terça-feira, 27 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 10a


7. Sábado 6ª Ministração – Indo à Cruz

Essa ministração apresenta uma série de equívocos doutrinários, acerca dos quais nos deteremos na presente explanação. Veremos, a seguir, passo a passo, alguns erros que pudemos observar.

“Liberando” Perdão

Façamos a leitura do texto abaixo, extraída da apostila do Encontro:

A cruz me leva ao perdão. Eu recebo perdão e recebo a capacidade de perdoar. Deixo tudo na cruz. O que eu fiz e o que fizeram comigo. Perdão é uma decisão, mas o ressentimento é um caminho para eu voltar ao pecado. Libere os ofensores. Deixe tudo na cruz. O sacrifício da cruz é o princípio e o fim da restauração na sua vida. (Grifo nosso)

Fiz questão de grifar a frase “Libere os ofensores”, pois atualmente está em voga a questão do "liberar" perdão. Há alguns meses atrás em conversa com um pastor, este me contou uma história um pouco estranha em relação à Palavra de Deus. Disse que um jovem saiu de sua igreja em rebeldia. Algum tempo depois esse jovem retornou até sua igreja e quis falar com este pastor. Segundo esse jovem, tudo na sua vida estava dando errado, então ele sentiu que deveria vir até esse pastor para pedir perdão e, uma vez perdoado pelo pastor, estaria liberto do jugo de maldição. Esse pastor me disse que, ao ouvir o que esse jovem falava, imediatamente liberou perdão, a fim de que a maldição fosse quebrada. Ouvindo essa história, atentamente, percebi que o perdão a que o pastor havia liberado se difere um pouco do PERDÃO que a Bíblia nos ensina. Não obstante, a própria frase “Liberar perdão” nos traz a idéia de que o perdão é uma espécie de força que tem o poder de aprisionar o ofensor. Logo, aparentemente, quando você libera perdão, uma espécie energia cósmica é liberada e o ofensor se vê livre. Um tanto estranho, não? Por isso fiz questão de grifar a frase “Libere os ofensores”. Mas, vamos entender um pouco do que é o perdão, biblicamente falando, para depois voltarmos nesse assunto.

O perdão não se trata de um dom que o Espírito nos dá, tal como o amor não é um dom. O amor é uma das características do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). Entretanto, dentre as características do fruto do Espírito, não encontramos a palavra perdão. Senão vejamos:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gl 5.22)

Logo, o que dizer do perdão? Onde encontramos referência a esta palavra? Na verdade, o perdão participa dos atributos do amor:

“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;” (1Co 13.4,5 – ARA) (grifo nosso)

Você percebe, pela última frase grifada, onde se encontra o perdão como uma das características do fruto do Espírito? É evidente que o perdão é necessário para a vida cristã. Se o perdão é parte do amor, logo, a vida cristã sem o caminho mais excelente (1Co 12.31b), é igual a nada. Perceba, inicialmente, que o próprio apóstolo Paulo afirma que, qualquer coisa por mais louvável, fantástica, piedosa, extraordinária, sobrenatural que seja, sem amor é igual a nada. Compreendendo-se que o perdão é parte do amor, significa dizer que, extraído quaisquer dos elementos do amor, este já se descaracteriza. Logo, o amor sem perdão, não é amor. Por isso o próprio Cristo, por meio de uma parábola maravilhosa, nos afirma que a própria salvação alcança um limite em nossa disposição para perdoar (Mt 18.21-35).

Mas, a grande questão que está em voga é acerca de liberar o perdão. Alguns acreditam, veementemente, que o fato de você não perdoar alguém, faz com que a pessoa não perdoada fique presa por uma espécie de maldição. Na verdade, alguns poderiam até afirmar que o texto descrito em Mt 18.21-35 corrobora a “doutrina da liberação de perdão”. Entretanto, Jesus se vale de uma parábola para demonstrar a proporção da misericórdia de Deus, quando comparado ao nosso saldo devedor diante Dele, em relação a nossa dureza de coração e falta de amor para com o nosso próximo. A parábola apresenta isso de uma forma extremamente clara, mas não evidencia que, todas as vezes que nós não “liberamos” perdão, a pessoa fica presa a nós. Pelo contrário, tal parábola ainda nos admoesta informando-nos que o perdão traz incalculáveis benefícios para aquele que perdoou. Ocorre que se esquecermos o enfoque central da parábola e aplicarmos a parte em que aquele homem, que foi perdoado, lança o outro na prisão, poderemos acreditar que isto é uma regra bíblica; ou seja, uma vez que você não perdoa, a pessoa se vê prisioneira. Mas, usando uma hermenêutica simples, perceberemos, no verso 35, que o princípio ressaltado pelo Mestre, refere-se ao perdão como requisito necessário para ser perdoado. O aprisionamento do ofensor não é um princípio bíblico. Façamos a leitura do verso 35 para entendermos melhor:

“Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”. (Mt 18.35 – ARA)

É possível perceber o princípio destacado por Jesus? É possível perceber, ainda, que a má interpretação desse texto nos faz acreditar que, efetivamente, o fato de não perdoarmos nosso irmão o aprisiona? Logo, uma hermenêutica bíblica atenta, aliada à revelação do Espírito, nos descortina os verdadeiros princípios que devem ser observados na vida cristã e, ao mesmo tempo, nos conserva dentro da essência doutrinária inserida no texto sagrado.
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Pr. Silas, volte! Arrependa-se e volte!

(Ob v.3) - A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra?



A conclusão de toda essa confusão, eu deixo para você!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Demitiram meu Pastor: e agora???


Por Augusto Guedes



O pastor da minha igreja é alguém de quem eu gosto muito. Certo dia, fui surpreendido com a notícia de que ele fora demitido das suas funções, o que me levou a perguntar: Mas, por quê? Foi quando um amigo, que é da liderança, passou a me contar com detalhes...


“Na realidade, nem sabemos bem como explicar todo esse processo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos frustrados com o desenrolar dos acontecimentos, por ser ele uma pessoa que aparenta não ter sequer um defeito, temos a sensação do dever cumprido por observarmos que ele nunca iria preencher o perfil exigido para a função de pastor da nossa igreja. Se nos relacionamentos ele é uma pessoa nota “mais que mil”, em muitas outras áreas ele deixa a desejar. E o pior é que observamos não se tratar de incompetência, mas de opção.


Acredito que a decisão de demiti-lo foi acertada no sentido de preservar a nossa igreja, afinal, somos seus guardiões, e, assim, tínhamos a responsabilidade de tomá-la o quanto antes.


Seu ministério conosco teve início de uma forma surpreendente. Estávamos sem pastor e a simples convivência com ele nos cativou de maneira tal que o seu reconhecimento à função tornou-se irresistível para nós. Foi quando descobrimos a nossa primeira divergência: enquanto achávamos de fundamental importância a sua confirmação nas funções eclesiásticas, de acordo com os nossos normativos, ele afirmava não ser necessário e até agia com certo desprezo. Mesmo assim, o seu pastoreio parecia ser indiscutível e unânime no seio da comunidade, o que entendemos como direcionamento de Deus. Terminamos abrindo mão – Que equívoco! Depois disso as coisas só pioraram. Há muito ele já vinha “pisando na bola” em várias situações, inclusive com a inversão de vários valores.


Ao invés do púlpito, ele preferia estar à mesa. Desejávamos ter um grande pregador para os nossos cultos públicos, e ele o era - na realidade - imbatível. No entanto, por várias vezes delegou a sua atribuição a outros, preferindo estar nas casas dos irmãos ou nos bares e restaurantes da vida, comendo e bebendo em meio a uma boa conversa. Segundo ele próprio, esse era o seu principal ministério: “a oportunidade de ensinar, aconselhar, encorajar, ouvir, chorar com os que choram,...” Quando perguntávamos por ele no meio da liderança, já havia até a resposta irônica: "deve estar por aí, de casa em casa, de mesa em mesa, de bar em bar".


Aliás, nessa coisa de viver comendo e bebendo com as pessoas, chegou a sentar-se com muita gente que não devia. O pior é que várias dessas pessoas se converteram e não vieram para a nossa igreja. Ele só pregava o arrependimento e não uma adesão comprometida conosco e com a nossa visão. É verdade que, desses, todos mudaram radicalmente seus comportamentos, alguns abriram trabalhos sociais, passaram a promover reuniões caseiras ou, em seus ambientes de trabalho, tornaram-se intensos evangelistas. Muitos se reconciliaram com pessoas a quem tinham ofendido, pediram perdão, pagaram dívidas; mas só isso, apenas isso.


Aos invés de solenidades, ele preferia o informal. Facilmente abria mão de reuniões, cultos e até rituais fundamentais, como por exemplo, o batismo. Nunca batizou ninguém. Enquanto achávamos ser sua responsabilidade tal ordenança, ele delegava sempre aos outros, ensinando que todos, como sacerdotes, podiam fazê-lo em nome do Pai, do Filho e do Espírito. O mesmo acontecia com muitas outras atividades que julgamos pertencerem apenas àqueles investidos da autoridade pastoral. Na ministração da ceia, nunca se opôs à participação das crianças, nem exigiu o pré-requisito de ser membro da nossa igreja. Na verdade, nunca estabeleceu critérios tanto para a participação quanto para a ministração. Apenas encorajava uma busca por comunhão entre os irmãos e reconciliação com Deus, mediante o arrependimento, e o conseqüente comer do pão e beber do cálice. Há quem diga que ele instruía a celebração da ceia, independente do dia e do local, e não apenas no templo.


Quando resolvemos votar uma remuneração pelos seus serviços prestados, outra vez nos decepcionamos. Esperávamos negociar um valor, enquanto para ele qualquer oferta valia. Desejávamos ter um bom administrador, mas parece que ele não sabia sequer administrar os seus próprios bens. Bastava encontrar alguém necessitando de alguma coisa para, de imediato, fazer uma doação. Internamente lutamos muito com isso, pois sempre procuramos lhe pagar bem, um bom salário, digno de um executivo de alto nível, o top da nossa sociedade. Mesmo assim ele nunca comprou sequer um carro. Já pensou? Andando sempre de carona? Isso não fica bem para um pastor. Queira ou não ele é nosso representante, atuando em nome da nossa institutição perante a sociedade. Mas parece que ele não liga muito pra isso. Além de não ter um carro digno de um homem de Deus, nunca quis morar num dos bairros mais chiques da cidade e nem vestir as roupas de algumas das principais lojas como lhe aconselhamos. Você sabe que isso é fundamental para se penetrar na sociedade!


Pessoalmente eu fiquei muito triste, pois no seu aniversário, eu mesmo lhe dei uma camisa de grife e logo depois a vi sendo usada por aquele “João ninguém desempregado” no dia do casamento da sua filha. Até reconheço que ele abençoou o irmão numa ocasião tão significante, mas ele não podia ter feito isso. Eu lhe dei aquela camisa e esperava vê-lo pregando com ela no dia do aniversário da igreja.


Foi exatamente aí a gota d´água. Justamente no dia da celebração do aniversário da igreja ele pediu licença para ausentar-se, a fim de estar com a família do seu amigo Lazaroni, que havia morrido. Questionado, chegou a sugerir que não houvesse a reunião e que todos fossem com ele. Foi uma total decepção para nós da liderança. Quase não acreditamos. Estava tudo planejado para ele pregar naquela noite com vistas à presidência da nossa denominação e da Associação de pastores da cidade. Tudo indicava que ele nem pensava nesse tipo de influência. Mesmo nas poucas reuniões administrativas que participou praticamente obrigado, nunca sequer opinou sobre as nossas estruturas, metas e ações do planejamento estratégico e nem mesmo quanto as questões litúrgicas. Ao sair, ainda lembrou-se do que sempre ensinava: melhor é freqüentar funerais do que festas.


Aqui para nós, ele sempre perdeu muito tempo com as pessoas, ao invés de priorizar as atividades pertinentes as suas funções, tão necessárias à vida da igreja.Depois dessa tamanha decepção, começamos a enxergar a sua inadequação por não preencher alguns dos principais requisitos do perfil que sempre traçamos para os candidatos a pastores da nossa amada igreja: ele é solteiro, com menos de cinco anos de exercício no ministério, e não possui formação teológica. Só assim conseguimos convencer a maior parte da igreja a nos apoiar nessa decisão. Acertadamente o substituímos por um doutor em divindade, além de mestre em espiritualidade no antigo e novo testamentos, e também bacharel pelo nosso seminário.


Depois que ele saiu, confesso que fiquei inicialmente um pouco preocupado com o seu sustento, mas logo lembrei que ele possui outra profissão: é marceneiro. Certamente se dará bem. Quanto aos irmãos, na realidade, muitos estão pensando como eu. Quando necessitarmos de um amigo verdadeiro é só convidá-lo para um bom bate-papo regado a um bom vinho em torno de uma saborosa refeição.


Ao final de toda essa explicação, descobri algo maravilhoso e libertador: definitivamente essa não é a minha igreja e Ele continua sendo o meu pastor.


(Qualquer semelhança desta ficção com a vida eclesial dita "normal" não é mera coincidência. Desejo promover uma reflexão sobre o que Jesus possivelmente abominaria em nosso meio).


Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 9c


E os Sonhos de José?

Alguns, ainda, poderão contra-argumentar as proposições, acima consignadas, da seguinte forma: “E quanto a José, no Egito; ele não foi um exímio sonhador?” A história de José, filho de Jacó, é um dos mais belos registros bíblicos. Podemos ver essa história contada a partir de Gn 37, onde no verso 5, está escrito o seguinte:

“Teve José um sonho, que contou a seus irmãos; por isso o odiaram ainda mais.”

Bem, literalmente a Palavra nos informa que José teve um sonho. E este sonho alcança o sentido denotativo, ou seja, é um sonho mesmo. José não teve um sonho que, conotativamente, alcança o significado de planejamento, ou desejo; não! Foi literalmente um sonho, tal qual aquele que nós temos quando dormimos.

Na verdade, este sonho foi uma revelação dada por Deus a José. Vemos isso no contexto próximo e remoto, ainda no livro de Gênesis. Logo, não há porque tratar o sonho de José como se fosse um anseio, um objetivo firmado por ele mesmo. Deus revelou seu propósito por meio de sonhos!

Criando um “deus” Segundo os Nossos Caprichos

A questão mais grave que se observa nos dias atuais, com essa ênfase que é dada aos sonhos, está na idolatria que pode ser encontrada nas pessoas que vão a Deus apenas pelos benefícios que Ele lhes pode proporcionar. Para uma compreensão mais ampla, faz-se necessário tecer algumas considerações:

A contumácia do homem em desobedecer a Deus tem gerado, desde épocas mais remotas, diversos absurdos. Não obstante, é perceptível a dificuldade do homem em submeter-se à vontade soberana de Deus. Isso se dá por alguns motivos, dentre os quais, tentaremos compreender hoje.

Mas, para o entendimento mais profundo da abordagem aqui sugerida, deveremos analisar, à luz da Palavra de Deus, um pouco da natureza humana.

O homem foi criado para uma finalidade precípua: adorar e louvar ao Senhor (Mt 4.10; Lc 4. 8). Entretanto, ao experimentar o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a natureza essencial do homem foi completamente arrancada (Gn 3.6). Observe que o homem come tal fruto acreditando na possibilidade de tornar-se igual a Deus, conforme havia sido sugerido pela serpente (Gn 3.5). Isso revela um pecado semelhante ao de Satanás, o qual também quis ser como Deus.

Como é sabido, a partir daquele momento, o homem decaiu. Mas esta queda não modificou por completo a composição humana, ao passo que, ainda assim, haveria uma intensa necessidade de buscar algo ou alguma coisa que pudesse preencher o vazio de Deus, a fim de ser adorada. É a partir daí que começa surgir a idolatria. Precisamos compreender que, no lugar onde originariamente habitava o Espírito do Senhor (Gn 2.7), começou a habitar o pecado.

Muitos acreditam que o pecado é, tão somente, uma coisa impregnada na natureza humana. Entretanto, o pecado é um ser que habita no homem. Se não, vejamos:

(Rm 7.17) - De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. (Ênfase adicionada)

Observem que o pecado habita no homem caído. Percebemos então que o pecado não é um objeto, mas sim um ser. Um objeto não habita. Já o ser habita. E este ser passa a fazer parte na natureza do homem. (Sl 51.5) - Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Esta questão é um pouco lógica visto que, a partir do momento que Deus deixa de habitar o homem, algo ou alguma coisa ocupará o Seu lugar (Mt 12.43-45), surgindo, assim, a idolatria.

Nesse passo, a idolatria inserta no mundo é algo fácil de ser notada. Porém, a idolatria maquiada no seio do “povo de Deus”, é mais complicada de ser constatada e arrancada. Dito isso, façamos a leitura e análise do seguinte texto:

MAS vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. Então todo o povo arrancou os pendentes de ouro, que estavam nas suas orelhas, e os trouxeram a Arão. E ele os tomou das suas mãos, e trabalhou o ouro com um buril, e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Este é teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito. (Êx 32.1-4)

O texto em destaque revela uma conhecida passagem histórica contemporânea a Moisés, sendo ele um dos personagens. Em resumo a este episódio, Moisés havia subido ao monte Sinai, onde recebera, diretamente de Deus, a Legislação que regulamentaria o povo de Israel. Ocorre que a demora de Moisés, gerou desespero no povo, o qual, seguindo uma influência rebelde que existia no meio deles, assegurou para si um novo deus, à semelhança do que há na terra, para que fosse adorado.

O interessante, mesmo, é ver o relato descrito no verso 24:

Então eu lhes disse: Quem tem ouro, arranque-o; e deram-mo, e lancei-o no fogo, e saiu este bezerro. (Êx 32.24)(Ênfase adicionada)

Percebe-se, aqui, claramente, o material utilizado para a confecção de um deus: ouro. O ouro conota, não só para os tempos modernos, mas também para os povos antigos, algo de valor, precioso, relacionado à riqueza. Isso se aplica à nossa vida espiritual. Normalmente, quando nos afastamos de Deus, em face da desesperança advinda de uma fé subtraída de fundamento sólido (Palavra do Deus Vivo), ajuntamos aquilo que nos é valioso e criamos um deus que visa atender, fielmente, às nossas expectativas e caprichos.

Criamos, por exemplo, um deus emotivo, que se ocupa no amor segundo o padrão humano; um deus que se apaixona e que te faz apaixonar-se por ele; um deus completamente almático, cheio de fantasias dramáticas e emocionais; um deus, às vezes, até lúdico, que não perde a oportunidade de fazer sua platéia rir-se de suas “palhaçadas” fundamentadas em passagens bíblicas descontextualizadas (quando não alteradas e distorcidas).

Chegamos a criar um deus, tão semelhante a nós mesmos, que é capaz de sonhar conosco e de nos fazer fruto dos seus sonhos; um deus capaz sonhar e desejar as minhas vontades; este mesmo deus gera sonhos em seus corações e se submete às determinações de seus “súditos”, visto que é dependente da criatividade destes. A questão que me vem à mente é: quem é o súdito de quem nessa brincadeira?

Aqui chegamos à grande problemática envolvida. Quando começamos a colocar todos os nossos objetivos e anseios, como sendo parte dos planos de Deus, corremos um grande risco de estarmos criando um “deus” segundo à nossa vontade. Este “deus” tem por obrigação cumprir os nossos caprichos. Seria este o Deus da Palavra? É evidente que não!

O Deus Criador dos céus e da terra (Gn 1.1), não se submete à vontade do homem (Jó 4.17), pois conhece as limitações deste último (Is 55.8,9). O Deus onipotente não se afasta dos princípios e da Palavra deixada por Ele (Lc 21.33), porque Ele é a Palavra (Jo 1.1,14). O Deus soberano, mesmo amando o pecador (Jo 3.16), não admite o pecado, exigindo de nós que o amamos obediência (1Sm 15.22) e santidade (Hb 12.14). O Grande Eu Sou, nos exorta a não nos conformarmos (amoldarmos) com o padrão deste século (Rm 12.2), mas, sim, a mantermos e fazermos a diferença exalando o perfume de Cristo (2Co 2.14-17), requerendo bom testemunho (1Pe 3.11,12; 2Co 3.1-6), por meio do fruto do Espírito (Gl 5.22). O verdadeiro Deus não é só fundamentalista (pois não se afasta da Sua Palavra), é também o fundamento (Sl 62.7; 86.26; 95.1) da nossa fé e da nossa esperança (Hb 11.1). Este Deus não atende aos caprichos do homem, reservando-Se a cumprir a Sua Vontade. Glórias a este Deus, o Deus verdadeiro!

Por fim, há que se consignar algo que vem ocorrendo com certa contumácia no meio do povo de Deus. Grande parte dos pregadores tem trocado a verdade da Palavra de Deus por literaturas seculares. Não obstante, há um livro muito conhecido de um autor que se diz cristão, intitulado “Nunca desista dos seus sonhos”. Segundo este autor os sonhos são os grandes motivadores da vida de alguém e que essa pessoa, sem os sonhos, não é nada. Faço uma pergunta, por acaso Deus é menor do que os sonhos? Dependemos mais dos sonhos para sermos felizes ou para termos uma vida abundante do que da presença do Espírito Santo? E o que diremos da mensagem da cruz, por acaso a Palavra não nos informa que devemos, em grande parte das vezes, termos uma atitude de negação para que sejamos recebidos por Deus? Logo, nunca desistir dos sonhos é deificar nossos objetivos e desconsiderar as Verdades inegáveis inseridas na Palavra do Senhor! Se for da Vontade de Deus, devemos sim desistir dos nossos sonhos! Nossos sonhos não são a nossa fonte de alegria, mas sim a vontade de Deus deve ser a nossa fonte de alegria!

Trazidas estas questões, passemos à análise da ministração seguinte.

domingo, 25 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 9b


Voltando ao Tema

Tenhamos, pois, cuidado com as palavras motivacionais, movidas pela emoção do momento. Contudo, continuemos com os estudos acerca do tema: sonhos.

O texto citado no preâmbulo nos informa que, ao nos deleitarmos no Senhor, os desejos do nosso coração são atendidos. Contudo, mais uma vez, questiono: Deus tem compromisso em realizar os meus sonhos? Se a resposta é verdadeira, porque existem tantas pessoas, que vivem na igreja, frustradas por não alcançarem aquilo que desejavam? Inicialmente, e pasmem, vou informar que Deus não tem compromisso com os sonhos e desejos do coração de ninguém. O compromisso d Deus é com a Palavra d’Ele:

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar.” (Lc 21.33)

Desse modo, para que os nossos planos e anseios sejam realizados, eles devem estar de acordo com a Vontade de Deus. Não se trata de soberania da minha vontade, ou mesmo, a minha vontade tornar-se a vontade de Deus; trata-se de soberania da Vontade de Deus e, de mesmo modo, a Vontade de Deus é que deve se tornar minha vontade.

Porém, como conhecer a vontade de Deus para que ela se torne minha vontade? A Palavra nos informa que a vontade de Deus deve estar no nosso coração. Para conhecermos a vontade de Deus devemos conhecer a Deus. Existe um sentido lógico para se ter o conhecimento da vontade de Deus. O primeiro passo é intimidade. Jesus é a Palavra. Se conhecermos a Palavra, passamos então a compreender a vontade de Deus. A Palavra nos tira de ignorância e nos deixa cientes do pecado. Entretanto, não basta conhecer a Palavra (Lei). Em Salmos 119:11 está escrito: “Escondi a Tua Palavra em meu coração, para não pecar contra Ti”. Porém, o que significa esconder a Palavra no coração?

A expressão “coração”, na forma usada, tem o significado de desejo, de vontade intensa. Desse modo, guardar a Palavra junto ao coração, significa passar a desejar e a cumprir a Vontade de Deus. Quando estamos, verdadeiramente, em Cristo, a Vontade de Deus passa a ser os nossos anseios e desejos. Desse modo, quando nos deleitamos no Senhor, Ele nos concede os desejos de nosso coração, por que os nossos desejos são a Vontade de Deus. O nosso querer é o nosso efetuar. Não basta conhecer a vontade de Deus; devemos desejar, buscar, almejar a Vontade de Deus. Conhecendo e desejando a Vontade de Deus, não existe possibilidade para frustrações, pois Deus tem compromisso com a Palavra d’Ele, e Ele há de realizar a Sua Vontade.

Que todos nós venhamos a buscar tanto compreender quanto desejar a Vontade de Deus. Busquemos intimidade com Ele por meio da meditação na Palavra, da oração, adoração, jejum. Conheçamos e prossigamos em conhecer a Deus. Os sonhos, só podem ser realizados, se partirem do centro da Vontade de Deus. (João 4: 34 – “A minha comida (o meu desejo, a minha necessidade) é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.”

Quais têm sido os teus planos? Quais têm sido os teus anseios? Você tem desejado a vontade de Deus?

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 9a



6. Sábado 5ª Ministração – Os sonhos de Deus

Hoje estão em alta as questões pertinentes aos sonhos. Muitos homens de Deus têm se levantado com mensagens focadas neste tema. Entretanto, fazem-se necessários alguns cuidados para que não haja frustrações entre o povo de Deus em face da má interpretação bíblica acerca deste assunto. Desse modo, preocupado com o que as interpretações equivocadas podem gerar, senti-me motivado a tecer algumas informações que o Senhor tem ministrado em nossos corações.

Gostaria de explanar, em seguida, acerca do texto bíblico, por sinal muito conhecido, registrado no livro dos Salmos, capítulo 37, verso 4:

“Deleita-te no Senhor e Ele concederá os desejos do teu coração”.

Passemos à análise do texto citado. Se interpretarmos esta passagem bíblica equivocadamente, e sem uma visão profunda do assunto, aparentemente tudo que desejarmos nos será concedido, porém, para que tal preceito seja concretizado em nós, em sua totalidade, é preciso compreender alguns aspectos relevantes para que recebamos as bênçãos que provém de Deus.

Profecia ou Motivação?

Entretanto, antes de tudo, gostaria de tecer algumas considerações acerca de diversas profecias que têm surgido no meio do povo de Deus que têm tido cunho muito mais motivacional do que, efetivamente, divina e, logo mais, retornaremos à compreensão do texto informado anteriormente.

Hoje, vemos o tempo todo palavras do tipo: “Não desista, Deus vai te dar tudo que você quiser! Sonhe sempre, pois o Senhor tem compromisso em realizar os teus sonhos! Deus realizará todos os teus sonhos, determine, é direito seu!”

É comum vermos este tipo de pregação, porém, devemos ter cuidado com tais expressões. Muitas das vezes o que aparenta ser uma profecia, não passa de uma palavra motivacional, e até contrária à vontade de Deus.

Podemos perceber que isso aconteceu nos tempos do rei Davi. Se lermos a passagem consignada em II Samuel 7, percebemos um profeta do Senhor chamado Natã, agindo fora da vontade de Deus e direcionando uma mensagem, não profética, mas tão somente motivacional ao rei Davi. Façamos então a leitura dos versos 1, 2 e três do capítulo 7 de II Samuel:

“E SUCEDEU que, estando o rei Davi em sua casa, e tendo o SENHOR lhe dado descanso de todos os seus inimigos em redor, Disse o rei ao profeta Natã: Eis que eu moro em casa de cedro, e a arca de Deus mora dentro de cortinas. E disse Natã ao rei: Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o SENHOR é contigo.”

O profeta, movido pela emoção e pelas palavras que o rei Davi havia dito, precipitadamente citou uma profecia motivacional fora dos planos divinos. Veja que a intenção do coração de Davi em construir o templo para o Senhor, aparentemente, fazia parte da vontade de Deus. A intenção era, sobremaneira, louvável. Isso foi o que levou o vidente Natã a encorajá-lo em seus planos. Note que Natã, apesar de ser profeta, precipitou-se. Contudo, naquela mesma noite o Senhor revelou ao profeta a Sua vontade e ordenou que ele dissesse ao rei Davi que não seria ele quem construiria o templo do Senhor.

Porém, o que quero dizer? Que as pregações atuais estão todas erradas? Que não devemos dar crédito as pregações e profecias relacionadas a sonhos? De maneira nenhuma. Apenas quero que compreendamos que as profecias devem ser postas à prova, se não, vejamos:

“Não apaguem o Espírito. Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.” (1Ts 5.19-21)

Mesmos os ministros de Deus cometem erro. Acabamos de ver o exemplo com o profeta Natã. Ele não deixou de ser profeta, ou tornou-se desacreditado, por ter proferido uma “palavra profética” fora da vontade de Deus. Ele teve, ainda, humildade para reconsiderar o que havia falado ao rei Davi.

sábado, 24 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 8



5. Sábado 4ª Ministração – Cura Interior

Não sou contra a cura interior em si mesma. Pelo contrário, é notório que todos nós precisamos ser tratados em nosso interior. Entretanto, o que me preocupa são as técnicas de cura interior utilizadas pela psicologia. Muitos dos ensinos de psicologia têm sido absorvidos pelos cristãos como verdades bíblicas. O estudo da psicologia tem crescido em nossos dias. Isso se dá por vários motivos. Percebemos, por exemplo, que o número de pessoas que sofre de depressão e de outras doenças de cunho psicológico tem aumentado significantemente em nossa época.

Acho incrível que o estudo da psicologia, atualmente, é abordado como ciência. Mas a psicologia é mesmo uma ciência? Se observarmos com cautela, perceberemos que a psicologia não passa de uma religião maquiada de ciência e que grande parte de seus estudos são fundamentados nas religiões da nova era, com diversos seguimentos orientais e ocidentais. A psicologia tem se valido de vários tipos de técnicas encontradas nas religiões praticantes da feitiçaria, dentre outros seguimentos espiritualistas. São totalmente questionáveis as técnicas apresentadas pela psicologia, sobretudo quando confrontadas com a inerrante Palavra de Deus. Percebemos, claramente, dentro da psicologia todos os princípios que levaram a queda de Eva e de Adão, no Édem. Os processos dialéticos utilizados são mapeados diretamente dentro das influências demoníacas de persuasão executados por Satanás. Basta apenas estudarmos com cuidado e com profundidade e perceberemos que a psicologia é, na verdade, uma ciência que se vale da falsa piedade, ou seja, do que aparenta ser verdade bíblica, mas que, essencialmente, não o é.

Não é estranho sabermos que diversas técnicas de regressão foram utilizadas em muitos desses “Encontros” realizados? Isso se dá porque muitas de nossas igrejas e comunidades evangélicas foram totalmente contaminadas quando seus líderes abraçaram os ensinamentos de psicologia como se fossem verdades bíblicas. Acerca destas questões, Dave Hunt nos diz o seguinte:

“A despeito de sua impotência para oferecer qualquer ajuda duradoura, milhares de psicoterapias se tornaram parte tão corriqueira da vida quanto o cafezinho e o futebol. Conseqüentemente, o crente médio nem sequer percebe que consultar-se com um psicoterapeuta é quase igual a entregar-se aos cuidados do sacerdote de uma religião Riva. Naturalmente, quando é praticada por um crente, a psicologia recebe uma legitimidade injustificada que engana os desatentos. Uma falácia ainda é uma falácia, e não menos perigosa quando proclamada ou praticada por crentes. Pela aceitação simplória da psicoterapia como um suplemento “científico” para a verdade bíblica, como “cura interior” ou “psicologia cristã”, a Igreja está sofrendo de esquizofrenia espiritual (...) Não há problema emocional que a psicologia tente resolver para o qual a Bíblia não alegue que o próprio Deus oferece uma cura completa que pode ser recebida pela fé. Confiar em Deus e obedecer à Sua Palavra é ser liberto da ansiedade que parece pairar sobre este mundo como uma nuvem (...) Estranhamente, todavia, um número substancial de crentes se encontra vivendo debaixo da mesma nuvem de ansiedade que incomoda o mundo, e não parece saber como volta à luz solar do amor de Deus. Muitos buscam ajuda psiquiátrica porque ela parece oferecer uma saída para a dor que muitas vezes acompanha o crescimento espiritual.”[1]



Há várias ministrações do Retiro de Impacto em que nós fazemos uma análise dos equívocos doutrinários. Entretanto, em relação à ministração de cura interior, há tantos, mais tantos erros, que o melhor é apenas cortá-la. Faço uso, apenas das palavras de Dave Hunt, para entendermos alguns aspectos:

"O esforço de integrar psicologia e cristianismo produziu numerosas técnicas novas de oração e de cura desconhecidas da Igreja histórica e não encontradas na Bíblia. Entre as mais populares está “a cura interior” ou “cura das memórias”, que, conforme o consenso dos próprios praticantes “começou com o ministério terapêutico de Agnes Sanford na década que se seguiu à Segunda Guerra Mundial”. Um de seus principais defensores disse: “Uma técnica central para quase toda cura interior é a visualização...” Num livro composto de respostas críticas ao livro A Sedução do Cristianismo, escritas por Roberte Wise, Paul Yonggi Cho, Dennis e Rita Bennett, e vários outros, encontram-se repetidas referências a termos previamente desconhecidos como “oração de visualização... novas formas de oração”, “técnica de oração”, “a visualização acrescentou força às suas orações faladas”, “visualização cristã”, “o papel da vilualização e imaginação em orações para a cura de memórias”, “orações meditativas que usam símbolos, imagens e visualização”, “orações usando a composição de imagens”, e outros termos semelhantes.
Um psicólogo cristão que é conhecido como “um dos pioneiros deste método de aconselhamento... [utilizando] oração, composição de imagens, identificação e esclarecimento de mágoas passadas e visualização positiva...” explica que a imaginação é usada (1) para “recriar a lembrança dolorosa... e visualizá-la como quando aconteceu” e (2) para visualizar Cristo presente na ocasião do incidente doloroso. Isso se justifica, raciocina ele, por Cristo “é o Senhor do tempo – passado, presente e futuro... Ele transcende todo o tempo e espaço.” Para apoiar tais idéias, decalra-se que “Francis MacNutt, em seu clássico livro Healing (Cura), também relacionava a onipresença de Jesus à cura do homem interior” e que por meio da visualização “permitimos que Jesus, o Senhor da história, caminhe até aquele ponto da estrada da vida onde jazem nossas feridas.” Todavia, nenhum dos dois autores oferece qualquer apoio claro nas Escrituras para a prática de visualizar Jesus, nem explica como é que MacNutt e outros católicos obtêm resultados igualmente positivos de “cura interior” pela visualização de Maria, que claramente não é “o Senhor do tempo”, nem é capaz de caminha “até aquele ponto da estrada da vida onde jazem nossas feridas”. Além disso ocultistas variados obtêm resultados iguais visualizando todo tipo de “guias espirituais”.
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Dave Hunt ainda posiciona-se em relação ao perdão tratado nas ministrações de “cura interior”:

É bem claro que temos que perdoar aqueles que nos causaram sofrimento, e as conseqüências de não o fazermos são muito graves: “Se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6.15; Marcos 11.26). Também é igualmente claro que nenhum processo especial ou prolongado de “cura interior” ou “aconselhamento psicológico” é necessário para que perdoemos outras pessoas. Cristo disse: “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Marcos 11.25). Nenhum crente verdadeiro deveria jamais guardar ressentimento contra alguém, não importa quão horrivelmente esse alguém o tenha ofendido ou prejudicado. Podemos saber se temos tal atitude, e podemos ser libertados dela instantaneamente por um ato de nossa vontade, com base no amor e no perdão que recebemos de Deus. Uma vez que Deus me perdoou, não posso ser mesquinho e deixar de estender a outros o mesmo amor, a mesma misericórdia e o mesmo perdão – e como não iria perdoar aqueles a quem Ele já perdoou? Há alguém com que eu tenho dificuldade de me relacionar? Se eu sinceramente orar a Deus pedindo a Sua bênção para aquela pessoa, minha atitude será transformada, pois dificilmente serei hostil ou ciumento para com uma pessoa a quem eu desejo que Deus abençoe!
Todo o processo de “cura interior” é ao mesmo tempo desnecessário e uma negação do que Cristo realizou sobre a cruz. Para o verdadeiro crente, o passado não tem mais qualquer poder, mas foi apagado pela redenção no sangue de Cristo. As Escrituras dizem “...as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Coríntios 5.17). Isso não era teoria para Paulo, mas uma verdade gloriosa que tinha transformado sua vida e o fazia dizer em triunfo: “...esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13-14).
[3] (Grifos nossos)



Ao invés de adentrar nos detalhes da apostila, no que se refere ao tema “Cura Interior”, prefiro, tão somente, indicar duas literaturas básicas que refletem acerca do assunto de forma profunda e, autenticamente, bíblica: “A Sedução do Cristianismo” e “Escapando da Sedução”, ambos do autor DAVE HUNT. Tenho absoluta certeza que o Espírito Santo trará muito esclarecimento por meio do estudo da Palavra e pelo complemento sugerido.


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[1] HUNT, Dave. op. cit., p. 125 e 126.
[2] HUNT, Dave. op. cit., p. 222.
[3] HUNT, Dave. op. cit., p. 223.