terça-feira, 27 de abril de 2010

Caio Fábio em uma confissão...

Julgue quem desejar julgar... Mas Deus, absolutamente, é amoroso o suficiente para nos salvar! E Ele nos salva de nós mesmos; da nossa prisão ao nosso orgulho e soberba! Que esse testemunho, de alguma forma, possa te edificar...
Não sou fã do Pr. Caio Fábio, mas sei reconhecer um testemunho genuinamente cristão!



Jordanny Silva

Ano de Copa! 1001 motivos para nos orgulhar! Será?


Vasculhando minhas primeiras postagens, em face de ser ano de Copa do mundo, resolvi republicar o artigo abaixo. Que Deus te abençoe e boa leitura!
(Jo 15.19) - Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.

Anteriormente, escrevi um artigo acerca da injustiça e imoralidade que tem sido o grande império normativo que disciplina, regula e orienta o Brasil, e, porque não dizer, o mundo. A imoralidade nos textos legais e a legitimação da injustiça e mentira têm sido as grandes norteadoras de nossa sociedade corrompida. O Brasil, meus caros, é uma nação corrompida e terrivelmente usada pelo maligno. Esses dias, eu observava uma propaganda que tinha os seguintes dizeres: “Orgulho de ser brasileiro”. A pergunta que ficou no meu interior e que não quis calar foi a seguinte: “Por que eu devo ter orgulho de ser brasileiro?”. Ora, os defensores dessa ideologia acreditam que o Brasil é a nossa “mãe pátria”, e por esse motivo deve ser defendida até a morte. Aliás, não é isso que reza o nosso hino nacional? Mas, essa “mãe pátria” deve, realmente, ser defendida até a morte?


Primeiramente, observemos o seguinte: o ofício de uma mãe responsável é garantir com eficácia a subsistência de seus filhos. Os filhos normalmente são sustentados pelas mães e não as mães pelos filhos. De mesma maneira, uma mãe que abandona seu filho, isolando-o no ermo da miséria, perde sobre a criança a legitimidade, quando não chega a matá-lo. Em analogia, meus caros, esse é o papel que a mãe pátria vem desempenhando. Apenas uns poucos de seus filhos é que são bem alimentados em suas grandes mamas (riquezas). O restante vive completo abandono. E o pior é que, estes filhos que vivem abandonados têm o dever de sustentar esta mãe irresponsável.


Para se ter uma idéia, veja a quantidade tributos que pagamos: Alguns dados do livro Carregando o Elefante, de Alexandre Ostrowiecki e Renato Feder, revelam que uma pessoa que recebe um salário de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) paga, diretamente, para o governo, aproximadamente, 35% (trinta e cinco por cento) de imposto; ou seja, se você ganha R$ 5.000,00 (cinco mil reais), R$ 1.750,00 (hum mil, setecentos e cinqüenta reais) já são do governo; e, não pára por aí; com os outros R$ 3.250,00 você comprará produtos e pagará pela prestação de diversos serviços; porém, em cada produto e serviço está embutido cerca de 40% (quarenta por cento) de encargos tributários; ou seja, mais R$ 1.300,00 (hum mil e trezentos reais) ficam para o governo; restam para você apenas R$ 1.950,00 (hum mil, novecentos e cinqüenta reais). O que eu acho engraçado, é que a nossa “mãe pátria”, mesmo comendo mais de 60% (sessenta por cento) de tudo que você produz, não te dá serviços com qualidade, tais como saúde, educação para os seus filhos, lazer, habitação e dignidade. Ou seja, com os outros R$ 1.950,00 (hum mil, novecentos e cinqüenta reais) que te restaram, você ainda vai ter que pagar escola, e planos de saúde para você e sua família, caso não queira depender dos podres serviços estatais; e lá se vão mais, aproximadamente, R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), gastos com estes serviços essenciais. No final, o que sobrou pra você? Apenas R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais). Você produziu R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e ficou com, tão somente, R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais). E a sua grande “mãezinha”, chamada Brasil, ficou com R$ 3.050,00 (três mil e cinqüenta reais) do que você, com o suor do teu rosto, produziu. É brincadeira? Quando eu cito algumas das injustiças legitimadas pelo poder público, alguns ainda pensam que isso não os atinge diretamente.


É por esse, e outros motivos, que eu não me vejo filho deste país injusto, cruel, mentiroso e desumano chamado Brasil, a não ser, que eu seja considerado um bastardo. E não é só no Brasil que reina a corrupção. O mundo todo está infestado de maldade, inverdades e ilusões.


Essa “mãe pátria” tem se vendido para as instituições financeiras, tecnocratas da economia, e toda a “aristocracia” que detém o poder econômico. Essa “mãe pátria” tem se prostituído com todo tipo de corrupção, legitimando e regulamentando o exercício e prática de todo tipo de imoralidade, injustiça e mentira. A “mãe pátria”, caros leitores, não passa de uma prostituta irresponsável que deixa um número infindável de filhos a morrer sem saneamento básico, sem hospitais eficientes, sem uma justiça rápida e verdadeira. Essa “mãe pátria” percebeu sua incapacidade e falência, e tem buscado refúgio na mais baixa prostituição, vendendo seus recursos e riquezas; permitindo que qualquer um que aqui entre, mame em seus grandes seios sem deixar nada para seus filhos repudiados.


Sinceramente, eu não me considero mais pertencente à nação brasileira. E, ideologicamente, abdico do título de filho da “amada mãe gentil”. Sou estrangeiro neste país que tem se afundado em densas trevas. Para explicar o que eu venho tentando dizer, passarei a falar da nação a que pertenço.Vejamos, primeiramente, o conceito de soberania: a soberania, segundo Jean Bodin, é um poder supremo, incontrastável, não submetido a nenhum outro poder, revestida das seguintes características: una, absoluta, indivisível, inalienável, imprescritível, irrevogável, perpétua.


É dessa forma que são reconhecidas as nações que compõem o globo terrestre. Assim, observando-se tal conceito, e perceptível que uma nação não necessita de um território específico no planeta terra. A nação pode existir independentemente de um território. O mais forte caráter de uma nação é o poder supremo que não se submete a nenhum outro. Seguindo-se essa perspectiva, considero-me cidadão da nação celestial: aquela nação instituída pelo Deus Todo Poderoso. Veja que essa nação exerce um poder supremo, incontrastável, com sua própria Lei, a qual é perfeita e justa. A soberania de Deus, com o principado do Mestre Jesus Cristo, o qual vive e reina para todo sempre, revela o Sol da Justiça e da verdadeira Paz. A Lei deste país distante é boa para nos corrigir e refrigera a nossa alma. Em nosso Governador e Rei Supremo, temos refúgio e somos fortalecidos. Todas as nossas necessidades são atendidas no Reino de Deus; é necessário apenas que o busquemos, juntamente com sua Justiça.
(Mt 6.33) - Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.


Uma vez resgatado e eleito cidadão dos Céus (Ef 2.19), já não me conformo com a injustiça e maldade que opera neste mundo de trevas. Recuso-me a ser filho deste mundo, mas sou chamado de filho da luz. Não há nada que me prenda a este mundo iníquo, pois já estou inserido em Cristo, que me salvou, purificou-me e resgatou-me do mal.
(At 13.17) - O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais, e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso os tirou dela;


Hoje, quando olho a minha volta, percebo o quão estranho é o mundo que me cerca. Poderia dizer, como servo de Deus, que é impossível adaptar-me a este mundo. A Bíblia compara, analogicamente, o mundo ao Egito. Desse modo, o fato de os verdadeiros cristãos sentirem-se estranhos ao mundo é perfeitamente explicado seguindo a compreensão bíblica. É por isso que nós, verdadeiros cristãos, não nos amoldamos ao padrão desse mundo, mas mantemos nossas mentes renovadas e nosso entendimento transformado segundo a Santa Palavra de Deus.


Se você já não suporta este império de injustiça e maldade que domina nosso país e o mundo, venha fazer parte da nação que irá reinar com Cristo na Nova Jerusalém, onde o gozo e a justiça serão eternos. Não tenha medo de tomar essa decisão, os benefícios são inimagináveis. Creio que, com este texto, você tem percebido em quão terríveis trevas e maldade está inserida a nação brasileiro e todo o mundo. Este mundo já está perdido. Mas você pode ter como garantia a vida eterna ao lado d’Aquele que sempre te amou, ao ponto de dar a Sua vida para ter você junto a Ele. Jesus Cristo te ama e tem um lugar preparado, junto a Ele, para todos os seus eleitos. A Justiça de Deus irá reinar eternamente. Faça parte conosco dessa nação. Sejamos concidadãos dos Céus. Deus te abençoe!


A paz do Senhor a todos!


Jordanny Silva

(Texto postado em 18/12/2008 com algumas edições)

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 10a


7. Sábado 6ª Ministração – Indo à Cruz

Essa ministração apresenta uma série de equívocos doutrinários, acerca dos quais nos deteremos na presente explanação. Veremos, a seguir, passo a passo, alguns erros que pudemos observar.

“Liberando” Perdão

Façamos a leitura do texto abaixo, extraída da apostila do Encontro:

A cruz me leva ao perdão. Eu recebo perdão e recebo a capacidade de perdoar. Deixo tudo na cruz. O que eu fiz e o que fizeram comigo. Perdão é uma decisão, mas o ressentimento é um caminho para eu voltar ao pecado. Libere os ofensores. Deixe tudo na cruz. O sacrifício da cruz é o princípio e o fim da restauração na sua vida. (Grifo nosso)

Fiz questão de grifar a frase “Libere os ofensores”, pois atualmente está em voga a questão do "liberar" perdão. Há alguns meses atrás em conversa com um pastor, este me contou uma história um pouco estranha em relação à Palavra de Deus. Disse que um jovem saiu de sua igreja em rebeldia. Algum tempo depois esse jovem retornou até sua igreja e quis falar com este pastor. Segundo esse jovem, tudo na sua vida estava dando errado, então ele sentiu que deveria vir até esse pastor para pedir perdão e, uma vez perdoado pelo pastor, estaria liberto do jugo de maldição. Esse pastor me disse que, ao ouvir o que esse jovem falava, imediatamente liberou perdão, a fim de que a maldição fosse quebrada. Ouvindo essa história, atentamente, percebi que o perdão a que o pastor havia liberado se difere um pouco do PERDÃO que a Bíblia nos ensina. Não obstante, a própria frase “Liberar perdão” nos traz a idéia de que o perdão é uma espécie de força que tem o poder de aprisionar o ofensor. Logo, aparentemente, quando você libera perdão, uma espécie energia cósmica é liberada e o ofensor se vê livre. Um tanto estranho, não? Por isso fiz questão de grifar a frase “Libere os ofensores”. Mas, vamos entender um pouco do que é o perdão, biblicamente falando, para depois voltarmos nesse assunto.

O perdão não se trata de um dom que o Espírito nos dá, tal como o amor não é um dom. O amor é uma das características do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). Entretanto, dentre as características do fruto do Espírito, não encontramos a palavra perdão. Senão vejamos:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gl 5.22)

Logo, o que dizer do perdão? Onde encontramos referência a esta palavra? Na verdade, o perdão participa dos atributos do amor:

“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;” (1Co 13.4,5 – ARA) (grifo nosso)

Você percebe, pela última frase grifada, onde se encontra o perdão como uma das características do fruto do Espírito? É evidente que o perdão é necessário para a vida cristã. Se o perdão é parte do amor, logo, a vida cristã sem o caminho mais excelente (1Co 12.31b), é igual a nada. Perceba, inicialmente, que o próprio apóstolo Paulo afirma que, qualquer coisa por mais louvável, fantástica, piedosa, extraordinária, sobrenatural que seja, sem amor é igual a nada. Compreendendo-se que o perdão é parte do amor, significa dizer que, extraído quaisquer dos elementos do amor, este já se descaracteriza. Logo, o amor sem perdão, não é amor. Por isso o próprio Cristo, por meio de uma parábola maravilhosa, nos afirma que a própria salvação alcança um limite em nossa disposição para perdoar (Mt 18.21-35).

Mas, a grande questão que está em voga é acerca de liberar o perdão. Alguns acreditam, veementemente, que o fato de você não perdoar alguém, faz com que a pessoa não perdoada fique presa por uma espécie de maldição. Na verdade, alguns poderiam até afirmar que o texto descrito em Mt 18.21-35 corrobora a “doutrina da liberação de perdão”. Entretanto, Jesus se vale de uma parábola para demonstrar a proporção da misericórdia de Deus, quando comparado ao nosso saldo devedor diante Dele, em relação a nossa dureza de coração e falta de amor para com o nosso próximo. A parábola apresenta isso de uma forma extremamente clara, mas não evidencia que, todas as vezes que nós não “liberamos” perdão, a pessoa fica presa a nós. Pelo contrário, tal parábola ainda nos admoesta informando-nos que o perdão traz incalculáveis benefícios para aquele que perdoou. Ocorre que se esquecermos o enfoque central da parábola e aplicarmos a parte em que aquele homem, que foi perdoado, lança o outro na prisão, poderemos acreditar que isto é uma regra bíblica; ou seja, uma vez que você não perdoa, a pessoa se vê prisioneira. Mas, usando uma hermenêutica simples, perceberemos, no verso 35, que o princípio ressaltado pelo Mestre, refere-se ao perdão como requisito necessário para ser perdoado. O aprisionamento do ofensor não é um princípio bíblico. Façamos a leitura do verso 35 para entendermos melhor:

“Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”. (Mt 18.35 – ARA)

É possível perceber o princípio destacado por Jesus? É possível perceber, ainda, que a má interpretação desse texto nos faz acreditar que, efetivamente, o fato de não perdoarmos nosso irmão o aprisiona? Logo, uma hermenêutica bíblica atenta, aliada à revelação do Espírito, nos descortina os verdadeiros princípios que devem ser observados na vida cristã e, ao mesmo tempo, nos conserva dentro da essência doutrinária inserida no texto sagrado.
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Pr. Silas, volte! Arrependa-se e volte!

(Ob v.3) - A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?



A conclusão de toda essa confusão, eu deixo para você!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Demitiram meu Pastor: e agora???


Por Augusto Guedes



O pastor da minha igreja é alguém de quem eu gosto muito. Certo dia, fui surpreendido com a notícia de que ele fora demitido das suas funções, o que me levou a perguntar: Mas, por quê? Foi quando um amigo, que é da liderança, passou a me contar com detalhes...


“Na realidade, nem sabemos bem como explicar todo esse processo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos frustrados com o desenrolar dos acontecimentos, por ser ele uma pessoa que aparenta não ter sequer um defeito, temos a sensação do dever cumprido por observarmos que ele nunca iria preencher o perfil exigido para a função de pastor da nossa igreja. Se nos relacionamentos ele é uma pessoa nota “mais que mil”, em muitas outras áreas ele deixa a desejar. E o pior é que observamos não se tratar de incompetência, mas de opção.


Acredito que a decisão de demiti-lo foi acertada no sentido de preservar a nossa igreja, afinal, somos seus guardiões, e, assim, tínhamos a responsabilidade de tomá-la o quanto antes.


Seu ministério conosco teve início de uma forma surpreendente. Estávamos sem pastor e a simples convivência com ele nos cativou de maneira tal que o seu reconhecimento à função tornou-se irresistível para nós. Foi quando descobrimos a nossa primeira divergência: enquanto achávamos de fundamental importância a sua confirmação nas funções eclesiásticas, de acordo com os nossos normativos, ele afirmava não ser necessário e até agia com certo desprezo. Mesmo assim, o seu pastoreio parecia ser indiscutível e unânime no seio da comunidade, o que entendemos como direcionamento de Deus. Terminamos abrindo mão – Que equívoco! Depois disso as coisas só pioraram. Há muito ele já vinha “pisando na bola” em várias situações, inclusive com a inversão de vários valores.


Ao invés do púlpito, ele preferia estar à mesa. Desejávamos ter um grande pregador para os nossos cultos públicos, e ele o era - na realidade - imbatível. No entanto, por várias vezes delegou a sua atribuição a outros, preferindo estar nas casas dos irmãos ou nos bares e restaurantes da vida, comendo e bebendo em meio a uma boa conversa. Segundo ele próprio, esse era o seu principal ministério: “a oportunidade de ensinar, aconselhar, encorajar, ouvir, chorar com os que choram,...” Quando perguntávamos por ele no meio da liderança, já havia até a resposta irônica: "deve estar por aí, de casa em casa, de mesa em mesa, de bar em bar".


Aliás, nessa coisa de viver comendo e bebendo com as pessoas, chegou a sentar-se com muita gente que não devia. O pior é que várias dessas pessoas se converteram e não vieram para a nossa igreja. Ele só pregava o arrependimento e não uma adesão comprometida conosco e com a nossa visão. É verdade que, desses, todos mudaram radicalmente seus comportamentos, alguns abriram trabalhos sociais, passaram a promover reuniões caseiras ou, em seus ambientes de trabalho, tornaram-se intensos evangelistas. Muitos se reconciliaram com pessoas a quem tinham ofendido, pediram perdão, pagaram dívidas; mas só isso, apenas isso.


Aos invés de solenidades, ele preferia o informal. Facilmente abria mão de reuniões, cultos e até rituais fundamentais, como por exemplo, o batismo. Nunca batizou ninguém. Enquanto achávamos ser sua responsabilidade tal ordenança, ele delegava sempre aos outros, ensinando que todos, como sacerdotes, podiam fazê-lo em nome do Pai, do Filho e do Espírito. O mesmo acontecia com muitas outras atividades que julgamos pertencerem apenas àqueles investidos da autoridade pastoral. Na ministração da ceia, nunca se opôs à participação das crianças, nem exigiu o pré-requisito de ser membro da nossa igreja. Na verdade, nunca estabeleceu critérios tanto para a participação quanto para a ministração. Apenas encorajava uma busca por comunhão entre os irmãos e reconciliação com Deus, mediante o arrependimento, e o conseqüente comer do pão e beber do cálice. Há quem diga que ele instruía a celebração da ceia, independente do dia e do local, e não apenas no templo.


Quando resolvemos votar uma remuneração pelos seus serviços prestados, outra vez nos decepcionamos. Esperávamos negociar um valor, enquanto para ele qualquer oferta valia. Desejávamos ter um bom administrador, mas parece que ele não sabia sequer administrar os seus próprios bens. Bastava encontrar alguém necessitando de alguma coisa para, de imediato, fazer uma doação. Internamente lutamos muito com isso, pois sempre procuramos lhe pagar bem, um bom salário, digno de um executivo de alto nível, o top da nossa sociedade. Mesmo assim ele nunca comprou sequer um carro. Já pensou? Andando sempre de carona? Isso não fica bem para um pastor. Queira ou não ele é nosso representante, atuando em nome da nossa institutição perante a sociedade. Mas parece que ele não liga muito pra isso. Além de não ter um carro digno de um homem de Deus, nunca quis morar num dos bairros mais chiques da cidade e nem vestir as roupas de algumas das principais lojas como lhe aconselhamos. Você sabe que isso é fundamental para se penetrar na sociedade!


Pessoalmente eu fiquei muito triste, pois no seu aniversário, eu mesmo lhe dei uma camisa de grife e logo depois a vi sendo usada por aquele “João ninguém desempregado” no dia do casamento da sua filha. Até reconheço que ele abençoou o irmão numa ocasião tão significante, mas ele não podia ter feito isso. Eu lhe dei aquela camisa e esperava vê-lo pregando com ela no dia do aniversário da igreja.


Foi exatamente aí a gota d´água. Justamente no dia da celebração do aniversário da igreja ele pediu licença para ausentar-se, a fim de estar com a família do seu amigo Lazaroni, que havia morrido. Questionado, chegou a sugerir que não houvesse a reunião e que todos fossem com ele. Foi uma total decepção para nós da liderança. Quase não acreditamos. Estava tudo planejado para ele pregar naquela noite com vistas à presidência da nossa denominação e da Associação de pastores da cidade. Tudo indicava que ele nem pensava nesse tipo de influência. Mesmo nas poucas reuniões administrativas que participou praticamente obrigado, nunca sequer opinou sobre as nossas estruturas, metas e ações do planejamento estratégico e nem mesmo quanto as questões litúrgicas. Ao sair, ainda lembrou-se do que sempre ensinava: melhor é freqüentar funerais do que festas.


Aqui para nós, ele sempre perdeu muito tempo com as pessoas, ao invés de priorizar as atividades pertinentes as suas funções, tão necessárias à vida da igreja.Depois dessa tamanha decepção, começamos a enxergar a sua inadequação por não preencher alguns dos principais requisitos do perfil que sempre traçamos para os candidatos a pastores da nossa amada igreja: ele é solteiro, com menos de cinco anos de exercício no ministério, e não possui formação teológica. Só assim conseguimos convencer a maior parte da igreja a nos apoiar nessa decisão. Acertadamente o substituímos por um doutor em divindade, além de mestre em espiritualidade no antigo e novo testamentos, e também bacharel pelo nosso seminário.


Depois que ele saiu, confesso que fiquei inicialmente um pouco preocupado com o seu sustento, mas logo lembrei que ele possui outra profissão: é marceneiro. Certamente se dará bem. Quanto aos irmãos, na realidade, muitos estão pensando como eu. Quando necessitarmos de um amigo verdadeiro é só convidá-lo para um bom bate-papo regado a um bom vinho em torno de uma saborosa refeição.


Ao final de toda essa explicação, descobri algo maravilhoso e libertador: definitivamente essa não é a minha igreja e Ele continua sendo o meu pastor.


(Qualquer semelhança desta ficção com a vida eclesial dita "normal" não é mera coincidência. Desejo promover uma reflexão sobre o que Jesus possivelmente abominaria em nosso meio).


Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 9c


E os Sonhos de José?

Alguns, ainda, poderão contra-argumentar as proposições, acima consignadas, da seguinte forma: “E quanto a José, no Egito; ele não foi um exímio sonhador?” A história de José, filho de Jacó, é um dos mais belos registros bíblicos. Podemos ver essa história contada a partir de Gn 37, onde no verso 5, está escrito o seguinte:

“Teve José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais.”

Bem, literalmente a Palavra nos informa que José teve um sonho. E este sonho alcança o sentido denotativo, ou seja, é um sonho mesmo. José não teve um sonho que, conotativamente, alcança o significado de planejamento, ou desejo; não! Foi literalmente um sonho, tal qual aquele que nós temos quando dormimos.

Na verdade, este sonho foi uma revelação dada por Deus a José. Vemos isso no contexto próximo e remoto, ainda no livro de Gênesis. Logo, não há porque tratar o sonho de José como se fosse um anseio, um objetivo firmado por ele mesmo. Deus revelou seu propósito por meio de sonhos!

Criando um “deus” Segundo os Nossos Caprichos

A questão mais grave que se observa nos dias atuais, com essa ênfase que é dada aos sonhos, está na idolatria que pode ser encontrada nas pessoas que vão a Deus apenas pelos benefícios que Ele lhes pode proporcionar. Para uma compreensão mais ampla, faz-se necessário tecer algumas considerações:

A contumácia do homem em desobedecer a Deus tem gerado, desde épocas mais remotas, diversos absurdos. Não obstante, é perceptível a dificuldade do homem em submeter-se à vontade soberana de Deus. Isso se dá por alguns motivos, dentre os quais, tentaremos compreender hoje.

Mas, para o entendimento mais profundo da abordagem aqui sugerida, deveremos analisar, à luz da Palavra de Deus, um pouco da natureza humana.

O homem foi criado para uma finalidade precípua: adorar e louvar ao Senhor (Mt 4.10; Lc 4. 8). Entretanto, ao experimentar o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a natureza essencial do homem foi completamente arrancada (Gn 3.6). Observe que o homem come tal fruto acreditando na possibilidade de tornar-se igual a Deus, conforme havia sido sugerido pela serpente (Gn 3.5). Isso revela um pecado semelhante ao de Satanás, o qual também quis ser como Deus.

Como é sabido, a partir daquele momento, o homem decaiu. Mas esta queda não modificou por completo a composição humana, ao passo que, ainda assim, haveria uma intensa necessidade de buscar algo ou alguma coisa que pudesse preencher o vazio de Deus, a fim de ser adorada. É a partir daí que começa surgir a idolatria. Precisamos compreender que, no lugar onde originariamente habitava o Espírito do Senhor (Gn 2.7), começou a habitar o pecado.

Muitos acreditam que o pecado é, tão somente, uma coisa impregnada na natureza humana. Entretanto, o pecado é um ser que habita no homem. Se não, vejamos:

(Rm 7.17) - De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. (Ênfase adicionada)

Observem que o pecado habita no homem caído. Percebemos então que o pecado não é um objeto, mas sim um ser. Um objeto não habita. Já o ser habita. E este ser passa a fazer parte na natureza do homem. (Sl 51.5) - Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Esta questão é um pouco lógica visto que, a partir do momento que Deus deixa de habitar o homem, algo ou alguma coisa ocupará o Seu lugar (Mt 12.43-45), surgindo, assim, a idolatria.

Nesse passo, a idolatria inserta no mundo é algo fácil de ser notada. Porém, a idolatria maquiada no seio do “povo de Deus”, é mais complicada de ser constatada e arrancada. Dito isso, façamos a leitura e análise do seguinte texto:

MAS vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo arrancou os pendentes de ouro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão. E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito. (Êx 32.1-4)

O texto em destaque revela uma conhecida passagem histórica contemporânea a Moisés, sendo ele um dos personagens. Em resumo a este episódio, Moisés havia subido ao monte Sinai, onde recebera, diretamente de Deus, a Legislação que regulamentaria o povo de Israel. Ocorre que a demora de Moisés, gerou desespero no povo, o qual, seguindo uma influência rebelde que existia no meio deles, assegurou para si um novo deus, à semelhança do que há na terra, para que fosse adorado.

O interessante, mesmo, é ver o relato descrito no verso 24:

Então eu lhes disse: Quem tem ouro, arranque-o; e deram-mo, e lancei-o no fogo, e saiu este bezerro. (Êx 32.24)(Ênfase adicionada)

Percebe-se, aqui, claramente, o material utilizado para a confecção de um deus: ouro. O ouro conota, não só para os tempos modernos, mas também para os povos antigos, algo de valor, precioso, relacionado à riqueza. Isso se aplica à nossa vida espiritual. Normalmente, quando nos afastamos de Deus, em face da desesperança advinda de uma fé subtraída de fundamento sólido (Palavra do Deus Vivo), ajuntamos aquilo que nos é valioso e criamos um deus que visa atender, fielmente, às nossas expectativas e caprichos.

Criamos, por exemplo, um deus emotivo, que se ocupa no amor segundo o padrão humano; um deus que se apaixona e que te faz apaixonar-se por ele; um deus completamente almático, cheio de fantasias dramáticas e emocionais; um deus, às vezes, até lúdico, que não perde a oportunidade de fazer sua platéia rir-se de suas “palhaçadas” fundamentadas em passagens bíblicas descontextualizadas (quando não alteradas e distorcidas).

Chegamos a criar um deus, tão semelhante a nós mesmos, que é capaz de sonhar conosco e de nos fazer fruto dos seus sonhos; um deus capaz sonhar e desejar as minhas vontades; este mesmo deus gera sonhos em seus corações e se submete às determinações de seus “súditos”, visto que é dependente da criatividade destes. A questão que me vem à mente é: quem é o súdito de quem nessa brincadeira?

Aqui chegamos à grande problemática envolvida. Quando começamos a colocar todos os nossos objetivos e anseios, como sendo parte dos planos de Deus, corremos um grande risco de estarmos criando um “deus” segundo à nossa vontade. Este “deus” tem por obrigação cumprir os nossos caprichos. Seria este o Deus da Palavra? É evidente que não!

O Deus Criador dos céus e da terra (Gn 1.1), não se submete à vontade do homem (Jó 4.17), pois conhece as limitações deste último (Is 55.8,9). O Deus onipotente não se afasta dos princípios e da Palavra deixada por Ele (Lc 21.33), porque Ele é a Palavra (Jo 1.1,14). O Deus soberano, mesmo amando o pecador (Jo 3.16), não admite o pecado, exigindo de nós que o amamos obediência (1Sm 15.22) e santidade (Hb 12.14). O Grande Eu Sou, nos exorta a não nos conformarmos (amoldarmos) com o padrão deste século (Rm 12.2), mas, sim, a mantermos e fazermos a diferença exalando o perfume de Cristo (2Co 2.14-17), requerendo bom testemunho (1Pe 3.11,12; 2Co 3.1-6), por meio do fruto do Espírito (Gl 5.22). O verdadeiro Deus não é só fundamentalista (pois não se afasta da Sua Palavra), é também o fundamento (Sl 62.7; 86.26; 95.1) da nossa fé e da nossa esperança (Hb 11.1). Este Deus não atende aos caprichos do homem, reservando-Se a cumprir a Sua Vontade. Glórias a este Deus, o Deus verdadeiro!

Por fim, há que se consignar algo que vem ocorrendo com certa contumácia no meio do povo de Deus. Grande parte dos pregadores tem trocado a verdade da Palavra de Deus por literaturas seculares. Não obstante, há um livro muito conhecido de um autor que se diz cristão, intitulado “Nunca desista dos seus sonhos”. Segundo este autor os sonhos são os grandes motivadores da vida de alguém e que essa pessoa, sem os sonhos, não é nada. Faço uma pergunta, por acaso Deus é menor do que os sonhos? Dependemos mais dos sonhos para sermos felizes ou para termos uma vida abundante do que da presença do Espírito Santo? E o que diremos da mensagem da cruz, por acaso a Palavra não nos informa que devemos, em grande parte das vezes, termos uma atitude de negação para que sejamos recebidos por Deus? Logo, nunca desistir dos sonhos é deificar nossos objetivos e desconsiderar as Verdades inegáveis inseridas na Palavra do Senhor! Se for da Vontade de Deus, devemos sim desistir dos nossos sonhos! Nossos sonhos não são a nossa fonte de alegria, mas sim a vontade de Deus deve ser a nossa fonte de alegria!

Trazidas estas questões, passemos à análise da ministração seguinte.

domingo, 25 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 9b


Voltando ao Tema

Tenhamos, pois, cuidado com as palavras motivacionais, movidas pela emoção do momento. Contudo, continuemos com os estudos acerca do tema: sonhos.

O texto citado no preâmbulo nos informa que, ao nos deleitarmos no Senhor, os desejos do nosso coração são atendidos. Contudo, mais uma vez, questiono: Deus tem compromisso em realizar os meus sonhos? Se a resposta é verdadeira, porque existem tantas pessoas, que vivem na igreja, frustradas por não alcançarem aquilo que desejavam? Inicialmente, e pasmem, vou informar que Deus não tem compromisso com os sonhos e desejos do coração de ninguém. O compromisso d Deus é com a Palavra d’Ele:

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar.” (Lc 21.33)

Desse modo, para que os nossos planos e anseios sejam realizados, eles devem estar de acordo com a Vontade de Deus. Não se trata de soberania da minha vontade, ou mesmo, a minha vontade tornar-se a vontade de Deus; trata-se de soberania da Vontade de Deus e, de mesmo modo, a Vontade de Deus é que deve se tornar minha vontade.

Porém, como conhecer a vontade de Deus para que ela se torne minha vontade? A Palavra nos informa que a vontade de Deus deve estar no nosso coração. Para conhecermos a vontade de Deus devemos conhecer a Deus. Existe um sentido lógico para se ter o conhecimento da vontade de Deus. O primeiro passo é intimidade. Jesus é a Palavra. Se conhecermos a Palavra, passamos então a compreender a vontade de Deus. A Palavra nos tira de ignorância e nos deixa cientes do pecado. Entretanto, não basta conhecer a Palavra (Lei). Em Salmos 119:11 está escrito: “Escondi a Tua Palavra em meu coração, para não pecar contra Ti”. Porém, o que significa esconder a Palavra no coração?

A expressão “coração”, na forma usada, tem o significado de desejo, de vontade intensa. Desse modo, guardar a Palavra junto ao coração, significa passar a desejar e a cumprir a Vontade de Deus. Quando estamos, verdadeiramente, em Cristo, a Vontade de Deus passa a ser os nossos anseios e desejos. Desse modo, quando nos deleitamos no Senhor, Ele nos concede os desejos de nosso coração, por que os nossos desejos são a Vontade de Deus. O nosso querer é o nosso efetuar. Não basta conhecer a vontade de Deus; devemos desejar, buscar, almejar a Vontade de Deus. Conhecendo e desejando a Vontade de Deus, não existe possibilidade para frustrações, pois Deus tem compromisso com a Palavra d’Ele, e Ele há de realizar a Sua Vontade.

Que todos nós venhamos a buscar tanto compreender quanto desejar a Vontade de Deus. Busquemos intimidade com Ele por meio da meditação na Palavra, da oração, adoração, jejum. Conheçamos e prossigamos em conhecer a Deus. Os sonhos, só podem ser realizados, se partirem do centro da Vontade de Deus. (João 4: 34 – “A minha comida (o meu desejo, a minha necessidade) é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.”

Quais têm sido os teus planos? Quais têm sido os teus anseios? Você tem desejado a vontade de Deus?