sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 11



CAPÍTULO 9 – A vitória que vence o mundo!

            Após um extenuante estudo como este, parece que não há mais solução para a igreja evangélica brasileira. Ora, não temos tido, sequer, respaldo para responder resolutamente ao avanço de bandeiras tais como a do homossexualismo, do aborto, da eutanásia e de muitos outros movimentos que têm alcançado prestígio, espaço e até mesmo lugar na consciência de nossa população.

            Contudo, tenho crido, não por meio de um otimismo surreal, mas por meio de uma confiança em Deus, de que esse quadro ainda pode mudar. E, ainda assim, tenho certeza que a verdadeira Igreja do Senhor, como corpo imaterial e não somente uma instituição organizada segundo os parâmetros legais de nossa sociedade, irá manter um testemunho compatível com a Palavra da Verdade.

            A nossa fé é capaz de vencer o mundo (1Jo 5.4); e nossa fé se manifesta por meio de nosso testemunho. Sonho com o dia em que cristãos vão exercer a fé de modo ativo, adotando crianças – ah, se as famílias cristãs estruturadas se permitissem viver o amor por meio da adoção; ajudando às pessoas que têm vivido em um estado de miséria; manifestando-se ferrenhamente contra a blasfêmia do aborto; amando aos homossexuais e, por meio disso, conquistando-os para o Senhor Jesus, tal como podemos amar a adúlteros, ladrões, assassinos ou qualquer outro pecador, certos de que serão transformados pelo poder do evangelho; olhando para o pai de família desempregado e participando de seu sofrimento; olhando para mãe solteira e lhe oferecendo ajuda no meio da aflição; criando escolas e orfanatos onde o ensino das Escrituras poderá ser a primazia, levando cativos os entendimentos dos pequeninos a Cristo.

            Mas não somente isso. Por meio de atitudes pequenas, cada um de nós, pode ser um testemunho vivo da Palavra de Deus. Na sua escola, trabalho, rua ou na sua casa aproxime-se em amor das pessoas. Não seja apático quando vir alguém chorando; fale de Deus a todos quanto você puder e testifique por meio de uma vida irrepreensível. Que os pais amem seus filhos e os tenha, verdadeiramente, como herança do Senhor, que deve ser cuidada, zelada e consagrada a Ele; sejam pacientes e disciplinem em amor, e não por ira. Que os filhos sejam obedientes, honrando seus pais, elevando o testemunho cristão a um patamar de glória e honra ao nome do Senhor. Sejamos zelosos nos tratos; cuidadosos com nossas dívidas pessoais, para que o nome de Cristo não seja blasfemado. Sejamos, também, educados dando honra aos mais velhos ou mesmo a uma mulher grávida dentro de um ônibus, ou na fila de um banco, ou onde quer que seja; nunca perdendo a oportunidade de glorificar o nome de Jesus. Sejamos humildes e mansos na divulgação do evangelho, deixando de lado toda a soberba e o julgamento temerário, manifestando o amor de Cristo. Sejamos cuidadosos com a natureza, não jogando lixo no chão, ou sujando indevidamente. Sejamos pacientes e cordiais no trânsito, demonstrando sempre o cuidado e a preocupação com aqueles que circulam junto a nós.

            Todas essas atitudes parecem ser pequenas, mas fazem toda a diferença. E por meio delas, podemos caminhar para atitudes maiores. Que nossos salários não sejam nossos, mas sejam do Senhor, para ser usado, conforme a Sua Graça, ajudando a necessitados, primeiramente aos fiéis e, em seguida, aos que são de fora.

            Creio que há solução para a manifestação da fé cristã entre os brasileiros; mas essa solução se baseia, principalmente, em nossa conduta. Não perca a oportunidade de ser um canal de bênçãos para a vida daqueles que te cercam. Não perca, nunca, a oportunidade de viver essencialmente para Deus.

            Se agirmos assim, calaremos a voz de todos aqueles que se levantam contra a Igreja do Senhor, ainda que impinjam, sobre nós, sofrimento; também poderemos conter o avanço de diversos movimentos contrários à Palavra de Deus, até que Ele venha. Mais uma vez reitero que o maior argumento e o mais eloquente silêncio, que gritará altissonante e com voz de trombeta, contra o avanço do mundanismo é o testemunho Cristão. Que Deus nos abençoe e nos conduza nesse caminho!

E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo. (1Ts 5.23)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 10



CAPÍTULO 8 - Onde Está o Amor?

            Ah, como seria maravilhoso se a igreja caminhasse no amor. Paulo, em sua primeira epístola escrita aos irmãos de Corinto, de modo poético, inteligível, completo e definitivo, fala acerca dessa maravilhosa graça de Deus, que nos é derramada por meio de Seu Espírito. Já houve diversos sermões baseados nesse magnífico texto, mas gostaria, novamente, de trazê-lo à tona:

AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; (1Co 13.1-8)

            A completitude deste texto nos deixa boquiaberto. Dentro de cada palavra escrita por inspiração divina, se poderiam escrever livros e mais livros. Mas tentarei ser breve e objetivo. Não é meu intuito discorrer profundamente por tudo que este texto revela por dois motivos básicos: o primeiro, é que meu intelecto é muito limitado para alcançar a compreensão do que é, essencialmente, o amor – ainda o conheço apenas em parte, mas um dia o conhecerei como sou conhecido; o segundo, é que tenho por objetivo apenas atiçar o senso crítico dos ledores, de sorte que, cada um, poderá, no Espírito, alcançar maior discernimento.

            Pois bem, de forma objetiva, utilizarei este magnífico trecho bíblico para comparar a realidade do cristianismo atual. Nesse sentido, o apóstolo dos gentios começa escrevendo que, mesmo diante do dom de se expressar na língua dos anjos e dos homens, na falta de amor, isso se compararia ao sino que, por ser vazio, apenas serve para fazer barulho. Não seria essa a nossa realidade atual? Em grande parte dos ajuntamentos evangélicos que vemos há muito barulho, mas pouca ou nenhuma expressão ativa. Isso se dá por falta de amor. Ainda que se diga que se está fazendo algo por amor, se, contudo, não compreendermos o que ele é, pelo menos em parte, não há como vivê-lo.

            Logo em seguida, Paulo nos exorta que mesmo diante da mais profunda vidência, fundamentada em profecia e ciência do mais alto nível, acompanhado de uma fé suficiente para realizar maravilhas indiscutíveis e admiráveis, sem amor não alcançaria valor algum. Atualmente, não diferentemente, temos visto uma igreja que roga para si uma fé inabalável, um conhecimento invejável e uma mensagem profética irrefutável e que, entretanto, não tem alcançado expressividade diante do mundo, não sabendo responder satisfatoriamente por meio de um testemunho de fé, acompanhado de boas obras, efetivamente relevante. O amor é, por natureza, obra do Espírito; logo, sem o amor, a nossa fé é morta, visto que não está acompanhada de obras. Por isso o apóstolo diz que tudo isso, sem amor, é igual a nada. É como multiplicar os maiores números por zero; o resultado será sempre zero.

            Por conseguinte, Paulo nos adverte que quaisquer obras de significado palpável, tal como desfazer-se de toda a nossa riqueza para doar aos pobres ou mesmo oferecer-se num martírio louvável, sem amor não nos teria qualquer proveito. Vemos, nesse sentido, os espíritas que, buscando sua salvação ou mesmo uma evolução espiritual, fazem obras e mais obras sociais. Mas perdem tudo diante de uma soberba e orgulho, achando-se mais evoluídos e mais bondosos que os demais; tudo isso não tem valor. De mesmo modo, há mulçumanos que se entregam ao martírio, fazendo-se homens-bomba. Porém, não alcançam qualquer proveito pessoal. Assim, a igreja que realmente quer viver a essência do Espírito, deve caminhar nas boas obras e no testemunho mesmo diante da morte; mas sempre acompanhado do que é fundamental: o amor.

             Em continuidade, o apóstolo nos traz características maravilhosas do amor, das quais não temos visto na igreja atual. O cristianismo ocidental moderno tem fugido do sofrimento, conquanto o amor seja sofredor. O cristão contemporâneo, em sua grande maioria, não tem sido benigno, mas, sim, invejoso, leviano e soberbo; ao contrário do que o amor, verdadeiramente exprime. Também temos visto um evangelho indecente, baseado em interesses pessoal e classista, cheio de malícia e astúcia, buscando respaldo político para defender os interesses da igreja; não é assim que o amor nos ensina. O crente revestido do amor ágape não fica silente e estático diante do domínio da injustiça, ainda que lhe custe a própria vida; mas vive na liberdade que só a verdade lhe pode dar. Temos testemunhado até mesmo evangélicos que, sendo pessoas públicas, são capazes de orar a Deus agradecendo a propina que estavam recebendo.

            O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Como seria maravilhoso ver a igreja de Cristo tomando posse dessa verdade. Mas, ao contrário disso, vemos campanhas com os seguintes dizeres: não sofra mais. Ah, quantas inverdades têm sido veiculadas e dispersadas entre os incautos. É por esse motivo que o evangelho atual tem falhado tanto. O amor, porém, nunca falha.

            Por enquanto, o vemos obscuramente, como por um espelho (v. 12), mas em breve o veremos face a face, e o conheceremos tal como somos dEle conhecidos. Em breve sairemos de nossa infância espiritual e, na glória, deixaremos as coisas de meninos e agiremos como homens maduros (v. 13). Lá, as tribulações aqui vividas, serão uma simples lembrança da graça de nosso terno Salvador. No céu não haverá necessidade de fé, ou de esperança; mas o amor será o nosso estandarte, a nossa direção e o nosso fundamento. Deus é amor (1Jo 4.8)! Glória ao nome de Jesus, que nos amou primeiro!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 17


Um Momento

Como definir o tempo? Anos, meses, semanas, dias e horas são construções de nossa organização... Mas isso define o tempo? O nosso tempo, talvez não... Pois nosso tempo não se constitui e nem se submete a essa organização... O nosso tempo se define no momento... Não em uma hora, minuto ou segundo; mas no momento...

Não são as horas ou minutos que nos marcam, ainda que marquemos algo neles... São os momentos que nos marcam e, como dominadores desesperados pelo controle, acreditamos que podemos marcar, em determinada data e hora, determinado momento... Mas, repito, os momentos é que nos marcam, seja para o bem ou para o mal... São os momentos que ditam os arrependimentos, as alegrias, as saudades, as realizações... E o momento não está submisso a nada que possamos fazer, pois ele se constitui de tão minuciosa sequência de atos, que por si só representa uma complexidade ímpar, mas fixada na memória... As horas, os dias, os minutos podem, no máximo, ser componentes do momento... Por isso, aquele aniversário se torna inesquecível; o encontro daquele dia, o mais romântico; o sorriso daquele minuto, o mais belo; aquele acidente o mais terrível... O dia e as horas pertencem ao momento, mas o momento não lhes pertence...

Olhe para as crianças: se importam tanto com os dias, horas, minutos? Não! Mas conseguem, com destreza de um mestre, fazer de cada minuto um momento... Um recém nascido tem mais entendimento acerca disso do que qualquer um de nós... Veja como ele se deleita, aproveita e se submete ao simples instante em que é amamentado... Naquele momento, não minutos, ele sente o cheiro de sua mãe, ele saboreia o leite... Ele sente o afago... Ele ouve as batidas do coração que outrora lhe fora tão próximo, quando ainda se via no útero materno... Se deleita de modo tão profundo naquele instante, que dorme ao som da voz, ao calor do corpo, à segurança do amor...

O momento se eterniza num instante... Faz cada segundo tão longo quanto anos inteiros... Faz um segundo perdurar por uma vida inteira... Um momento transcende gerações inteiras enquanto as marca... Um momento se faz jugo e fardo... Um momento alcança o profundo da alma e pode firmar residência permanente ali, ou pode ir-se embora, mas sempre deixará seu aroma nostálgico nos ventos da memória...

Há momentos que nos aprisionam... Mas há momentos que nos libertam... A dor da culpa pode representar uma cadeia para alma... Mas o momento em que o perdão é concedido e aceito representa a possibilidade de voar...

O tempo carrega consigo a juventude, a beleza, o vigor... Mas o momento pode trazer a esperança e o conforto da experiência; pois tudo isso é concedido no específico momento... As estações se repetem ano após ano; a Terra faz o seu giro e torna à posição de costume; a Lua protagoniza, num espetáculo, as suas fases... Tudo isso orienta o nosso tempo... Mas, enquanto o tempo se estende, de modo aparente linear, os momentos o encurvam, o submetem, o fazem prostrar... O tempo sempre se renderá ao momento... Quem tem o poder de dominar o momento não estará limitado ao tempo...

Alguns momentos se transpuseram de maneira tão sobreexcelente ao tempo que o próprio tempo não os pôde conter nem definir em seus limites... Falo do Cordeiro que, apesar de ter sido morto há aproximadamente 2000 anos atrás, já o havia sido desde antes da fundação do mundo... Um momento que transcendeu, subjugou, dominou, venceu e desintegrou o tempo... Um momento que, por natureza, é atemporal e por mais que se conceba que tenha acontecido em um determinado dia do calendário, se transpôs e fez o calendário girar, pular, rodopiar, perder, voltar e ir além... Fez o calendário ser tão importante quanto poderia ser para qualquer passarinho que canta na aurora e no crepúsculo...

Para reflexão leia: Eclesiastes 3:1-8 e Gálatas 4: 4 e 5

Jordanny Silva

terça-feira, 22 de maio de 2012

Aforismos e poesias: Lúcidos devaneios - Parte 16


Distante 

Veio como lâmina cortante
E partiu o véu ao meio...
E pude ver o tesouro...
Veio como bússola
E me apontou veraz vereda...
E pude achar o tesouro...
Veio como terremoto
E fendeu terra e rocha...
E pude ter o tesouro...
Cortou-me e partiu-me;
Norteou-me e desbravou-me;
Estremeceu-me e fendeu-me...
E entendi o que eu mesmo
Havia encoberto e perdido e enterrado...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que levas tudo para longe...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que trazes para bem perto a saudade
Que é lâmina e bússola e tremor...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que revelas o valor do que, não tendo valor,
É puro e simples valor...
Que poder tens, ó Distância?
Círculo que és:
Põe-se longe até que se põe perto...
Que poder tens, ó Distância?
Tu que me condenas a seguir tua sina
De encontros, desencontros e reencontros...
De tão próximo de saber-te
Distei-me de entender-te, fiel companheira
...

 Jordanny Silva

Gama – DF, 17 de maio de 2012.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 15




Lágrimas

Contradiz-se o que sinto,
De lacunas me preencho,
É quando as lágrimas cobrem
Vãos, vazios.
Rubra face umedecida
Que aos sussurros algo dita,
E os ouve o coração atento.
Mas há essência surda,
Que é também coração morto
Ou estrangeiro da emoção:
Ao alarido que dos olhos
Salta aguado e regando,
Não entende a linguagem,
Não decifra sua razão.
Tal surdez tem alto preço,
Pois nela o amor se faz incompreensível
E onde o amor é inexperimentável.
E se as lágrimas não expressam verdade,
E aos intentos mais profundos ocultam,
Neste oculto se revela
A alma miserável,
Que, se ganha o que deseja,
Vê perdido o que precisa,
E, insensível, nem percebe.
Já nas lágrimas sinceras
Muito há que se ler e ver e sentir:
Lê-se amor-canto em poesia;
Veem-se teias-esperança,
Quais tecidas são prisões
De saudade, que é nó forte;
Na emoção do reencontro,
Pintam a tela da alegria,
Temperando a alma insípida,
Colorindo a solidão;
Emudecem o eloquente
E ao sabido fazem tolo;
A memória ganha vida
E se faz dramaturgia;
Tornam o canto de ninar
Nas mais belas sinfonias.
Sim, são frágeis e singelas!
Sim, são ricas e são nobres!
Sim, são meigas e são fortes!
Sim, são caras e gratuitas!
Pois são simples e simplesmente,
Lágrimas...





Para reflexão: "O choro pode durar uma noite, mas alegria vem pela manhã". Salmos 30.5b


Gama – DF, 22 de março de 2012.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 14




Liberdade

Quando o olhar mais atento encontrar o limite
Quando não mais ouvirmos, bem suave, à voz
Quando a paz ou o sorrir perder chão para o algoz
E a verdade mostrar a maldade que existe

Que nos olhos, ações e palavras, reside
Manifesta na vida, e na alma; em nós
Inspirando, o pecado não nos deixa a sós
Donde nem mesmo há fuga, pois, em nós, persiste

Lembra da amarga Cruz, lembra da vil vergonha!
Lembra do Inocente e do fel, do madeiro!
Lembra o preço da paz que advém do castigo!

Pois dali redenção no amor, sim, emana
Enxertados ao Caule alguns zambujeiros
Aos quais sempre, o bom Mestre, lhes chama: amigos!

Jordanny Silva
Gama – DF, 13 de fevereiro de 2012.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 13

Posso te ouvir

Posso ouvir meu coração...
Bem baixinho, quase num sussurro
O som de uma respiração,
Que é mais pesada a cada instante
Posso ouvir meu coração...
Numa dor que nasce no peito
E vai à garganta:
É como engolir espinhos...
Posso ouvir meu coração...
Fontes nascem em meus olhos
E delas as águas seguem
Nas linhas da face agora há riachos
(Nos trilhos do amor, talvez, cansaço)
Posso ouvir meu coração...
Canção triste que reverba
No vazio da alma ecoa
E estremece as paredes do meu ser
Posso ouvir meu coração...
Nas sinas do rosto já há rios
Que alcançam a boca,
Que nos lábios brilham
E à língua salgam...
Posso ouvir meu coração...
Então me aperto forte
Então me encolho
Em soluços...
Posso ouvir meu coração...
Mas preferiria, tão somente,
Ouvir o teu e sentir o teu enquanto seria,
Por um momento e mais uma vez, teu...
Posso ouvir meu coração...
Já não estás aqui
Já não és de mim
Seguiste um caminho que,
Meu mestre, Agora, não me permite ir
Posso ouvir meu coração...
Por um minuto só,
Seria possível
Tocar-te como sempre fiz?
Posso ouvir meu coração...
Que entoa o som da nostalgia:
Teu riso que era minha música;
Teu abraço que era minha sinfonia;
Teus olhos que me eram regentes...
Posso ouvir meu coração...
Na lembrança ainda toca
E dali, nunca cessará,
Teu ninar, teu chorar,
Teu sorrir, teu falar...
Pois, mesmo não estando aqui,
Posso te ouvir...
E poderei enquanto viver
Porquanto hoje e sempre e ainda
Posso te ouvir em meu coração...


Jordanny Silva