sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Adoecidos e Adormecidos - Parte 1




Adoecidos e Adormecidos

Introdução

Ele era ainda muito jovem quando trabalhava numa empresa no centro de sua cidade e, devido ao acúmulo de serviços e ao ambiente de trabalho, que era extenuante, se viu por várias vezes com insônia. A insônia é manifesta como uma consequência de vários fatores. No caso dele, era o estresse. Este, por sua vez, já se revela como uma patologia psíquica que pode conduzir a um quadro depressivo, a uma estafa mental ou outros problemas. Em outras palavras, já se via psiquicamente doente. Certa vez, foi dirigindo até uma cidade que fica a aproximadamente 90 quilômetros de onde trabalhava. Teria que distribuir algumas ações e atender a alguns prazos. Ao final da tarde retornava em seu carro, cercado por uma bela e calma vista rodeada de morros e matas típicas do cerrado, bem como tendo a visão de um glorioso crepúsculo. A paisagem lhe remetia a uma sensação de prazer imediato e lhe confortava! Entretanto, o cansaço advindo do trabalho e de noites mal dormidas, aliado ao cenário tranquilizante não deram outro resultado, senão, um breve cochilo ao volante. Quando tornou da “piscadela”, o carro já havia saído do asfalto e seguia para o meio da mata, onde à frente ainda havia uma ribanceira. Aquele acidente lhe resultaria sequelas irreversíveis, deixando-o imóvel do pescoço para baixo. A partir de então, por mais que se esforçasse, ou sonhasse, ou bradasse, seu corpo estava adormecido. Inativo, já não respondia aos comandos cerebrais.

            A história acima reflete uma realidade muito frequente como fator de acidentes. Mas porque narrá-la para introduzir o tema presente? A razão é simples: a doença espiritual e sua consequente dormência podem gerar danos irreversíveis aos membros da igreja de Cristo. Ciente disso e observando nossa situação atual, senti-me compelido, no Espírito, a escrever o texto que se segue. Na verdade, é uma questão fundamental tratar desse assunto e apontar uma solução prática. Em seguida, se faz necessária uma mudança comportamental no sentido de aplicar as lições aqui aprendidas, para que o corpo de Cristo seja fortalecido e edificado.

                        Paulo certa vez nos alertou:

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo de Senhor. Por causa disso há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.” (1Co 11.28-30) [Ênfases adicionadas]

            A doença e a dormência dos cristãos de Corinto encontravam explicação notória em vários aspectos. Mas o principal era a falta de exame pessoal. Por isso, por meio desse singelo texto, gostaria de te convidar a tirar os olhos do foco macro, coletivo; e volver-se a um foco micro, individual, pessoal. A partir daí tentaremos, juntos, discernir alguns problemas que nos faz vivermos fracos, doentes e dormentes. Que Espírito conduza a nossa percepção para levantarmos as questões certas, pertinentes à nossa realidade espiritual.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

FORMATURA - REBEQUINHA



            O discurso abaixo foi ensaiado e lido na formatura da minha princesinha, Rebecca Evelyn, no dia 19 de dezembro de 2012, ocasião em que fui convidado para representar os papais dos miniformandos.

              Deixo, portanto, como lembrança e homenagem a todos os educadores do Centro de Ensino Infantil 1 do Gama - DF pelo belo trabalho desempenhado com aqueles pequeninhos.

** Acima está a foto da Rebequinha (à frente) junto com a Tia Ana (à direita) e Tia Cláudia (à esquerda).

              Segue, abaixo, nossa homenagem!


FORMATURA Centro de Ensino Infantil - CEI 1 - Gama, DF.

         A todas as professoras, aos coordenadores e direção da escola; aos papais, mamães, avós, tios, responsáveis por estes pequenininhos; aos demais familiares e convidados e, não posso esquecer, a cada um desses miniformandos que estão aqui: Boa tarde!

         Nessa última segunda-feira a diretora e professora Lúcia me convidou para representar aos pais nesse dia tão maravilhoso. Para mim foi uma das maiores honras que já recebi na vida (e falo isso sem exagero); mas também uma das mais difíceis responsabilidades. A verdade é que todos vocês, pais, merecem estar aqui e acredito que uma missão muito mais difícil foi ter que decidir qual, dentre todos nós, deveria cumprir este papel – o de representá-los –, não é mesmo?

         Assim, uma vez sorteado e agraciado, tentarei de alguma forma me tornar digno de representá-los. Prometo que farei o possível!

         Pois bem, há poucos meses atrás em um treinamento para assumir o meu atual emprego me fizeram a seguinte pergunta: Qual a sua verdadeira vocação e o para o quê você acha que nasceu para fazer melhor? Eu, quase que irrefletidamente, respondi: Ser pai!

         A minha vida toda correu sem que eu compreendesse nela muito sentido até o dia que vi, pela primeira vez, numa ultrassonografia, as mãozinhas, a cabecinha, os pesinhos e o corpinho da minha filha. Alguns meses depois, quando a peguei nos braços e vi os seus olhinhos, tão pequena e frágil, fui inteiramente cativado e, definitivamente, concluí: Nasci para ser pai!

         E essa vocação tem exigido de mim a mais prazerosa obrigação que se pode imaginar ou conceber. Certa vez um cristão meio maluco, tendo o apostolado como missão e decidindo não se casar para que assim pudesse ser pai de inúmeros filhos e filhas que não eram seus, afirmou o seguinte: “Não fiquem devendo nada a ninguém a não ser o amor”. Assim, como pais, nós não podemos dever nada aos nossos filhos – seja o alimento, a vestimenta, a educação; temos que trabalhar de sol a sol para cumprir tais obrigações. Mas quando se fala do amor, isso devemos e sempre deveremos a eles. E não há nada que porventura venhamos a fazer que possa saldar, liquidar, esta dívida.

         Como devedores do amor aos nossos filhos e filhas, nos tornamos igualmente devedores daqueles que manifestam amor por eles. Essas palavras parecem ser simples, porém são capazes de mudar muito a forma de vermos e entendermos a nossa cadeia de relacionamentos. Até mesmo para aqueles pais que são separados, essa dívida nasce em relação ao pai, à mãe, aos avós ou tios que ajudam a criá-los e a todos que participam dessa corrente de amor, gerando assim respeito e consideração mútuos.

         Por esse motivo, não poderia deixar de dizer que somos devedores dos professores de nossos filhos e filhas que, com dedicação e amor ímpar e mesmo diante da escancarada falta de recursos e descaso que os governos têm demonstrado pela educação, têm se empenhado com tudo o que lhes chegam às mãos e até mesmo tirando de seus salários parte do material necessário ao aprendizado dessas crianças. Ao exemplo disso, não vou esquecer nunca o dia em que a professora Ana Cristina (vulgo “tia Ana”), observando a limitação e dificuldade de minha princesinha, sem qualquer cerimônia, comprou um lápis de cor jumbo (que é aquele mais grossinho), apenas para ter o prazer de ver sua alunazinha tendo uma oportunidade a mais de acompanhar os demais coleguinhas de sala.

         Seria injusto se não citasse a dedicação da direção, coordenação, secretaria, limpeza, portaria, dos merendeiros dessa escola; tudo isso para que nossos filhos fossem servidos com o melhor! Em especial, temos também a Cláudia, professora da sala de recursos que se dedica a tentar suprir a dificuldade daquelas crianças que apresentam algum tipo de limitação e aos monitores que ajudam as crianças especiais enquanto as professoras estão tão ocupadas com os outros pequenos curumins, em sala de aula.

         Papais, mamães, familiares e demais convidados: nossos filhos são servidos por anjos! Por isso, reafirmo que cada um de nós se constitui devedor do amor dessa equipe maravilhosa!

         Cientes, portanto, desse dever, precisamos ainda nos empenhar para deixar a cada um desses pequenininhos uma herança inigualável e imensurável. Não falo de dinheiro, ou casas, ou quaisquer outros bens materiais. Tudo isso é bobagem e vão! Num mundo onde as verdadeiras joias brilham em cada sorriso de cada ser humano, a maior herança que podemos deixar é o nosso exemplo e o nosso amor. Em nosso exemplo e amor deve estar contido tudo o que é honesto, verdadeiro, de boa fama, amável, sincero, afetuoso e honrado. Assim, não perca este momento, chamado Agora, para semear essa herança nos coraçõezinhos deles!

         Sei que às vezes uma televisão, ou uma internet, ou um bate-papo com os amigos, ou um jogo de futebol, ou um salão de beleza parece ser menos cansativo do que a atenção empenhada aos filhos. Entretanto, quisera Deus que todos esses aparatos tecnológicos e futilidades da vida fossem substituídos pelo diálogo, pelo tempo dispensado em brincadeiras e pela atenção devida a cada um de nossos filhos e filhas... É tão simples e tão prazeroso se sentar ao chão para brincar de carrinho ou boneca com eles! Para muitos pais, esse momento já se foi e agora só restam lágrimas diante de filhos que só dão trabalho e que seguiram por um caminho de tristeza, angústia e dor.

         Por isso, eu gostaria que você papai, mamãe, vovô, vovó, titio, titia, olhasse para os olhos dessas crianças e contemplassem o semblante da esperança. Isso mesmo! Se a esperança tem forma, cheiro, cor, eu posso afirmar com convicção que está diante de vocês. Todas as vezes que olho para os olhos da minha princesinha, meu coração se enche de esperança e então percebo que a minha maior alegria não é ser conhecido pelo meu nome, mas, e sim, pelo maior adjetivo, pela maior qualidade que a vida, não por merecimento próprio, me brindou: o ser pai da Rebecca. Vocês não imaginam o quanto ser chamado assim me faz feliz! Me faz mais feliz do qualquer outro título que tenha conquistado!

         Desejo, no íntimo do meu coração, que vocês também se orgulhem disso! Orgulhem-se de serem chamados de mãe da Lara; pai do Breno; mãe da Anne; mãe da Laís; vovô do Joãozinho; titio da Ana Júlia; vovó da Fernandinha... Que maravilha é ser chamado assim! Sou grato a essa escola por ter me conhecido assim e simplesmente assim: como pai da Rebecca.

         Por último, deixo a vocês a mais infantil, e por isso, talvez a mais rica poesia que já tentei compor:

Soneto aos Miniformandos

Incontáveis estrelas do céu
que aos meus olhos me fez encantar,
inda que de uma ilusão sem par,
ao mar feito um “barquim” de papel;

foi daí que um presente de mel
veio aqui, neste mundo, brilhar,
num sorriso tão doce e um olhar,
de tão puro, fez sentir-me um réu

condenado à sina do amor.
Seja herói, princesinha ou que for
fez morada em meu coração

recheando minha vida e canção,
que outrora se viu tão vazia,
mas que agora é de intensa poesia!

         Com esses simples versos, encerro aqui as minhas palavras, lembrando que a nossa herança está diante de nós.

         Parabéns turminha do ensino infantil! Parabéns a toda a equipe do CEI 1! Parabéns a todos os pais, mães e familiares! Obrigado ao meu Deus, vida da minha vida! Que Deus nos abençoe e nos dê sabedoria na criação dessas preciosidades!

          
         Gama – DF, 19 de dezembro de 2012.

         Autor: o papai da Rebecca Evelyn.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 18




A caminho de amar

Quanto de amor se pode achar num peito vil?
donde a tristeza e solidão, que adjacentes,
inflamam a alma escancarada à dor latente;
cuja esperança – ar de desdenho – ao longe riu...

Quando enveredam os pés da espada sobre o fio,
tal miserável credo se faz penitente,
desordenado: cresce enquanto decrescente;
e além do manto – em densa névoa – há um céu anil...

Da alegria; de um chorar; e num menino
surge o governo que orienta ao desatino,
desde que o ser deseje ser mais (diminuto),

a abandonar ao tão amado ser – sisudo –,
e que em questão de vida ou morte – ou morte e vida –
lança-se ali, por fim, em quão bem-vinda ida...


Jordanny Silva.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 11



CAPÍTULO 9 – A vitória que vence o mundo!

            Após um extenuante estudo como este, parece que não há mais solução para a igreja evangélica brasileira. Ora, não temos tido, sequer, respaldo para responder resolutamente ao avanço de bandeiras tais como a do homossexualismo, do aborto, da eutanásia e de muitos outros movimentos que têm alcançado prestígio, espaço e até mesmo lugar na consciência de nossa população.

            Contudo, tenho crido, não por meio de um otimismo surreal, mas por meio de uma confiança em Deus, de que esse quadro ainda pode mudar. E, ainda assim, tenho certeza que a verdadeira Igreja do Senhor, como corpo imaterial e não somente uma instituição organizada segundo os parâmetros legais de nossa sociedade, irá manter um testemunho compatível com a Palavra da Verdade.

            A nossa fé é capaz de vencer o mundo (1Jo 5.4); e nossa fé se manifesta por meio de nosso testemunho. Sonho com o dia em que cristãos vão exercer a fé de modo ativo, adotando crianças – ah, se as famílias cristãs estruturadas se permitissem viver o amor por meio da adoção; ajudando às pessoas que têm vivido em um estado de miséria; manifestando-se ferrenhamente contra a blasfêmia do aborto; amando aos homossexuais e, por meio disso, conquistando-os para o Senhor Jesus, tal como podemos amar a adúlteros, ladrões, assassinos ou qualquer outro pecador, certos de que serão transformados pelo poder do evangelho; olhando para o pai de família desempregado e participando de seu sofrimento; olhando para mãe solteira e lhe oferecendo ajuda no meio da aflição; criando escolas e orfanatos onde o ensino das Escrituras poderá ser a primazia, levando cativos os entendimentos dos pequeninos a Cristo.

            Mas não somente isso. Por meio de atitudes pequenas, cada um de nós, pode ser um testemunho vivo da Palavra de Deus. Na sua escola, trabalho, rua ou na sua casa aproxime-se em amor das pessoas. Não seja apático quando vir alguém chorando; fale de Deus a todos quanto você puder e testifique por meio de uma vida irrepreensível. Que os pais amem seus filhos e os tenha, verdadeiramente, como herança do Senhor, que deve ser cuidada, zelada e consagrada a Ele; sejam pacientes e disciplinem em amor, e não por ira. Que os filhos sejam obedientes, honrando seus pais, elevando o testemunho cristão a um patamar de glória e honra ao nome do Senhor. Sejamos zelosos nos tratos; cuidadosos com nossas dívidas pessoais, para que o nome de Cristo não seja blasfemado. Sejamos, também, educados dando honra aos mais velhos ou mesmo a uma mulher grávida dentro de um ônibus, ou na fila de um banco, ou onde quer que seja; nunca perdendo a oportunidade de glorificar o nome de Jesus. Sejamos humildes e mansos na divulgação do evangelho, deixando de lado toda a soberba e o julgamento temerário, manifestando o amor de Cristo. Sejamos cuidadosos com a natureza, não jogando lixo no chão, ou sujando indevidamente. Sejamos pacientes e cordiais no trânsito, demonstrando sempre o cuidado e a preocupação com aqueles que circulam junto a nós.

            Todas essas atitudes parecem ser pequenas, mas fazem toda a diferença. E por meio delas, podemos caminhar para atitudes maiores. Que nossos salários não sejam nossos, mas sejam do Senhor, para ser usado, conforme a Sua Graça, ajudando a necessitados, primeiramente aos fiéis e, em seguida, aos que são de fora.

            Creio que há solução para a manifestação da fé cristã entre os brasileiros; mas essa solução se baseia, principalmente, em nossa conduta. Não perca a oportunidade de ser um canal de bênçãos para a vida daqueles que te cercam. Não perca, nunca, a oportunidade de viver essencialmente para Deus.

            Se agirmos assim, calaremos a voz de todos aqueles que se levantam contra a Igreja do Senhor, ainda que impinjam, sobre nós, sofrimento; também poderemos conter o avanço de diversos movimentos contrários à Palavra de Deus, até que Ele venha. Mais uma vez reitero que o maior argumento e o mais eloquente silêncio, que gritará altissonante e com voz de trombeta, contra o avanço do mundanismo é o testemunho Cristão. Que Deus nos abençoe e nos conduza nesse caminho!

E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo. (1Ts 5.23)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 10



CAPÍTULO 8 - Onde Está o Amor?

            Ah, como seria maravilhoso se a igreja caminhasse no amor. Paulo, em sua primeira epístola escrita aos irmãos de Corinto, de modo poético, inteligível, completo e definitivo, fala acerca dessa maravilhosa graça de Deus, que nos é derramada por meio de Seu Espírito. Já houve diversos sermões baseados nesse magnífico texto, mas gostaria, novamente, de trazê-lo à tona:

AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; (1Co 13.1-8)

            A completitude deste texto nos deixa boquiaberto. Dentro de cada palavra escrita por inspiração divina, se poderiam escrever livros e mais livros. Mas tentarei ser breve e objetivo. Não é meu intuito discorrer profundamente por tudo que este texto revela por dois motivos básicos: o primeiro, é que meu intelecto é muito limitado para alcançar a compreensão do que é, essencialmente, o amor – ainda o conheço apenas em parte, mas um dia o conhecerei como sou conhecido; o segundo, é que tenho por objetivo apenas atiçar o senso crítico dos ledores, de sorte que, cada um, poderá, no Espírito, alcançar maior discernimento.

            Pois bem, de forma objetiva, utilizarei este magnífico trecho bíblico para comparar a realidade do cristianismo atual. Nesse sentido, o apóstolo dos gentios começa escrevendo que, mesmo diante do dom de se expressar na língua dos anjos e dos homens, na falta de amor, isso se compararia ao sino que, por ser vazio, apenas serve para fazer barulho. Não seria essa a nossa realidade atual? Em grande parte dos ajuntamentos evangélicos que vemos há muito barulho, mas pouca ou nenhuma expressão ativa. Isso se dá por falta de amor. Ainda que se diga que se está fazendo algo por amor, se, contudo, não compreendermos o que ele é, pelo menos em parte, não há como vivê-lo.

            Logo em seguida, Paulo nos exorta que mesmo diante da mais profunda vidência, fundamentada em profecia e ciência do mais alto nível, acompanhado de uma fé suficiente para realizar maravilhas indiscutíveis e admiráveis, sem amor não alcançaria valor algum. Atualmente, não diferentemente, temos visto uma igreja que roga para si uma fé inabalável, um conhecimento invejável e uma mensagem profética irrefutável e que, entretanto, não tem alcançado expressividade diante do mundo, não sabendo responder satisfatoriamente por meio de um testemunho de fé, acompanhado de boas obras, efetivamente relevante. O amor é, por natureza, obra do Espírito; logo, sem o amor, a nossa fé é morta, visto que não está acompanhada de obras. Por isso o apóstolo diz que tudo isso, sem amor, é igual a nada. É como multiplicar os maiores números por zero; o resultado será sempre zero.

            Por conseguinte, Paulo nos adverte que quaisquer obras de significado palpável, tal como desfazer-se de toda a nossa riqueza para doar aos pobres ou mesmo oferecer-se num martírio louvável, sem amor não nos teria qualquer proveito. Vemos, nesse sentido, os espíritas que, buscando sua salvação ou mesmo uma evolução espiritual, fazem obras e mais obras sociais. Mas perdem tudo diante de uma soberba e orgulho, achando-se mais evoluídos e mais bondosos que os demais; tudo isso não tem valor. De mesmo modo, há mulçumanos que se entregam ao martírio, fazendo-se homens-bomba. Porém, não alcançam qualquer proveito pessoal. Assim, a igreja que realmente quer viver a essência do Espírito, deve caminhar nas boas obras e no testemunho mesmo diante da morte; mas sempre acompanhado do que é fundamental: o amor.

             Em continuidade, o apóstolo nos traz características maravilhosas do amor, das quais não temos visto na igreja atual. O cristianismo ocidental moderno tem fugido do sofrimento, conquanto o amor seja sofredor. O cristão contemporâneo, em sua grande maioria, não tem sido benigno, mas, sim, invejoso, leviano e soberbo; ao contrário do que o amor, verdadeiramente exprime. Também temos visto um evangelho indecente, baseado em interesses pessoal e classista, cheio de malícia e astúcia, buscando respaldo político para defender os interesses da igreja; não é assim que o amor nos ensina. O crente revestido do amor ágape não fica silente e estático diante do domínio da injustiça, ainda que lhe custe a própria vida; mas vive na liberdade que só a verdade lhe pode dar. Temos testemunhado até mesmo evangélicos que, sendo pessoas públicas, são capazes de orar a Deus agradecendo a propina que estavam recebendo.

            O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Como seria maravilhoso ver a igreja de Cristo tomando posse dessa verdade. Mas, ao contrário disso, vemos campanhas com os seguintes dizeres: não sofra mais. Ah, quantas inverdades têm sido veiculadas e dispersadas entre os incautos. É por esse motivo que o evangelho atual tem falhado tanto. O amor, porém, nunca falha.

            Por enquanto, o vemos obscuramente, como por um espelho (v. 12), mas em breve o veremos face a face, e o conheceremos tal como somos dEle conhecidos. Em breve sairemos de nossa infância espiritual e, na glória, deixaremos as coisas de meninos e agiremos como homens maduros (v. 13). Lá, as tribulações aqui vividas, serão uma simples lembrança da graça de nosso terno Salvador. No céu não haverá necessidade de fé, ou de esperança; mas o amor será o nosso estandarte, a nossa direção e o nosso fundamento. Deus é amor (1Jo 4.8)! Glória ao nome de Jesus, que nos amou primeiro!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 17


Um Momento

Como definir o tempo? Anos, meses, semanas, dias e horas são construções de nossa organização... Mas isso define o tempo? O nosso tempo, talvez não... Pois nosso tempo não se constitui e nem se submete a essa organização... O nosso tempo se define no momento... Não em uma hora, minuto ou segundo; mas no momento...

Não são as horas ou minutos que nos marcam, ainda que marquemos algo neles... São os momentos que nos marcam e, como dominadores desesperados pelo controle, acreditamos que podemos marcar, em determinada data e hora, determinado momento... Mas, repito, os momentos é que nos marcam, seja para o bem ou para o mal... São os momentos que ditam os arrependimentos, as alegrias, as saudades, as realizações... E o momento não está submisso a nada que possamos fazer, pois ele se constitui de tão minuciosa sequência de atos, que por si só representa uma complexidade ímpar, mas fixada na memória... As horas, os dias, os minutos podem, no máximo, ser componentes do momento... Por isso, aquele aniversário se torna inesquecível; o encontro daquele dia, o mais romântico; o sorriso daquele minuto, o mais belo; aquele acidente o mais terrível... O dia e as horas pertencem ao momento, mas o momento não lhes pertence...

Olhe para as crianças: se importam tanto com os dias, horas, minutos? Não! Mas conseguem, com destreza de um mestre, fazer de cada minuto um momento... Um recém nascido tem mais entendimento acerca disso do que qualquer um de nós... Veja como ele se deleita, aproveita e se submete ao simples instante em que é amamentado... Naquele momento, não minutos, ele sente o cheiro de sua mãe, ele saboreia o leite... Ele sente o afago... Ele ouve as batidas do coração que outrora lhe fora tão próximo, quando ainda se via no útero materno... Se deleita de modo tão profundo naquele instante, que dorme ao som da voz, ao calor do corpo, à segurança do amor...

O momento se eterniza num instante... Faz cada segundo tão longo quanto anos inteiros... Faz um segundo perdurar por uma vida inteira... Um momento transcende gerações inteiras enquanto as marca... Um momento se faz jugo e fardo... Um momento alcança o profundo da alma e pode firmar residência permanente ali, ou pode ir-se embora, mas sempre deixará seu aroma nostálgico nos ventos da memória...

Há momentos que nos aprisionam... Mas há momentos que nos libertam... A dor da culpa pode representar uma cadeia para alma... Mas o momento em que o perdão é concedido e aceito representa a possibilidade de voar...

O tempo carrega consigo a juventude, a beleza, o vigor... Mas o momento pode trazer a esperança e o conforto da experiência; pois tudo isso é concedido no específico momento... As estações se repetem ano após ano; a Terra faz o seu giro e torna à posição de costume; a Lua protagoniza, num espetáculo, as suas fases... Tudo isso orienta o nosso tempo... Mas, enquanto o tempo se estende, de modo aparente linear, os momentos o encurvam, o submetem, o fazem prostrar... O tempo sempre se renderá ao momento... Quem tem o poder de dominar o momento não estará limitado ao tempo...

Alguns momentos se transpuseram de maneira tão sobreexcelente ao tempo que o próprio tempo não os pôde conter nem definir em seus limites... Falo do Cordeiro que, apesar de ter sido morto há aproximadamente 2000 anos atrás, já o havia sido desde antes da fundação do mundo... Um momento que transcendeu, subjugou, dominou, venceu e desintegrou o tempo... Um momento que, por natureza, é atemporal e por mais que se conceba que tenha acontecido em um determinado dia do calendário, se transpôs e fez o calendário girar, pular, rodopiar, perder, voltar e ir além... Fez o calendário ser tão importante quanto poderia ser para qualquer passarinho que canta na aurora e no crepúsculo...

Para reflexão leia: Eclesiastes 3:1-8 e Gálatas 4: 4 e 5

Jordanny Silva

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 16


Distante 

Veio como lâmina cortante
E partiu o véu ao meio...
E pude ver o tesouro...
Veio como bússola
E me apontou veraz vereda...
E pude achar o tesouro...
Veio como terremoto
E fendeu terra e rocha...
E pude ter o tesouro...
Cortou-me e partiu-me;
Norteou-me e desbravou-me;
Estremeceu-me e fendeu-me...
E entendi o que eu mesmo
Havia encoberto e perdido e enterrado...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que levas tudo para longe...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que trazes para bem perto a saudade
Que é lâmina e bússola e tremor...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que revelas o valor do que, não tendo valor,
É puro e simples valor...
Que poder tens, ó Distância?
Círculo que és:
Põe-se longe até que se põe perto...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que me condenas a seguir tua sina
De encontros, desencontros e reencontros...
De tão próximo de saber-te
Distei-me de entender-te, fiel companheira
...

 Jordanny Silva

Gama – DF, 17 de maio de 2012.