terça-feira, 11 de abril de 2017

Aquarela

 
AQUARELA

Numa sequência peculiar de detalhes, a vida se revela como uma única e magnífica obra. É como uma aquarela, que, vista de perto, não passa de um borrão de tinta. Mas ao distanciarmos a visão, o que era borrão cria forma; e o que parecia não ter significado, alcança significância. 

Tudo, porém, é para a Glória daquEle que se dedicou a pintar!

Não faça pouco caso dos detalhes, pois tudo na vida conta! E o que aparenta ser um simples e pequenino detalhe, é o que essencialmente compõe a arte de viver!

terça-feira, 4 de abril de 2017

Quando até o "bem" não me convém

 

QUANDO ATÉ O "BEM" NÃO ME CONVÉM

Tudo nessa vida precisa ser comedido, equilibrado. Até mesmo as virtudes! Uma virtude exercitada de modo imprudente se torna um fardo de inconveniência. A conveniência, por sua vez, sempre deve amparar a licitude de todas as coisas. Por isso Paulo nos diz que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém.

É fácil entender o fator conveniência versus licitude quando estamos diante de algo manifestamente errado. Entretanto, quando o assunto são as nossas virtudes, parece que temos o direito-dever de manifestá-las sem qualquer pudor, ou equilíbrio.

A sinceridade, por exemplo: Pensamos ser uma virtude a ser manifestada de qualquer modo, em qualquer ocasião e lugar, e a qualquer um. Há em alguns de nós uma necessidade pulsante de expô-la irrefreadamente. E, expondo-a, cheios de razão, ainda justificamos o nosso inconveniente vômito de sinceridade sob argumentos do tipo "eu sou sincero mesmo; não sou falso; vão ter que me engolir; quem não gostou é porque não gosta da verdade!". 

Meus caros amigos, a medida de sobriedade para o exercício de quaisquer virtudes, deve ser o amor consciente, que nos alcança e nos enche de discernimento. E que discernimento é esse? Discernimento acerca do momento oportuno, dos motivos certos, e até mesmo em relação a quem é sujeito e objeto de nossas virtudes. No nosso exemplo acerca da sinceridade, o fato é que há até mesmo pessoas para as quais não podemos expô-la. Não obstante, será como lançar pérolas aos porcos.

Nossas virtudes devem ser exercidas em todo o tempo, mas com todo o amor, zelo e discernimento. Assim, acresce-se às virtudes que se evidenciam em nós, a conveniência, que em si mesma compreende o lugar apropriado, o momento oportuno e a pessoa (ou grupo de pessoas) certa.

A conveniência é, assim, uma virtude que nos ensina o exercício inteligente e apropriado de outras virtudes.

Reitero que até mesmo nossas mais sublimes qualidades não podem ser o fim em si mesmas que justifica as nossas atitudes inconvenientes. 

Ajamos sempre com equilíbrio, inteligência e, sobretudo, em amor.

Não manifestar algo que poderia se auto-aclamar como virtude própria em alguns momentos, não representa em todos os casos falsidade, desvio de caráter, medo, covardia, omissão, ou coisas desse tipo. Pode simplesmente revelar maturidade daquele que carrega, em si, a virtude.

Entender isso pode nos ajudar a evitar muitos problemas. Mas lembre-se de mais uma coisa: Há momentos em que nossas virtudes devem ser exercidas manifesta e inequivocamente. Discernir isso é que é imprescindível!

sábado, 1 de abril de 2017

A Graça nas Bolotas

 
A GRAÇA NAS BOLOTAS

Inúmeras vezes são nas "bolotas dos porcos" que a Graça termina por se evidenciar em nós, visto que ali a nossa consciência é brindada com o arrependimento e o desejo de retornar ao seio do Pai. 

Essa Graça, que habita na consciência, é tão misteriosa e extraordinariamente sublime, que chega a desnudar a hipocrisia do "irmão mais velho", o qual, julgando ter vivido sempre junto ao Pai, nunca regozijou-se nisso, posto que sua consciência se fez reduzida à obrigação de tornar-se aquele que é digno. Agora, imaginando-se o mais digno, este imão mais velho tenta justificar sua inveja mediante um vitimismo vil, ingrato.

Já a Graça que frutifica no entendimento do pecador se manifesta sempre como consciência de indignidade e posterior súplica por misericórdia. A consequência inevitável disso é o retorno quebrantado, seguido da recepção calorosa de um Pai amoroso, coroada por vestes novas, comunicada num banquete especial, e selada com um anel posto no dedo!

quinta-feira, 30 de março de 2017

O que sou...

 

Dizia o poeta:
Então, meu complexo de inferioridade, que nascia de uma sensação fundada na minha insegurança, foi substituído por uma forte e segura convicção de minha pequenez... Não me acho mais inferior: tenho certeza de que sou muito - muito mesmo! - pequeno!

Assim, vou me convertendo ao que desde o início eu deveria ser, no caminho do abandono de quem, querendo ser, de fato nunca fui. E na brisa da simplicidade de me achar no propósito sob o qual sou, revisto-me da leveza de não desejar mais ser outrem! 

Enfim, o fardo da necessidade de grandeza, deixei para trás. E hoje, apenas caminho conforme a vida, em verdade, se revela a mim! Fora disso, fora dessa consciência - entendi - não há viver, mas somente existir!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Abandono

 

ABANDONO

A vida é, em si mesma, a contínua lição do abandono. É o esvaziar-se sempre de razões, motivações, e até de respostas prontas, para que a Verdade seja impressa, firmada no ser. É, portanto, abrir mão de "ter"! Mas não somente o "ter" material, mas também do "ter" imaterial.

Contudo, quanto menos parecemos ter, quanto mais deixamos para trás, mais passamos a possuir, porquanto, efetivamente, mais passamos a ser. 

Sobretudo, que Ele Seja, o que de fato extraordinariamente É, em nós, para que, tendo-O, sejamos nEle!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Gostando e Desgostando

 

GOSTANDO E DESGOSTANDO

A vida vai se desenvolvendo na experiência do gostar. Desde cedo as nossas predileções vão sendo aguçadas e, com o tempo, afuniladas. Entretanto, no caminhar do tempo, parece que as nossas tendências e gostos vão se acrescentando, subtraindo, multiplicando, dividindo. 

Em muitos casos a gente, sob a égide de Cronos, de tanto provar mais e mais o que se gosta, parece que acaba por desgostar. A experiência do desgosto tem que caminhar junto com a do gosto, daí decorrendo em alguns casos. Isso nos amadurece; isso nos torna mais graves; isso nos desenvolve como seres humanos. 

Você conhece facilmente o grau de imaturidade de alguém de acordo com o quanto esse alguém se propõe a saciar ao máximo os seus gostos. Ou seja: quanto mais indeciso acerca do que realmente se gosta, e ávido em atender o que já supõe gostar, mais imatura uma pessoa normalmente é. E quanto mais decidida a, inclusive, abrir mão de vários de seus gostos, mais amadurecida e humana uma pessoa se apresentará. 

Alguns nesse caminho, após experimentarem tantos gostos e desgostos, se veem cansados, fatigados, entristecidos, sem mais desejo algum de se saciar, ou enveredando-se no saciar-se em qualquer novidade que lhes seja apresentada. Então se perdem no despropósito de ser, caindo num vazio de angústia; num turbilhão de ansiedade inexplicável; num sentimento nostálgico inquietantemente depressivo. Tudo isso porque se perdeu no propósito de ser, enquanto buscava ardentemente atender seus gostos, ou enquanto se fez moralmente motivador de seus desgostos.

É também verdade que tanto a avidez pelos próprios gostos, quanto o repúdio fanático a estes mesmos gostos, objetificando-os como o núcleo de seus pecados, apontam para a consciência imatura do ser. Gostos e desgostos são para o homem, mas o homem não deveria ser para os gostos e desgostos. Assim como o comer e as vestimentas são para o homem, mas o homem não é para a comida e nem para as vestimentas.

Quando se entende isso, entende-se também que o núcleo de tudo não é a coisa que se gosta ou se desgosta, mas a motivação que me faz deixar o que eu gosto, ou até experimentar o desgosto. Nesse ponto, chego no amor! O amor transcende nossos desejos, ou mesmo nossas predileções. O amor também nos faz provar até mesmo o que não gostamos. Enfim, no amor, gostos e desgostos se tornam apenas instrumentos de quem ama, em favor desinteressado a quem é amado. 

Fazemos, por amor, o que não gostamos, e deixamos de lado o que gostamos. E enquanto fazemos tudo isso, o amor, em si mesmo, nos supre em alegria, gratidão e paz. Em tudo isso, há inefável e completo prazer!

Transcenda, pois, o gostar e o desgostar e apenas AME!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Fotografia

 

Fotografia

Então nas fotos eu tenho tudo o que não sou. Nas fotos eu fui tudo o que não pude e até o que nem quis. Meus sorrisos eram os mais belos; minha alma a mais triste... Fotos, enganem-me um pouco mais, iludam-me... Que os flashs brilhem... Mas a luz foi imediata, rápida, instantânea, e se apagou... Assim como o sonho que se registrou... Fotos, escondam minha tristeza, e gritem o que nem mesmo sei de alguém que enfim não sou...