terça-feira, 22 de agosto de 2017

Prove e Veja!




Não é tão difícil constatar quem verdadeiramente é apaixonado pelo Evangelho e quem não é. Tudo se manifesta no grau em que a pessoa se lançou. Grande parte das pessoas que estudam o Evangelho, teólogos que conheço, vivem no ambiente da contemplação: Ficam boquiabertos com tudo o que se pode apreender teoricamente do Evangelho. Um estudioso de religiões, ou filólogo, numa descrição simples, conceitual e teórica, consegue explanar friamente os "conceitos" fundamentais da fé cristã. 

Entretanto, há aqueles que saltam do ambiente da contemplação e se lançam no ambiente da experiência pessoal, individual e impactante. Estes, efetivamente, provam e veem que o Senhor é bom!

A teoria é complexa, reducionista, rasa, fria, chata. Agora provar é simples, profundo, amplificador, atraente, saboroso! Provar e ver é o caminho! O resto é apenas artimanha retórica! Salmos 34.8

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Essência do Evangelho




A essência do Evangelho nunca esteve em prodígios e maravilhas. A essência do Evangelho nunca residiu em curas e milagres. A essência do Evangelho nunca foi gritar ao microfone uma oração "forte". A essência do Evangelho nunca foi culpar o diabo por tudo de ruim que acontece. A essência do Evangelho nunca se manifestou por sofisticações musicais e oferendas inundadas de técnica e orgulho, a exemplo da oferta de Caim. A essência do Evangelho nunca caminhou com questões ideológicas, tampouco com bandeiras políticas. A essência do Evangelho nunca se propôs mudar algum contexto econômico para uma fórmula liberal. A essência do Evangelho nunca totenizou homens, erguendo-os a um nível de evidência tão sublime que os torna inquestionáveis. A essência do Evangelho nunca se preocupou em aderir ao sistema mundano e à moda secular. A essência do Evangelho nunca se fez fiadora da prosperidade ou mesmo do bem estar. A essência do Evangelho nunca dependeu de uma elevada auto-estima. A essência do Evangelho nunca se sustentou na força do homem. A essência do Evangelho nunca se respaldou em uma espiritualidade mística e inalcançável. A essência do Evangelho nunca fez de línguas estranhas seu canal superior de comunicação. 

Se você olhar com mais cuidado, verá que a essência do Evangelho sempre comunicou a simplicidade. É no amor desinteressado que a encontramos. É na fé sublime naquEle que é poderoso para perdoar pecados que se manifesta. É em ações do tipo: Aquele que mentia, não minta mais; aquele que furtava, não furte mais, porém trabalhe; contente-se com o seu soldo, não aceite propina; cobre o que é justo; assista e cuide dos necessitados com quem você cruzar no caminho. Não há segredos! Apenas leia a impactante e extraordinária mensagem da Cruz que você perceberá o quanto a Verdade exposta no Evangelho é escandalosa e loucamente simples!

sábado, 12 de agosto de 2017

Alvo de Contradição




ALVO DE CONTRADIÇÃO

Simeão estava em Jerusalém na ocasião em que o menino Jesus foi levado para ser circuncidado, segundo o costume judeu, aos 8 dias de idade.

Estava ali, provavelmente já em avançada idade, mas seguro na promessa de que seus olhos veriam a salvação, porquanto ele veria o Cristo.

A salvação se revela a Simeão de modo completamente inusitado: Um bebezinho pobre de 8 dias de vida, completamente dependente de seu papai e de sua mamãe! Era a fraqueza estampada! Era a limitação evidente e escancarada! Mas, para Simeão, era o favor de Deus, a Graça e a Verdade manifestas a ele, que tanto aguardou a promessa de que seus olhos contemplariam o redentor!

Mas Simeão não era um simples espectador da manifestação gloriosa do fraquinho e limitado Salvador que estava diante dele, era também um profeta que trazia, não só uma palavra de conforto, e sim de dor, porquanto inundada de verdade. Eis o que ele disse à mãe do menino, após abençoa-los:

 "E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição, sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações." (Lucas 2: 34, 35).

Há uma tradução que se vale do termo "predestinado" no lugar de "posto". E esse termo parece casar mais com o que Cristo realmente manifestou. Ou seja: Estando predestinado, para Cristo não havia escolha; não havia livre arbítrio! Só Lhe restou uma única possibilidade: Ser alvo de contradição; ter sua alma traspassada por uma espada; ser o motivo da queda e levantamento de muitos em Israel!

Hoje, os verdadeiros profetas, os que se comprometem verdadeiramente com o Reino, com Deus da Palavra e com a Palavra de Deus, guardam com alegria e paciência o Dia em que contemplarão a razão de sua esperança se manifestar diante deles. E ficam apercebidos mesmo quando essa manifestação se faz em total fraqueza e limitação. Porém, não podem se calar mesmo quando o teor de suas profecias geram desconforto de dor. Assim, assemelham-se ao seu Senhor também como alvos de contradição, e sabendo que a Espada, que é a Palavra de Deus, lhes traspassa a alma em todo o tempo!

É fácil reconhecê-los! À semelhança das duas testemunhas de Apocalipse, também de suas bocas sai fogo (juízo), mediante a Verdade que denuncia! O difícil, é amá-los!

Em Cristo,

Jordanny

domingo, 16 de julho de 2017

Aplicativos


APLICATIVO

Dê-me um aplicativo
Que me faça bendito,
Ainda que eu tenha dito mal
De qualquer um que, em especial,
Prenda em meu coração ferido!

Dê-me um aplicativo
Que me torne bem quisto,
Ainda que a indiferença
Eu tenha plantado na essência
De meu olhar altivo!

Dê-me um aplicativo
Que me devolva o riso,
Ainda que a futilidade
De uma vida sem verdade
Seja meu "ser" preferido!

Dê-me um aplicativo
Que me torne o mais bonito,
Ainda uma alma pútrida
Seja minha vera face rústica,
Meu segredo guarnecido!

Dê-me um aplicativo
Que me apresente convicto,
Ainda que ideias turvas
Sejam as reais molduras
De tudo que eu acredito!

Dê-me um aplicativo
Que me encha de algum sentido,
Ainda que a torpe apatia,
De minhas veredas a guia,
Delate-me adormecido!

Dê-me um aplicativo
Que me faça bem visto,
Ainda que toda a maldade,
Sócia de minha vaidade,
Seja tudo que eu tenha nutrido!

Dê-me um aplicativo
Que me mantenha iludido,
Ainda que de fato eu perceba
Na vida, lida e até na natureza,
Tudo o que é, será, ou tenha sido!

Dê-me um aplicativo
Que me mostre destemido,
Ainda que a covardia
Seja a fiel companhia
De meu ser omisso!

Dê-me um aplicativo
Que me afaste o gemido,
Ainda que meu caminho
Esteja coberto de espinhos,
Que eu mesmo tenha produzido!

Dê-me um aplicativo
Que me faça atrativo,
Ainda que a essência
De minha amarga existência
Guarde um ser repulsivo!

Dê-me um aplicativo
Que me encha de amigos,
Ainda que minha real intenção
Seja somente a bajulação,
De qualquer um que tenha conhecido!

Não mais se estenda,
E tão logo me atenda:
Dê-me o Aplicativo dos aplicativos,
Conforme todos os meus caprichos,
E assim sacie a sede e a fome
De meu ser vil, e infame,
E preencha meu Vazio,
Que não se encontrou no Infinito!

Gama - DF, 16 de julho de 2017.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Crucificado

 
Crucificado

No Cristo crucificado, lemos que o poder absoluto de Deus se opera na ocasião em que não há mais possibilidades de se mover as mãos ou os pés, posto que os cravos estacados os prendem ao madeiro. É ali que o pecado é destruído! É ali que a redenção e perdão são consumados! Sem gritos! Sem oração forte! Sem voz entonada por um microfone! 

É na vergonha! É na exposição pública a torturas e xingamentos! É nos açoites e nos espinhos que penetram a fronte! É na carne rasgada! É no corpo moído! É nas chagas e no sangue derramado! Em tudo isso é que o Poder de Deus se revela absoluto e absolutamente para a salvação de todo aquele que crê!

Eis, diante de nós o Escândalo, a Loucura e a Redenção!

Caminho

 
CAMINHO

O dia vem clareando tudo. É a consequência natural da vereda do justo. Chega o momento que não dá pra esconder mais nada, pois a luz vai se tornando plena.

Isso é uma verdade em todas as questões da vida. É caminhando em sinceridade nessa vereda, segundo a consciência que por Graça e mediante a fé vem inundando mais e mais o nosso ser, que passamos a perceber o que na vida simplesmente é, bem como tudo aquilo que, de fato, nunca o foi.

Com relação às amizades, por exemplo, quanto mais caminhamos nessa sinceridade, no Evangelho, vamos percebendo aqueles que são irmãos, no amor de verdade, e aqueles que nunca se disponibilizaram a ser. As invejas, ações, omissões e olhares vão se manifestando e manifestando quem é e quem não é amigo.

Nas decisões do mesmo modo! Vamos tendo a percepção clara do que devemos semear para que colhamos em justiça, paz e verdade. Mas só tem essa percepção quem se permite enveredar-se pelo caminhos dos justos. Ou melhor: Pelo Caminho daquEle Único que foi plenamente Justo e que, sendo de fato Justo e Justiça, também é o Único Caminho!

NEle, as de-cisões, são realmente cisões, cortes, que determinam a transformação do entendimento, e a inapelável experiência do que é misteriosa, assustadora e maravilhosamente, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus! Essas cisões, fruto das nossas decisões, se revelam em relação a tudo que, de fato, nunca foi Verdade! São cisões com todos os tipos de "ismos"; os quais, antes de tudo, não passam de vários tipos de religiosismos, com fundamento no próprio idiotismo! 

Enquanto caminhamos iluminados pela necessidade de cisões com tudo aquilo que, no âmago não passam de tentativas frustradas de "religare" (religiões), vamos compreendendo o que, de fato, religa, conecta! E vamos entendendo que o verdadeiro Caminho do "religare" passa necessariamente pela simplicidade, pela humildade, pela Graça! 

Bem, não vou me estender mais! Entretanto, sei que nessa Vereda, tudo que é para se revelar, se revela; e tudo que é para cindir, cinde-se; e tudo que é para se religar, também se religa! Essa vereda é como a luz da manhã, e um dia será, para os que nela caminham, Dia Perfeito e Perfeito Dia!

Caminhando naquEle que É,

Jordanny.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Deixa-me

 
Deixa-me

Deixa-me provar teus lábios, 
Tua doçura;
Deixa-me provar-te, e encher-te 
De ternura...
Deixa-me saber teus medos,
Tua loucura;
Deixa-me tocar tua nobre
Alma nua...
Deixa-me deitar-te em minha
Cama-tua;
Deixa-me olhar tua bela 
Face-lua...
Deixa-me sondar tuas vias,
Rotas, ruas;
Deixa-me perder-me em tuas
Sendas, curvas...
Deixa-me beber tua poção,
Tua cura;
Deixa-me encantar por tuas
Artes puras...
Deixa-me escalar teus seios,
Tuas alturas;
Deixa-me medir teu ventre,
Tua fundura...
Deixa-me abraçar-te em noites
Frias, turvas;
Deixa-me salvar-te nas fendas
Mais escuras...
Deixa-me sorrir, em tuas
Travessuras;
Deixa-me chorar, em tuas
Amarguras...
Deixa-me gozar tuas breves
Aventuras;
Deixa-me romper tua forte
Armadura...
Em sombras, à deriva, ou longe
De tua paz,
Deixa-me expressar um só
Desejo mais:
Que não me deixes ir, tampouco
Te deixar,
Posto que, condenado, minha sina
É te amar!

Em 14 de abril de 2017.