segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Evangelismo nas ruas...
Abaixo segue o vídeo do evangelismo organizado pela juventude de minha igreja. Tem apenas uma parte do trabalho realizado no dia 23 de fevereiro de 2013. Era uma equipe de 15 pessoas cheias do Espírito Santo e contagiadas pela paixão do Evangelho, prontas para anunciar as boas novas de salvação!
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 22
Nicho da dor
Calabouço
de paredes frias
e de
umidade que avança em mofo;
sobre
as úlceras rastejam as larvas
asquerosas,
companheiras únicas.
Ao
som que vem das sombras
carregado
de arrepios e temores,
a negra
nuvem baixa impiedosa;
logo
salta aos olhos expressão de angústia,
medo
e dor que cada vez mais perto
cobrem
porquanto revelam tão vil realidade.
Nesse
ardor de penúria e lamentos,
sempre
opta pela solidão,
que
é amiga e que repele e atrai aos desalentos;
que
é cura e vírus; antídoto e veneno.
Tudo
para que não sejas aqui reclusa,
já
que o sofrer teu inda é a mais vil sensação.
Quais
memórias de outrora,
donde
nas fontes da esperança se nadava...
Mas
agora a sequidão do ser lambeu suas águas;
e
donde se bebia em abundância
hoje
os lábios se lançam às poças, ao chão:
Chão
rachado de cancros e cicatrizes.
Ali
não há sombras de alívio;
há
somente as do horror.
O
aroma nostálgico das recordações
faz
retorcer de azia,
e
corrói ao âmago das entranhas que se fazem ser...
E
ao horizonte que se põe além,
não
se veem sonhos nem desejos sãos,
a
não ser a sepultura,
que
é doçura em taças amargas...
Jordanny Silva
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Adoecidos e Adormecidos - Parte 6
Capítulo 5 – As
ilusões e os embaraços da vida.
Após trazer uma definição exata do
conceito de fé, consignando exemplos inesquecíveis num rol sublime de heróis da
fé, sabiamente nos advertiu o escritor aos Hebreus:
PORTANTO nós também, pois que estamos rodeados de
uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos
todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com
paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e
consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a
cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. (Hb
12.1-2) [Ênfase adicionada]
O propósito de se tratar, num mesmo
capítulo, das ilusões e dos embaraços da vida, respalda-se no fato de que todo tipo
de entrave, embaraço, frustração ou mesmo, desejo vão que atinge os nossos
corações, têm como escopo algum tipo de ilusão. A ilusão é, por natureza,
viciosa. Ela traz consigo a obcecação. E o que é a obcecação? É uma visão
turva, dissonante da verdade. O obcecado é aquele indivíduo que está rendido à
cegueira. Ele acredita que pode ver, mas está cego. No livro de Apocalipse, a
carta endereçada à igreja de Laodiceia aponta para esse problema:
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada
tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e
nu; (Ap 3.17)
A obcecação, a nível espiritual,
acontece quando não conseguimos mais enxergar o que tem valor espiritual, e
passamos a nos firmar no que é passageiro. O cristão é convidado a ser um
visionário. Isso mesmo! A nossa visão não está condicionada aos limites dessa
existência horizontal; desse mundo simplesmente palpável. Qualquer manifestação
de fé que supervaloriza as questões materiais é falha e representa uma forma de
obcecação.
Veja que a igreja de Laodiceia assim
se afirmava: “Eu sou riquíssima! Estou cercada de prosperidade! A minha
teologia é cheia do glamour materialista! Sou reconhecida pela grandeza dos
meus templos e pelas contas bancárias de meus membros!” A resposta a essa visão
aproximada da teologia da prosperidade foi a seguinte: “Você na verdade está
privada da autêntica Graça de nosso Senhor Jesus. Isso porque a sua miséria se
expressa na própria natureza daquilo em que se fundamenta a sua fé e a sua
confiança, que são as riquezas perecíveis dessa vida. Assim, você, na verdade,
experimenta uma pobreza interior ímpar, por conta da soberba de suas palavras.
Está cega, limitada e fadada à fronteira da diminuta e passageira glória
manifesta nessa temporalidade vã!”.
Uma vida um tanto confortável ao
padrão humano, pode ser uma vida de extrema miséria espiritual. Por esse motivo
há tantos cristãos que não estão preparados para o momento de dor. Qualquer
sofrimento que a vida lhe impinge já é suficiente para colocar em cheque a sua
fé, fazendo que duvidem do próprio Deus. A consequência é uma escancarada
impiedade e incredulidade, mesmo diante de sinais fantásticos da presença de
Deus.
E como esses crentes materialistas
normalmente respondem ao momento de tribulação, ao deserto que precisam
enfrentar? Muitos têm respondido com a apostasia, com o abandono da fé.
Entretanto, qual seria o segredo
para ter uma fé genuína e inabalável? O texto que introduz este capítulo nos
informa: Deixar os embaraços e o pecado e olhar para Jesus, Autor e Consumador
da fé. Isso parece ser simples, mas muitos não entendem o que significa olhar
para Jesus. O que se tem visto na atualidade é que muitos não têm olhado para o
Cristo verdadeiro; antes têm olhado para um arquétipo baseado nas especificidades
desse mundo perdido; ou mesmo para aquilo que a religião pinta como sendo o
Cristo, e, assim, as expectativas são facilmente frustradas. Nisso se baseia a
grande ilusão.
A grande verdade é que, quando um
Cristo falso é apresentado ao coração humano, automaticamente, a fé daquela
pessoa não passa de uma falácia; de um engano terrível. Contudo, quando o
verdadeiro Cristo é apresentado e recebido na vida de alguém, a fé aceita se
faz firme e floresce mesmo no mais inóspito deserto. Porém, qual é o Cristo
verdadeiro?
O verdadeiro
Cristo.
Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o
qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a
afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. (Hb 12.2)
A primeira característica de Jesus
descrita pelo escritor aos Hebreus nos informa que Ele é o Autor e Consumador
da fé. Isso revela a Sua soberania, inclusive, em relação ao fato de que uma
pessoa só alcança a confiança nEle por meio de Sua vontade. É Ele que nos
escolhe e não o contrário (Jo 15.16). É Ele que nos ama antes, para que assim
nós O amemos (1Jo 4.19). Dessa forma, é Cristo que produz e dá início ao
caminho de fé traçado pelo coração humano e, também, é quem o conduz ao fim
deste glorioso caminho (Fp 1.6).
E por onde esse caminho de fé passa?
Esse não será diferente do caminho de nosso Mestre. Esse caminho passa pela
alegria da perfeita, agradável e boa vontade de Deus (Rm 12.2) que nos
apresenta a cruz como escolha, anseio e necessidade para que se alcance a vida
eterna (Lc 9.23). A cruz e as provações precisam ser motivo de grande alegria para
cristão.
Mas o verdadeiro Cristo não foi
derrotado pela Cruz. Pelo contrário, Ele alcançou vitória por meio da Cruz e
demonstra isso plenamente no fato de Sua ressurreição. A ressurreição deve ser
um dos fundamentos da fé cristã, pois sem esta toda a nossa fé se faz vã (1Co
15.14). E para a Sua glória, Ele está assentado à destra do Trono de Deus.
Glória a Deus!
Olhe para Jesus consciente de que a cruz
é um instrumento de glória na vida de todos aqueles que O amam, mas também
consciente de que Ele é soberano e está assentado à direita de nosso amado
Deus. Tenha convicção que Ele, que deu início à nossa fé, é fiel para completar
a obra e consumá-la em nossas vidas! Glória ao nome de Jesus!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 21
De: Vida
Para: Doxo
Se
o Meu querer fosse o teu
e
o teu fosse o Meu querer,
seria
fácil, a ti, recitar o inexprimível.
Mas
te divides em dois, dez, cem,
donde
quando ou como ou quanto é maioria.
E
numa balança medes e negocias,
mas
na avença sempre perdes.
E
se decides ao lucro, na consciência lutas ante o luto.
E
novamente tornas a desejar-me tanto e nada,
pois
me queres tanto e quanto e até não quando;
e na medida de um vazio tão pesado,
(ao
vento inalas um frescor tão sufocante),
e ao calor que traz a ti gélido arrepio,
não
vês nada além até fechares os olhos.
Se
a brisa soprasse versos,
colhê-los-iam
aqueles que se fizessem sensíveis.
Mas
a linguagem eólia
pouco
e nada vos é compreendida...
Então
resta o choro de quem não sabe
e
resta a angústia de quem espera
e
resta a dor de quem crê amar.
De
anseios faz-se o castelo de cartas:
Tão
frágil que mal suporta a respiração
de
um sussurro de amor...
Quão
vãos são os desejos
dispersos
nas areias do tempo:
Nada
dizem conquanto gritem alto.
São
maquinações de uma existência
que
se vê submersa nas águas da soberba,
sem
fôlego, afogada em amarga ilusão;
ilusão
essa que mente quanto ao que se vê e crê
acerca
de ti e do mundo e de Mim...
Ah,
se pudesses ver que o adiante pode estar atrás
e
se entendesses que o além se faz daí, onde estás...
O
que esperas, espere em Mim
e
o que desejas, deseje em Mim
e
o que fizeres, faça em Mim...
Só
assim o ar da paz se achegará
ao teu tempestuoso ser.Jordanny Silva
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Adoecidos e Adormecidos - Parte 5
Capítulo 4 – A
questão do orgulho e do egocentrismo.
O primeiro relato da manifestação
de orgulho que temos na Palavra está em Gênesis e se refere à Queda do homem.
Há o famoso diálogo entre a mulher e a serpente e, quando é cogitada a
possibilidade de Eva ser “como Deus” (Gn 3.5), aquela árvore se torna boa para se comer, e seu fruto se torna agradável e desejável. A consequência é que a mulher, após comer do fruto
proibido, oferece ao seu marido, que também o experimenta (Gn 3.6). Paulo, ao
escrever a Timóteo, afirma que Adão não foi enganado quando participou daquele
manjar amaldiçoado (1Tm 2.14). Quando, porém, inquirido por Deus daquele
lastimável evento histórico, o homem aponta a responsabilidade para Deus, que
deu a ele a mulher e esta, por sua vez, culpa a serpente.
Fica, pois, evidente que a raiz do
orgulho, que caminha para a rebelião contra Deus, já existia na serpente antes
de o homem ter experimentado daquela árvore. Isaías e Ezequiel nos trazem
revelação acerca da Queda de Satanás, a antiga serpente:
Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei
de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio
de sabedoria e perfeito em formosura. Estiveste no Éden, jardim de Deus; de
toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante,
turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os
teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.
Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus
estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado,
até que se achou iniquidade em ti. (Ez 28.12-15)
Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha
da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu
dizias no teu coração: Eu subirei ao
céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da
congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das
nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao
inferno, ao mais profundo do abismo. (Is 14.12-15) [Ênfases adicionadas]
Uma leitura atenta a todos os textos
citados acima revela um único ponto em comum: o desejo de ser igual a Deus. Essa
é a raiz do orgulho: o desejo de se tornar um ser autônomo (auto = próprio; nomia = regra; ou seja, um ser guiado pelas suas próprias leis),
independente de Deus.
A partir da Queda, o homem passou a
desejar essa independência, retirando Deus do centro de sua vida.
Inegavelmente, o homem esvaziou-se de Deus, perdeu a Sua extraordinária
semelhança. Por isso, partilhamos todos nós, uma realidade indiscutível: Toda
criança, jovem, adulto ou velho guardam dentro de si as raízes do orgulho. Quando
Deus deixou de figurar como o centro do interior humano, outras coisas,
necessariamente, passaram a preencher esse lugar.
Vimos anteriormente que o ser é dependente do ter. Vimos também que Deus é a peça exata que se encaixa na lacuna
infinita de nosso interior; Ele é o Ter
que tanto precisamos, ainda que não O desejemos. Contudo, o que podemos compreender
é que o egocentrismo gera a mais terrível das confusões, pois transformamos o
nosso ser no que nós temos de mais valioso. O nosso ser se torna o nosso ter. Quando nos tornamos o nosso maior
tesouro, automaticamente, tudo que está a nossa volta se manifesta inferior a
nós mesmos.
Tudo isso adoece o ser humano. Não
poucas vezes vemos cristãos exclamando: “Fulano não está à minha altura!”.
Outros pensam: “Essa pessoa não merece nem a minha compaixão”. Há alguns dias
caminhava num shopping com minha filha e com minha sobrinha, ambas ainda
crianças, e percebia o grau de egocentrismo manifesto na multidão. Muitos
passavam por aquelas duas crianças sem qualquer tipo de respeito, sem mesmo,
sequer, baixar a cabeça para olhá-las. Se não fosse a minha companhia com todo
o meu cuidado, elas praticamente seriam pisoteadas.
Dentro da igreja temos um grande
número de pessoas tão cheias de si, que não enxergam as necessidades do
irmãozinho ou da irmãzinha ao lado. Há tantas reclamações de que não recebem
visitas; mas nunca os vemos visitando. Há murmúrios de muitos por falta de
reconhecimento pessoal por parte da liderança, mas poucos são os que reconhecem
o quão é importante aquele irmão humilde que se assenta lá atrás. Julgam sempre
fazer melhor do que os outros: “Eu dirigiria o culto melhor do que aquele
irmão”; “Eu pregaria melhor do que aquele outro”; “Eu tenho uma voz mais bonita
do que aquela irmã que canta no ministério louvor”; “Eu oraria com mais fervor,
e a igreja iria sentir o poder de Deus”; “Eu não suporto aquele fulaninho”. Em
resumo, são tantos eu, eu e eu, que já não há espaço para Deus nesses corações
inchados.
João Batista foi considerado o mais
peculiar e o maior de todos dos homens pelo Mestre Jesus (Mt 11.11). Contudo,
este mesmo João afirmou acerca de si mesmo:
“É necessário que Ele [Cristo] cresça e que
diminua.” (Jo 3.30)
Nessa atitude, fica evidenciado o
segredo de sua inegável piedade. João, por exaltar a glória de Cristo e por
conhecê-lo, mesmo antes de tê-lo visto, compreendeu o seu lugar perante Deus: o
lugar de humilhação. Ali está o remédio que nos cura de nós mesmos.
Medicando e
tratando o orgulho: o lugar de humilhação.
A natureza do orgulho deve ser
tratada. Em Deus há excelsa glória, mas nunca houve orgulho. Ele nos prova isso
por meio de Seu filho:
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que
houve também em Cristo Jesus,
que, sendo em forma de Deus, não teve
por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a
forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente
até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre
todo o nome; para que ao nome de
Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e
debaixo da terra, e toda a língua
confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai. (Fp
2.5-11) [Ênfases adicionadas]
Como Deus pode ser humilde e, ao
mesmo tempo, rodeado de glória? A resposta é simples: a Sua Glória se manifesta
em tudo o que Ele é, e a humildade é um de Seus extraordinários atributos. Por
isso, nosso amado Mestre fala aos nossos corações:
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração;
e encontrareis descanso para as vossas almas. (Mt 11.29)
Aprender de Cristo é crescer em
Cristo (Os 6.3; 2Pd 3.18). Crescer em Cristo é galgar em direção à Sua
estatura:
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao
conhecimento do Filho de Deus, a
homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef 4.13)
O caminho para se alcançar a
estatura de Cristo é, justamente, a humilhação. Crescemos nEle, enquanto
diminuímos de nós mesmos. Nesse caminho há muitos desafios e encontraremos,
como regra, a provação:
Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o
passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez
confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa,
para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. (Tg 1.2-4)
A provação nos conduz à humildade e
ao consequente aperfeiçoamento do homem interior, que é sempre renovado (2Co
4.16). No caminho da humildade, entendemos que a nossa glória pessoal deve ser
ofuscada pela Glória de Cristo.
A cura do orgulho se dá por meio do
quebrantamento. Somos vasos nas mãos do oleiro (Jr 18.3,4); e como vasos, somos
feitos, no Senhor, conforme a Sua vontade, e não a nossa. Ainda que sejamos
quebrados em Suas mãos, seremos renovados e transformados para a Sua glória.
O crente precisa entender que há a
necessidade de, dia após dia, ser curado do orgulho. E a cura, definitivamente,
é a humildade. Quando Jesus diz que devemos aprender dEle, da Sua mansidão e
humildade, Ele está nos dizendo que o caminho é a negação pessoal (Lc 9.23-24) e a obediência irrestrita e no Seu divino amor:
Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e
assim sereis meus discípulos. Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós;
permanecei no meu amor. Se guardardes
os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho
guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. (Jo
15.8-10) [Ênfase adicionada]
Que o Senhor nos conceda a Graça da
humildade para que alcancemos a perfeição nEle, porquanto, sendo perfeito, Ele nos alcançou a nós (Mt 5.48; Tg 4.10; 1Pd 5.6).
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
INCÊNDIO NA "KISS" INTERIOR
INCÊNDIO NA “KISS”
INTERIOR
Era madrugada quando o
embalo noturno fazia a alma queimar de exultação! A mesma alegria que incendiava
o ambiente elevava a apresentação da banda que impensadamente quis trazer mais
brilho ao show... Então, acrescido ao espetáculo o vislumbre pirotécnico, o que
era alegria se transformou, em instantes, em medo, desespero e tragédia. O “momento”
mudou as feições e fez dos sentimentos um turbilhão! O show trágico agora se tornou
a luta pela sobrevivência. O tumulto era crescente ante uma saída tão pequena.
As chamas nascidas da pirotecnia inflamam o reforço acústico que tinha como
finalidade principal vedar um pouco do grito, do barulho, da música festiva...
Não havia extintores que o poderiam extinguir; não havia mais reforço acústico
que poderia vedar ou esconder o sofrimento... Gritos; correria; gente
pisoteando gente no afã de simplesmente, e quem sabe, respirar. Não há
escapatória: a saída é pequena demais pra libertar o turbilhão de sentimentos,
de sensações. Não há tempo pra pensar, apenas para sentir o indizível e para
tentar fugir do indescritível!
Lá fora, já em
liberdade, junto ao ar, a tragédia se faz de mesmo modo sufocante e o reforço
acústico de toda uma nação se vê, igualmente, inflamado. A nossa alma é que experimenta a asfixia. Entretanto, o instrumento pirotécnico é a morte de aproximadamente 230 jovens; é o sepultamento de centenas de sonhos e
objetivos; é o enterro da alegria, dos sorrisos, dos choros, das reflexões, da
cólera e de tudo aquilo que, de alguma forma, compõe o ser humano em sua perfeita imperfeição, em sua simples complexidade. Esse foi e é o quadro de
Santa Maria – RS e, também, do Brasil.
Tudo isso nos faz
pensar... No afã de achar a alegria inserta num simples “Kiss” (beijo), a
história e a tragédia vêm se repetindo, e se repetindo, e se repetindo... A
tristeza interior de nossos jovens tem sido tratada por placebo, transformando
justamente esse interior numa boate em ebulição; o reforço acústico do medo, da
ignorância, dos desejos vãos construídos pelo espírito mórbido dessa sociedade
podre, é altamente inflamável e as almas desses meninos e meninas são
constantemente asfixiadas e queimadas ante o desejo pelo prazer imediato; por
uma simples e impensada apresentação pirotécnica.
Alguns, nessa tragédia
diária e anterior a de Santa Maria, saem completamente desfigurados e,
mormente, precisam de um transplante de pele para a pele de suas almas e de
seus espíritos. Aqui surge a alma artificial que tenta minorar a deformidade
estética, mas não esconde as marcas e os estragos de um viver imediatista.
Outros carregam as sequelas das queimaduras que afetam as vias respiratórias e
suas almas ainda respiram por conta dos tubos de uma UTI espiritual, que não
passa de outro mecanismo artificial para se fazer sobreviver; sem, contudo, permitir
viver com plenitude e novidade de vida.
A nossa juventude se vê
deformada, asfixiada, pisoteada por filosofias fúteis, enganosas, inflamáveis,
sem sentido. Nossa juventude se vê perdida em um labirinto escuro; em um
ambiente de ar tóxico, sufocante. Nossa juventude vive tateando
desesperadamente buscando uma saída, passando por cima de quem pode, pisoteando
para tentar respirar o ar da liberdade que, infelizmente, a aprisiona
justamente em um banheiro que sequer tem uma janela para ser quebrada, de modo
a apresentar o lado de fora desse interior de horrores; e ali, junto aos
dejetos e à urina, morre sufocada sem possibilidade de ver a luz de um amanhecer,
ou a refrescante brisa de uma madrugada. É a falta de “kisses” verdadeiros, de
abraços, de afeto e de amor que faz boates como a “Kiss” se encherem de meninos
e meninas que querem, antes de tudo, preencher o seu insaciável vazio interior.
Nossa juventude tem
extrapolado a meia-noite, atravessando a madrugada como se o dia não fosse
raiar. Assim, as atitudes inconsequentes ditam as suas regras e elevam paredes
e tetos enegrecidos, acusticamente reforçados para que o grito verdadeiro do
espírito não possa se exprimir; donde a saída representa um minúsculo espaço de
um labirinto de medo, insegurança e pavor. É o medo do futuro; é a insegurança
do imprevisto; é o pavor do fracasso... Enquanto isso, em tragédias como essas,
vemos que fracassamos em nosso modo de vida; em nossas ambições vãs; em nossa
filosofia vaga e tola.
Quem dera se a chama que
inflamasse os nossos jovens fosse o Espírito Santo que transforma a própria
morte em glória, e a dor em exultação por conta da consciência de se estar sob o
domínio de um propósito maior, soberano e indescritivelmente maravilhoso!
É complicado dizer isso
em um momento de intensa dor, mas todas as coisas contribuem juntamente para o
bem dos que amam a Deus. Que esse lastimável fato nos faça orar pedindo que o
Senhor possa consolar as famílias das vítimas de Santa Maria – RS, mas, antes
de tudo, por nossos moços e moças que todos os dias são asfixiados,
desfigurados e mortos numa “Kiss” interior... É com dor e com lágrimas que
desejo e oro por isso...
Que Deus seja a
esperança dessa nação e dos nossos jovens!
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