quinta-feira, 29 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 10c


A Fogueira Santa: Pisando o Filho de Deus e Profanando o Sangue

(Hebreus 10:29) - De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?

O texto acima nos faz refletir profundamente acerca do castigo que será sobreposto àqueles que, conhecendo a Verdade, desconsiderarem o sacrifício de Cristo por nossos pecados, aplicando técnicas anti-bíblicas e extra-bíblicas com a finalidade de inovar no campo da espiritualidade. No verso 31 deste capítulo, vemos ainda a seguinte exortação: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo.” Antes de dar continuidade ao presente estudo, devo te conscientizar que não estamos brincando de ser crentes, e que nossas atitudes, por mais aparentemente espirituais que sejam, não nos trazem justificação diante de Deus. Vemos, em Mt 7.15-23, Jesus nos informando acerca de como será o julgamento dos falsos mestres. Para os tais, não há justificativas. Não adianta dizer:

- Mas, Senhor, em teu nome expulsamos demônios; o Senhor não viu no Encontro o processo de libertação? Em Teu nome curamos a alma de diversas pessoas, o Senhor não viu no Encontro a nossa cura interior e a ministração da cruz? Mas, Senhor, eu até confessei pecado por pecado a fim de ser salvo! Senhor, nós fizemos grandes obras. O Senhor não viu o número de pessoas que choravam, e a emoção de cada uma delas?

Entretanto, a resposta do Bom Mestre será a seguinte:

(Mateus 7:23) - E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Dito isso, passemos a análise seguinte a fim de percebermos em quais pontos estamos pisando o Filho de Deus e profanando o Seu sangue. Façamos leitura do texto abaixo, extraído da apostila:

O ministrador deverá pedir que os encontristas escrevam tudo o que o Espírito Santo os lembrar sobre acontecimentos ruins, pecados, traumas, etc. em uma folha de papel, que será queimada na fogueira, exemplificando o mesmo acontecimento no livro de Atos dos Apóstolos (At. 19:19). Após escrever, todos devem caminhar rumo à fogueira.

Chegamos um dos pontos cruciais do Encontro. Após a utilização de técnicas ocultistas para levar as pessoas a um estágio emocional bastante peculiar, bem como a um comportamento frenético, o ministro traz uma lista de pecados para ser preenchida, ou pede para que os participantes do Encontro escrevam seus pecados em uma folha de papel. Em seguida, todos são dirigidos a um local, previamente preparado, onde está erguida uma cruz junto com uma fogueira. Nesse momento, a fogueira é acesa e todos são convidados a lançarem aquele papel, juntamente com quaisquer objetos, dentro do fogo. Essa prática, segundo os criadores do Encontro, está fundamentada na Bíblia, no famigerado texto descrito em Atos 19.19. Para compreendermos melhor este texto é necessário fazermos a leitura do mesmo:

(Atos 19:19) - Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata.

Para compreendermos este texto, antes de tudo, é necessário entendermos um pouco mais da Bíblia. Toda a Bíblia é inspirada por Deus, isso é um fato incontestável! Entretanto, dentro da inspiração divina, nós, didaticamente, podemos sistematizar a fim de descobrirmos as diferentes formas textuais empregadas na Palavra. Poderemos, assim, dividir os tipos de inspiração, basicamente, em cinco: 1) Inspiração principiológica; 2) Inspiração mandamental; 3) Inspiração profética; 4) Inspiração promissiva ou promissória; e 5) Inspiração descritiva. Qual a necessidade de compreendermos cada uma dessas formas de inspiração? Na verdade, caro ledor, a imprescindibilidade de se entender cada uma dessas formas de inspiração queda-se na necessidade de sabermos diferenciar o momento em que o Senhor nos revela, em Sua Palavra, um princípio, preceito, profecia, promessa ou quando apenas nos descreve um fato que ocorreu.

Mas, voltando à compreensão de cada uma das formas de inspiração, a primeira delas é a Principiológica. Sabemos que a Bíblia é um livro constituído de diversos princípios. Esses princípios assumem a tarefa de preencher algumas lacunas não tratadas por mandamentos. Exatamente isso! Por exemplo, percebemos que a Bíblia, explicitamente, não condena o ato de uma pessoa fumar. Entretanto, seguindo um princípio bíblico de que o nosso corpo é templo do Espírito Santo (1Co 3.16,17), não podemos destruí-lo por meio dos vícios e de práticas não saudáveis. Isso é um princípio bíblico. Perceba que não há um mandamento explícito dizendo: não fumarás; ou não te drogarás. Desse modo, algumas atitudes nossas serão albergadas por princípios bíblicos. Ainda em relação aos princípios bíblicos, em Gálatas 5.19-21, Paulo nos traz uma lista enorme das obras da carne, mas não encerra a lista ali; pelo contrário, o apóstolo finaliza dizendo “e coisas semelhantes a essas”; ou seja, tudo que se assemelha àquilo que ele diz são obras da carne, princípios que não devem ser quebrados.

Em seguida nós temos a Inspiração Mandamental, em sentido restrito. Dentre os mandamentos nós podemos citar o decálogo (Êx 20.3-17). Também temos a reafirmação do mandamento supremo pelo Senhor Jesus (Mt 22.37-39; Mc 12.29-31; Lc 10.27). Na verdade a Inspiração Mandamental, latu senso, trata dos preceitos divinos, mandamentos e princípios divinos. Apenas separei para fins didáticos.

Dando continuidade, temos também a Inspiração Profética. É sabido que a Bíblia é composta de aproximadamente 1/3 de profecias. A profecia, apesar de não estar acima dos mandamentos e dos princípios, é de suma importância, pois corrobora e sustenta a autenticidade e infalibilidade da Palavra. Perceba que as profecias bíblicas têm se cumprido com 100% de precisão. Logo, a profecia torna toda a humanidade inescusável, diante do descaso para com a mesma.

Logo mais, nós temos a Inspiração Promissiva ou Promissória. Grande parte do texto sagrado é constituída de promessas. As promessas, em diversos momentos, estão fundidas às profecias. Entretanto, as promessas são bênçãos sobrenaturais que o Senhor, a nós, tem preparado. As promessas não podem ser o motivo precípuo de seguirmos ao Senhor, senão adentraremos em um fundamento hedonista, que tão somente serve a Deus pelos benefícios futuros que serão alcançados. Devemos servir ao Senhor por amor e com amor. As promessas nos servem de consolo, e corroboram a fidelidade e as misericórdias de Deus para conosco.

E, por último, chegamos à Inspiração Descritiva. A Palavra de Deus confirma a sua autenticidade quando descreve fatos com detalhes. Isso mesmo! Percebemos que a Bíblia não busca esconder os erros ou equívocos de seus santos. Também não tenta esconder os eventos realizados pelos personagens citados. Quando a Bíblia simplesmente nos conta um fato que aconteceu, nós estamos diante de uma descrição. Por exemplo, o pecado de Saul (1Sm 13) é descrito na Bíblia não com um mandamento, princípio, promessa ou profecia; é apenas descrito. Entretanto, a Inspiração Descritiva, por diversas vezes, tem sido confundida com Inspiração Principiológica ou Mandamental, e é nesse momento que devemos ter cautela. Certa vez, por exemplo, vi alguém dizer que a Bíblia diz que “se a obra é de Deus vai perdurar; se não é de Deus rapidamente vai se extinguir”. Tal afirmação está fundamentada no conselho de Gamaliel (At 5.34-39). Contudo, seria realmente um princípio bíblico essa frase destacada? Com um pouco de raciocínio lógico podemos perceber a falsidade dessa premissa. Por exemplo, sabemos que religiões como o hinduísmo, o budismo, o catolicismo romano ou mesmo o islamismo, já perduram por vários séculos. Se aquela premissa fosse verdadeira, o que confirmaria a autenticidade divina de uma religião seria o tempo. Entretanto, sabemos que nenhuma dessas religiões é verdadeira; e que trazem diversos preceitos pagãos e anti-bíblicos. Você consegue perceber que a Inspiração Descritiva pode ser confundida com os outros tipos de inspiração? Entendido isso, passemos à análise do texto que, segundo os criadores do Encontro, fundamenta a utilização da fogueira:

(Atos 19:19) - Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata.

O contexto a que se refere esse versículo bíblico nos remete à pregação de Paulo, pelo Espírito, em Éfeso. Diversas maravilhas aconteceram naqueles dias. A Palavra nos informa acerca das conversões que se davam após o convencimento e pelo poder do Espírito Santo sobre a vida do apóstolo. Em seguida, alguns que haviam se convertido, juntam seus apetrechos que tinham relação com a magia, bem como livros e, sem qualquer tipo de ordem apostólica ou episcopal, queimavam na presença de todos. Entretanto, eu queria que você notasse o seguinte: primeiramente, não há um mandamento ou ordem para que eles queimem aqueles objetos; segundo, não há uma confissão no ato de queimar os objetos (tal como proposto pelo Encontro), pelo contrário, a confissão é anterior àquele ato, e não simultâneo (At 19.18); em terceiro lugar, não há a apresentação de um “ato profético” ao queimar aqueles pertences, veja que eles simplesmente queimavam sem qualquer cerimônia ritualística.

Diante disso, percebemos que o ato de queimar os pertences não é um preceito bíblico, tampouco profético. Nesse caso, a Bíblia apenas descreve algo que os novos convertidos de Éfeso decidiram fazer espontaneamente. Percebe-se, ainda, que tal feito não é repetido em nenhum outro lugar da Bíblia, o que corrobora a afirmação de que não se trata de um preceito, ou mesmo “ato profético”. Contudo, devemos nos aprofundar na análise para percebemos o grau do erro que temos cometido ao repetirmos, liturgicamente, este ato.

Vejamos o que é realizado logo em seguida, no Encontro:

O ministrador deverá também informar que peças de roupa que tenham símbolos da Nova Era, cartas de pessoas com quem tiveram relacionamento ilícito, presentes de origem ilícita, CDs mundanos, crucifixos, revistas pornográficas, cigarros, preservativos (jovens solteiros) e todos os objetos que se relacionam com algum pecado, devem ser queimados. As pessoas podem ir ao dormitório pegar os objetos para que sejam destruídos. Todo argumento de Satanás deverá ser anulado.
Diga-lhes que Deus já os perdoou, e que devem pegar o papel, bem como os objetos, e queimá-los na fogueira, testificando que renunciam a tudo isso e ao que significam. (Grifo nosso)



Fiz questão se sublinhar as seguintes frases “Todo argumento de Satanás deverá ser anulado” e “...testificando que renunciam a tudo isso e ao que significam”. Desse modo, para compreendermos onde reside o equívoco de tal ato profético, inicio com as seguintes perguntas: o que testifica a nossa salvação? Seriam palavras de efeito? Vejamos alguns textos bíblicos que nos traz a resposta a tudo isso:

(Rm 8.16) - O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
(1Jo 5.6-8) - Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade. Porque três são os que testificam [no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra:] o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num. (Grifos nossos)

O ato de queimarmos objetos em uma fogueira não testifica absolutamente nada. Biblicamente, não há sequer o dever de se queimar tudo publicamente a fim de testificar algo. Ao comungarmos com tal ato profético, trazemos confusão à mente de muitos. E, ao mesmo tempo, indiretamente, substituímos o testemunho do Espírito, que é interior, por um rito não ordenado pela Escritura. Quem testifica a completa obra da salvação nas nossas vidas é o Espírito, e a água e o sangue. É evidente que o Espírito recebe, por diversas vezes, a figura do fogo, visto que Ele é juízo. Mas este fogo é uma representação figurativa, no âmbito material, e real no âmbito espiritual. Logo, tal rito, indiretamente, tenta substituir, de forma confusa, a obra imaterial do Senhor Jesus Cristo em nossas vidas, construindo um ritual estranho e não ordenado.

Para se ter uma idéia do grau de confusão que esse tipo de ritual cria, no primeiro Encontro realizado por nossa igreja, um jovem, no momento desse estranho “ato profético” da fogueira, se viu aparentemente possesso por um espírito maligno. Segundo alguns dos obreiros que organizavam esse Encontro, esse jovem só seria liberto se jogasse um colar, que era um ponto de legalidade demoníaca em sua vida, no fogo. O incrível é que, mesmo depois de todo esse RITUAL DO FOGO, esse jovem continuou fora da igreja, demonstrando eficácia zero às invencionices humanas. Tudo isso, aparenta-se mais a um tipo maquiado de idolatria onde queimamos tais objetos sob o credo de que seremos libertos e que não haverá mais argumentos do diabo sobre nossas vidas. Qualquer semelhança com os rituais apresentados a Moloque, desde os tempos antigos, não seria mera coincidência, não é mesmo? Se dependermos de um ritual desse nível para cancelarmos os argumentos do diabo sobre nossas vidas, ou mesmo para testificar a nossa libertação, então criamos um novo tipo de deus, que atua de conformidade com ritos executados segundo a nossa criatividade.

A pergunta que surge em meu interior é a seguinte: onde fica o sangue de Cristo nessa história? Qual a validade de Seu sacrifício por nós? Aliás, Seu sacrifício precisa ser ratificado por meio de uma prática ritualística que tem semelhança com diversos cultos pagãos? Com esse tipo de evangelho, onde iremos parar? Na verdade, como somos coniventes com isso tudo, pisamos no Filho de Deus e profanamos o Sangue de Cristo. É o Sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7). O Espírito é quem testifica em nós que não há mais condenação sobre nossas vidas (Rm 8.1).

A semelhança dos hebreus que buscam, ainda hoje, suprir o sangue de Cristo por meio de sacrifícios e oblações, quando nos vinculamos a tais rituais somos muito mais culpados de tal pecado. Vejamos o que trata o texto escrito aos Hebreus:

(Hb 10.1-29) - PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados. Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade. Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez. E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados; mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados. E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito: Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seus corações, E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta: E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado. Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários. Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas. De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?

Ao reinventarmos rituais e “atos proféticos”, passamos a reconstruir o que Jesus derrubou. Como diz em uma canção do João Alexandre “re-costuramos o véu que a Cruz já rasgou”. Tais rituais e sacrifícios buscam diminuir a eficácia da oblação oferecida por nossos pecados, no Filho de Deus. E a adoção de rituais, e símbolos judaizantes sob a alegação de serem “atos proféticos”, profana o precioso Sangue de Cristo. O próprio texto acima nos diz: “Ora, onde há remissão destes [dos filhos de Deus], não há mais oblação pelo pecado” (v. 18). Quando se fala de oblação, está tratando de quaisquer ritos que buscam, ainda que inconscientemente, substituir o que é conquistado, pela fé, por algo palpável, como é o caso desses diversos “atos proféticos”. Ora a fé é, por natureza, invisível e intocável, logo, o ato profético descaracteriza o próprio conceito bíblico de fé. Consequentemente, “ato profético” não é fé. E fé não vem acompanhada de algo que eu possa tocar ou mesmo ver. O conceito bíblico de fé não nos dá espaço para tais invencionices. E, como dito antes, tais invenções buscam, se não eliminar, pelo menos, diminuir a eficácia do Sangue de Cristo.

O ritual de remissão pelos nossos pecados foi único (v. 12), não havendo necessidade de novos rituais. Aliás, a utilização de novos rituais, com exceção das ordenanças deixadas pelo Mestre (Mt 28.19,20; 1Co 11.23), apenas profanam o Sangue de Cristo, e pisam no Cordeiro. É perceptível a gravidade do que estamos fazendo? É momento de arrependimento. É momento de voltarmos à simplicidade de Cristo (2Co 11.3). Tais rituais não alcançam quaisquer finalidades espirituais, pelo contrário, apenas geram idolatria e confusão.

Mas, e se alguém quiser queimar algum objeto pelo qual não se sente bem? É necessário compreender que o objeto em si mesmo, não é a chave da libertação da pessoa. Entretanto, caso ele queira desfazer de algo queimando, não há pecado nesse ato em si. O problema é tornar esse ato pessoal e facultativo, em um dever ritualístico, como trata o Encontro:

...todos os objetos que se relacionam com algum pecado, devem ser queimados.

O verbo “devem” aplicado na apostila demonstra o sentido conotativo e denotativo apresentado por esse rito. Isso revela o grande equívoco na utilização de tal ritual.

Por último, corroborando tudo o que foi dito, vejamos ainda o que nos traz a apostila do Encontro:

Próximo à fogueira, divida-os em grupos de 12. Eles deverão jogar ao fogo os papéis e objetos e juntos gritarem: "ESTÃO ANULADOS TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE MINHA VIDA!"

É necessário comentar algo mais? Repensemos tais práticas e ritos inventados, se há a necessidade de utilização dos mesmos pelo povo de Deus! A conclusão, caro leitor, deixo novamente para você!
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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 10b





Xamanismo Dentro do Encontro?


Para a maioria das pessoas a feitiçaria representa algo extremamente tenebroso e assustador. Entretanto, quando nos deparamos com a realidade, percebemos que a feitiçaria é muito atrativa e que é, comumente, praticada por nossa sociedade e, por incrível que pareça, até mesmo por nossas comunidades evangélicas. Dentre as bases epistemológicas a que se adere a doutrina da feitiçaria, nós temos o panteísmo, ou mesmo o panenteísmo; a interconexão, e o princípio de comunidade (Gn 11.6). É importante informar que a feitiçaria busca manipular eventos, entrar em contato com os mortos, ou se aconselhar com "espíritos familiares", como foi o caso de Saul (1Sm 28). O pastor Mac Dominick, falando da feitiçaria nos tempos modernos, nos informa o seguinte:





“Na sociedade pós-moderna atual, os pagãos e neopagãos são geralmente vistos como pessoas benignas, amantes da natureza no estilo dos hippies, e que gostam de abraçar as árvores. Entretanto, um estudo mais detalhado das práticas religiosas pagãs e ocultistas do passado não somente revela uma influência demoníaca ou satânica generalizada, mas também que a "magia negra" satânica permeia a antiga feitiçaria.[1] (ênfase adicionada)



Uma das técnicas mais utilizadas pela feitiçaria e que tem sido abraçada pela sociedade moderna de uma forma profunda, inclusive pela igreja evangélica, é a Visualização Criativa. Já citamos um dos livros mais vendáveis de nossa época (The Secret), a fim de demonstrar como o movimento da confissão positiva e do pensamento da possibilidade, que tem fundamento na mais profunda feitiçaria antiga, tem influenciado nossas doutrinas e sido apresentado como se fosse verdade bíblica. Entretanto, a visualização também encontra seu fundamento epistêmico dentro da mais profunda feitiçaria e tem sido utilizada dentro das igrejas a fim de se auferir benefícios e milagres sobrenaturais.

Ainda, acerca desse assunto, o pastor David Bay, no artigo intitulado “Compreendendo os Segredos das Trevas – Proteja seus Filhos”, nos traz as seguintes informações:



“Na verdade, avançamos tanto na estrada ao condicionamento que agora é hora de começar o último estágio: Ensinar satanismo da pesada nas escolas públicas, alcançando 95% da juventude. Por que deveríamos nos surpreender? Desde a década de 60, o único Deus verdadeiro foi colocado para fora das escolas públicas. Agora que as escolas estão sem Deus por mais de três décadas, é hora de introduzir a religião do Anticristo, o puro satanismo. No entanto, essa introdução, pelo menos em seus estágios iniciais, precisa ser disfarçada, para que os professores e administradores, em sua maioria, sejam enganados sobre a verdadeira natureza desse ensino. Assim, o ensino do satanismo foi introduzido em nossas escolas sob o disfarce de Psicologia. Os professores e administradores acreditam que esse novo tipo de "técnica de ensino" é simplesmente boa Psicologia. Como hoje compreendemos melhor como funciona a mente humana, a maioria dos educadores cai presa da mentira que essas "novas" técnicas foram concebidas simplesmente para ensinar melhor o aluno. Quando você tenta adverti-los da natureza ocultista dessa técnica de controle da mente, eles reagem, pois é uma nova técnica psicológica que aprenderam sob os auspícios do Sistema Educacional. Eles estão totalmente enganados. Mesmo quando você consegue convencer um deles que a técnica pode ter base no ocultismo, acreditam erroneamente que poderão separar os aspectos "benignos" dos malignos.
Mas, não se engane sobre o fato que essa "nova" técnica é feitiçaria muito antiga. Todas essas informações de pano de fundo trazem-nos à situação da Escola de Segundo Grau de Attleboro, onde os alunos agora estão sendo doutrinados na técnica ocultista chamada "Visualização Criativa" ou "Imaginação Guiada". Essa técnica de imaginação mental guiada é uma das partes mais importantes de virtualmente todas as religiões não-cristãs no mundo hoje e nas antigas civilizações pagãs na história. Deixe-me contar o incidente na Escola de Segundo Grau de Attleboro, pois assim você aprenderá tudo sobre essa técnica ocultista de controle da mente.
A Sra. Hebert, professora de Inglês do Segundo Grau, disse aos alunos da classe que iriam participar em um processo que ela chamou de "Criação de Imaginação Mental". Ela instruiu os alunos a prestar muita atenção e a seguir cuidadosamente suas instruções. Começou então a levar os alunos no caminho da preparação mental para a Visualização Criativa, ou Criação de Imaginação Guiada.
Ela instruiu assim os alunos:
1. Limpe sua mente de tudo — de todo pensamento ativo e de toda preocupação. O objetivo neste ponto é levar a mente ativa que Deus criou e transformá-la em uma passiva tela de TV em branco;
2. Os alunos foram orientados a criar uma figura das histórias que ela iria contar, usando todos os sentidos, incluindo a intuição e o frio na barriga. Esse processo é chamado de "Visualização Criativa". Embora a Sra. Hebert tenha dito aos alunos para que visualizassem figuras de acordo com as histórias que contaria, ela especificamente lhes disse para "Visualizar a Paz Mundial". Essa é uma indicação absoluta que ela é uma seguidora da Nova Era e que esse processo de visualização é Nova Era. Desde meados da década de 70, os proponentes da Nova Ordem Mundial têm estado constantemente "visualizando a paz mundial". É claro que ninguém é contra a paz mundial, mas esses proponentes estão perigosamente praticando ocultismo antigo, pois acreditam que uma pessoa possa criar sua própria realidade pelo poder de sua mente. Se pessoas suficientes estiverem tentando criar a mesma realidade, essa realidade será criada. Assim, dezenas de milhões de neopagãos de todo o mundo mantêm "Convergências Harmônicas" em prol da paz mundial. Eles crêem que, se um número suficiente de pessoas em todo o mundo estiver tentando criar a paz mundial utilizando o poder de suas mentes, utilizando o método ocultista da Visualização Criativa, a paz mundial será criada;
3. Os alunos foram instruídos a abandonar completamente suas mentes e seus corpos para a história que a Sra. Hebert estava para contar. Ela disse que ninguém deveria exercer nenhum julgamento pessoal sobre o que veria ou ouviria.
Neste ponto, qualquer pai, seja ou não cristão, deve estar alarmado, pois todo pai responsável dedica tempo e esforços consideráveis para educar seus filhos para que eles possam pensar por si mesmos e chegar as suas próprias conclusões sobre as situações da vida com base nos valores que os pais transmitiram. No entanto, a Sra. Hebert está tentando contornar todo esse sistema inteiro de defesas mentais baseadas nos valores. Se uma criança der esse passo, cooperando com a professora, estará desligando sua mente consciente e ativa, e entregando-se para a sugestão subliminar e hipnótica;”
[2](Grifo nosso)



A técnica da Visualização Criativa tem sido propagada por diversos filmes infantis, dentre os quais, poderíamos citar a saga do Harry Potter. Qualquer cristão, por mais leigo e pouco instruído que possa ser, consegue perceber que os livros e filmes do Harry Potter apresentam como pano de fundo uma base na mais profunda feitiçaria. Entretanto, o que muitos não conseguem discernir, são as técnicas de feitiçaria utilizadas por tal conto infantil, e como tais técnicas foram absorvidas pela psicologia moderna e têm sido aplicadas e incentivadas por nossas igrejas. Vejamos um trecho de uma pequena análise da saga de Harry Potter para que possamos compreender melhor:



A maioria dos ocultistas deseja profundamente passar mais e mais tempo em seu Mundo da Fantasia. Eles podem viajar para lá por meio da Viagem Astral, em que a alma realmente deixa o corpo e entra na próxima dimensão; logicamente, um espírito demoníaco precisa permanecer no corpo para evitar a morte, pois senão ele ficaria sem um espírito.
Logicamente, uma pessoa que pratica Viagem Astral está possessa por demônios. O espírito que permanece no corpo humano para mantê-lo vivo é o espírito (ou espíritos) que está(ão) possuindo o satanista. Os ocultistas também expandem sua entrada no Mundo da Fantasia por meio das drogas, especialmente as da variedade alucinógena. Essas drogas são tão eficientes em transportar uma pessoa para o Mundo da Fantasia que são muito procuradas pelos ocultistas. Entretanto, elas também debilitam a mente, de forma que os Iluministas proíbem que seus membros consumam drogas.
Os ocultistas também podem entrar no Mundo da Fantasia por meio da visualização avançada. As crianças estão aprendendo técnicas de visualização nas escolas, sob o disfarce de técnicas de relaxamento. Agora, você sabe para onde essas práticas satânicas podem levar uma pessoa, não sabe? Não se deixe enganar; esse Mundo da Fantasia é o mundo sobrenatural dos demônios. Enquanto está nessa dimensão, o espírito do satanista é totalmente enganado pelas hordas demoníacas, passando por uma falsa experiência que é realmente abençoadora, e que causa muita satisfação.
[3] (Grifo nosso)





Agora e, pasmem, veremos como tal técnica é utilizada descaradamente no Encontro. Isso mesmo! A visualização, técnica comum na feitiçaria mais profunda, é apresentada no Encontro a fim de se formar um ambiente propício a manifestações emocionais e mudança psíquica e comportamental. Não obstante, façamos a leitura de um trecho extraído da apostila do Encontro:



Este talvez seja o momento mais lindo e importante de todo o Encontro. Os encontristas poderão sentir um pouco da dor de ir à cruz, como Jesus Cristo sentiu. O ministrador deverá pedir que todos fechem os olhos e imaginem-se sendo transportados para Jerusalém. Eles estarão assistindo tudo, acompanhando cada momento, sentindo as afrontas e as dores. Lá eles morrerão para si e entenderão pelo menos parte daquilo que Jesus Cristo sentiu. Permita aos encontristas se quebrantarem diante da obra completa de Jesus, deixando-os livres para esse momento íntimo com Ele. (Grifo nosso)



Seja sincero comigo, é ou não a prática da Visualização Avançada, adentrando até mesmo na Viagem Astral? Acha um absurdo minhas colocações? Pois então, leia a continuidade do que a própria apostila nos traz:



O ministrador deverá mostrar bastante seriedade e profundo pesar em cada momento que estiver narrando os acontecimentos que se relacionam com a cruz. Deve falar pausadamente. Uma música de adoração deverá estar sendo tocada ao fundo. As cadeiras deverão estar afastadas para que as pessoas tenham espaço para se ajoelhar, deitar no chão, orar, etc.
O ministrador aconselhará que ninguém ore em voz alta ou em línguas apenas em português. Nesse momento, deve-se permitir que se expressem apenas chorando, ou até mesmo gritando, como acontece em alguns casos. (Grifo nosso)



Fiz questão de enfatizar o seguinte texto “Uma música de adoração deverá estar sendo tocada ao fundo”. A utilização da música como preparação do ambiente para estágios de transe e hipnose é muito comum na psicologia. A música, nesse viés, torna-se um paliativo, substituindo o uso de drogas e alucinógenos comuns. Você já ouviu falar do I-DOSER? Não? O I-Doser é uma técnica que vem sendo utilizada por diversos psicólogos, inclusive como tratamento de depressão e também por muitos que desejam substituir drogas alucinógenas por algo menos nocivo. Acerca do I-Doser, temos a seguinte definição extraída da Wikipedia:



I-doser é um programa de computador que produz “doses” de ondas sonoras, que procura interferir nas ondas cerebrais do usuário, simulando o efeito de várias drogas reais em seres humanos. Essas doses de áudio estão disponíveis no site oficial do programa, e para "usá-las" o usuário precisa fazer o download, assim como precisa fazer de todo o programa. As doses devem ser compradas, e o uso delas é limitado, não sendo possível o seu re-uso depois de algumas doses. E foi desenvolvido através de uma técnica conhecida como binaural rainsons, que emite sons que alteram a freqüência do cérebro.
O ambiente necessário e as reações no usuário no primeiro momento, o som emitido tende a incomodar até surtir o efeito esperado. Cada "dose" varia de 5 a 45 minutos para que o usuário possa, de fato, atingir a dose desejada. Para que não haja interferência, se faz necessário escutar em um ambiente calmo e com pouca iluminação, sob o uso de fones de ouvido
stereo. Caso o usuário não atenda essas recomendações pode não ter o efeito desejado. O usuário que optar usar a droga como o Brain+ é um ambiente adequado será estimulado a ter pensamentos criativos e profundos, refletir sobre a existência. Foi criada, de maneira hibrida, para levar o indivíduo ao nível da frequência responsável para profunda criatividade e esperteza.[4] (Grifo nosso)



Façamos, novamente, a leitura acerca da utilização de drogas e alucinógenos como facilitadores do processo de Visualização Criativa:



Os ocultistas também expandem sua entrada no Mundo da Fantasia por meio das drogas, especialmente as da variedade alucinógena. Essas drogas são tão eficientes em transportar uma pessoa para o Mundo da Fantasia que são muito procuradas pelos ocultistas. Entretanto, elas também debilitam a mente, de forma que os Iluministas proíbem que seus membros consumam drogas.[5] (Grifo nosso)



É ou não uma preparação do ambiente para toda a manifestação emocional? O problema é que, ao criarmos uma esfera de preparação para um mover emocional, normalmente, saímos da razão bíblica e espiritual, e entramos em uma área de nossas vidas que requer total cuidado: o coração. A Palavra, acerca do coração, nos exorta da seguinte forma:

(Jeremias 17:9) - Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?

Por meio desse verso, percebemos duas características muito fortes do coração humano: é enganoso e é perverso. Ou seja, o nosso coração tem uma queda para a malignidade e nos faz acreditar que o mal é bem e que o bem é mal. Desse modo, trazer para o nosso meio técnicas que se vinculam ao âmbito emocional do homem é correr drásticos riscos. E, por incrível que pareça, é isso que nossas igrejas têm feito. Adotamos técnicas ocultistas que, aparentemente, revelam um caráter benigno e, automaticamente, chamamos o mal de bem. Acerca disso, o profeta Isaías nos diz o seguinte:

(Isaías 5:20) - Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!

É possível compreender a gravidade do pecado que cometemos ao inserirmos, ou permitirmos que sejam inseridas, no meio de nossas igrejas, doutrinas fundamentadas no ocultismo profundo? Caro leitor, espero, no Espírito Santo, que você compreenda que uma abordagem analítica desses novos moveres que surgem nosso meio é mais do que necessária para não procedermos da forma apresentada no texto bíblico acima. Percebo muitos líderes tendo zelo de Deus, mas sem entendimento (Rm 10.2). O zelo sem entendimento nos leva a ações precipitadas e à conseqüente aceitação de doutrinas demoníacas, como se fossem bíblicas:

“Não é bom ter zelo sem conhecimento, nem ser precipitado e perder o caminho”. (Pv 19.2 – NVI)

A reflexão e a análise são bases essenciais para a vida cristã. É esse o nosso principal objetivo, por meio deste trabalho. Dito isso observe a seqüência da ministração, extraída da apostila do Encontro:

Deverá iniciar a palestra pedindo a cobertura do sangue do Cordeiro sobre sua vida e então começar a narrar os seguintes acontecimentos:
Veja Jesus sendo levado por Maria e José ao templo para ser apresentado a Deus.
Veja-o crescendo em graça, sabedoria e estatura, diante dos homens e diante de Deus.
Veja Jesus curando as milhares de pessoas: os cegos enxergando, os paralíticos andando e saltando de alegria, os mortos ressuscitando, as pessoas maravilhadas... Ninguém jamais vira coisa igual. Veja Jesus no monte das bem-aventuranças ministrando para uma multidão sedenta e atenta. Durante a época da Páscoa, Jesus foi ao Getsêmani com seus discípulos, e lá suou gotas de sangue. Veja Judas beijando Jesus e entregando-o aos soldados. Veja Jesus sendo amarrado e levado à casa de Caifás. Veja Jesus calado ante os insultos da multidão. Imagine que você está no meio da multidão. Veja Jesus sendo vestido com vestes reais e sendo coroado com coroa de espinhos. Veja Jesus sendo despido e recebendo sobre seus ombros uma pesada cruz de madeira. Veja Jesus sendo levado para fora da cidade, saindo em direção ao Gólgota, o Lugar da Caveira. Ele fez tudo isso por você. Veja Jesus caindo algumas vezes por causa do peso dos seus pecados. Ele está muito cansado e com sede. Veja os soldados cravando as mãos de Jesus com cravos enormes; eles cravam também os seus pés e ele sente muita dor. Jesus sangra, sangra muito. Agora a dor aumenta porque estão levantando a cruz e fixando-a verticalmente. Jesus foi à cruz por minha causa, por sua causa, pelo mundo inteiro. Você está no meio da multidão que assiste tudo.
Eles não estão calados, eles blasfemam, gritam. (Grifo nosso)



Após a aplicação descarada da técnica ocultista da visualização, observe o ponto emocional de Visualização Criativa que é utilizado no próximo parágrafo:

Imagine Jesus dizendo a você: Não foram os romanos que me crucificaram, não foram os judeus... Eu estou aqui por causa de você, (repita esta frase pelo menos três vezes). Foram os seus pecados que me trouxeram à cruz... Veja o céu escurecer. Ouça o que Jesus está gritando:
“Eli, Eli, lemá sabactâni... Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Depois Jesus grita novamente com grande voz:
“Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito!”.
Agora Jesus morreu. Ele está morto. (Dê um pequenino intervalo para que haja reflexão do auditório) Veja o soldado furando o lado do Senhor e de lá saindo sangue e água. Jesus é tirado da cruz e é envolvido em um lençol de linho fino. José de Arimatéia sepulta-o num túmulo novo. A porta do sepulcro é fachada com uma grande pedra. A multidão se retira, eles têm pressa, porque o Sábado está começando. Você se retira também. (Grifo nosso)


Você percebe todo o ambiente emocional e psíquico que é montado? Veja, no próximo parágrafo, que a profundidade da técnica ocultista da visualização deve alcançar outros sentidos, como a audição, o tato e, logo em seguida, as pessoas são conduzidas, por meio da indução psíquica, a uma atitude frenética de exultação:

Três dias se passaram. A notícia se espalha: Jesus Nazareno ressuscitou! Você ouviu? Jesus ressuscitou por você e por mim. Agora que Jesus está vivo, ponha-se debaixo da cruz e sinta o sangue do Senhor caindo sobre você. Receba a remissão dos seus pecados, receba o perdão do Senhor Todo-Poderoso. O túmulo está vazio: não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus. Você ressuscitou com Cristo. A morte e o pecado não mais têm domínio sobre você. Celebre com palmas, abrace seu irmão e dê gritos de vitórias: Jesus ressuscitou! Após este momento, peça que todos se sentem e tomem um papel para as orientações que serão dadas.


Caro leitor, eu te faço uma sincera pergunta: há alguma base bíblica para a utilização de tais técnicas? Você poderá dizer que o próprio Jesus utilizava a técnica da visualização por meio das parábolas, mas isso é realmente verdade? Não! A parábola não é construída sobre a técnica da visualização. É apenas uma linguagem que se vale da analogia, a fim de facilitar a compreensão de algo complexo por meio de uma história que se adéqüe à realidade dos ouvintes. Entretanto, o que vemos aqui é um transporte psíquico ao local e momento da crucificação. Não lhe causa estranheza a coincidente relação e semelhança que há com as práticas ocultistas da Visualização Criativa e Viagem Astral?

No Encontro organizado por nossa igreja, no lugar do texto a ser imaginado, normalmente é passado um vídeo com cenas do filme “A Paixão de Cristo”. Acerca desse filme, eu gostaria que, ao final, fosse lido o ANEXO I, visto que traz as informações necessárias para se compreender de onde veio inspiração para a produção do mesmo. Entretanto, seja por meio de um vídeo que retrata uma história repleta de equívocos bíblicos, inspirada nos delírios de uma revelação demoníaca de uma freira alemã chamada Anna Katharina Emmerick (1774-1824)

[6], ou mesmo da imaginação, a grande finalidade da visualização criativa é alcançada.

A conclusão do assunto, eu permito que você mesmo chegue. Antes de tudo deixo também para reflexão os seguintes textos:

(Apocalipse 22:15) - Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. (Grifo nosso)


Reflita acerca de tudo isso que foi dito, caro leitor. Ainda há tempo para o arrependimento. Ainda há tempo para retornarmos aos preceitos designados na Palavra.


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[1] DOMINICK, Mac. Reconstruindo a Torre de Babel: O Lado obscuro da igreja com propósitos. Artigo retirado do site: www.espada.eti.br

[2] BAY, David. Compreendendo os Segredos das Trevas – Proteja seus Filhos. Artigo extraído do CD adquirido junto ao administrador do site A espada do Espírito: www.espada.eti.br

[3] BAY, David. Harry Potter – Realidade ou Apenas Fantasia? Ou Ambas as Coisas? Artigo que compõe o CD – A Espada do Espírito. Também pode ser encontrado no site www.espada.eti.br

[4] Definição extraída da Wikipedia podendo ser acessado pelo seguinte endereço: http://pt.wikipedia.org/wiki/I-doser

[5] BAY, David. Harry Potter – Realidade ou Apenas Fantasia? Ou Ambas as Coisas? Artigo que compõe o CD – A Espada do Espírito. Também pode ser encontrado no site www.espada.eti.br

[6] Informações extraídas do artigo “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson, publicado pelo Dr. Samuel Fernandes Magalhães Costa, disponível pelo link: http://www.chamada.com.br/mensagens/paixao.html

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terça-feira, 27 de abril de 2010

Caio Fábio em uma confissão...

Julgue quem desejar julgar... Mas Deus, absolutamente, é amoroso o suficiente para nos salvar! E Ele nos salva de nós mesmos; da nossa prisão ao nosso orgulho e soberba! Que esse testemunho, de alguma forma, possa te edificar...
Não sou fã do Pr. Caio Fábio, mas sei reconhecer um testemunho genuinamente cristão!



Jordanny Silva

Ano de Copa! 1001 motivos para nos orgulhar! Será?


Vasculhando minhas primeiras postagens, em face de ser ano de Copa do mundo, resolvi republicar o artigo abaixo. Que Deus te abençoe e boa leitura!
(Jo 15.19) - Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.

Anteriormente, escrevi um artigo acerca da injustiça e imoralidade que tem sido o grande império normativo que disciplina, regula e orienta o Brasil, e, porque não dizer, o mundo. A imoralidade nos textos legais e a legitimação da injustiça e mentira têm sido as grandes norteadoras de nossa sociedade corrompida. O Brasil, meus caros, é uma nação corrompida e terrivelmente usada pelo maligno. Esses dias, eu observava uma propaganda que tinha os seguintes dizeres: “Orgulho de ser brasileiro”. A pergunta que ficou no meu interior e que não quis calar foi a seguinte: “Por que eu devo ter orgulho de ser brasileiro?”. Ora, os defensores dessa ideologia acreditam que o Brasil é a nossa “mãe pátria”, e por esse motivo deve ser defendida até a morte. Aliás, não é isso que reza o nosso hino nacional? Mas, essa “mãe pátria” deve, realmente, ser defendida até a morte?


Primeiramente, observemos o seguinte: o ofício de uma mãe responsável é garantir com eficácia a subsistência de seus filhos. Os filhos normalmente são sustentados pelas mães e não as mães pelos filhos. De mesma maneira, uma mãe que abandona seu filho, isolando-o no ermo da miséria, perde sobre a criança a legitimidade, quando não chega a matá-lo. Em analogia, meus caros, esse é o papel que a mãe pátria vem desempenhando. Apenas uns poucos de seus filhos é que são bem alimentados em suas grandes mamas (riquezas). O restante vive completo abandono. E o pior é que, estes filhos que vivem abandonados têm o dever de sustentar esta mãe irresponsável.


Para se ter uma idéia, veja a quantidade tributos que pagamos: Alguns dados do livro Carregando o Elefante, de Alexandre Ostrowiecki e Renato Feder, revelam que uma pessoa que recebe um salário de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) paga, diretamente, para o governo, aproximadamente, 35% (trinta e cinco por cento) de imposto; ou seja, se você ganha R$ 5.000,00 (cinco mil reais), R$ 1.750,00 (hum mil, setecentos e cinqüenta reais) já são do governo; e, não pára por aí; com os outros R$ 3.250,00 você comprará produtos e pagará pela prestação de diversos serviços; porém, em cada produto e serviço está embutido cerca de 40% (quarenta por cento) de encargos tributários; ou seja, mais R$ 1.300,00 (hum mil e trezentos reais) ficam para o governo; restam para você apenas R$ 1.950,00 (hum mil, novecentos e cinqüenta reais). O que eu acho engraçado, é que a nossa “mãe pátria”, mesmo comendo mais de 60% (sessenta por cento) de tudo que você produz, não te dá serviços com qualidade, tais como saúde, educação para os seus filhos, lazer, habitação e dignidade. Ou seja, com os outros R$ 1.950,00 (hum mil, novecentos e cinqüenta reais) que te restaram, você ainda vai ter que pagar escola, e planos de saúde para você e sua família, caso não queira depender dos podres serviços estatais; e lá se vão mais, aproximadamente, R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), gastos com estes serviços essenciais. No final, o que sobrou pra você? Apenas R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais). Você produziu R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e ficou com, tão somente, R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais). E a sua grande “mãezinha”, chamada Brasil, ficou com R$ 3.050,00 (três mil e cinqüenta reais) do que você, com o suor do teu rosto, produziu. É brincadeira? Quando eu cito algumas das injustiças legitimadas pelo poder público, alguns ainda pensam que isso não os atinge diretamente.


É por esse, e outros motivos, que eu não me vejo filho deste país injusto, cruel, mentiroso e desumano chamado Brasil, a não ser, que eu seja considerado um bastardo. E não é só no Brasil que reina a corrupção. O mundo todo está infestado de maldade, inverdades e ilusões.


Essa “mãe pátria” tem se vendido para as instituições financeiras, tecnocratas da economia, e toda a “aristocracia” que detém o poder econômico. Essa “mãe pátria” tem se prostituído com todo tipo de corrupção, legitimando e regulamentando o exercício e prática de todo tipo de imoralidade, injustiça e mentira. A “mãe pátria”, caros leitores, não passa de uma prostituta irresponsável que deixa um número infindável de filhos a morrer sem saneamento básico, sem hospitais eficientes, sem uma justiça rápida e verdadeira. Essa “mãe pátria” percebeu sua incapacidade e falência, e tem buscado refúgio na mais baixa prostituição, vendendo seus recursos e riquezas; permitindo que qualquer um que aqui entre, mame em seus grandes seios sem deixar nada para seus filhos repudiados.


Sinceramente, eu não me considero mais pertencente à nação brasileira. E, ideologicamente, abdico do título de filho da “amada mãe gentil”. Sou estrangeiro neste país que tem se afundado em densas trevas. Para explicar o que eu venho tentando dizer, passarei a falar da nação a que pertenço.Vejamos, primeiramente, o conceito de soberania: a soberania, segundo Jean Bodin, é um poder supremo, incontrastável, não submetido a nenhum outro poder, revestida das seguintes características: una, absoluta, indivisível, inalienável, imprescritível, irrevogável, perpétua.


É dessa forma que são reconhecidas as nações que compõem o globo terrestre. Assim, observando-se tal conceito, e perceptível que uma nação não necessita de um território específico no planeta terra. A nação pode existir independentemente de um território. O mais forte caráter de uma nação é o poder supremo que não se submete a nenhum outro. Seguindo-se essa perspectiva, considero-me cidadão da nação celestial: aquela nação instituída pelo Deus Todo Poderoso. Veja que essa nação exerce um poder supremo, incontrastável, com sua própria Lei, a qual é perfeita e justa. A soberania de Deus, com o principado do Mestre Jesus Cristo, o qual vive e reina para todo sempre, revela o Sol da Justiça e da verdadeira Paz. A Lei deste país distante é boa para nos corrigir e refrigera a nossa alma. Em nosso Governador e Rei Supremo, temos refúgio e somos fortalecidos. Todas as nossas necessidades são atendidas no Reino de Deus; é necessário apenas que o busquemos, juntamente com sua Justiça.
(Mt 6.33) - Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.


Uma vez resgatado e eleito cidadão dos Céus (Ef 2.19), já não me conformo com a injustiça e maldade que opera neste mundo de trevas. Recuso-me a ser filho deste mundo, mas sou chamado de filho da luz. Não há nada que me prenda a este mundo iníquo, pois já estou inserido em Cristo, que me salvou, purificou-me e resgatou-me do mal.
(At 13.17) - O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais, e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso os tirou dela;


Hoje, quando olho a minha volta, percebo o quão estranho é o mundo que me cerca. Poderia dizer, como servo de Deus, que é impossível adaptar-me a este mundo. A Bíblia compara, analogicamente, o mundo ao Egito. Desse modo, o fato de os verdadeiros cristãos sentirem-se estranhos ao mundo é perfeitamente explicado seguindo a compreensão bíblica. É por isso que nós, verdadeiros cristãos, não nos amoldamos ao padrão desse mundo, mas mantemos nossas mentes renovadas e nosso entendimento transformado segundo a Santa Palavra de Deus.


Se você já não suporta este império de injustiça e maldade que domina nosso país e o mundo, venha fazer parte da nação que irá reinar com Cristo na Nova Jerusalém, onde o gozo e a justiça serão eternos. Não tenha medo de tomar essa decisão, os benefícios são inimagináveis. Creio que, com este texto, você tem percebido em quão terríveis trevas e maldade está inserida a nação brasileiro e todo o mundo. Este mundo já está perdido. Mas você pode ter como garantia a vida eterna ao lado d’Aquele que sempre te amou, ao ponto de dar a Sua vida para ter você junto a Ele. Jesus Cristo te ama e tem um lugar preparado, junto a Ele, para todos os seus eleitos. A Justiça de Deus irá reinar eternamente. Faça parte conosco dessa nação. Sejamos concidadãos dos Céus. Deus te abençoe!


A paz do Senhor a todos!


Jordanny Silva

(Texto postado em 18/12/2008 com algumas edições)

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 10a


7. Sábado 6ª Ministração – Indo à Cruz

Essa ministração apresenta uma série de equívocos doutrinários, acerca dos quais nos deteremos na presente explanação. Veremos, a seguir, passo a passo, alguns erros que pudemos observar.

“Liberando” Perdão

Façamos a leitura do texto abaixo, extraída da apostila do Encontro:

A cruz me leva ao perdão. Eu recebo perdão e recebo a capacidade de perdoar. Deixo tudo na cruz. O que eu fiz e o que fizeram comigo. Perdão é uma decisão, mas o ressentimento é um caminho para eu voltar ao pecado. Libere os ofensores. Deixe tudo na cruz. O sacrifício da cruz é o princípio e o fim da restauração na sua vida. (Grifo nosso)

Fiz questão de grifar a frase “Libere os ofensores”, pois atualmente está em voga a questão do "liberar" perdão. Há alguns meses atrás em conversa com um pastor, este me contou uma história um pouco estranha em relação à Palavra de Deus. Disse que um jovem saiu de sua igreja em rebeldia. Algum tempo depois esse jovem retornou até sua igreja e quis falar com este pastor. Segundo esse jovem, tudo na sua vida estava dando errado, então ele sentiu que deveria vir até esse pastor para pedir perdão e, uma vez perdoado pelo pastor, estaria liberto do jugo de maldição. Esse pastor me disse que, ao ouvir o que esse jovem falava, imediatamente liberou perdão, a fim de que a maldição fosse quebrada. Ouvindo essa história, atentamente, percebi que o perdão a que o pastor havia liberado se difere um pouco do PERDÃO que a Bíblia nos ensina. Não obstante, a própria frase “Liberar perdão” nos traz a idéia de que o perdão é uma espécie de força que tem o poder de aprisionar o ofensor. Logo, aparentemente, quando você libera perdão, uma espécie energia cósmica é liberada e o ofensor se vê livre. Um tanto estranho, não? Por isso fiz questão de grifar a frase “Libere os ofensores”. Mas, vamos entender um pouco do que é o perdão, biblicamente falando, para depois voltarmos nesse assunto.

O perdão não se trata de um dom que o Espírito nos dá, tal como o amor não é um dom. O amor é uma das características do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). Entretanto, dentre as características do fruto do Espírito, não encontramos a palavra perdão. Senão vejamos:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gl 5.22)

Logo, o que dizer do perdão? Onde encontramos referência a esta palavra? Na verdade, o perdão participa dos atributos do amor:

“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;” (1Co 13.4,5 – ARA) (grifo nosso)

Você percebe, pela última frase grifada, onde se encontra o perdão como uma das características do fruto do Espírito? É evidente que o perdão é necessário para a vida cristã. Se o perdão é parte do amor, logo, a vida cristã sem o caminho mais excelente (1Co 12.31b), é igual a nada. Perceba, inicialmente, que o próprio apóstolo Paulo afirma que, qualquer coisa por mais louvável, fantástica, piedosa, extraordinária, sobrenatural que seja, sem amor é igual a nada. Compreendendo-se que o perdão é parte do amor, significa dizer que, extraído quaisquer dos elementos do amor, este já se descaracteriza. Logo, o amor sem perdão, não é amor. Por isso o próprio Cristo, por meio de uma parábola maravilhosa, nos afirma que a própria salvação alcança um limite em nossa disposição para perdoar (Mt 18.21-35).

Mas, a grande questão que está em voga é acerca de liberar o perdão. Alguns acreditam, veementemente, que o fato de você não perdoar alguém, faz com que a pessoa não perdoada fique presa por uma espécie de maldição. Na verdade, alguns poderiam até afirmar que o texto descrito em Mt 18.21-35 corrobora a “doutrina da liberação de perdão”. Entretanto, Jesus se vale de uma parábola para demonstrar a proporção da misericórdia de Deus, quando comparado ao nosso saldo devedor diante Dele, em relação a nossa dureza de coração e falta de amor para com o nosso próximo. A parábola apresenta isso de uma forma extremamente clara, mas não evidencia que, todas as vezes que nós não “liberamos” perdão, a pessoa fica presa a nós. Pelo contrário, tal parábola ainda nos admoesta informando-nos que o perdão traz incalculáveis benefícios para aquele que perdoou. Ocorre que se esquecermos o enfoque central da parábola e aplicarmos a parte em que aquele homem, que foi perdoado, lança o outro na prisão, poderemos acreditar que isto é uma regra bíblica; ou seja, uma vez que você não perdoa, a pessoa se vê prisioneira. Mas, usando uma hermenêutica simples, perceberemos, no verso 35, que o princípio ressaltado pelo Mestre, refere-se ao perdão como requisito necessário para ser perdoado. O aprisionamento do ofensor não é um princípio bíblico. Façamos a leitura do verso 35 para entendermos melhor:

“Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”. (Mt 18.35 – ARA)

É possível perceber o princípio destacado por Jesus? É possível perceber, ainda, que a má interpretação desse texto nos faz acreditar que, efetivamente, o fato de não perdoarmos nosso irmão o aprisiona? Logo, uma hermenêutica bíblica atenta, aliada à revelação do Espírito, nos descortina os verdadeiros princípios que devem ser observados na vida cristã e, ao mesmo tempo, nos conserva dentro da essência doutrinária inserida no texto sagrado.
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Pr. Silas, volte! Arrependa-se e volte!

(Ob v.3) - A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?



A conclusão de toda essa confusão, eu deixo para você!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Demitiram meu Pastor: e agora???


Por Augusto Guedes



O pastor da minha igreja é alguém de quem eu gosto muito. Certo dia, fui surpreendido com a notícia de que ele fora demitido das suas funções, o que me levou a perguntar: Mas, por quê? Foi quando um amigo, que é da liderança, passou a me contar com detalhes...


“Na realidade, nem sabemos bem como explicar todo esse processo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos frustrados com o desenrolar dos acontecimentos, por ser ele uma pessoa que aparenta não ter sequer um defeito, temos a sensação do dever cumprido por observarmos que ele nunca iria preencher o perfil exigido para a função de pastor da nossa igreja. Se nos relacionamentos ele é uma pessoa nota “mais que mil”, em muitas outras áreas ele deixa a desejar. E o pior é que observamos não se tratar de incompetência, mas de opção.


Acredito que a decisão de demiti-lo foi acertada no sentido de preservar a nossa igreja, afinal, somos seus guardiões, e, assim, tínhamos a responsabilidade de tomá-la o quanto antes.


Seu ministério conosco teve início de uma forma surpreendente. Estávamos sem pastor e a simples convivência com ele nos cativou de maneira tal que o seu reconhecimento à função tornou-se irresistível para nós. Foi quando descobrimos a nossa primeira divergência: enquanto achávamos de fundamental importância a sua confirmação nas funções eclesiásticas, de acordo com os nossos normativos, ele afirmava não ser necessário e até agia com certo desprezo. Mesmo assim, o seu pastoreio parecia ser indiscutível e unânime no seio da comunidade, o que entendemos como direcionamento de Deus. Terminamos abrindo mão – Que equívoco! Depois disso as coisas só pioraram. Há muito ele já vinha “pisando na bola” em várias situações, inclusive com a inversão de vários valores.


Ao invés do púlpito, ele preferia estar à mesa. Desejávamos ter um grande pregador para os nossos cultos públicos, e ele o era - na realidade - imbatível. No entanto, por várias vezes delegou a sua atribuição a outros, preferindo estar nas casas dos irmãos ou nos bares e restaurantes da vida, comendo e bebendo em meio a uma boa conversa. Segundo ele próprio, esse era o seu principal ministério: “a oportunidade de ensinar, aconselhar, encorajar, ouvir, chorar com os que choram,...” Quando perguntávamos por ele no meio da liderança, já havia até a resposta irônica: "deve estar por aí, de casa em casa, de mesa em mesa, de bar em bar".


Aliás, nessa coisa de viver comendo e bebendo com as pessoas, chegou a sentar-se com muita gente que não devia. O pior é que várias dessas pessoas se converteram e não vieram para a nossa igreja. Ele só pregava o arrependimento e não uma adesão comprometida conosco e com a nossa visão. É verdade que, desses, todos mudaram radicalmente seus comportamentos, alguns abriram trabalhos sociais, passaram a promover reuniões caseiras ou, em seus ambientes de trabalho, tornaram-se intensos evangelistas. Muitos se reconciliaram com pessoas a quem tinham ofendido, pediram perdão, pagaram dívidas; mas só isso, apenas isso.


Aos invés de solenidades, ele preferia o informal. Facilmente abria mão de reuniões, cultos e até rituais fundamentais, como por exemplo, o batismo. Nunca batizou ninguém. Enquanto achávamos ser sua responsabilidade tal ordenança, ele delegava sempre aos outros, ensinando que todos, como sacerdotes, podiam fazê-lo em nome do Pai, do Filho e do Espírito. O mesmo acontecia com muitas outras atividades que julgamos pertencerem apenas àqueles investidos da autoridade pastoral. Na ministração da ceia, nunca se opôs à participação das crianças, nem exigiu o pré-requisito de ser membro da nossa igreja. Na verdade, nunca estabeleceu critérios tanto para a participação quanto para a ministração. Apenas encorajava uma busca por comunhão entre os irmãos e reconciliação com Deus, mediante o arrependimento, e o conseqüente comer do pão e beber do cálice. Há quem diga que ele instruía a celebração da ceia, independente do dia e do local, e não apenas no templo.


Quando resolvemos votar uma remuneração pelos seus serviços prestados, outra vez nos decepcionamos. Esperávamos negociar um valor, enquanto para ele qualquer oferta valia. Desejávamos ter um bom administrador, mas parece que ele não sabia sequer administrar os seus próprios bens. Bastava encontrar alguém necessitando de alguma coisa para, de imediato, fazer uma doação. Internamente lutamos muito com isso, pois sempre procuramos lhe pagar bem, um bom salário, digno de um executivo de alto nível, o top da nossa sociedade. Mesmo assim ele nunca comprou sequer um carro. Já pensou? Andando sempre de carona? Isso não fica bem para um pastor. Queira ou não ele é nosso representante, atuando em nome da nossa institutição perante a sociedade. Mas parece que ele não liga muito pra isso. Além de não ter um carro digno de um homem de Deus, nunca quis morar num dos bairros mais chiques da cidade e nem vestir as roupas de algumas das principais lojas como lhe aconselhamos. Você sabe que isso é fundamental para se penetrar na sociedade!


Pessoalmente eu fiquei muito triste, pois no seu aniversário, eu mesmo lhe dei uma camisa de grife e logo depois a vi sendo usada por aquele “João ninguém desempregado” no dia do casamento da sua filha. Até reconheço que ele abençoou o irmão numa ocasião tão significante, mas ele não podia ter feito isso. Eu lhe dei aquela camisa e esperava vê-lo pregando com ela no dia do aniversário da igreja.


Foi exatamente aí a gota d´água. Justamente no dia da celebração do aniversário da igreja ele pediu licença para ausentar-se, a fim de estar com a família do seu amigo Lazaroni, que havia morrido. Questionado, chegou a sugerir que não houvesse a reunião e que todos fossem com ele. Foi uma total decepção para nós da liderança. Quase não acreditamos. Estava tudo planejado para ele pregar naquela noite com vistas à presidência da nossa denominação e da Associação de pastores da cidade. Tudo indicava que ele nem pensava nesse tipo de influência. Mesmo nas poucas reuniões administrativas que participou praticamente obrigado, nunca sequer opinou sobre as nossas estruturas, metas e ações do planejamento estratégico e nem mesmo quanto as questões litúrgicas. Ao sair, ainda lembrou-se do que sempre ensinava: melhor é freqüentar funerais do que festas.


Aqui para nós, ele sempre perdeu muito tempo com as pessoas, ao invés de priorizar as atividades pertinentes as suas funções, tão necessárias à vida da igreja.Depois dessa tamanha decepção, começamos a enxergar a sua inadequação por não preencher alguns dos principais requisitos do perfil que sempre traçamos para os candidatos a pastores da nossa amada igreja: ele é solteiro, com menos de cinco anos de exercício no ministério, e não possui formação teológica. Só assim conseguimos convencer a maior parte da igreja a nos apoiar nessa decisão. Acertadamente o substituímos por um doutor em divindade, além de mestre em espiritualidade no antigo e novo testamentos, e também bacharel pelo nosso seminário.


Depois que ele saiu, confesso que fiquei inicialmente um pouco preocupado com o seu sustento, mas logo lembrei que ele possui outra profissão: é marceneiro. Certamente se dará bem. Quanto aos irmãos, na realidade, muitos estão pensando como eu. Quando necessitarmos de um amigo verdadeiro é só convidá-lo para um bom bate-papo regado a um bom vinho em torno de uma saborosa refeição.


Ao final de toda essa explicação, descobri algo maravilhoso e libertador: definitivamente essa não é a minha igreja e Ele continua sendo o meu pastor.


(Qualquer semelhança desta ficção com a vida eclesial dita "normal" não é mera coincidência. Desejo promover uma reflexão sobre o que Jesus possivelmente abominaria em nosso meio).