terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Aforismos e poesias: lúcidos devaneios - Apresentação

Introdução/Apresentação

Iniciarei uma série de publicações um pouco diferentes dos temas apologéticos que comumente tenho publicado neste blog, às quais dei o título: "Aforismos e poesias - lúcidos devaneios". Alguns podem até pensar, conforme já consignado em comentários postados neste blog, que eu me dedico interinamente a atacar visão tal, ou modismo tal (sempre que o Senhor me permitir farei estudos relativos a doutrinas estranhas e apostasia), mas a verdade é que também gosto de escrever acerca de outros temas. Quem acompanha o blog desde o início percebe isso. Desse modo, passarei a publicar alguns aforismos e poesias, que se revelam como reflexões da vida, sexo, relacionamentos, dentre outros temas, do ponto de vista humano, sem me ater muito à questão teológica; posso até dizer que alguns parecem ser seculares, mas, mormente, trazem uma mensagem que se coaduna com a Bíblia.

Por ser homem, gosto de escrever textos por meio da minha interpretação humana da vida. É evidente que, quando estou diante de uma análise bíblica, busco esvaziar-me de mim mesmo para que a revelação do Espírito seja plena. Tais textos, deixo claro, em regra não revelam questões doutinárias ou teológicas, por isso, servem apenas para reflexão, não devendo ser considerados como doutrina...

Um grande abraço a todos que acompanham este espaço e a paz do Senhor!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Maldição do Apóstolo Paulo





Vivemos em um tempo onde o evangelho místico do terror tem sido propagado de forma tão intensa que, às vezes, nos faz necessário usar o próprio fundamento bíblico, por meio da metodologia do pavor, para tentar fazer com que alguns, pelo menos, tenham temor antes de distorcer as verdades centrais e indiscutíveis da Palavra de Deus.

Desse modo, gostaria de chamar a sua atenção, caro leitor, de que há quase dois mil anos, um homem chamado Saulo, de Tarso, conhecido entre os gentios como Paulo, lançou uma terrível maldição, da qual, nem mesmo Tutancâmon, ou qualquer outra deidade egípcia, seria capaz de deter, ou de superá-la. Essa maldição, falo com propriedade, é irremediável, a não ser que haja um genuíno arrependimento dispare de qualquer atuação teatral, mormente apresentada por um fariseu (Mt 5.20).

“Mas o que você está dizendo, Jordanny? Uma maldição lançada pelo apóstolo Paulo?” Eu devo até me corrigir: não seria, necessariamente, lançada, mas sim profetizada. Entretanto, pior do que ser lançada por ele é ser profetizada por ele, ao passo que importa em um decreto divino imutável, tal como todo o teor de Sua Palavra (1Pe 1.24) e digno de consideração (Rm 11.22). Essa maldição, por sua vez, revela-se como uma teia tecida pelo orgulho, vaidade, soberba e engano, sendo tão perigosa que chega a fazer o amaldiçoado acreditar veementemente na sua própria mentira (2Tm 3.1-13).

Essa maldição não limita, evidentemente, o agir de Deus; mas os que foram amaldiçoados com ela, não inescusáveis diante de Deus, mesmo quando, em Seu nome, operam sinais e maravilhas. Aliás, gosto de lembrar não são os dons prodigiosos do Espírito que autenticam o caráter do verdadeiro cristão, mas sim o fruto do Espírito (Gl 5.22,23).

Essa maldição é pior do que a “maldição hereditária”, tão divulgada pelos “mestres da fé na fé”, pois está fundamentada em uma mentira que se revela poderosamente terrível, vez que tem forte aparência de verdade. O incrível é perceber que os amaldiçoados acreditam que realmente são benditos, os quais rogam, declaram, decretam e “profetizam” para si bênçãos e mais bênçãos, crendo poderem determinar o próprio agir e a vontade de Deus. Esses ressuscitam a lei e matam a graça; falam do amor, mas vivem de modo dissonante, segundo seus interesses, alimentando, dia após dia, as duas filhas da sanguessuga (Pv 30.15).

Mas de que maldição se trata? Façamos, pois, a leitura do seguinte texto:

(Gl 1.6-9) - Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

Essa ameaça não deve passar despercebida. Entretanto, o que a maioria dos fraudadores da Palavra fazem é apagar esse trecho de suas Bíblias e apegarem-se ao apelo material, emocional e psicológico a fim de formularem um número expressivo de ouvintes e fãs, que, na maioria, cegos pelo desejo egolátrico, acabam sendo seduzidos para a teia de aranha, crendo ser o verdadeiro evangelho.

O que me deixa de cabelo em pé, não são tão somente as palavras de Paulo, mas a maldição vindoura que será proferida pelo Mestre Jesus Cristo:

(Mt 7.15,21-23) - Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Lembre-se, pregar um evangelho em dissonância da Palavra da Verdade é o mesmo que praticar a iniquidade! Tornemos, no tempo chamado Hoje, para os rudimentos fundamentais do verdadeiro evangelho de Cristo! Que o Senhor nos livre das cadeias da maldição; que o Senhor nos dê temor para pregarmos a Sua Palavra com ousadia e autenticidade!

A paz do Senhor a todos!
Jordanny Silva

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Como amo a meu Deus!!!

Esta é apenas uma declaração de amor... Quanta Graça foi derramada sobre a minha vida, mesmo diante de tanta indignidade da minha parte... Quanto amor foi demonstrado por mim... O que dizer? Apenas me vejo constrangido... Percebo o toque de suas mãos em cada momento da minha existência, me moldando e construindo conforme o Teu propósito... As dores e aflições; as tribulações e tristezas; tudo vem de Ti para que eu seja formado e criado à estatura de Cristo... Por que tanto amor por alguém tão imperfeito? Por que tanta Graça derramada para alguém tão fraco e falho? Por isso eu Te amo... Porque Você, óh Deus, me amou primeiro... Te amo, de todo o meu coração!!! Nunca afaste o calor do Teu amor da minha vida... Mais que tudo neste mundo, dependo de Ti!
Jordanny Silva

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Atos proféticos: Comando a Deus com uma invenção humana?




Atos proféticos: Comando a Deus com uma invenção humana?

                        A febre da apostasia alcança proporções cada vez maiores. Afastar-se da fé bíblica já não significa tornar-se um ateu existencialista, que decreta, por meio do niilismo, a morte de Deus. Distanciar-se da fé bíblica, atualmente, significa muito mais abraçar-se a uma espiritualidade que roga para si (ou pelo menos pretende) uma identidade cristã, muitas das vezes até evangélica. É o evangelho místico, idolátrico e revestido de fábulas, que alcança territórios cada vez mais amplos dentro das igrejas. Não obstante, recebi a notícia, por meio do amigo Renan, da existência de um livro que, segundo o autor, se revela uma apologia neopentecostalista, buscando defender um de seus maiores ritos idolátricos, amplamente conhecidos como “atos proféticos”.

                        Já abordei um pouco acerca deste tema em análise a uma das “liturgias” mais divulgadas por quase a totalidade das igrejas que são adeptas ao “modelo celular”. Na série “Análise do Encontro: é tremendo!”, mais especificamente na parte “12b” intitulada “Mais aberrações: A unção da água”, trato superficialmente acerca do conteúdo de idolatria e da desestruturação do conceito bíblico de Fé que tal “ato profético” revela. Entretanto, na presente oportunidade, gostaria de tecer algumas considerações acerca da defesa que o “paipóstolo” Renê Terra Nova, em mais uma de suas aberrações e distorções doutrinárias, apresenta por meio do livro: “Atos proféticos: Comando de Deus ou invenção humana?”.

                        É evidente que não empreenderei esforços para comentar todo o livro, uma vez que vários dos textos que já publiquei, revelam uma visão mais ampla acerca do assunto; devendo, pois, o leitor, antes de desferir qualquer ataque a minha pessoa, conhecer, a fundo, as ideias apresentadas nesse blog, julgando se estão, ou não, em conformidade com a inerrante Palavra de Deus (Jo 7.24). Assim, buscaremos discorrer acerca do que é, efetivamente, o “ato profético”; se a Palavra retrata algum “ato profético”; se os “atos proféticos” adotados pelas igrejas neopentecostais têm respaldo bíblico; se há aplicabilidade neotestamentária dos “atos proféticos”; eventuais problemas na adoção dessa nova “doutrina”, pela igreja.

                        Apresentada essa breve introdução. Passemos a uma rápida análise do tema “atos proféticos”, valendo-nos do mais confiável livro de consulta a respostas da humanidade: a Bíblia Sagrada.

CONCEITO NEOPENTECOSTALISTA DOS ATOS PROFÉTICOS

                        Segundo o “paipóstolo” Renê Terra Nova, Ato Profético é:

“uma expressão, uma atitude visível da Igreja que tem uma referência e um respaldo no mundo espiritual. Digo que o ato profético é uma mensagem enviada ao reino do espírito que ratifica a ação da fé e da Palavra.[1] (Grifos nossos)

                        Ainda, seguindo orientação do mesmo livro, os “atos proféticos” são executados com os seguintes propósitos:

“...uma conquista inimaginável, pois estamos entrando numa linguagem  espiritual:  conquistando  no  mundo espiritual as bênçãos para o mundo físico. (... ) melhorar a atuação da Igreja na conquista de territórios e impedir tantos contra-ataques que assolam o nosso povo. (...) Cada pessoa que possuir este material estará apto para que, de forma bíblica, alcance a bênção que o Senhor tem preparado tanto indi­vidual quanto coletivamente.”[2]
“enviar mensagens para o reino do espíri­to de forma responsável, bíblica e fundamentalmente teológica”[3]
“Os atos proféticos são uma ferramenta de Deus para impedir que sejamos apanhados de surpresa. Na verdade, é uma chamada de Deus para não permitirmos que o diabo adentre no nosso arraial.”[4]
“Os atos proféticos são uma ação no mundo espiritual que se torna fator determi­nante para a posse de novos territórios. (...) A realização desses atos emite mensagem no mundo espiritual, imobilizando a atuação do diabo e desatando a ação da igreja.”[5] (Grifo nosso)

UMA VISÃO BÍBLICA ACERCA DOS ATOS PROFÉTICOS

                        Bem, tratar do conceito dos “atos proféticos” é buscar, antes de tudo, a definição semântica inserta na própria terminologia. Assim, “ato profético” vem a significar, literalmente, “ato de profeta”. Ou seja, é um ato praticado por um profeta. Não podemos, também, dizer que quaisquer atos praticados por um profeta alcançam o significado essencial da terminologia, ora conceituada. Do contrário, o próprio fato de um profeta dormir ou realizar quaisquer outras de suas necessidades fisiológicas já seriam atos proféticos. Assim, faz-se necessário delimitar o conceito a fim de se alcançar uma visão mais apurada do que poderá ser chamado de “ato profético”. Logo, buscando uma conceituação mais aprimorada, podemos dizer que “ato profético” é a “ação executada por um profeta, com a finalidade de exprimir a vontade, a palavra ou mesmo o agir de Deus, no presente, passado ou porvir”. Essa definição, evidentemente, será melhor traduzida no decorrer desse estudo.

                        Seguindo, ainda, a lógica dessa definição, não há como compreender, pois, o que é um “ato profético” sem antes entender as características do ministério profético no Velho e no Novo Testamento. Conseqüentemente, a grande questão que surge para aqueles que não estão muito acostumados com a leitura e entendimentos bíblicos, é a seguinte: há diferença entre o ministério profético do Velho e do Novo Testamento? Essa resposta quem nos dá, primeiramente, é o próprio Cristo:

(Mt 11.13) - Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.
(Lc 16.16) - A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele. (Ênfase adicionada)

                        O ministério profético do Antigo Testamento tem como finalidade principal a preparação da humanidade, em especial, do povo de Israel, para a manifestação de Cristo. Isso porque o clímax da revelação se cumpre em Jesus. Nesse sentido o apóstolo dos gentios nos diz que “vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4). O fato de Paulo denominar aquele momento como “a plenitude dos tempos”, está no reconhecimento que, por meio de Cristo e dos apóstolos, a revelação de Deus, dada aos profetas veterotestamentários, alcança seu ápice.

                        É evidente que o ministério profético na Antiga Aliança dispõe-se de outras finalidades, tais como exortar, encorajar, corrigir, direcionar, preparar e consolar o povo de Deus. Vemos isso, por exemplo, por meio de Jeremias, Ezequiel, Malaquias, Oséias e tantos outros. Contudo, cumprida a finalidade precípua do Antigo Testamento, que é a revelação do Filho de Deus, há uma modificação expressiva no modus operandi do Espírito. A própria linguagem profética comum da Antiga Aliança, revela características não presentes na Nova Aliança. Vemos no Velho Testamento, por exemplo, expressões como: “Veio a Palavra do Senhor...” (Gn 15.1; 1Sm 15.10; 2Sm 7.4; 2Sm 24.11; 1Rs 6.11; 13.20; 16.1; 21.17; Is 38.4; Jr 1.4; 2.1; Ez 1.3; Jn 1.1; Mq 1.1; Sf 1.1; Ag 1.1; Zc 1.1; 7.8 etc). Vemos, outrossim, a mensagem profética do Antigo Pacto por meio dos ritos sacerdotais e até mesmo das festas e comemorações do povo hebreu, as quais, em sua grande maioria, apontam para a obra redentora do Mestre (Ex 12; Lv 1; etc.). O que não acontece no Novo Testamento.

                        Desse modo, percebe-se que na Nova Aliança a mensagem profética é mais acessível e, apesar de revelar diferença na forma, a inspiração continua sendo divina, por meio do Espírito Santo (At 20.22,23). Observando o comentário de Ezequias Soares, à revista Lições Bíblica, editada pela CPAD, aprendemos o seguinte:

A revelação que os apóstolos receberam era superior a que foi dada aos patriarcas, reis, sábios, sacerdotes e profetas do Antigo Testamento (2Co 3.5-11). Isso porque os apóstolos viveram o clímax da revelação em Jesus (Hb 1.1) e desfrutaram da dimensão do Espírito Santo em uma época em que sua atuação não era mais esporádica, mas plena e abundante”[6]

                        A conclusão disso tudo é que, no Novo Testamento, já não se fazem necessários a maioria dos ritos sacerdotais, legais e proféticos contidos no Velho Testamento. Este fato se explica na manifestação do Filho de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). O próprio escritor aos Hebreus nos lança luz a essa questão:

(Hb 8.4-13) - Ora, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei, os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou. Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para a segunda. Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança, não segundo a aliança que fiz com seus pais No dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquela minha aliança, Eu para eles não atentei, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo; e não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Porque serei misericordioso para com suas iniqüidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais. Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar. (Grifos nossos)

                        Vemos no texto acima que o próprio rito sacerdotal é apenas uma sombra do que a nós foi revelado. Ora, se é uma sombra, a partir do momento que nos são revelados os mistérios de Deus, que é a manifestação de Cristo, não há mais necessidade da prática de tais ritos como regra litúrgica, nem mesmo como princípio. Nesse mesmo sentido, o doutor dos gentios nos dá a seguinte lição:

(2Co 3.9-18) - Porque, se o ministério da condenação[7] foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça. Porque também o que foi glorificado nesta parte não foi glorificado, por causa desta excelente glória. Porque, se o que era transitório[8] foi para glória, muito mais é em glória o que permanece. Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim daquilo que era transitório. Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido; e até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor. (Grifos nossos)

                        A Palavra nos informa, pois, que a consecução das ordenanças ritualísticas do Antigo Testamento, bem como dos “atos proféticos” ali encontrados, não alcançam mais respaldo bíblico, tampouco, qualquer utilidade no tempo da Graça, ou “plenitude dos tempos”. Agir de modo diferente é reerguer o véu que já foi rasgado pela morte redentora de Cristo. Ainda, no mesmo sentido, nos assevera Paulo:

(Gl 3.1,2) - Ó INSENSATOS gálatas! quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?

                        Ater-me-ei, inicialmente, nestes dois versos que Paulo escreveu à igreja da Galácia, para demonstrar a diferença dos tempos proféticos do Antigo Testamento e do Novo Testamento. Paulo inicia sua exortação chamando os gálatas de insensatos. Porém, qual era o motivo de o apóstolo ser tão duro com as palavras àquela igreja? A razão era simples: esquecendo-se da obra redentora de Cristo, que põe fim ao sistema ritualístico sacerdotal e profético do Antigo Pacto, os cristãos gálatas retornaram a prática das obras da lei, abandonando a pregação da fé. E o que seria abandonar a pregação da fé? Abandonar a pregação da fé é novamente aliar-se aos ritos propagados pela Antiga Aliança. No caso da igreja da Galácia, alguns crentes hebreus estavam obrigando gentios a circuncidarem-se (já pensou se nós começássemos a adotar a circuncisão com mais um “ato profético”?). Paulo se ira diante de tal situação, chegando a admirar-se do fato de tais cristãos terem “passado tão depressa daquele que vos chamou à Graça de Cristo, para outro evangelho”. E continua seu discurso dizendo: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl 1.8).

                        Tais afirmações do apóstolo dos gentios são suficientes para me deixar de “orelhas em pé” quando vejo um novo “mover” se levantando no meio da igreja. Não obstante, nas palavras do “paipóstolo” Renê Terra Nova, vemos os seguinte:

Há muito tempo a Igreja de Jesus vem cami­nhando numa rota que tem assustado alguns líderes, principalmente aqueles de linha teoló­gica mais reservada. Não queremos ofender, tampouco subestimar a convicção doutrinária de nenhum homem de Deus, todavia cremos que a revelação não está fechada, pois recebemos o rhema de Deus. Nesses últimos dias o Senhor trará luz ao entendimento de Sua palavra, e muitas questões que não eram ventiladas tomar-se-ão comuns no ensino das igre­jas bereanas.[9] (Grifo nosso)

                        Se nós estamos diante de uma “visão” que diz que a revelação não está fechada, significa, para essa “visão”, que a Bíblia já não é suficiente e que precisa ser complementada. Logo em seguida, Renê Terra Nova nos diz que, nesses últimos dias, ou seja, no nosso tempo presente, “muitas questões que não eram ventiladas tornar-se-ão comuns no ensino das igrejas bereanas”. Onde está o respaldo para tal afirmação? Na Palavra? Creio que não! Os mistérios do Senhor já foram manifestos aos homens, principalmente por meio de Cristo! – isso não significa, entretanto, que não há mais nada a se conhecer em Deus. A Palavra, ao contrário do que assegura Terra Nova, nos adverte que nos últimos dias haveria uma significativa onda de apostasia (1Tm 4.1-4; 2Tm 3.1-5; 4.2,4; 2Ts 2.1-4). Conseqüentemente, qualquer revelação que intente apresentar uma autoridade superior, ou mesmo igual a da Palavra, já é, sem sombra de dúvida, afastamento dos próprios fundamentos da fé, ou seja: apostasia:

(2Co 4.6a) – “E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito...”
(2Pd 1.20,21) – “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (Grifos nossos)

                        Ora, se não devemos ultrapassar o que está escrito, é prudente crer em uma revelação nova, superior àquela que foi dada aos Apóstolos do Cordeiro, como sendo, autenticamente, bíblica? Não! Quanto mais em relação aos famigerados “atos proféticos”, que têm ganhado força e impacto supra-bíblico na vida dos incautos e, às vezes, até idólatras que os adotam como modus operandi do Espírito. Atestam ainda, os propagadores desses novos “moveres”, que tal revelação se trata de um “rhema” de Deus dado a eles. Há validade para essa afirmação? É evidente que também não! Isso porque, como nos exorta o apóstolo Pedro no texto bíblico citado acima, a interpretação bíblica não é subjetiva (particular), mas sim objetiva. Na verdade, acerca do que tem sido ventilado no meio da igreja pós-moderna, Paulo nos adverte para “que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”. Talvez seja por isso que os grandes propagadores desse pseudo-evangelho estão cada vez mais abastados, enriquecendo-se à custa da ignorância daqueles que não conhecem com profundidade, ou negam a eficácia, da Palavra de Deus.

                        Contudo, o impacto que a adoção de tais “moveres” no meio da igreja, é muito mais catastrófico do que se imagina. Primeiramente, vemos, por meio desses “atos proféticos”, a criação de um evangelho místico, desviado da Verdade (2Tm 4.4), baseado em fábulas, que alcança um poder extremamente emocional, e pouco espiritual (1Co 2.14,15); ou seja, sem profundidade e fundamento na inerrante Palavra de Deus. Não nos surpreende, pois, o fato de o apóstolo dos gentios exortar a Timóteo para que rejeite “as fábulas profanas e de velhas” exercitando-se na piedade (2Tm 4.7).

                        Em segundo lugar, vemos o aspecto idolátrico que a adoção de tais “fábulas” gera em nosso meio. Percebe-se isso ao observar atentamente o efeito que a execução de “atos proféticos” e a utilização de “pontos de contato”, causa nas pessoas. Algumas, para alcançar determinado nível de espiritualidade, ou mesmo alguma bênção, precisam ir a diversas campanhas onde, naqueles lugares, tocarão no “manto sagrado”, comprarão a “rosa ungida”, passarão pela “porta da esperança” ou serão ungidos com a “água do rio Jordão”. Agora, troque estes elementos ou objetos por imagens de escultura e você compreenderá o teor de idolatria que acompanham tais invencionices. Vale lembrar que, por trás dos ídolos há demônios (1Co 10.19,20).

                        Os “atos proféticos”, segundo os “mestres da fé”, representam “pontos de contato”; estes “pontos de contato” são, por sua vez, facilitadores da fé. Ou seja, a pessoa que sente dificuldade em ter fé, se vale de algo que é palpável no mundo físico para tornar mais acessível esse dom. Entretanto, ao contrário do que se é propagado por meio desses “atos proféticos”, a fé bíblica está estabelecida e fundamentada não no que nós vemos ou tocamos (Hb 11.1). A fé genuinamente bíblica está firmada no que não vemos, uma vez que o que vemos é temporal e o que não vemos é eterno (2Co 4.18).

                        Percebe-se, ainda, que a tentativa de se criar uma dependência física para o mundo espiritual, é inserir dentro da igreja uma doutrina sensorial e ilusória. Normalmente encontramos tais características nas religiões pagãs, as quais se dizem dependentes do mundo físico para a movimentação do reino espiritual; é por isso que vemos tantos pactos com sacrifício de animais, dentre outros, que, segundo tais crédulos, selam algo no mundo espiritual. Em relação a isso, percebemos que os ritos veterotestamentários não tinham o poder de movimentar o reino espiritual, mas apontavam principalmente e, como já asseverado anteriormente, para a obra redentora de Cristo. Logo, a adoção desses “atos proféticos” no tempo da graça, revela um movimento de cunho muito mais emocional e psíquico do que realmente espiritual. Digo que é muito mais emocional pelo fato de que Deus, pela Sua soberana misericórdia, pode atuar realizando curas e milagres por meio de tais “atos”; como podemos ver na Palavra:

(At 19.11,12) - E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam.

                        Fiz questão de citar o texto acima visto ser um dos preferidos dos defensores da utilização dos “pontos de contato” como facilitador da fé. Em uma leitura superficial poder-se-ia afirmar que Paulo incentivava os cristãos a levarem seus lenços e aventais para operação de milagres. Contudo, observando-se mais atentamente, a Palavra não informa que o doutor dos gentios incentivou, tampouco, ratificou tais ações. Vemos, ao contrário disso, em Listra, ao curarem um enfermo pelo nome de Jesus, muitos clamam a Paulo e Barnabé como deuses, pelo que, rasgando suas vestes, nos deixam uma mensagem de completa humildade e uma lição que busca afastar da pregação do evangelho qualquer tipo de idolatria, tendo como recompensa de sua pregação, ao invés do reconhecimento de seu apostolado, um quase sacrifício público, seguido de um apedrejamento (At 14.6-20). Entretanto, para compreendermos melhor a forma adequada de se interpretar a Palavra, valho-me de um texto que deixei consignado na apostila “Análise do Encontro”, para rápida meditação:

Toda a Bíblia é inspirada por Deus, isso é um fato incontestável! Entretanto, dentro da inspiração divina, nós, didaticamente, podemos sistematizar a fim de descobrirmos as diferentes formas textuais empregadas na Palavra. Poderemos, assim, dividir os tipos de inspiração, basicamente, em cinco: 1) Inspiração principiológica; 2) Inspiração mandamental; 3) Inspiração profética; 4) Inspiração promissiva ou promissória; e 5) Inspiração descritiva. Qual a necessidade de compreendermos cada uma dessas formas de inspiração? Na verdade, caro ledor, a imprescindibilidade de se entender cada uma dessas formas de inspiração queda-se na necessidade de sabermos diferenciar o momento em que o Senhor nos revela, em Sua Palavra, um princípio, preceito, profecia, promessa ou quando apenas nos descreve um fato que ocorreu.

Mas, voltando à compreensão de cada uma das formas de inspiração, a primeira delas é a Principiológica. Sabemos que a Bíblia é um livro constituído de diversos princípios. Esses princípios assumem a tarefa de preencher algumas lacunas não tratadas por mandamentos. Exatamente isso! Por exemplo, percebemos que a Bíblia, explicitamente, não condena o ato de uma pessoa fumar. Entretanto, seguindo um princípio bíblico de que o nosso corpo é templo do Espírito Santo (1Co 3.16,17), não podemos destruí-lo por meio dos vícios e de práticas não saudáveis. Isso é um princípio bíblico. Perceba que não há um mandamento explícito dizendo: não fumarás; ou não te drogarás. Desse modo, algumas atitudes nossas serão albergadas por princípios bíblicos. Ainda em relação aos princípios bíblicos, em Gálatas 5.19-21, Paulo nos traz uma lista enorme das obras da carne, mas não encerra a lista ali; pelo contrário, o apóstolo finaliza dizendo “e coisas semelhantes a essas”; ou seja, tudo que se assemelha àquilo que ele diz são obras da carne, princípios que não devem ser quebrados.

Em seguida nós temos a Inspiração Mandamental, em sentido restrito. Dentre os mandamentos nós podemos citar o decálogo (Êx 20.3-17). Também temos a reafirmação do mandamento supremo pelo Senhor Jesus (Mt 22.37-39; Mc 12.29-31; Lc 10.27). Na verdade a Inspiração Mandamental, latu senso, trata dos preceitos divinos, mandamentos e princípios divinos. Apenas separei para fins didáticos.

Dando continuidade, temos também a Inspiração Profética. É sabido que a Bíblia é composta de aproximadamente 1/3 de profecias. A profecia, apesar de não estar acima dos mandamentos e dos princípios, é de suma importância, pois corrobora e sustenta a autenticidade e infalibilidade da Palavra. Perceba que as profecias bíblicas têm se cumprido com 100% de precisão. Logo, a profecia torna toda a humanidade inescusável, diante do descaso para com a mesma.

Logo mais, nós temos a Inspiração Promissiva ou Promissória. Grande parte do texto sagrado é constituída de promessas. As promessas, em diversos momentos, estão fundidas às profecias. Entretanto, as promessas são bênçãos sobrenaturais que o Senhor, a nós, tem preparado. As promessas não podem ser o motivo precípuo de seguirmos ao Senhor, senão adentraremos em um fundamento hedonista, que tão somente serve a Deus pelos benefícios futuros que serão alcançados. Devemos servir ao Senhor por amor e com amor. As promessas nos servem de consolo, e corroboram a fidelidade e as misericórdias de Deus para conosco.     

E, por último, chegamos à Inspiração Descritiva. A Palavra de Deus confirma a sua autenticidade quando descreve fatos com detalhes. Isso mesmo! Percebemos que a Bíblia não busca esconder os erros ou equívocos de seus santos. Também não tenta esconder os eventos realizados pelos personagens citados. Quando a Bíblia simplesmente nos conta um fato que aconteceu, nós estamos diante de uma descrição. Por exemplo, o pecado de Saul (1Sm 13) é descrito na Bíblia não com um mandamento, princípio, promessa ou profecia; é apenas descrito. Entretanto, a Inspiração Descritiva, por diversas vezes, tem sido confundida com Inspiração Principiológica ou Mandamental, e é nesse momento que devemos ter cautela. Certa vez, por exemplo, vi alguém dizer que a Bíblia diz que “se a obra é de Deus vai perdurar; se não é de Deus rapidamente vai se extinguir”. Tal afirmação está fundamentada no conselho de Gamaliel (At 5.34-39). Contudo, seria realmente um princípio bíblico essa frase destacada? Com um pouco de raciocínio lógico podemos perceber a falsidade dessa premissa. Por exemplo, sabemos que religiões como o hinduísmo, o budismo, o catolicismo romano ou mesmo o islamismo, já perduram por vários séculos. Se aquela premissa fosse verdadeira, o que confirmaria a autenticidade divina de uma religião seria o tempo. Entretanto, sabemos que nenhuma dessas religiões é verdadeira; e que trazem diversos preceitos pagãos e anti-bíblicos. Você consegue perceber que a Inspiração Descritiva pode ser confundida com os outros tipos de inspiração?[10]

                        Diante de tudo isso, percebemos que o texto descrito em Atos 19.11,12, revela-se como uma descrição de algo que ocorreu no tempo dos apóstolos e que não deve ser, necessariamente, repetido. Não há, pois, incentivo apostólico, tampouco bíblico, para a execução de “atos proféticos” no tempo da Graça.

CONCLUSÃO

                        Diante de um extenuante texto como este, percebe-se que a execução de “atos proféticos” nos dias de hoje, não alcançam qualquer respaldo bíblico. Na verdade, apenas serve para fomentar e criar no meio da igreja uma cultura idolátrica fundamentada em fábulas que afastam os cristãos da compreensão e exercício da fé autenticamente bíblica.

                        Tais “moveres”, por sua vez, são veiculados com um conteúdo de significativo emocionalismo e pouco discernimento, ou seja, pouca espiritualidade (1Co 2.14,15). Não obstante, fica revelado mais uma vez o grau de apostasia que tem corrompido a nossa geração, conforme profetizado no texto sagrado.

                        A você, pastor ou líder, que, ao ser tocado por este texto, decidir deixar de executar estes “atos proféticos” dentro de sua igreja, certamente experimentará um esvaziamento significativo do número de frequentadores. Isso, porém, não pode te desanimar, pois, como assevera a Palavra, o nosso intuito, primordial, deve ser agradar a Deus e não a homens (At 5.29; 1Ts 2.3,4), que buscam apenas alimentar seus desejos idólatras e suas ilusões sensoriais. Por isso, não desista! Ore ao Senhor e não permita que esses novos “moveres” contaminem a sua igreja.

                        Com humildade e em Cristo, no desejo de que esse texto possa edificar alguns corações, eu agradeço a Deus e, com as palavras de Paulo, oro para que sua Igreja permaneça firme, santificada na Palavra da Verdade (Jo 17.17) e irrepreensível até a sua vinda (1Ts 5.23)!

                        A Paz do Senhor a Todos!

Jordanny Silva


[1] NOVA, Renê Terra. Atos proféticos: Comando de Deus ou invenção humana? E-book disponibilizado pelo endereço eletrônico - http://www.mediafire.com/?9adarcapf2c5ld7. Pg. 7.
[2] NOVA, Renê Terra. op. cit. p. 7.
[3] NOVA, Renê Terra. op. cit. p. 8.
[4] NOVA, Renê Terra. op. cit. p. 8.
[5] NOVA, Renê Terra. op. cit. p. 9.
[6] Lições Bíblicas. Jovens e Adultos/Mestre. 3º Trimestre de 2010. O ministério Profético na Bíblia: a voz de Deus na Terra. p. 73.
[7] Conferir Gl 3.19; 1Tm 1.9.
[8] A lei era transitória, assim como todo o Antigo Testamento. O fim da lei, tal como o fim do Velho Testamento, é Cristo (2Co 3.14).
[9] NOVA, Renê Terra. Op. Cit. p. 13.
[10] A apostila “Análise do Encontro” é um trabalho que confeccionei buscando abordar alguns equívocos doutrinários que percebi dentro do Encontro; está disponibilizada para download pelo endereço eletrônico: http://www.4shared.com/document/DtjQRZJ2/UMA_ANLISE_DO_ENCONTRO.html e http://jordannyblog.blogspot.com

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ignorância: A Droga mais Popular


Não fique em terreno plano.
Não suba muito alto.
O mais belo olhar sobre o mundo
Está a meia altura.
(A Sabedoria do mundo, por Friedrich Nietzsche)

Alguns provérbios impõem um grau de veracidade admirável. Quando então um provérbio ditado em versos, construído do e para o ponto de vista humano, confessa a condição mais essencial da humanidade, mórbida por acomodação consuetudinária, torna-se até hilário, apesar de lamentável, olhar para a radiografia do “eu-social” e perceber que a sensação de prazer estabelecido pela ignorância entorpecente é o nosso vício mais profundo: o vício da ilusão...

Ao que se percebe, a análise positivista de Nietzsche representa muito mais sobriedade que a ilusão gerada pelo otimismo moderno. Assim, a sensação de prazer advinda da ilusão do belo criada e inspirada pela mediocridade, encontra guarida e aconchego na maioria de nós. É o gozo da ignorância! A “meia altura”, por sua vez, apesar de não revelar a perfeição, torna inacessível à vista, boa parte da imperfeição (pelo menos aquela que incomoda).

Por outro lado, estar abaixo da mediocridade, é vivenciar e experimentar o gosto amargo produzido pela ignorância. É nesse lugar que se assentam os miseráveis, marginalizados, bastardos, desconhecidos – ou pelo menos esquecidos ou desprezados – e moribundos. Dentre estes, entretanto, há alguns que alvejam subir até a “meia altura”, a fim de receberem uma dose de ilusão, a droga mais cobiçada, propagada, comercializada e consumida pela nossa sociedade; não sabem que esse próprio desejo pela “meia altura” já representa a ação do fluído ilusório, introduzido via venal para que o efeito seja rápido e maquie o sabor do mal degustado.

Cristo, em contrapartida, se revela o único autêntico remédio e tratamento para o vício da ilusão. Ele não veio para condenar o homem, mas para salvar o homem (Jo 3.17) libertando-o das cadeias da ignorância e trazendo-o para iluminação da Verdade, que é a Palavra de Deus (Sl 119.105; Jo 8.32,36; Jo 17.17). Entretanto, a condenação do homem se firma na paixão e amor que ele tem pelo vício da ilusão. Se não, vejamos:


E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. (Jo 3.19)

A ignorância é a ausência de luz, é a escuridão que desperta o vício e a paixão insana e desenfreada dos homens, gerando uma omissão confortável. São essas trevas que entorpecem a mente humana. E, conhecendo o poder vicioso e o prazer que a ignorância opera no homem, o intento satânico destila veneno por meio de sonhos, desejos ardentes e obras que afastam o homem da Verdade absoluta da Palavra de Deus (2Co 4.3,4; 2Ts 2.7-11; Gl 5.19-21). Estes anseios são alimentados pelo alucinógeno da ignorância, trazendo uma sensação de prazer extremamente sensorial.

Contudo, para o homem nascido de novo, a Verdade não se firma nos sentidos físicos e carnais; a Verdade se assenta no que não vemos, por meio da fé (2Co 4.18; Hb 11.1). E essa Verdade, por intermédio da Graça, nos arranca da posição de comodismo e nos compele a viver o chamado para as boas obras (Ef 2.8-10); visto que as boas obras são, inequivocamente, o espírito e a autenticidade da nossa fé (Tg 2.26).

Infelizmente, para o homem carnal, o mais belo e prazeroso olhar sobre o mundo inspira a mediocridade (meia altura) e a ilusão que a droga da ignorância oferece. Mas a Palavra nos ensina a não olharmos o mundo com prazer, como se estivéssemos embriagados com os efeitos alucinógenos do vinho (Ef 5.18), mas por meio do Espírito (1Jo 4.6; 5.6), a fim de discernirmos bem a tudo que está diante de nós (1Co 2.14,15), inclusive a malignidade do mundo (1Jo 5.19; 2.15). A Palavra, portanto, nos convida à sobriedade, à luz da Verdade...


“Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação;” (1Ts 5.6-8).



“Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; (...) e já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração.” (1Pe 1.13; 4.7)


“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.” (1Pe 5.8,9)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Paulo chamado apóstolo ou Paulo, chamado para apóstolo!

Segue um vídeo/áudio do texto já publicado no blog...



A paz do Senhor a todos!