segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O que tenho além de Ti?

"Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra." (Sl 73.25)

Antes de concluir as palavras acima, o salmista se vê num dilema profundo, e numa amargura indizível decorrente de observar o mal que impera no mundo.
Ele fica pasmo diante da prosperidade dos ímpios, que vivem regaladamente se ufanando de todas más obras de suas mãos, sem qualquer aflição de espírito que lhes conduza a sentir o peso de seus feitos. Olham para Deus com desdém, e ainda zombam diante de Sua aparente passividade com relação à impiedade que praticam. 
O salmista olha para o seu coração e para o coração daqueles que guardam um espírito sensível, e lê todas as reações químicas que seu corpo produz, fazendo sua alma sentir o fardo de eventuais feitos maus que tenha executado. Enquanto os homens normais são visitados pela culpa, pelo remorso, pela dor decorrente do erro, os ímpios nada sentem e, por isso, se alegram na sua maldade. De fato, a maldade dos ímpios é o seu playground, seu vício, seu ópio, seu deleite, sua paixão!
O pior é que, percebendo que o espírito dos homens maus não é afligido por tudo que operam em seus ardis, o salmista chega ao cúmulo de invejá-los! Assim pode ser com qualquer um de nós enquanto observamos, perplexos, a prosperidade dos ímpios. 
Mas, por graça, quando volta à lucidez e, deixando de fitar o olhos na maldade que se multiplica e faz os ímpios prosperarem, volta a olhar para a infinita bondade que habita no Senhor e dEle emana, o salmista se rende e confessa as palvras registradas no verso 25, as quais cito novamente: "Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra."
A verdade é que a perplexidade ante a maldade que se multiplica no mundo tem o poder de nos conduzir à insanidade. Por isso, devemos firmar nosso olhar naquEle que é bom, a fim de experimentarmos dEle, e só assim fazermos coro com o salmista... Nada há nessa terra que desperte em mim um desejo mais forte, do que o Senhor. E no céu não é o ouro, nem a beleza, e nem o extraordinário que me prende coração, mas tão somente o Senhor, que é meu, posto que O tenho, porquanto eu também sou dEle, e Ele me tem! Nesse contexto, a terra é céu, pois Ele é nosso galardão e nossa herança. E o céu é apenas o gozo da Eternidade na qual habitaremos nEle, que hoje habita em nós!


domingo, 11 de agosto de 2019

O "Evangelho" publicitário



O "EVANGELHO" PUBLICITÁRIO!

Quem não entende o Evangelho tenderá a aprender diversos malabarismos e pirotecnias a fim de, aplicando-os, chamar a atenção à mensagem de um outro "evangelho". A partir disso, esse outro "evangelho" dependerá da eloquência, da manifestação artística, musical e de tudo mais. É um teatro para chamar a atenção; é um pantomima para atrair os olhares; é uma dancinha legal para contagiar a galera; é uma caixa de som na rua para o grito do "pregador" ficar mais audível e irritante; é uma oração forte para convencer os incautos; é uma "profecia" positivista para motivar os imbecis; é uma boa banda de música, para emocionar a plateia; é uma massagem de ego para derreter e enaltecer autocomplacentes; é um determinismo torpe esbravejado para exaltar os arrogantes.

O verdadeiro Evangelho, em contrapartida, não é dependente de nenhuma estratégia humana. O verdadeiro Evangelho se manifesta na sinceridade das relações humanas; na caridade e no altruísmo desinteressado da exaltação e da honra pessoal; no olhar que não inveja, mas deseja o bem; no ouvir que é paciente e atento seguido de uma falar que, no amor, expõe verdade, ainda que seja desconfortável e exortativa; é o agir secreto em prol do próximo com espírito subserviente e reverente; é a imparcialidade não inerte, manifesta em prol da verdade que defende o oprimido e faz justiça ao necessitado; é o amor simples e dedicado que confunde até mesmo o inimigo, ajuntando brasas em sua cabeça; é a oração humilde, secreta, que intercede pelo bem, clama pela misericórdia e anseia pela justiça. Diante de ações como essas, não há espaço para inventar, ou para pirotecnizar, e o Evangelho, com seu poder de salvar todo aquele que crê, se estende em verdade e simplicidade; em escândalo por conta da liberdade; em poder e em autenticidade; em coragem e em perplexidade.

Deixo claro que não sou contra qualquer manifestação artística. Contudo, o Evangelho nunca dependerá de nada disso! Deus nunca quis publicidade com o Evangelho, senão o Evangelho seria apenas um artigo publicitário. Seu propósito, contudo, é muito mais profundo: É revelar o Evangelho na vida de todo aquele que crê! Quando você efetivamente vive o Evangelho, muitos se convencerão e se converterão à mensagem que ressoa de sua vida. Reitero que eu não desejo que você seja um objeto de amostragem, de publicidade de um outro "evangelho", pois o Evangelho não é propaganda. Antes, eu desejo que você seja um sujeito que revela o Evangelho em tudo o que você é, fazendo com que Cristo seja engrandecido tanto na sua vida, quanto na sua morte!

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Sobre vídeo games e Graça




SOBRE VÍDEO GAMES E GRAÇA

A maioria das pessoas não faz ideia das revoluções que são decorrentes justamente das limitações. Sou apaixonado por games, e assistir a história desse jogo, lançado há 40 anos, quase 3 antes do meu nascimento, faz o coração pulsar!
A inteligência, criatividade e até mesmo a ousadia do desenvolvedor do jogo em colocar até mesmo sua assinatura escondida dos donos da empresa que o contrataram para criá-lo, é absurdamente fantástica!
A história é tão empolgante quanto o jogo o foi! E, um vez, conhecida a história, o jogo torna a ser empolgante para qualquer um que seja minimamente um entusiasta dos games.
Steven Spielberg, ao lançar no ano de 2018 o filme Jogador n° 1, faz menção a esse game clássico, que representa a quebra de diversas regras relacionadas às condições precárias que o console Atari 2600 apresentava, até mesmo ao absurdo de deixar, conforme já dito, uma assinatura tão minimamente escondida, que poderia nunca ter sido revelada! Logo, a ousadia do desenvolvedor representaria, nos nossos dias, a fama e a utilização do game em um filme de grande bilheteria, dirigido por ninguém mais, ninguém menos que o grande Spielberg! 
Em outras palavras, o desenvolvedor do game se mitificou esconder sua assinatura de modo ousado!
Tudo isso é para nós uma parábola fantástica acerca do que a limitação pode desencadear! Por isso, vejo um fascínio tão absurdo em Deus pela fraqueza, pela limitação, de sorte que, quando estamos fracos (limitados), então estamos fortes!
Seria loucura a história fantástico de um game transformar-se, para mim, numa parábola que se relaciona à vida espiritual? Pra você pode até ser. Entretanto, eu tenho me acostumado a  ser frequentemente surpreendido pela Graça em sua multiforme manifestação! 
Agora, sem mais blá, blá, blá, assista a esse vídeo fascinante e se surpreenda com a simplicidade, ousadia e criatividade que imortalizou o clássico Adventure!
Link para o vídeo: https://youtu.be/UYPRjBi6PO8

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Um momento, uma semente, e tudo muda!



UM MOMENTO, UMA SEMENTE E TUDO MUDA!

Estava sentado à mesa em meu trabalho, frente ao computador, quando um senhor, que eu já havia atendido algumas vezes, se aproximou e me cumprimentou.
Ao vê-lo, notei que estava magro e que seu semblante havia envelhecido vários anos em poucos meses. Assim, cordialmente, perguntei como ele estava. Ele respondeu que não ia bem. Que havia perdido mais de 20 quilos. Então perguntei o que houve? E ele me disse que sua vida virou de pernas para o ar de um dia para o outro. Que estava destruída. Tudo aconteceu devido ao seu filho, um rapaz de 27 anos, ter se envolvido em caminhos errados e que, há dois meses, num confronto com a polícia, ficou paraplégico após um tiro atingir sua coluna.
Logo em seguida aquele pai começou a xingar seu filho, dizendo que ele destruiu a sua vida. Recordo-me alguns meses antes de ver este senhor sorrindo, pegando empréstimo para viajar com uma mulher mais nova, com quem vivia, e curtindo a vida. Naquele momento, entretanto, estava arrasado, destruído, despedaçado. Até mesmo a mulher lhe abandonou em seu momento de "desgraça".
Mas a forma como ele falava do filho evidenciou o quanto ele, para viver sua vida ao seu bel prazer, negligenciou o relacionamento paterno. Não estou tirando a responsabilidade do rapaz, que por suas escolhas agora terá que viver com sequelas irremediáveis, sem os movimentos da cintura para baixo, mas o papel do pai é imprescindível para a formação e consolidação do caráter.
Certa vez, convidado para dar uma palavra na formatura de minha filha do ensino infantil, quando ela tinha 5 anos, tentei deixar claro aos pais e mães, ali presentes, que aquele momento era único, e que não poderiam deixá-lo passar. Que naquela idade, eles tinham diante de si um presente indescritível e que deveriam se empenhar em criar seus filhos com amor e disciplina. Quantos pais e mães não choram hoje porque esse momento já se foi? Quantos experimentam hoje as consequências de seu descaso com os filhos na mais tenra idade!
O fato é que cada um é responsável pelo que semeia. Todos os dias, a cada momento, inevitavelmente, semeamos! Tão certo quanto o nascer do sol, colheremos!
Aquele pai colhe a dor e a revolta de ver o que seu filho tem colhido. Aquele filho colhe sequelas que não têm mais volta! Um momento, uma semente, e tudo muda!
Pense nisso!

Publicado em 2016.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Liquefeito




Liquefeito

Dissolvido escorria em tua pele
Beijava o teu calor numa singela despedida
Fiz-me lágrima - desde tua face descia
Quanto mais me agarrava a ti, ia...
Teu cheiro a mim se misturava;
Teu sabor em meus lábios ficava;
A simbiose da dor de partir...
E lá me esvaía; escorria em tua derme;
Como lágrima caía...
Tornei-me a breve lembrança
De pronto esquecida...
Então evaporo enquanto sigo
Rumo ao chão, ou lençol;
Esvaindo-me tento me segurar,
Abraço-me ao teu corpo...
Busco o ar; extravio-me em teu suspirar...
Estou perdido desde que saí de teus olhos...
Escorro, enquanto morro...
Não permitas que eu me vá!
Fora de ti sou uma pequena gota
Sem forças... Sem ti ausento-me do existir!
Como uma lágrima escorria;
De saudade me esvaía...

Gama, 2 de junho de 2019.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Não andeis ansiosos

Há um esforço mental que devemos buscar realizá-lo a cada instante: firmar-se no presente. Normalmente divagamos em problemas inexistentes, posto que residem no passado, ou nem existirão no futuro, e perdemos o Hoje. Por isso, reaja contra a ansiedade que te aprisiona no futuro que não é, ou contra o remorso e culpa que te aprisionam no passado que já deixou de ser.
Firme-se no agora, agora; imediatamente! 
Do contrário, a vida vai passar, e você não vai viver, pois, em sua existência, você residiu somente o "não lugar", seja passado ou futuro.
Então vai lamentar, e será assombrado pela nostalgia que te culpa por não ter aproveitado o que poderia ter vivido, ou pela preocupação com o futuro que é sempre incerto.
A certeza é o agora. A vida também o é. Basta a cada dia o seu mal. Vencer a ansiedade é um esforço ininterrupto, a todo instante; e deixar a culpa, é também um esforço. 
Nosso futuro está guardado naquEle que é. Do nosso passado de pecados e erros, Ele nem se lembra mais. Agora, a Sua grande dádiva para conosco é o dia chamado Hoje!
Pense nisso, e comece a trabalhar sua mente para viver o agora, fora das amarras do porvir e do que se foi!

NaquEle que é o mesmo ontem, hoje e eternamente,

Jordanny

segunda-feira, 24 de junho de 2019



O caminho do amor é pavimentado pela segurança da provisão. Vejo tanta gente fazendo planos egoístas como, por exemplo, ganhar na loteria, e justificando na alegação de que poderá ajudar outras tantas pessoas. O fato é que, enquanto você ama, Deus provê o que é necessário para ajudar a outrem que, porventura, cruze o seu caminho. 
Até um mendigo encontra condições para isso. Não obstante, já testemunhei pessoas que, segundo a aparência, não tinham praticamente nada a oferecer e que ofertavam justamente o que tinham. Há quem, não tendo nada, oferta a si mesmo!
Aliás, não foi assim com Cristo? Ele deixou a Sua glória e se entregou, pois sabia que nem a Sua glória e a abundância do que havia em seu estado original seriam maiores se comparados à Sua oferta: Ele mesmo!
Fazemos planos. Juntamos grana. Abastecemo-nos e nos programamos para o dia de amanhã. É uma característica natural de cada um de nós. Enquanto isso, justificamos nossa falta de amor sob a desculpa de que, se tivéssemos condições, faríamos mais.
O que eu gostaria que você entendesse, é que ele te dá as condições necessárias, independentemente do que você tenha, posto que, pra Ele, importa o que você é, e a sua disposição em se entregar em amor, todas as vezes que for necessário.
Em outras palavras, Ele já nos proveu com tudo o que é necessário para a experiência da oferta, em amor. 
Por isso repito: o caminho do amor é pavimentado pela segurança da provisão.