sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Parte 12


Lua Branca

Em ti, ó Lua Branca, quero dormir
e, quem sabe, ver... Quem sabe?
No teu amor repousar a cabeça
e, quem sabe, ver... Quem sabe?
Voaria além dos montes
e, quem sabe, veria... Quem sabe além?
E se não é possível voar
sonharia contigo?
De lá, quem sabe, veria...
E se eu chorar
quem sabe das lágrimas
pérolas eu colha
e te faça um colar, ó Lua Branca...
E, quem sabe, veja... Quem sabe?
Em teus braços, doce Lua Branca,
deleitar e me esconder da noite
e, quem sabe, ver... Quem sabe?
De névoas, alma minha, hás cercada...
Já não te vejo, Lua Branca,
mas sei que sonhas além das nuvens...
Quero ir a ti
e, quem sabe, ver... Quem sabe?
Guie-me, Lua Branca, para onde há descanso!
Pois as névoas te tornaram gris
mas sei que és pálida além do vapor,
talvez pela distância.
Por que, ó Senhor dos ventos,
trouxeste as densas nuvens?
Querias ocultá-la de mim?
Porém, ainda te vejo, Lua Branca,
por janelas que do céu se abrem...
Minhas súplicas e esperanças
correm para ti, Senhor dos ventos:
Sopre para longe a neblina...
E quem sabe eu veja... Quem sabe?
Ilumine minha noite, Lua Branca,
com a luz que há em ti, mas, sei, não é tua...
Permita-me vê-la, Senhor dos ventos!
Permita-me tê-la, Senhor da luzes!
E quem sabe eu veja... Quem sabe?


Gama – DF, 30 de dezembro de 2011.

Jordanny Silva

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 9



CAPÍTULO 7 – O Problema da Fé Deturpada


Quem não já conheceu alguém que, numa espécie de desencargo de consciência, se expressou dizendo: “Estou fazendo a obra de Deus!”? Contudo, no atual contexto evangélico, até que ponto essa expressão alcança verdade?


Nós, que somos cristãos, vinculados à reforma protestante ou mesmo aos demais seguimentos evangélicos, cremos em absoluto que o que salva é a fé em Jesus Cristo, e não as obras. Já foi demonstrado nesse de modo extenuante que, conquanto sejamos salvos pela fé, a finalidade da nossa salvação é as boas obras. Em curtas palavras: não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras!


Contudo, há a necessidade de se manter um fundamento doutrinário não só coerente, mas imprescindivelmente decorrente da Palavra da Verdade. São nas Escrituras que encontramos a nossa regra de fé e de prática. Logo, as distorções doutrinárias têm, inequivocamente, alcance negativo na profissão de fé do cristão. Ou seja, uma igreja doutrinariamente fraca, ou mesmo equivocada, gera cristãos imaturos e, muitas das vezes, não salvos em Cristo Jesus: cristãos apenas nominais. Estes não se mostram capacitados a vencer em paciência à provação e têm, mormente, uma visão turva, raquítica, ou equivocada acerca da natureza de Deus. Daí a necessidade de o corpo ministerial de qualquer que seja a denominação evangélica, observar com todo esmero e minuciosidade, se a doutrina apresentada pela congregação está fundamentada na Bíblia Sagrada.


Uma fé errônea desencadeia uma série de atos igualmente errôneos por parte da congregação. Ou seja, a profissão de fé pode até ser sincera, mas não terá uma manifestação efetivamente adequada à boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2). E o que normalmente ocorre, é que os crentes dessa igreja passam a enganar-se achando estar fazendo a obra de Deus, mas apenas caminham desenvolvendo-se nas obras da carne. Não obstante, temos visto, ao contrário do exemplo de mansidão e humildade de Cristo (Mt 11.29; Fp 2.5-8), uma crescente arrogância e prepotência no meio dos cristãos.


Junto ao orgulho carnal manifestado por esse tipo de cristianismo, aumenta-se o número de dissensões, facções, intrigas, falcatruas, estelionatos, frustrações e tudo mais que se possa imaginar de ruim no meio das denominações ditas evangélicas. A consequência é um descrédito crescente em relação à fé cristã, principalmente a verdadeira, que se fulcra na inerrante Palavra de Deus.


Mais uma vez a autoridade que nos foi outorgada, enquanto embaixadores de Cristo, se vê abalada mediante, exclusivamente, a um testemunho que, apesar de rogar para si o título de cristão, não passa de carnal. O poder que Cristo nos outorgou, por nossa culpa, tem se transformado em motivo de chacotas em programas de humor, em músicas seculares, em críticas por parte de inúmeros “pensadores” contemporâneos. O próprio nome de Cristo já não gera temor nos corações; pelo contrário, tem se tornado risível ao público secular expressões do tipo: “o sangue de Jesus tem poder”; “em nome de Jesus”. É triste imaginar que chegamos a esse patamar e, por incrível que pode parecer, a culpa reside em um evangelho falsificado, inoperante, arrogante e idiotizado que sai da boca de muitos que se dizem cristãos.


Enquanto isso, quando a fé bíblica é apresentada ao mundo, enfrenta uma barreira na consciência e nos corações. Na mente dos ouvintes incrédulos segue logo uma gama de imagens de tudo aquilo que escandaliza e desonra o nome de nosso Senhor. Tudo isso porque temos profanado o sangue da aliança com uma falsificação do evangelho baseada em nossas concupiscências! Isso me faz lembrar o que nos exorta o escritor de Hebreus:


“De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça? Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hb 10.29-31)


O grande problema, e reitero, é que esse “cristianismo” crescente é muito mais atrativo do que o verdadeiro cristianismo, pois vai de encontro direto com os desejos de nossa mente decaída. Enquanto isso, infelizmente, milhões de pessoas não têm encontrado o verdadeiro amor de Cristo, sendo enganadas por falsas promessas, por profecias irresponsáveis que apenas geram decepções.


O bem que devia fluir de nossas vidas por meio do Espírito Santo, é substituído por experiências absurdas; por comportamentos egoístas; por emoções vazias de ação. Tudo isso é vão. São vendavais de doutrinas que atingem ferinamente cristãos imaturos, inconstantes e carnais (Ef 4.14).


A mediocridade desse “cristianismo” é manifesta na crença de que o simples fato de ir à igreja no fim de semana, ou participar de um grupo de jovens, varões ou irmãs, já representa cuidado para com a obra de Deus. Ora, agir assim é como cobrir-se de um manto religioso retalhado que, no fim das contas, não tapa o frio da iniquidade que se opera interna e externamente a cada homem e mulher que habita esta existência aqui. Acreditar, simplesmente, que participar de um ministério de louvor, ou da classe de escola dominical, ou cantar junto com um conjunto de mocidade, ou dançar em um ministério de coreografia congregacional, é estar fazendo a obra de Deus é tão absurdo quanto crer que um câncer no cérebro pode ser curado com a aplicação de morfina: alivia um pouco a dor da consciência, mas não afasta a morte inevitável.


Outros acreditam que fazem a obra de Deus por estar o tempo todo falando para os outros de Deus. Não me posiciono contra a pregação do evangelho em todas as suas formas possíveis, inclusive por meio da arte musical, teatral ou qualquer outra. Mas o que realmente fala ao coração incrédulo é a mensagem do testemunho! Meras palavras acerca de Deus podem não comovem o coração de alguém, mas atitude cristã incomoda; ajunta brasas na cabeça do descrente (Rm 20.21). E da atitude do crente em Cristo deve-se esperar, justamente, o inesperado: o amor (Mt 5.39-48).


Como já dito, a deficiência na compreensão dos fundamentos da fé bíblica apontam para falta de expressão efetiva do cristianismo na atualidade. Alguns podem até argumentar que os evangélicos, no Brasil, têm significativa expressão. Mas essa não é a realidade. Temos, sim, expressão política, quantitativa, comercial. É inegável, por exemplo, que várias cadeiras parlamentares são ocupadas por evangélicos. De mesmo modo, são muitos cristãos atuando em altos cargos da administração pública e do empresariado secular. Contudo, o que esse alcance tem representado no meio secular? Temos refletido a glória de Deus, ou apenas elevado nosso poderio, nosso domínio? Tenho lá as minhas dúvidas.


Para se ter uma ideia, junto às camadas políticas os evangélicos representam bem a defesa dos interesses relativos à igreja. Porém, tenho percebido que não há altruísmo, apenas classicismo. O que quero dizer é que são poucos os parlamentares evangélicos que se preocupam com questões desvinculadas do interesse específico da classe evangélica. Isso já revela que a preocupação do cristão atual é apenas com assuntos relativos ao seu bem estar, ao seu conforto.


Chama atenção dos poderes midiáticos, principalmente televisivos, o aumento perceptível do número de evangélicos. Há poucos anos atrás já somávamos o equivalente a vinte dois milhões de cristãos que professavam a fé evangélica em todo país. Com isso, o nosso orgulho mais uma vez é enaltecido porquanto a nossa expressividade numérica se vê majorada. Entretanto, deveríamos mais uma vez nos gloriar de tudo isso? Com um exército de 22 milhões de evangélicos, que rogam arrogantemente para si uma autoridade exponencialmente superior a dos que estão no mundo, as desigualdades sociais de nosso país não eram para ter minorado de maneira significativa? Se a nossa realidade reflete outro resultado, fica claro como a luz do dia que há algo errado com a nossa fé. Ou seja: ou o problema reside na fé fundamentalmente cristã, que seria então vã, vazia, ineficaz e ineficiente; ou o problema reside em nós mesmos que não a temos compreendido e vivido, pelo menos, em seus princípios fundamentais. A história nos tem convencido de que a segunda alternativa é mais provável. A falha está em nós, em nossa incapacidade de nos examinarmos a nós mesmos, em nossa contumácia em não examinarmos a nossa pragmática religiosa. Essa displicência tem feito com que muitos acreditem ser salvos enquanto caminham, apressadamente, pelo caminho largo.


Essa nova pragmática cristã que busca resultados numericamente visíveis cria uma vasta literatura baseada na ciência humana. São, por exemplo, técnicas empresariais aplicadas ao desenvolvimento da igreja, com estudos específicos, inclusive, na localidade onde se pretende iniciar um trabalho evangelístico. Desse modo, conforme os dizeres dos comerciantes, “o cliente sempre tem razão”. Em outras palavras, já não importa agradar a Deus, mas aos homens. E a expansão desse cristianismo é envolto num sincretismo de filosofias, ideias, métodos, sentimentos, culturas e tudo mais que se possa imaginar. Não faço aqui apologia a um asceticismo pleno, mas convido ao raciocínio acerca do que realmente é conveniente ao verdadeiro evangelho (1Co 6.12; 10.23).


A santidade tão exaltada no texto sagrado é posta de lado por uma conveniência maquiavélica, afinal “os fins justificam os meios”. Se a igreja tem crescido, se as ofertas e dízimos estão aumentando, então está dando certo; se há um notável quórum, estamos assim debaixo da vontade de Deus; estamos, enfim, fazendo a obra de Deus! Seria essa uma verdade? Verdade eu tenho certeza, em Cristo, que não é; porém, é uma realidade lastimável.


Em lugar de santos, em Cristo Jesus, tem crescido o número de estelionatários que se dizem cristãos. Estes trazem uma mensagem apelativa que mexe com a esperança dos espectadores, os quais apostam todas as suas fichas naquela “verdade”; e se não der certo o problema não reside no emissor da mensagem, mas no ouvinte que não teve fé suficiente para receber seu “milagre”. Para clarear o que se pretende argumentar, a pouco mais de um ano assistia a uma reportagem na TV aberta que analisava alguns supostos milagres ocorridos em núcleos pentecostais. Havia um homem que se dizia pastor e que tinha uma filha, ainda criança, que avocava para si dons miraculosos de cura. Pois bem, em uma das reuniões dessa igreja – que por sinal estava cheia de espectadores – se achegou um jovem que era portador de um tumor maligno. O culto se desenrolou como num espetáculo de supostos milagres e curas, ocasião em que foi afirmado que aquele rapaz havia sido curado definitivamente de seu câncer. Ocorre, contudo, que poucos dias depois aquele moço veio a falecer e, quando o pastor foi inquirido acerca desse fato, a resposta foi a seguinte: “Aquele rapaz recebeu a cura, mas não teve fé o suficiente para segurar aquela cura”. Fiquei tão estupefato com aquela afirmação, que me deu vontade de exigir, como cidadão, a prisão daquele homem que se dizia pastor. Ora, então, após ter sido garantida a sua cura de modo irresponsável, a morte daquele rapaz ainda era sua culpa, por não ter segurado a cura por meio da fé?


É assustador imaginar que esse tipo de pregação alcança um número extremamente maior de espectadores do que o verdadeiro evangelho. Ao mesmo tempo, para quem tem um mínimo de inteligência – e, com segurança bíblica, posso afirmar que os filhos das trevas são mais prudentes que os filhos da luz (Lc 16.8) – esse tipo de cristianismo é nauseante, tanto para os que participam da Igreja de Cristo, quanto para os que estão de fora.


Por outro lado, a fé em Cristo não se apresenta por emocionalismo apelativo e irracional, ou por métodos complicados e extenuantes. Representa, sim, atitudes espirituais: palavras cheias de discernimento (1Co 2.14-16); ouvidos mais atentos do que bocas displicentes (Tg 1.19); línguas voltadas a bendizer até mesmo àqueles que nos maldizem (Tg 3.2-10; 1Pe 3.9,10); olhos purificados, distantes do julgamento temerário (Mt 7.1; 6.23; Lc 6.37; Tg 4.11; Jo 7.24), voltados, porém, para o que edifica; mãos estendidas a quem necessita de ajuda, pois esse é o próximo a quem Deus nos oportuniza amar (Lc 10.27-37); guardar e perseverar na doutrina, e na oração e no partir do pão (At 2.42); não ultrapassar o que nos diz a Palavra da Verdade (1Co 4.6); crescer, dia após dia, na graça e no conhecimento de Cristo (2Pe 3.18). Tudo isso que foi citado importa, inequivocamente, na obra de Deus. Esta, por sua vez, não se manifesta como um seguimento religioso moralista confinado a quatro paredes, mas como um caminho a ser percorrido por todo salvo em Cristo Jesus, e de alcance incalculável neste mundo decaído! Glória ao nome do Senhor!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 8



CAPÍTULO 6 - Qual Tem Sido a Preocupação do Crente da Atualidade?




Em proporção ao desenvolvimento tecnológico e científico da atualidade, encontramos o aumento de falsos mestres e falsos profetas. Tudo isso foi profetizado por Cristo, bem como pelos diversos escritores do Novo Testamento (Mt 7.15; 24.11; 2Co 11.5; 2Ts 2.3-15; 1Tm 4.1-4; 2Tm 3.1-5; 4.3,4 etc.). A apostasia generalizada é a regra dos últimos dias e é o que temos testemunhado. Não obstante, as próprias mensagens são focadas muito mais no homem do que no próprio Deus. O que verdadeiramente acontece, é que o número de falsos mestres aumenta segundo o próprio interesse de seus expectadores, fãs e admiradores. Esta é uma verdade irrefutável!




É, por exemplo, crescente a procura por livros cristãos voltados para a auto-ajuda. De mesmo modo, dentro das igrejas assistimos a uma pregação triunfalista, onde cristãos se julgam tão senhores de si, que passam a determinar bênçãos e a decretar vitórias. Tais crentes se julgam deuses, com poderes especiais e quase absolutos, albergados por uma fé que se baseia no poder da fé.




Nos ajuntamentos evangélicos, ao contrário do exemplo de Cristo, o que vemos é um grande número de pessoas que se dizem cristãs, cheias de arrogância, cheias de si. Parece um bando de crianças mimadas acostumadas a caprichos com um Deus a sua mercê, para atender todos os desejos de seus coraçõezinhos. Apostam na prosperidade material e no sucesso nas finanças e na vida pessoal como sendo o propósito principal e inegociável sobre o qual Deus lhes colocou. Logo, berram que o sucesso, o dinheiro e/ou a fama são seus direitos e que Deus lhes dará custe o que custar. Ao mesmo tempo, apresentam um novo tipo de fidelidade baseada em barganhas onde os dízimos e eventuais ofertas cumprem o papel implícito, ou às vezes explícito, de fazer com que Deus lhes abençoe. Vão à igreja e se julgam adoradores extravagantes, mas são vazios de Deus e cheios de si. Adotam símbolos judaizantes, dos mais variados possíveis, e rogam para si os direitos prometidos à nação de Israel, valendo-se dos tais amuletos como pontos de contato para o aumento de sua fé. Dão ênfase, em suas pregações, ao poder de Deus, mas se esquecem de pregar a fraqueza de Deus: Cristo e a cruz (que para os tais é escândalo). São invejosos, consumistas, cobiçosos, insaciáveis e estupidamente otimistas.




Deleitam-se em seus prazeres e esquecem-se do restante do mundo. Querem os melhores concursos públicos, os melhores cargos e empregos, os melhores salários; tudo para seu próprio deleite (Tg 4.1-3). Aplaudem mais às conquistas atreladas a bens materiais, como automóveis, casas, viagens e afins, do que a salvação das almas perdidas. Quando alguns manifestam certo regozijo com a conversão de um pecador, este está muito mais voltado para os números, para as metas de crescimento do que efetivamente para o resgate daquela vida.




Tornam-se supersticiosos, acreditando que se algo não está dando certo em suas vidas é por conta de olho grande, mandingas e encantamentos mil. Dizem que as dificuldades são resultantes de diversos tipos de maldições voluntárias e involuntárias, hereditárias, individuais e coletivas. Não são capazes de perceber que o sacrifício na cruz do calvário quebrou a maldição da lei (Gl 3.13). O evangelho da cruz é para os tais escândalo visto que estão obcecados pelo judaísmo, não pela lei em si, mas pela glória terreal a exemplo dos tempos de Salomão. Isolam textos bíblicos e exalam uma arrogância poética dizendo-se mais que vencedores, mas não sendo capazes de prevalecer perante a mais tenra das provações. Aliás, qualquer tribulação que venham a experimentar é fruto da falta de fé, ou de maldições, ou de feitiço ou de qualquer outra coisa; ao invés de ser fruto para o aperfeiçoamento (Tg 1.2-4; Rm 5.3-5).




Criam os mais diversos tipos de ídolos: cantores, músicas, pregadores, bandas e tudo mais. São toalhinhas com suor santo; água com poder sobrenatural; portal da bênção; arca da aliança para o milagre; paletó com a unção do “cai, cai”; azeite de Jerusalém. Há até mesmo vinhetas de uma produtora musical famosa que diz: “Você adora, a ...... toca”! Efetivamente, os cristãos atuais adoram, mas não o Deus absoluto. Adoram seu estilo de vida. Adoram suas convicções pessoais! Adoram o seu eu! Adoram suas contas bancárias recheadas de verdinhas!




Alvejam ao patamar da mídia comercial gospel a fim de viverem o glamour e o sucesso que ali é oferecido. Ajuntam-se desesperadamente para assistir a missionários que avocam para si um poder sobrenatural de cura, adivinhação, e milagres de preferência de ordem financeira. Atrelam-se a campanhas intermináveis de libertação onde são infectados por mais engodo e por manifestações espirituais duvidosas (Ef 4.14).




Muitos aprendem a crer nos “absolutos” que lhes convém, relativizando e negociando todo o restante. Na verdade, são cristãos nominais e absolutamente incrédulos uma vez que só se associam a determinada profissão de fé “por via das dúvidas”. E essas dúvidas são as mais variadas. Iniciam-se em relação, primeiramente, à ortodoxia da fé! Tais cristãos mal entendem o que é graça ou justificação, dentro do que a Revelação nos permitiu compreender; o que é salvação; o que é nova vida em Cristo; o que é evangelho do Reino; o que é confiança absoluta e plena em um Deus Todo-Poderoso! É uma safra de cristãos ignorantes, fitados em uma pragmática recheada de propósitos vãos, numerários, egocêntricos, imbecilizados!




Para manterem-se firmes nestes propósitos, atestam e colecionam frases de intenso efeito para o ego, mas vazias de verdade quando contrastadas com a Palavra de Deus. Vinculam-se a um otimismo idiotizado, onde gritam como que hipnotizados frases do tipo: “Este é o ano da colheita”; “Este é o ano da vitória”; “Este é o ano da conquista”; “Este é o ano da...” etc.. Chegam ao absurdo de acreditar que a repetição dessas frases terá um efeito mágico e o que observamos é que a grande maioria que vive dentro dessas igrejas não recebe o esperado. Enquanto isso, os líderes de tais denominações, engordam-se materialmente e almaticamente! Enchem-se de orgulho diante de um rebanho sem pastor! São cegos guiando cegos. Ambos iludidos com fábulas e mais fábulas vivendo o contexto do Velho Testamento que é apenas sombra, enquanto a revelação absoluta e majestosa do Cristo Ressurreto é esquecida.




Cristo, nesse viés, alcança uma figura de mero herói de historinhas dos quadrinhos infantis. Um substituto que, sabe lá porque e pra quê, se entregou e nos salvou. Verteu Seu precioso sangue para que pudéssemos arrogantemente invocar direitos legais advindos de uma herança eterna, mas que tem muito mais valor aqui, nessa vã temporalidade. É aqui que estes querem viver o “melhor” de Deus; ou melhor: o melhor do deus deste século (2Co 4.4).




Estes amontoam, para si, mestres e doutores segundo suas próprias concupiscências e conveniências (2Tm 4.3). O que tiver a pregação mais bonitinha, enfeitadinha, adocicadinha, mais facilzinha de se viver, ou pelo menos de se entender, ganha o título de profeta; de o homem mais sábio de nosso tempo! As profecias, por sua vez, são tão doces... Não denunciam o pecado, porém, trazem uma conotação positiva, bem adequada ao buraco negro inabitável de nosso ego! E a consequência dessas “profetadas”, são expectativas frustradas! São sonhozinhos que morrem e se ressuscitam ao som de uma canção qualquer de “restituição”! E novamente, outra dose de ilusão e de otimismo para mentes débeis é injetada nas veias destes cristãos já viciados nesse positivismo podre que ganha o título de pregação e, muito pior, de evangelho!




Há uma alta gama de ébrios, não do Espírito Santo, mas de um – na visão de Hegel – Zeitgeist (“espírito que rege o século”), induzidos pela necessidade do que é palpável, visível para que possam crer. Vivem ao mesmo tempo entorpecidos por uma fé infundada, vazia, obscura; que depende de métodos para se alcançar seu ápice. E a partir daí iniciam-se os catálogos e títulos de maior vendagem nesse mercado negro onde a fé é falsificada e contrabandeada: “101 degraus para se obter sucesso financeiro”; “dez passos para mudar a sua história” etc. A sobriedade, a coragem e disposição de buscar a Verdade são trocadas pelo conformismo e comodismo do American dream (sonho americano). Nesse patamar, o Cristo que passam a pregar e a crer, não passa de um contrato de adesão que lhes garante a “salvação”, ou pelo menos ameniza a culpa da consciência. E se iniciam outros dizeres arrogantes: “eu sou salvo; eu já ACEITEI Jesus”! O problema é que o verdadeiro Jesus não os aceitou: os tem vomitado! Há a necessidade de sobriedade! (1Ts 5.4-10).




As ditas músicas de adoração... Muitos dos ajuntamentos evangélicos atuais têm semelhança com o conto do “Flautista de Hamelin”[1], onde com uma flauta encantada várias crianças são seqüestradas da cidade tendo, aparentemente, o mesmo destino dos ratos que foram afogados. Não obstante, enquanto as canções da moda são entoadas, um grande número de pessoas fica hipnotizado diante de um “mover”, que lhe arranca a possibilidade de raciocinar sobre coisas simples como, por exemplo, a letra da música que é cantada. E alguns fazem dessas letras verdadeiras doutrinas e estilos de vida: “eu tenho a marca da promessa”; “eu quero de volta o que é meu” etc. Isso me faz questionar se seria, efetivamente, um cântico de adoração ou uma “adorada canção” entoada. E os “adoradores” ficam extasiados, freneticamente contagiados. Caem, gritam, riem, uivam, mas esse “mover” caminha poucos metros para fora da igreja, e novamente seus participantes rendem-se a uma fé inerte, inativa, morta. Ainda defendem que isto é obra do Espírito Santo, mas o próprio sentimento egoísta de prazer que lhes envolve já revela dissonância com o fruto do Espírito. São, portanto e, tão somente, prólogos de vaidade.




Nos “moveres” da atualidade, há muita pirotecnia; muito barulho; mas pouco fogo consistente. Ao exemplo dos fogos de artifício, estes sobem e explodem chamando a atenção, mas sua chama logo se esvai. Assim são estes novos cristãos e ajuntamentos: sua chama é curta e depende de uma pólvora que se consome rapidamente. Em pouco tempo se veem desmotivados, desanimados, desesperados. Já o combustível do Espírito, eterniza-se dentro de cada um de nós; vai além das línguas dos anjos ou dos homens; vai além de qualquer sacrifício que algum de nós possa realizar; vai além das profecias e da própria fé: é o amor de Deus derramado sobre nós (1Co 13; Rm 5.5). Acerca desse combustível tratarei no tópico ulterior.






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[1] Conto folclórico escrito pelos Irmãos Grimm.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 7









CAPÍTULO 5 - Cartas Escritas e Lidas




“Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2Co 3.2-6) [Ênfases adicionadas]




Somos cartas escritas. Mas a grande diferença entre nós e uma correspondência comum, é o endereçamento que transcende o pessoal e se direciona a todos os homens. Ser consciente dessa diferença é essencial para que a nossa fé tenha impacto nesse mundo perdido. Temos, enquanto cartas escritas, a função de expressar mediante um viver reto todo o conteúdo da nova aliança. Em outras palavras, o novo testamento é manifesto por meio de nossas vidas. Isso traduz uma responsabilidade sobrenatural que só é possível mediante a graça do Senhor.




Ao mesmo tempo, ao contrário dos fariseus hipócritas tão confrontados por Cristo, não expressamos uma teologia vazia, baseada em um conteúdo moral impossível de se viver. Não! Como bem observado por Paulo no texto a que se fez referência, Deus nos capacita a sermos ministros da nova aliança, não segundo a lei veterotestamentária, mas segundo a vida que se manifesta por meio do fruto do Espírito.




Somos, portanto, observados por todos que estão a nossa volta. Vivemos em um imenso “Big Brother”, onde o mundo lê a nossa vida e espera de nós testemunho convergente com o que professamos. Não há, pois, espaço para mau testemunho e, se esses existem, a consequência é o descrédito exponencial em relação a nossa fé. A gravidade disso aponta para a crescente apostasia observada nos dias atuais (2Ts 2.3; 1Tm 4.1; 2Tm 3.1-7; 4.1-4). Não obstante, o próprio Cristo chega a exclamar: “Quando, porém, vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18.8).




A crise de fé acompanha a crise de piedade. Na verdade, a piedade deve ser exercitada pelo servo do Senhor (1Tm 4.7,8). É justamente na piedade que se revela a verdadeira religião, conforme nos ensina Tiago:




“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tg 1.27)




Ao contrário do que vemos atualmente dentro da maioria dos ajuntamentos evangélicos, a religião verdadeira não se manifesta por meio de ritos complexos ou invencionices baseadas em fábulas. É representada pelo amor aos necessitados. Essa religião grita alto, chama a atenção e convence o pecador do amor de Deus revelado em Seu Filho, Jesus Cristo.




Testemunhamos um crescente número de teólogos e estudiosos da palavra de Deus. Isso é algo bom! Contudo, o que não podemos é ter um grande número de teóricos que interpretam a Palavra, mas não a praticam (Tg 1.23-25).




É crescente, por exemplo, o mercado de livros no meio evangélico. Junto com isso aumenta-se o número de pregadores itinerantes, que vivem desse comércio. Enquanto isso, mais e mais a palavra tem sido mercadejada, fazendo com que alguns vivam confortavelmente os frutos do evangelho, mas poucos recursos adquiridos por meio desse comércio são aplicados em obras sociais; em projetos que atendam a menos favorecidos. A consequência é que o evangelho tem se tornado confortável para os que colhem os seus frutos, mas são poucos os que desejam realmente sofrer por ele. Quem dera se alguns desses pregadores adotassem o entendimento de Paulo: “de graça recebi; de graça dou”! Mas essa não é a nossa realidade.




Esse quadro todo representa um sacerdócio da letra morta. Têm-se ministros que se entregam a “moveres”, outros que mostram uma teologia plausível, mas pouca prática do amor. Grande maioria aquecida pelo frio vil metal.




De mesmo modo, majora-se a quantidade de músicos e cantores no mundo gospel que vive confortavelmente, com cachês expressivos. Novamente, percebe-se que pouco do que se ganha é aplicado em obras sociais. E quando isso é feito, parece que é apenas para desencargo de consciência, ou para tentar trazer uma aparência de piedade. Tempos estranhos são estes, não é mesmo? Com tudo isso, boas oportunidades de testemunho têm sido perdidas.




Se porventura, a igreja começar a viver o testemunho que se opera por altruísmo e caridade, provavelmente o quadro mudará. Não se pode chegar a uma igreja completamente pura, doutrinariamente falando, mas se pode caminhar nesse sentido, desde que observadas as obras do amor, a doutrina, a oração e a santidade.




No livro de Apocalipse temos o exemplo de sete igrejas, onde apenas duas são aprovadas por Deus (Ap 2 – 3). Sabendo que as características apresentadas ali se aplicam ao nosso tempo, citarei a título de exemplo, quatro dessas igrejas.




A primeira igreja apresentada é Éfeso. Conquanto esta igreja tenha sido elogiada por seu cuidado para com a doutrina, demonstrando forte conteúdo apologético no combate a falsos mestres, foi ainda assim exortada a retornar ao primeiro amor (Ap 2.1-7). Não seria esse o caso de inúmeros apologistas da atualidade que, apesar de demonstrar zelo para com a sã doutrina, pecam por não se mobilizarem em amor? Retorno às obras do amor é necessidade para a salvação. Como já demonstrado, a fé sem obras é morta. Sendo, pois, a fé essencial à justificação, a fé inoperante resulta em perdição.




A segunda igreja que citarei é a de Laodiceia (Ap 3.14-22). Vemos essa igreja adornada de prosperidade material. Uma igreja que se julga triunfalista e detentora de uma auto-suficiência aparentemente invejável. Mas a verdade é que não passa de uma comunidade desgraçada, pobre, cega e nua. É uma igreja que adotou um sincretismo tão perigoso que já perdeu sua característica essencial: ser sal e luz do mundo. Por esse motivo está a ponto de ser vomitada da boca de Deus. Essa igreja tem se adequado perfeitamente à nossa realidade. Triste verdade é essa...




Temos, a contra-senso, as igrejas de Esmirna e de Filadélfia. Esmirna é sofredora. Compõe-se de mártires dispostos a darem a própria vida pelo testemunho do evangelho. A sua pobreza material representa riqueza e peso de glória diante de Deus (2Co 4.17). De mesmo modo, a sua tribulação manifesta a sua fidelidade ao Senhor. É sofredora, disposta a prisões e mantém-se fiel até a morte, por isso, tem a garantia da coroa da vida.




Filadélfia, semelhantemente, demonstra paciência e zelo pela Palavra. Em coerência com o conselho do salmista, esta igreja guarda a palavra do Senhor em seu coração (Sl 119.11). Por esse motivo será resguardada do momento de tribulação que virá sobre toda a Terra. Que grande promessa é essa!




Sejamos como essas duas igrejas que apresentam um testemunho puro, santo e verdadeiro. Esse testemunho, sem palavras, responde aos confrontos e ataques do mundo. Esse testemunho revela o caráter precípuo do cristianismo: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo! Glória ao nome do Senhor!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 6









CAPÍTULO 4 - O perfume de Cristo



“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes certamente cheiro de morte para morte; mas para aqueles cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo? Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2Co 2.14-17) [Ênfases adicionadas]




Alguns anos antes de partir para a glória, A. W. Tozer de modo verdadeiro e, por isso, profético escreveu o seguinte:




Seria um arranjo conveniente se fôssemos constituídos de modo que não pudéssemos falar melhor do que vivemos. Por razões que Deus conhece, porém, parece que não há necessariamente ligação entre o nosso falar e o nosso agir; e aqui está uma das armadilhas mais terríveis da vida religiosa. [O Poder de Deus; A. W. Tozer, p. 29; Editora Mundo Cristão, 1995. 3ª ed. Tradução de Odayr Olivetti].




O motivo da preocupação desse exímio pastor, escrita nos anos 1950, é tão atual quanto sempre foi na história da caminhada da igreja cristã ao longo dos séculos. O crescimento efetivo da igreja santificada sempre esteve atrelado ao testemunho. É, nos dizeres de Paulo, a fragrância do conhecimento de Deus. Sendo assim, a percepção da manifestação do conhecimento acerca de Deus está no bom testemunho.




A palavra “mártir” significa, originalmente, testemunho. Não obstante, escreveu Tertuliano que o “sangue dos mártires é a semente da igreja”. Quanto mais a igreja primitiva se viu perseguida, por conta do testemunho, mais ela crescia. A maior parte da igreja ocidental, ao contrário da igreja sofredora, que aqui chamarei de Esmirna (Ap 2.8-11), não tem sido perseguida fisicamente. Entretanto, e mais perigosamente, a maior perseguição que se instala atualmente se dá mediante o conformismo, a acomodação espiritual. E quando digo acomodação espiritual, ao contrário do que muitos imaginam, o Espírito se manifesta ou autentica sua manifestação, sempre, por meio de ação (Gn 1.2; Jo 3.8; At 2.1-45; 4.31 etc.).




Não se trata, evidentemente, do que atualmente é entendido como “mover do Espírito”; pelo contrário, em tais movimentos o que temos percebido é muito barulho e pouco resultado. Logo, não me equivoco nem blasfemo quando digo que grande parte desses “moveres” que assistimos no meio de várias denominações evangélicas, é majoritariamente carnal e não espiritual.




Quando estamos diante de um genuíno avivamento, a característica mais marcante é a mudança comportamental, a atitude que o acompanha. Isso é a mais evidente manifestação da “fragrância do conhecimento de Deus”. Entretanto, como reconhecer o cheiro do bom perfume de Cristo, que é a igreja? Trataremos desse tema, a seguir.




1) O Bom Perfume não se dissipa logo




Não sou especialista em perfumes. Mas algo que já me disseram e acredito ser razoável, é que a fragrância de um bom perfume não se esvai rapidamente. Deve o bom perfume permanecer.




Temos testemunhado um grande número de ajuntamentos evangélicos que, em grande parte, se autodenominam pentecostais. Nesses, grande número de espectadores dizem experimentar um “mover” diferente que lhes eleva a um estado de êxtase que lhes proporciona um prazer imediato inexplicável. Acompanham esses moveres as mais variadas unções: unção do “cair no Espírito”; unção do riso; unção de conquista etc. Ocorre que, conquanto os que participam de tais movimentos defendem que as sensações ali experimentadas, a maioria destes ao dispersar-se, não demonstra atitude convergente com o fruto do Espírito.




Já consignei na postagem relativa à “Análise do Encontro” algumas observações relativas a um desses moveres que, por um tempo, foi adotado por minha igreja. Poderia, sem exageros, afirmar que centenas de pessoas participaram dos Encontros realizados pelo ministério a qual pertenço, mas certamente contamos nos dedos os que se firmaram. Na grande maioria, só continuaram participando de nossa congregação os que já eram de lá.




Do mesmo modo, mormente, vejo as igrejas neopentecostais cheias, quase que o tempo todo. Mas a rotatividade de membros é o que mais nos assusta. Os movimentos são criados com a finalidade de chamar a atenção de inúmeras pessoas que, em sua grande maioria, por não serem convertidas ao verdadeiro evangelho, simplesmente, em pouco tempo, abandonam a congregação. Às vezes, ainda valem-se do título de cristãos evangélicos, mas passam um grande período andando de igreja em igreja e, quando não se identificam com nenhuma destas, dispersam-se voltando ao mundo do qual, na realidade, nunca saíram.




Pela rápida dispersão desses frequentadores das igrejas envolvidas com esses “movimentos” espirituais, pode-se perceber que o perfume tem se esvaído rapidamente. Logo, não se pode confiar na doutrina de tais igrejas como sendo em total acordo com a Palavra da Verdade.




Entretanto, para os que continuam freqüentando esses seguimentos evangélicos, observem que seu crescimento se dá muito mais no âmbito da arrogância e orgulho do que da humildade. Os consolidados regozijam-se por participarem na construção de grandes templos, mas fazem pouco ou nada em relação aos necessitados, em contraste ao que efetivamente ganham. Esnobem e exibem grandes carros com um adesivo “Deus é fiel”, uma conta bancária significativa, mas não vivem o amor com uma doação realmente considerável a obras de caridade. São arrogantes, presunçosos, orgulhosos e medrosos. Vivem com medo de olho grande, de inveja e qualquer urucubaca que lhes possa ser acometidas. Dependem, por isso, o tempo todo das mais variadas quebras de maldição; e não conseguem desfrutar prazer em Deus, unicamente. Há excêntrica necessidade do consumismo e do entretenimento para que mantenham sua auto-estima elevada. Esta é a radiografia mais comum do cristão “triunfalista” contemporâneo.




Porém, quando estamos diante de uma igreja revestida com o Espírito Santo, certamente haverá uma consistência nos membros que dela participam. Estes podem até ser em número menor, mas são mais expressivos quanto às questões espirituais. Serão, certamente, mais ativos quanto à prática do amor; mais fortalecidos em meio às lutas; mais pacientes quanto à fé; mais profundos e arraigados quanto à doutrina; mais humildes quanto à consciência da salvação; mais perseverantes quanto à oração; mais cônscios quanto aos dons espirituais; e mais unidos e preocupados uns com os outros. Isso é o mínimo que se deve esperar de uma congregação forte. O problema é que atualmente não temos encontra sequer uma congregação com essas características. Deveríamos, evidentemente, caminhar nesse sentido a fim de o aperfeiçoamento dos santos ser manifesto a todos.




2) Pela fragrância é possível dizer o nome do perfume




Todos já ouviram a expressão: “isso não me cheira bem”. Exato! Tal exclamação popular resume claramente o que se pretende abordar nesse próximo capítulo em relação ao reconhecimento do “bom perfume de Cristo”.




Pois bem, os judeus de Beréia foram elogiados pelo doutor Lucas em face de sua atitude em relação à pregação da Palavra da Verdade:




“E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (At 17.10,11) [Ênfase adicionada]




Em suma, como aprendemos a discernir o cheiro do perfume de Cristo? Conhecendo a Sua Palavra. É nela que o conhecimento de Deus se manifesta. Logo, a fragrância do conhecimento de Deus tem que estar de acordo com a Sua Palavra. Assim eram os judeus de Beréia; após receberem a palavra, atestavam sua validade por meio do exame minucioso das Escrituras. Seguindo esse raciocínio, textos conhecidíssimos nos exortam:




“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Os 4.6)




A ignorância bíblica é a grande causadora dessa destruição de conceitos e declínio ético-moral vivido pelas igrejas evangélicas em nosso país, bem como em todo mundo ocidental que um dia ergueu, em estandarte, o título de cristão. Tudo isso somado a um sincretismo doutrinário faz com que a mensagem bíblica se misture ao veneno que o mundanismo apregoa como verdade. A consequência disso tudo é assassinato espiritual em massa. Tudo de mais vil e perverso decorre justamente desse desconhecimento generalizado ou mesmo da negação do conhecimento de Deus. Assim nos exortou o apóstolo Paulo em texto que eu, humildemente, rogo a cada um que leia e reflita com todo o temor e tremor diante de Deus:




“porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Rm 1.21-32) [Ênfases adicionadas]




O texto acima não tem revelado justamente o que assistimos em grande escala no contexto mundial? Inequivocamente, o grande segredo da vitória do cristão nascido de novo, neste mundo fétido, em avançado estado de putrefação, é conhecer o aroma do perfume do Senhor; a fragrância de Seu conhecimento. O profeta Oséias, mais uma vez nos exorta:




“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.3)




Amados no Senhor: meditem na Palavra dia e noite (Sl 1.1-6)! Não se deixem ser enganados! As mentiras e engodos multiplicam-se exponencialmente em nossos dias. Logo, estar bem preparado para a batalha espiritual que circunda nossas vidas é questão de vida eterna ou morte eterna, como já li de um piedoso escritor. (Ef 6.10-18).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 5






CAPÍTULO 3 - O fruto do Espírito



“Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (...) Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.16, 22, 23) [Ênfase adicionada]



Como dito anteriormente, o termo “obras” alcança seu equivalente em “frutos”. Percebe-se também que quaisquer boas obras ou frutos que se manifestem em nossas vidas não são essencialmente de nossa autoria, mas de Deus. Ele as “preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).



Observando o texto bíblico citado no preâmbulo deste tópico, percebemos a colocação verbal imperativa: “Andai”! Percebe-se, evidentemente, que as boas obras representam um caminho a ser percorrido pelo salvo em Cristo Jesus. Paulo, quando trata do amor, que é apresentado no texto acima como a primeira característica da obra do Espírito, o chama de “um caminho mais excelente” (1Co 12.31b). Tudo isso serve para reforçar que as boas obras não nascem do homem regenerado (Jo 3.8). São, porém, necessárias ao passo que indicam, incontestavelmente, se estamos diante de um salvo ou não! Jesus Cristo trata disso quando nos informa que “a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”.



Sendo, pois, evidenciado que as obras são tratadas como um caminho, o cristão que julga ser salvo, mas não avança nesse caminho, tem negado a própria essência da fé. A exortação de Tiago quanto a crer, mas não exercitar, por meio das boas obras o que se crê, nos faz analisar toda a questão com temor e tremor:



“Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.” (Tg 2.18,19). [Ênfase adicionada]



Ora, não há como olvidar correlação mais assustadora quanto à desculpa de uma fé inoperante e inativa, quando o crente, que somente crê, é comparado aos demônios que “crêem, e estremecem”.



Compreendendo-se que as boas obras são um caminho a ser percorrido, deve-se alvejar entender as características desse caminho para que possamos cursá-lo com total certeza.



Nos tempos da Lei dada por Deus a Moisés, é apresentado ao povo de Israel, também, um caminho sob o qual as bênçãos do Senhor seriam manifestas àqueles que perseverassem. No capítulo 28 de Deuteronômio, nos primeiros 14 versos, estão consignadas as bênçãos advindas, condicionalmente, da observância à Lei do Senhor. Nos demais 54 versos (vv. 15-68), vemos uma lista quase que infindável de maldições manifestas por causa da desobediência. O fato é que, conforme o apóstolo Paulo nos informa, todos nós desobedecemos à Lei. Ou seja, todos nós estamos, naturalmente, fadados aos castigos e maldições ali mencionados. Algum pode até argumentar que nunca desobedeceu a todos os pontos da Lei, visto que nunca cometeu, por exemplo, homicídio ou adultério. Entretanto, Tiago nos exorta que, se falharmos em apenas um ponto da Lei, falhamos contra toda esta (Tg 2.10). Algum humano se habilitaria a dizer que nunca tropeçou em algum ponto da Lei?



O apóstolo João, em sua primeira epístola, consigna preciosa exortação, quando nos diz que qualquer um que afirma não ter pecado já é mentiroso (1Jo 1.8). Na mesma carta, vemos João, por direção do Espírito Santo, nos informar que o próprio ato, tido como simples, de se aborrecer ao nosso irmão é imputado como homicídio (1Jo 3.15). Consequentemente, não há como qualquer humano imaginar-se cumpridor da Lei. Somos todos dignos de condenação.



A Lei do Senhor, dada a Seu povo por meio de Moisés, impinge uma série de “nãos”. Uma citação rápida do decálogo aponta que este se caracteriza por exaustiva proibição: “não terás outros deuses...”; “não farás para ti imagem de escultura...”; “não te encurvarás a elas e nem a servirás”; “não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”; “não farás nem uma obra [no sábado]...”; “não matarás”; “não adulterarás”; “não furtarás”; “não dirás falso testemunho...”; “não cobiçarás...” (Ex 20.1-17).



No mesmo sentido, a lista inconclusa apresentada por Paulo na epístola dirigida às igrejas da Galácia, aponta uma sequência de proibições:



“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gl 5.19-21) [Ênfase adicionada]



Esta é mais uma lista de “nãos”. A grande pergunta que surge e que é respondida no próprio texto é: como eu consigo evitar todas as obras da carne? Ficando estagnado, parado para que não cometa pecado? Não! Pelo contrário, é caminhando, andando segundo o Espírito. Em outras palavras, você cumpre os “nãos” praticando os “sins”. O texto inicial deste capítulo aponta para isso: “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne”. E o que é andar em Espírito? É justamente praticar as boas obras que caracterizam o fruto do Espírito. É andar em “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. Em relação a essa lista que é bem menor, não existem obstruções e nem “nãos”, somente “sins”.



Vejo diariamente diversos cristãos em uma luta extraordinária para vencer as obras da carne. Ficam paradas, inertes, acreditando que assim não vão pecar. O mais ascético de todos os eremitas, no inabitável ermo, comendo, quem sabe a exemplo de João Batista, somente gafanhoto e mel silvestre, não se vê livre das obras da carne se não andar em Espírito. E sozinho, sem a possibilidade de viver o amor prático, é bem provável que nunca andará em Espírito. Crescerá talvez em meditação e em oração. Mas perderá o vínculo da finalidade precípua para a qual fomos criados em Cristo: as boas obras.



É caminhando segundo as boas obras que evitamos, em proporção cada vez maior, as más obras. Deixando de nos preocupar com os “nãos” e assumindo o compromisso, em amor, dos “sins”, certamente galgaremos o “caminho mais excelente”.



Em relação a isso, Paulo nos exorta:



“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Rm 13.8-10) [Ênfases adicionadas]



Não existem deveres e proibições em dissonância com o amor. É justamente no amor, que representa o ápice dos “sins” é que alcançamos um resumo de toda a lei. Esta é cumprida, necessariamente, no amor. No mesmo sentido Jesus Cristo doutrina:



“E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.” (Lc 10.25-28) [Ênfases adicionadas]



Há, pois, como dissociar as boas obras da fé? E há como dissociar a fé da salvação? Fé inoperante, inativa não tem poder contra o pecado. Fé inoperante não tem poder contra a carne. A fé, necessariamente, deve caminhar. E em seu caminho não há obstruções; não há lei! Pois seu caminho é totalmente inverso ao caminho largo, por onde passam os que praticam as obras da carne (Mt 7.13). O fruto do Espírito não é o mais fácil caminho; mas é onde trafegam os verdadeiramente livres! (Jo 14.6; 8.32).

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A Vitória que Vence o Mundo - Parte 4









CAPÍTULO 2 - As árvores e os frutos




Por toda a Palavra da Verdade, percebemos menção explícita às boas obras manifestas por intermédio da graça de Deus. Nos evangelhos, Jesus, por analogia, utiliza o termo “frutos”. É assim, por exemplo, que Ele discursa, conforme registrado no evangelho segundo escreveu Mateus:




“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.15-20)[Ênfase adicionada]




Nesse texto fica evidenciada a importância das boas obras como manifestação do caráter e da fé individual. Não é o objetivo aqui, ainda, falar acerca dos falsos profetas. Mas a analogia descrita pelo Mestre é suficiente para clarear e fundamentar a opinião exposta no presente trabalho. Ora, observa-se que a natureza dos frutos (obras) está completamente vinculada à natureza das árvores (pessoa que as pratica).




Em relação à natureza das árvores, Paulo clareia nosso entendimento na carta escrita aos Romanos, informando que todos nós somos, originalmente por conta do pecado do primeiro Adão, por natureza pecadores (Rm 5.12-21; 7.14-19; 3.23). Ora, em Cristo, nascemos de novo e recebemos com isso uma nova natureza (Jo 3.3-8). Essa nova natureza vincula-se e depende do nosso Senhor Jesus, pois Ele é a videira verdadeira e nós somos os ramos, como bem registrou o apóstolo João (Jo 15.1-8). Neste texto, a que se fez referência, percebemos que as obras glorificam ao Pai (v. 8), e determinam a posição de discípulo, ou não, do Mestre Jesus. De mesmo modo, os frutos não são gerados por causa dos ramos, mas por causa da raiz, sendo totalmente dependentes desta. Logo, não há como nos gloriarmos, sendo apenas ramos que, uma vez cortados, só servem para o fogo. Nenhuma dessas obras, ou frutos, nasce de nós, mas parte do Senhor Jesus tendo a cada um de nós somente como instrumentos (Jo 15.5).




Paulo, em analogia semelhante, diz que alguns dos ramos naturais (judeus) da Oliveira (Cristo) foram quebrados, de sorte que no lugar destes foram enxertados ramos do zambujeiro (nós, os gentios), tornando-os, pois, participantes de Sua raiz e seiva (Rm 11.16,17). É evidente que, uma vez enxertados em Cristo, somos capacitados a frutificar no Espírito (Gl 5.22). Acerca da possibilidade de gloriar-se por termos sido enxertados no lugar dos ramos naturais (judeus), Paulo nos traz a seguinte exortação:




“Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme. Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.” (Rm 11.18-22)






Impressiona como a doutrina bíblica é perfeita e se completa, sem contradizer-se em um único ponto, enquanto é exposta nas Escrituras Sagradas. Aqui, por exemplo, vemos total coerência com a carta paulina dirigida aos crentes de Éfeso, conforme já citado, em que fica claro que a salvação é dom de Deus e não vem de obras para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). Se há, pois, manifestação de boas obras por meio do servo de Deus, isso é consequência imediata e necessária de sua ligação à raiz, que é Cristo. Fora dEle, não podemos absolutamente nada (Jo 15.5). Aliás, quaisquer manifestações de boas obras ou justiças sem ligação direta em Jesus Cristo, não têm valor algum, já sendo totalmente contaminadas por nossa natureza. Assim se manifesta o Senhor por meio do profeta Isaías:




“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Is 64.6) [Ênfase adicionada]




Não há sequer valor em quaisquer obras de justiça que sejam feitas distante do Senhor. Para uma aprimorada compreensão desse texto, há que se relevar que a expressão “trapo de imundícia” refere-se ao absorvente feminino comumente utilizado naquela época, que era um pedaço de tecido. Desse modo, após utilizado, este absorvente tinha mais algum proveito? Não! Servia apenas para conter a hemorragia proveniente do tempo de impureza da mulher e, pasmem, a imundícia foi comparada a nós. Conclui-se, portanto, que as boas obras ou justiças praticadas fora de Cristo, só servem para maquiar, para esconder a iniquidade que participa de nossa natureza pecaminosa (somos como o imundo).