pré-definido na lei) e antijurídico (ilícito). Entretanto, o caráter ilícito do crime pode ser afastado caso o ato praticado pelo agente seja justificado. Dentre as hipóteses de justificação, em relação à lei penal brasileira, nós temos a legítima defesa. Uma pessoa que, por exemplo, mata outrem a fim de salvaguardar sua própria vida, está justificado em relação a sua atitude homicida. Compreenda que o fato típico “matar alguém” pré-definido na norma penal ocorreu, mas por ter sido em legítima defesa, é afastado o caráter ilícito (antijurídico), estando, portanto, justificado tal ato.

A justificação no contexto bíblico ocorre de forma semelhante. Jesus cumpriu a Lei em sua integralidade e também cumpriu a Justiça. O cumprimento da Lei existe quando não há infração. Cristo Jesus (Cordeiro Santo) não infringiu a lei pré-estabelecida. Ora, já compreendemos que a Justiça é a aplicação das sanções da Lei em face de seus infratores. A Palavra de Deus nos informa, em Isaías 53, que Cristo levou sobre si todos os nossos pecados e as nossas iniqüidades. Na verdade, a condenação que surgia por intermédio da Justiça foi imposta e aplicada sobre Jesus. Desse modo, a Justiça foi inteiramente cumprida por meio do sacrifício vicário de Cristo. Vejamos que a Lei continua sendo válida, porém, a sanção penal não é mais aplicável àqueles que não vivem sob o seu jugo.

IV) A Lei e a Carne

Dando continuidade à interpretação do texto disposto em Romanos 7, compreendemos que a finalidade precípua da Lei, a qual é o instrumento que traz o conhecimento acerca do pecado, é limitar a carne. Portanto, todos aqueles que estão na carne encontram-se sob o jugo da Lei, ao passo que esta é aplicada por intermédio da Justiça. Não obstante, quando o indivíduo se encontra na carne, é travada uma guerra interna entre o “querer” e o “efetuar”. Note-se que a Lei atinge o “querer”, que é bom. Já a carne, que é má, dirige o “efetuar”. Diante disso, o “efetuar” da carne é o “não querer” do espírito. Por isso Paulo se expressa da seguinte forma: “o que quero fazer não faço; e o que eu faço é o meu não querer”.

Enquanto estamos na carne somos sujeitos às sanções da Lei, e significa dizer que estamos sob o jugo da Lei. Na carne, somos escravos do pecado e, ao mesmo tempo, réus de condenação. Importa suscitar que Paulo nos informa que o tempo da ignorância não será levado em conta. Tal ignorância está relacionada à Lei e não ao pecado. Note-se que, ao conhecermos a Lei, automaticamente nos tornamos, também, cientes do pecado.

V) CONCLUSÃO - A Graça que provém de Cristo

O Apóstolo Paulo inicia o capítulo 8 da carta escrita aos cristãos de Roma dizendo o seguinte: “PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Ora, nisso está a nossa diferença, e por isso dizemos que já não estamos sob o jugo da Lei.

Quando estamos em Cristo, e se realmente estamos em Cristo, a Lei não se aplica a nenhum de nós. Primeiramente porque, sabendo que a Lei foi criada como uma forma de limitação para a nossa carne, já fomos sepultados com Jesus em sua morte, ou seja, a carne já não vive. Eis que tudo novo se fez. E este novo homem que ressurge é espiritual. Se, portanto, estamos no Espírito, já não pendemos para a carne e o pecado já não nos escraviza.

Em segundo lugar concluímos que Cristo já cumpriu a Lei, com a obediência, e a Justiça com o seu sacrifício na Cruz do Calvário, desse modo, para nós que estamos n’Ele, a sanção penal (aqui entendida como aplicação da Lei em face do infrator) já foi executada. Somos, pois, justificados em Cristo. A Justificação nos alcançou. A Justiça passa a fazer parte da nossa natureza. Em Rm. 5:20 lemos o seguinte: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;”.

Para Glória de Deus, não há mais condenação para nós que estamos em Cristo. Se realmente você está no Espírito o teu “querer” se torna o teu “efetuar”, ou seja, a Lei se confirma em nós, pelas nossas ações. Vivamos a liberdade conquistada pela Graça! Vivamos a liberdade concedida pelo Espírito! A paz do Senhor a todos!

Referências Bíblicas
Texto Chave

Rm. 7: 7-25; Gn. 4:8; Êx. 20:13; 1Tm. 1: 9; Sl. 89: 14; Pv. 13: 6; Pv. 21: 15; Is. 54: 17; Rm. 5: 17; Rm. 10: 4; Rm. 3: 23; Is. 53: 5; 1Co. 15: 45; At. 17: 30.

Deus abençoe a todos!

Jordanny Silva