domingo, 25 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 9a



6. Sábado 5ª Ministração – Os sonhos de Deus

Hoje estão em alta as questões pertinentes aos sonhos. Muitos homens de Deus têm se levantado com mensagens focadas neste tema. Entretanto, fazem-se necessários alguns cuidados para que não haja frustrações entre o povo de Deus em face da má interpretação bíblica acerca deste assunto. Desse modo, preocupado com o que as interpretações equivocadas podem gerar, senti-me motivado a tecer algumas informações que o Senhor tem ministrado em nossos corações.

Gostaria de explanar, em seguida, acerca do texto bíblico, por sinal muito conhecido, registrado no livro dos Salmos, capítulo 37, verso 4:

“Deleita-te no Senhor e Ele concederá os desejos do teu coração”.

Passemos à análise do texto citado. Se interpretarmos esta passagem bíblica equivocadamente, e sem uma visão profunda do assunto, aparentemente tudo que desejarmos nos será concedido, porém, para que tal preceito seja concretizado em nós, em sua totalidade, é preciso compreender alguns aspectos relevantes para que recebamos as bênçãos que provém de Deus.

Profecia ou Motivação?

Entretanto, antes de tudo, gostaria de tecer algumas considerações acerca de diversas profecias que têm surgido no meio do povo de Deus que têm tido cunho muito mais motivacional do que, efetivamente, divina e, logo mais, retornaremos à compreensão do texto informado anteriormente.

Hoje, vemos o tempo todo palavras do tipo: “Não desista, Deus vai te dar tudo que você quiser! Sonhe sempre, pois o Senhor tem compromisso em realizar os teus sonhos! Deus realizará todos os teus sonhos, determine, é direito seu!”

É comum vermos este tipo de pregação, porém, devemos ter cuidado com tais expressões. Muitas das vezes o que aparenta ser uma profecia, não passa de uma palavra motivacional, e até contrária à vontade de Deus.

Podemos perceber que isso aconteceu nos tempos do rei Davi. Se lermos a passagem consignada em II Samuel 7, percebemos um profeta do Senhor chamado Natã, agindo fora da vontade de Deus e direcionando uma mensagem, não profética, mas tão somente motivacional ao rei Davi. Façamos então a leitura dos versos 1, 2 e três do capítulo 7 de II Samuel:

“E SUCEDEU que, estando o rei Davi em sua casa, e tendo o SENHOR lhe dado descanso de todos os seus inimigos em redor, Disse o rei ao profeta Natã: Eis que eu moro em casa de cedro, e a arca de Deus mora dentro de cortinas. E disse Natã ao rei: Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o SENHOR é contigo.”

O profeta, movido pela emoção e pelas palavras que o rei Davi havia dito, precipitadamente citou uma profecia motivacional fora dos planos divinos. Veja que a intenção do coração de Davi em construir o templo para o Senhor, aparentemente, fazia parte da vontade de Deus. A intenção era, sobremaneira, louvável. Isso foi o que levou o vidente Natã a encorajá-lo em seus planos. Note que Natã, apesar de ser profeta, precipitou-se. Contudo, naquela mesma noite o Senhor revelou ao profeta a Sua vontade e ordenou que ele dissesse ao rei Davi que não seria ele quem construiria o templo do Senhor.

Porém, o que quero dizer? Que as pregações atuais estão todas erradas? Que não devemos dar crédito as pregações e profecias relacionadas a sonhos? De maneira nenhuma. Apenas quero que compreendamos que as profecias devem ser postas à prova, se não, vejamos:

“Não apaguem o Espírito. Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom.” (1Ts 5.19-21)

Mesmos os ministros de Deus cometem erro. Acabamos de ver o exemplo com o profeta Natã. Ele não deixou de ser profeta, ou tornou-se desacreditado, por ter proferido uma “palavra profética” fora da vontade de Deus. Ele teve, ainda, humildade para reconsiderar o que havia falado ao rei Davi.

sábado, 24 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 8



5. Sábado 4ª Ministração – Cura Interior

Não sou contra a cura interior em si mesma. Pelo contrário, é notório que todos nós precisamos ser tratados em nosso interior. Entretanto, o que me preocupa são as técnicas de cura interior utilizadas pela psicologia. Muitos dos ensinos de psicologia têm sido absorvidos pelos cristãos como verdades bíblicas. O estudo da psicologia tem crescido em nossos dias. Isso se dá por vários motivos. Percebemos, por exemplo, que o número de pessoas que sofre de depressão e de outras doenças de cunho psicológico tem aumentado significantemente em nossa época.

Acho incrível que o estudo da psicologia, atualmente, é abordado como ciência. Mas a psicologia é mesmo uma ciência? Se observarmos com cautela, perceberemos que a psicologia não passa de uma religião maquiada de ciência e que grande parte de seus estudos são fundamentados nas religiões da nova era, com diversos seguimentos orientais e ocidentais. A psicologia tem se valido de vários tipos de técnicas encontradas nas religiões praticantes da feitiçaria, dentre outros seguimentos espiritualistas. São totalmente questionáveis as técnicas apresentadas pela psicologia, sobretudo quando confrontadas com a inerrante Palavra de Deus. Percebemos, claramente, dentro da psicologia todos os princípios que levaram a queda de Eva e de Adão, no Édem. Os processos dialéticos utilizados são mapeados diretamente dentro das influências demoníacas de persuasão executados por Satanás. Basta apenas estudarmos com cuidado e com profundidade e perceberemos que a psicologia é, na verdade, uma ciência que se vale da falsa piedade, ou seja, do que aparenta ser verdade bíblica, mas que, essencialmente, não o é.

Não é estranho sabermos que diversas técnicas de regressão foram utilizadas em muitos desses “Encontros” realizados? Isso se dá porque muitas de nossas igrejas e comunidades evangélicas foram totalmente contaminadas quando seus líderes abraçaram os ensinamentos de psicologia como se fossem verdades bíblicas. Acerca destas questões, Dave Hunt nos diz o seguinte:

“A despeito de sua impotência para oferecer qualquer ajuda duradoura, milhares de psicoterapias se tornaram parte tão corriqueira da vida quanto o cafezinho e o futebol. Conseqüentemente, o crente médio nem sequer percebe que consultar-se com um psicoterapeuta é quase igual a entregar-se aos cuidados do sacerdote de uma religião Riva. Naturalmente, quando é praticada por um crente, a psicologia recebe uma legitimidade injustificada que engana os desatentos. Uma falácia ainda é uma falácia, e não menos perigosa quando proclamada ou praticada por crentes. Pela aceitação simplória da psicoterapia como um suplemento “científico” para a verdade bíblica, como “cura interior” ou “psicologia cristã”, a Igreja está sofrendo de esquizofrenia espiritual (...) Não há problema emocional que a psicologia tente resolver para o qual a Bíblia não alegue que o próprio Deus oferece uma cura completa que pode ser recebida pela fé. Confiar em Deus e obedecer à Sua Palavra é ser liberto da ansiedade que parece pairar sobre este mundo como uma nuvem (...) Estranhamente, todavia, um número substancial de crentes se encontra vivendo debaixo da mesma nuvem de ansiedade que incomoda o mundo, e não parece saber como volta à luz solar do amor de Deus. Muitos buscam ajuda psiquiátrica porque ela parece oferecer uma saída para a dor que muitas vezes acompanha o crescimento espiritual.”[1]



Há várias ministrações do Retiro de Impacto em que nós fazemos uma análise dos equívocos doutrinários. Entretanto, em relação à ministração de cura interior, há tantos, mais tantos erros, que o melhor é apenas cortá-la. Faço uso, apenas das palavras de Dave Hunt, para entendermos alguns aspectos:

"O esforço de integrar psicologia e cristianismo produziu numerosas técnicas novas de oração e de cura desconhecidas da Igreja histórica e não encontradas na Bíblia. Entre as mais populares está “a cura interior” ou “cura das memórias”, que, conforme o consenso dos próprios praticantes “começou com o ministério terapêutico de Agnes Sanford na década que se seguiu à Segunda Guerra Mundial”. Um de seus principais defensores disse: “Uma técnica central para quase toda cura interior é a visualização...” Num livro composto de respostas críticas ao livro A Sedução do Cristianismo, escritas por Roberte Wise, Paul Yonggi Cho, Dennis e Rita Bennett, e vários outros, encontram-se repetidas referências a termos previamente desconhecidos como “oração de visualização... novas formas de oração”, “técnica de oração”, “a visualização acrescentou força às suas orações faladas”, “visualização cristã”, “o papel da vilualização e imaginação em orações para a cura de memórias”, “orações meditativas que usam símbolos, imagens e visualização”, “orações usando a composição de imagens”, e outros termos semelhantes.
Um psicólogo cristão que é conhecido como “um dos pioneiros deste método de aconselhamento... [utilizando] oração, composição de imagens, identificação e esclarecimento de mágoas passadas e visualização positiva...” explica que a imaginação é usada (1) para “recriar a lembrança dolorosa... e visualizá-la como quando aconteceu” e (2) para visualizar Cristo presente na ocasião do incidente doloroso. Isso se justifica, raciocina ele, por Cristo “é o Senhor do tempo – passado, presente e futuro... Ele transcende todo o tempo e espaço.” Para apoiar tais idéias, decalra-se que “Francis MacNutt, em seu clássico livro Healing (Cura), também relacionava a onipresença de Jesus à cura do homem interior” e que por meio da visualização “permitimos que Jesus, o Senhor da história, caminhe até aquele ponto da estrada da vida onde jazem nossas feridas.” Todavia, nenhum dos dois autores oferece qualquer apoio claro nas Escrituras para a prática de visualizar Jesus, nem explica como é que MacNutt e outros católicos obtêm resultados igualmente positivos de “cura interior” pela visualização de Maria, que claramente não é “o Senhor do tempo”, nem é capaz de caminha “até aquele ponto da estrada da vida onde jazem nossas feridas”. Além disso ocultistas variados obtêm resultados iguais visualizando todo tipo de “guias espirituais”.
[2]



Dave Hunt ainda posiciona-se em relação ao perdão tratado nas ministrações de “cura interior”:

É bem claro que temos que perdoar aqueles que nos causaram sofrimento, e as conseqüências de não o fazermos são muito graves: “Se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6.15; Marcos 11.26). Também é igualmente claro que nenhum processo especial ou prolongado de “cura interior” ou “aconselhamento psicológico” é necessário para que perdoemos outras pessoas. Cristo disse: “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Marcos 11.25). Nenhum crente verdadeiro deveria jamais guardar ressentimento contra alguém, não importa quão horrivelmente esse alguém o tenha ofendido ou prejudicado. Podemos saber se temos tal atitude, e podemos ser libertados dela instantaneamente por um ato de nossa vontade, com base no amor e no perdão que recebemos de Deus. Uma vez que Deus me perdoou, não posso ser mesquinho e deixar de estender a outros o mesmo amor, a mesma misericórdia e o mesmo perdão – e como não iria perdoar aqueles a quem Ele já perdoou? Há alguém com que eu tenho dificuldade de me relacionar? Se eu sinceramente orar a Deus pedindo a Sua bênção para aquela pessoa, minha atitude será transformada, pois dificilmente serei hostil ou ciumento para com uma pessoa a quem eu desejo que Deus abençoe!
Todo o processo de “cura interior” é ao mesmo tempo desnecessário e uma negação do que Cristo realizou sobre a cruz. Para o verdadeiro crente, o passado não tem mais qualquer poder, mas foi apagado pela redenção no sangue de Cristo. As Escrituras dizem “...as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Coríntios 5.17). Isso não era teoria para Paulo, mas uma verdade gloriosa que tinha transformado sua vida e o fazia dizer em triunfo: “...esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3.13-14).
[3] (Grifos nossos)



Ao invés de adentrar nos detalhes da apostila, no que se refere ao tema “Cura Interior”, prefiro, tão somente, indicar duas literaturas básicas que refletem acerca do assunto de forma profunda e, autenticamente, bíblica: “A Sedução do Cristianismo” e “Escapando da Sedução”, ambos do autor DAVE HUNT. Tenho absoluta certeza que o Espírito Santo trará muito esclarecimento por meio do estudo da Palavra e pelo complemento sugerido.


Para ler a Parte 7d clique AQUI!

------------------------------
[1] HUNT, Dave. op. cit., p. 125 e 126.
[2] HUNT, Dave. op. cit., p. 222.
[3] HUNT, Dave. op. cit., p. 223.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 7d


Chamando à Existência as Coisas Positivas?

Uma parte interessante da apostila do Encontro, traz as seguintes informações:

Deve-se chamar à existência o oposto: Prostituição - Santidade (1 Pe. 1:14-16); Ódio - Amor (Rm. 13:8); Rebeldia - Submissão (Fl. 2:5-8); Mentira - Verdade (Ef. 4:25). Chame à existência a libertação.

Os mestres da confissão positiva ensinam que a fé é uma espécie de força que é suficiente para criar o que não existe. Na verdade, tais mestres chegam a afirmar que Deus criou todo o mundo por meio da fé. Segundo tal ensino, Deus é um Deus de fé. Certa vez Kenneth Hagin, um dos grandes precursores do movimento da “Fé na fé”, fazendo referência ao evangelho de Marcos, capítulo 11, verso 22, chega a falar da fé de Deus. Ele ainda utiliza o texto de Hebreus 11, verso 3, para afirmar que o mundo foi criado pela fé. Mas é este o sentido real da fé? A fé é uma força que está a nosso dispor, dando-nos o poder de trazer a existência o que não existe? Vejamos o que a palavra de Deus nos informa nestes dois textos citados como base para a doutrina da “Confissão Positiva”:

(Mc 11.22) - E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;
(Hb 11.3) - Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. (Grifo nosso)

Na verdade, uma simples leitura destes dois textos já revela o equívoco doutrinário trazido por meio de tal teologia. Jesus não nos ordena a termos a fé de Deus, mas sim a termos fé em Deus. Deus é um ser que não precisa da fé. Todo o mundo foi criado pelo poder da Palavra (Verbo), e não pelo poder da fé (Jo 1.1-3). A fé não tem poder em si mesma. Acho incrível ao assistir programas de televisão que trazem o seguinte jargão: “O poder sobrenatural da fé”. A fé em si mesma não tem poder algum. Deus é todo poderoso. Todo o poder foi submetido a Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus (Mt 28.18). A Bíblia não atribui poder algum à fé.

Alguns podem até argumentar que o próprio Cristo, em diversos textos da Escritura Sagrada, diz “a tua fé te salvou” (Mt 9.22; Mc 5.34; 10.52; Lc 8.48; 17.19; 18.42 etc). Entretanto, o simples fato de Ele mesmo ter dito “Tende fé em Deus”, corrobora que o agente de salvação da pessoa foi a confiança total e absoluta no Deus Todo-Poderoso. A fé não move montanhas; Deus, em quem depositamos nossa total confiança, é quem move a montanha e o faz independentemente da fé. Deus não precisa da fé, quem precisa de fé somos nós. E Deus espera que a nossa fé seja aprovada por Ele (Tg 1.3). Aliás, sem fé é impossível agradá-lO (Hb 11.6).

Ainda no texto de Hebreus 11, verso 3, percebemos que não foi a fé que trouxe à existência os mundos, mas sim a Palavra. Pela fé nós cremos que os mundos, pela Palavra, foram criados. Logo, existe um poder sobrenatural na fé? Não o poder está em Deus. A fé não uma força “Jedi” que movimenta objetos sobrenaturalmente. Mas a fé é necessária na vida do crente, pois é por meio dela que estabelecemos um relacionamento profundo com o Deus criador dos céus e da Terra, mesmo não O vendo.

Diante disso, eu tenho o poder de chamar a existência o oposto do que está acontecendo na minha vida? Na verdade, a técnica de se chamar a existência o que não existe, baseia-se na visualização, a qual está presente na mais profunda feitiçaria. Isso mesmo! A feitiçaria profunda é que trouxe tais técnicas que remetem o poder à imaginação do homem, pelo qual qualquer coisa pode ser criada. Qualquer um pode compreender a utilização de tais técnicas pelo famoso livro The secret (O segredo), que retrata a Lei da Atração. Onde por meio de um exercício mental nós podemos controlar todo o universo. Isso é uma forma de atribuir demasiado poder à fé. Tal ensinamento é anti-bíblico, uma vez que não podemos confiar na nossa fé, mas sim em Deus.

Tais ensinamentos baseiam-se nas teologias panteístas e da imanência. E também na doutrina que afirma que os homens são pequenos deuses nessa terra. Quanto a estes temas, não me aprofundarei no presente trabalho, visto não ser o objeto do mesmo. Mas posso afirma com convicção, por meio da Palavra da Verdade, que são todas doutrinas falsas e que ferem a autoridade de Deus.

Outro texto também muito utilizado pelos mestres da confissão positiva, mais específico para toda esta questão é o seguinte:

(Rm 4.17) - (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.

Vemos que o poder de chamar a existência o que não existe como se já existisse, reside em Deus. Não foi no poder da fé que Abraão creu. Abraão depositou toda a sua fé em Deus, o qual tem o poder de chamar as coisas que não são como se já fossem. Não há, pois, um poder sobrenatural na nossa fé por meio de uma confissão positiva (onde eu digo positivamente algo para que isto aconteça), mas em Deus reside todo o poder, toda autoridade, soberania e domínio. A fé em Deus é corroborada em Abraão quando nós lemos em Hebreus 11, versos 17 e 18, o seguinte:

“Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar;”

Abraão, claramente, considera o poder de Deus e não a sua fé, para oferecer o seu filho como sacrifício. Desse modo, conclui-se que a fé não tem um poder sobrenatural de trazer à existência o oposto do que nós estamos vivendo. Aliás, não existe base bíblica alguma para assim agirmos, a não ser que venhamos a descontextualizar ou mesmo, modificar textos bíblicos a fim de adequá-los a nossa interpretação; Deus tem esse poder! Nesse sentido, gosto sempre de lembrar que a Palavra não nos permite uma interpretação subjetiva, ou seja, particular, mas sim uma interpretação objetiva, segundo a revelação e em submissão à vontade de Deus (2Pe 1.20).

Considerações Finais acerca do tema Libertação

Diante de todo o exposto, percebemos que uma verdadeira libertação não acompanha muitos dos princípios apontados pela apostila, dentre os quais nós podemos citar:

- Arrepender-se do pecado cometido por si próprio ou por seus antepassados.
- Não ter medo do processo de libertação - o medo amarra você, impedindo a sua libertação (2Tm. 1:7; 1 Jo 4:4).
- Lembrar dos pactos e qualquer nível de envolvimento com o pecado e rejeitá-los.

Tais princípios trazem terríveis equívocos, pelos quais já foram apontados. Quanto à necessidade de arrependimento pelos pecados, isso é necessário; é uma doutrina bíblica, conforme já explicitado. Mas se arrepender pelos seus antepassados para que seja liberto? Cristo já levou sobre si as nossas iniqüidades e todas as nossas maldições. E também não há porque ficar rejeitando pecados. Submeta-se a cruz! Nós não devemos ter uma relação de rejeição para com o pecado. Na verdade, já estamos mortos para o pecado; isso é muito mais profundo que uma simples rejeição.

Compreendidas tais proposições, passemos a analisar a ministração seguinte do Encontro.

Análise do "Encontro": é tremendo! - Adendo


A paz do Senhor!


Se você está lendo a presente análise e deseja ter o Manual de Realização do Encontro para acompanhar melhor, contacte-me pelo e-mail: jordanny.adv@gmail.com


Obs.: Envie, no assunto, o seguinte texto: ANÁLISE DO ENCONTRO - MANUAL


Desde já agradeço a sua presença!


Que Deus te abençoe ricamente.


Para ler o estudo desde o início clique AQUI!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

De Deus não se zomba - Música para meditação

De Deus não se zomba - Fruto Sagrado

“Virei-me e vi todos os que estavam sendo oprimidos debaixo do sol, vi as lágrimas dos oprimidos e não havia quem os consolasse, de um lado estavam o poder de seus opressores e não havia quem pudesse confortá-los. São mais felizes os que já morreram do que os que ainda vivem. Melhor do que ambos é aquele que ainda não nasceu, aquele que não viu as obras más que se fazem debaixo do sol. Vi que todo trabalho e toda obra que o homem executa causa inveja no seu próximo. Isto também é vaidade e aflição de espírito”

Que mundo construímos? Quem é o inimigo?
Qual é a nossa religião? Não aprendemos a lição!
Como estamos longe de Deus... caminhamos para trás...
A cada vida ceifada por bombas lançadas daqueles que se dizem cristãos!
Não se engane! O que o homem plantar ele também vai colher!
Por quê? Porque de Deus não se zomba!
E agora? Como falar de paz?
Como impedir a raiva no coração dos oprimidos?
Como colher a paz onde só plantaram a guerra?
Como experimentar o amor de árvores regadas com o ódio?
Criamos lobos e agora queremos viver com ovelhas!
Nos tornamos hedonistas, materialistas, cínicos, geradores de morte,
fome, atraso e injustiça! Progenitores de fanatismos doentes e letais!
Essa é a nossa humanidade! Essa é a nossa civilização!
Parece não haver limites para a irracionalidade humana!
E com certeza não há limites para a justiça de Deus!

Que mundo construímos? Quem é o inimigo?
Qual é a nossa religião? Não aprendemos a lição!
Como estamos longe de Deus... caminhamos para trás...
A cada vida ceifada por bombas lançadas
Daqueles que se dizem cristãos!
Não se engane! O que o homem plantar ele também vai colher!
Por quê? Porque de Deus não se zomba!

Abaixo segue a música:




A paz do Senhor a todos!

Jordanny Silva

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 7c


Minha Boca tem o Poder de Abençoar e Amaldiçoar?

A apostila do Encontro, em determinado ponto diz o seguinte:

Às vezes lançamos maldição através de nossas palavras, de prognóstico negativo (conhecido como "rogar praga") e não temos consciência da seriedade disso. Da nossa boca só deve sair bênção (Tg 3:8-10). A maldição vem como conseqüência do pecado de não ouvir, não obedecer e não guardar as ordens do Senhor, e de se misturar com outros deuses (Dt 28:15). A maldição se instala porque pecamos (Lm 5:7-10).

Primeiramente, devemos compreender que a conotação de negativo e de positivo é bem aplicável à energia, mas não à vida do crente. Percebemos que tais conceitos foram difundidos com o conceito bíblico de fé, por meio dos movimentos cristãos da “confissão positiva” e do “pensamento da possibilidade”. Tais princípios são claramente observados em livros como “A quarta dimensão” do David Paul Yong Cho, e defendidos por outros mestres defensores do “movimento da Fé”. Segundo os defensores dessa teologia, nós devemos afastar as palavras negativas da nossa boca, pois elas atraem conseqüências ruins.
[1] Acerca disso, Dave Hunt diz o seguinte:

“Uma das tendências mais sedutoras e populares que veio do mundo secular e foi vestida de terminologia cristã e largamente aceita na Igreja como verdade bíblica é a crença de que positivo é necessariamente bom, e que negativo, por seu turno, é ruim. Mantendo passo com essa ilusão, a principal mensagem que sai dos púlpitos das grandes igrejas e de muitos programas cristão de televisão é a ênfase exclusiva naquilo que é ‘positivo’ nas Escrituras – algo ‘reconfortante’ ou ‘animador’ – e o evitar tudo que é ‘negativo’. (...) Essa ilusão sutil e muito atraente oferece o raciocínio ideal para evitarmos a correção que a Palavra de Deus deve trazer às nossas vidas, e o faz em nome de Cristo e de um ensino bíblico sadio. Não é preciso
refletir muito para perceber, todavia, que ‘negativo’ e ‘positivo’ podem ser termos completamente amorais, humanísticos, se usados no contexto errado. ‘Uma abordagem positiva’ e ‘uma atitude positiva’ são frases populares no mundo secular, mas jamais são encontradas na Bíblia, e nunca deveriam ocupar o lugar da fé em Deus ou servir como um meio de escapar à realidade. Positivo e negativo têm um sentido definido em eletricidade, matemática ou física, mas tais termos nada têm a ver com verdade, justiça, santidade, obediência a Deus e a Sua Palavra, com o Evangelho de Jesus Cristo, ou com o poder do Espírito Santo no viver a vida cristã. Quando usados em tal contexto, esses termos causam grande confusão (...) É surpreendente o número de crentes que parecem equacionar positivo com verdadeiro. (...) De alguma forma, ‘positivo’ não é equacionado erradamente apenas com ‘verdadeiro’, mas também é visto como o equivalente de respeitável, justo, puro, amável, etc. Não é difícil perceber que, em lugar de ser respeitável, ser ‘positivo’ poderia, em alguns casos, ser muito ‘desrespeitável’. Além do mais, não chamaríamos de ‘justo’ um juiz que deixasse de condenar e sentenciar criminosos por querer ser ‘positivo’. Algumas pessoas têm uma visão muito ‘positiva’ sobre sexo livre, mas é muito difícil chamar tal posição de ‘pura’. Igualmente, não podemos dizer que qualquer coisa mencionada em Filipenses 4.8 seja equivalente a ‘positivo’. Declarar que esse versículo advoga o ‘pensamento positivo’ é destruir os valores morais, éticos e espirituais específicos daquilo em que o versículo nos ordena que meditemos. E é uma negação do caráter santo de Deus chamá-lO, nas palavras de um líder do movimento de Confissão Positiva, ‘o maior Pensador Positivo que já existiu’. Na maioria das vezes, o que se quer dizer com ‘positivo’ é simplesmente ‘favorável’ ou ‘agradável’, e qualquer coisa que seja desagradável é chamada de ‘negativa’(...) O que importa realmente não é se algo é ‘positivo’, mas se é verdadeiro ou falso, bíblico ou não bíblico. Nesse contexto, portanto, os termos
‘positivo’ e ‘negativo’ não são apenas irrelevantes; são uma cortina de fumaça que impede a percepção dos verdadeiros problemas. Aplicar tais termos a verdades bíblicas é um insulto ao Deus cuja Palavra está cheia de correções e advertências bastante ‘negativas’ sobre o juízo.”
[2] (Grifo nosso)


E acerca do poder de nossas palavras? Podemos realmente lançar maldições por meio de nossas palavras? Para compreendermos estas questões é necessário estudarmos o texto em Tg 3.9-10:

"Com ela [língua] bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim."

Este texto é um dos preferidos daqueles que defendem o poder que há na palavra que proferimos. Tais mestres não se cansam de dizer: você tem poder para abençoar e para amaldiçoar o seu irmão. Mas será este o real sentido que a Escritura nos traz neste texto? Uma leitura sem preconceitos, nos fará perceber que o sentido a que se refere o verso 10, quando fala de benção e de maldição, é bendizer e maldizer. Sabemos que as palavras possuem efeitos psicológicos drásticos. Seria até um idiota se não considerasse tal premissa como verdadeira. Entretanto, o que os mestres da confissão positiva buscam é atribuir um poder, quase que absoluto, ao que sai de nossas bocas. Nossas palavras têm poder, mas não é um poder super-natural, em si mesmas, que modifica a natureza física do que está ao nosso redor. Se não, era um risco muito grande poder falar, ao passo que eu poderia, sobrenaturalmente, matar qualquer pessoa que me desagradasse. Conquanto se possa conceber um razoável poder ao que nós falamos, tal poder está nos efeitos e conseqüências daquilo que nós dizemos. É exatamente o que este texto nos traz. Ele diz que a nossa língua é como uma pequena brasa que pode incendiar uma floresta inteira. E, realmente, sabemos que, por exemplo, uma informação falsa em uma bolsa de valores, pode levar a muitos a perderem bilhões de dólares em questão de horas. Sim, a língua é um órgão perigosíssimo para aqueles que não têm domínio sobre a mesma.

Mas, ainda acerca do poder sobrenatural da língua, alguns podem argumentar que Elias, conforme se lê em 1Rs 17.1, pelo poder da palavra determinou que não choveria naqueles dias, até que ele permitisse. Outros poderão utilizar o exemplo de Eliseu que, após ter sido alvo de chacotas de alguns garotos em 2Rs 2.24, os amaldiçoou mortalmente. Entretanto, cada uma dessas histórias revela o caráter de Deus e a dependência que os profetas tinham Nele. No primeiro caso, o apóstolo Tiago, no capítulo 5, verso 17, de sua epístola, nos informa o seguinte:

"Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra." (Grifo nosso)

Percebemos que não foi o poder da palavra de Elias que fez a chuva parar. Ele suplicou ao Senhor para que não chovesse sobre a terra, o que lhe foi concedido. Ou seja, a chuva não parou pela palavra do profeta, mas pela vontade de Deus.

Já no segundo caso, vemos que os rapazes que alvejaram o profeta Eliseu, não desferiram palavras, tão somente, de ofensa ao profeta. Se não a Bíblia seria pouco razoável, uma vez que uma brincadeira (chamar o profeta de calvo) os levaria a uma morte tão horrenda. Na verdade, o pecado daqueles meninos foi contra a autoridade de Deus. Quando se dirigiram a Eliseu com aquelas brincadeiras, na verdade ofendiam a Deus. Vejamos o texto em análise:

"Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo!" (2Rs 2.23) (Grifo nosso)

Percebe-se claramente que a zombaria não atingia o profeta pelo fato de ser calvo. Pelo contrário, era uma afronta ao poder de Deus. Pouco antes, nos versos de 1 a 11, vemos a história do traslado de Elias, de modo que este subiu ao céu num redemoinho. Aqueles jovens, por sua vez, ao zombarem “Sobe, calvo; sobe, calvo”, na verdade colocavam em dúvida o poder de Deus que havia arrebatado Elias. Logo, Eliseu os amaldiçoou no nome do Senhor. Em outras palavras, podemos ter como exemplo de que de Deus não se zomba (Gl 6.7). Deus não se deixa escarnecer! Deus é quem lançou juízo sobre aqueles jovens que zombaram de Seu poder e autoridade.

Em seguida, a apostila do encontro nos traz diversos conceitos que permeiam a idéia de: a) maldição hereditária; b) maldição voluntária; c) maldição sobre a nação; d) maldição involuntária.

Acerca de tudo isso, o certo é que, a partir do momento em que cremos em Cristo como nosso Senhor e Salvador, e confessamos a Ele, todas as maldições e cadeias são quebradas. Não há porque ficar procurando probleminhas para tornar eficaz a libertação que o Espírito, em Cristo, nos concedeu. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).

Façamos, por conseguinte, a leitura do seguinte texto extraído da apostila do Encontro:

Todo pecado tem que ser renunciado (Tg. 4:7). Lembra onde está a brecha? Então, para que essa brecha seja fechada, é necessário que haja uma renúncia. Precisamos aprender a viver como santos. É preciso cortar a raiz de maldição que entrou pelo pecado. Mesmo tendo sido uma maldição que entrou através do pai, avô, bisavô, etc., precisa ser fechada. Satanás quer manipular esta geração.


Já argumentamos acerca das proposições acima e concluímos que, em Cristo, todas as nossas iniqüidades e maldições são levadas. Toda essa “renúncia” resume-se a receber a Cristo, genuinamente, como Senhor e Salvador das nossas vidas. Não há outros processos bíblicos para a quebra de maldições hereditárias ou involuntárias. O pecado precisa ser confessado sim (Tg 5.16)! Mas não significa que devemos trazer a nossa memória ofensa por ofensa. Basta, tão somente, crer na superabundante graça que opera em nossas vidas, e nos conservarmos íntegros e santos diante do Senhor (Rm 5.20; Hb 12.14,15). Devemos sim, lançar fora todo o ressentimento e a raiz de amargura, para que o perdão de Deus seja alcançado por nossas vidas. Mas não há necessidade de um processo complexo de libertação. A Palavra da Verdade nos é suficiente!
Para ler a Parte 7b clique AQUI!
--------------------
[1] Para aprofundar no estudo do tema acerca do Movimento da Fé, é interessante a leitura dos livros “Cristianismo em crise”, de Hank Hanegraaff; “A Sedução do Cristianismo” e “Escapando da Sedução”, de Dave Hunt. Há também outros livros que tratam destes temas: “Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria”, “Erros que os pregadores devem evitar” e “Mais erros que os pregadores devem evitar” de Ciro Sanches Zibordi.
[2] HUNT, Dave. Escapando da sedução : retorno ao cristianismo bíblico / Dave Hunt; [tradução: Carlos Osvaldo Pinto]. – 2. ed. – Porto Alegre : Obra Missionária Chamada da Meia-Noite, 1999. Pg. 36-37.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Análise do "Encontro": é tremendo! - Parte 7b


A Quebra de Maldições e as Maldições Hereditárias

A apostila do Encontro, na parte que trata do tema “Libertação”, inicia com os seguintes dizeres:

Começar a fazer comentários sobre a possibilidade de crentes terem atitudes demonizadas, e sobre a constatação de que isto é real (Ef 4:27).

A realidade acerca de o servo de Deus dar lugar aos intentos demoníacos é uma verdade bíblica. Estudando soteriologia, é evidente que o famigerado jargão “uma vez salvo, salvo para sempre” revela-se falso. Qualquer crente pode, se não guardar-se na Palavra e na comunhão, desviar-se apostatando da fé. Isso é, por natureza, dar lugar ao diabo. Entretanto, o texto citado como referência está completamente mal alocado. Na carta dirigida aos crentes de Éfeso, realmente Paulo nos exorta a não darmos lugar ao diabo. Mas o contexto próximo traz uma alusão à manutenção do crente na fé original, que traz uma conseqüente santidade, para que vejamos ao Senhor (Ef 4.17-32; Hb 12.14). Note que a ênfase de Paulo é para que não tornemos às atitudes do velho homem, uma vez que já nascemos de novo (Jo 3.3); sendo este novo homem criado segundo a justiça e a santidade de Deus (Rm 5.1,2; 2Co 5.21; Jo 14.6; 17.17; Ef 6.17; 4.3,4).

Que um salvo pode desviar-se e perder a salvação, é uma doutrina bíblica clara. Mas a perda da salvação está vinculada a perda da santidade e da fé. A fé precisa de fundamento (Hb 11.1). O fundamento da nossa fé é a Palavra de Deus, a qual nos traz todos os princípios cristãos e os mandamentos deixados por Cristo (Mt 28.20). De mesmo modo, a santificação do crente está na Palavra da Verdade (Jo 17.17). Todas as vezes que nos afastamos da Palavra da verdade, damos um passo em sentido contrário à fé, e, necessariamente, desvinculamo-nos da santidade necessária para se ver a Deus (Hb 12.14). Será que, diante das explanações aqui esposadas, o “Encontro” não tem se afastado da Palavra da verdade? Ora, qualquer ministração por mais que aparente ser verdade, mas que se desentoa do nosso fundamento de fé, não seria engano? Então, esse “Retiro de Impacto” verdadeiramente tem se apresentado em santidade? Bem, a realidade é que, se as ministrações do “Encontro” não passam pelo crivo da Palavra da Verdade, é puro engodo empurrado como se fossem verdade e santidade, goela-abaixo dos seminaristas, trazendo morte espiritual para muitos. Essa é uma conseqüência lógica!

Continuemos a analisar a apostila do Encontro:

A maldição repousa na 1ª, 2ª, 3ª e até a 4ª geração (Dt 11:26; 30:19). A maldição se instala no tempo e no espaço (Ef. 5:15-16), mas ela se encerra na 4ª geração. Libertação fala de ficarmos livres de algo que nos prendeu. Há maldições que nos acompanham e que nós temos que rejeitá-las. A maldição se infiltra por uma legalidade e abre portas para que demônios venham sobre a vida da pessoa. (Grifo nosso)

Como base para a doutrina da “maldição hereditária”, o autor da apostila do Encontro, cita como textos básicos os seguintes:

(Êx 20.5) - Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
(Dt 11.26) - Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição;
(Dt 30.19) - Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (Grifos nossos)

Fizemos questão, inicialmente, de grifar o pronome pessoal “vós”, para demonstrar a quem é dirigido tal texto. É evidente que na época em que Moisés direcionou tal exortação, a Igreja ainda não existia. Na verdade a instituição da Igreja está toda descrita no Novo Testamento (Mt 16.18; At 1.4; 2.1-13). É evidente que a Igreja foi, desde a eternidade, concebida na mente de Deus. Mas, como instituição, vemos a figura da Igreja apenas nas páginas neotestamentárias. E que importância tem isso? Total importância! Pois, por meio desta compreensão, podemos entender os mandamentos e ordens que são veiculados à Igreja e aqueles que são veiculados ao povo de Israel.

Os dez mandamentos, por exemplo, são dirigidos ao povo de Israel. No tempo de Moisés, o povo israelita é apresentado à Lei; e passa a viver sob o jugo da Lei. Já a Igreja do Senhor não vive sobre o jugo da Lei, mas sim da graça (Rm 6.4). Ora estar debaixo da Lei é o mesmo que estar sob o domínio do pecado. Se o “Encontro” é destinado a crentes, por que tratar tais crentes com se estivessem debaixo do jugo da Lei?

Assim sendo, fica claro que o texto de Ex 20.5, em relação a Deus visitar a iniqüidade dos pais nos filhos até a 3ª e 4ª geração, não se aplica à Igreja do Senhor. Aliás, se o decálogo por completo é aplicável à Igreja, então pecamos por não guardarmos o sábado? Entretanto, devemos estudar o porquê de a “maldição hereditária” não ser aplicável à Igreja, nos tempos neotestamentários. Para isso é necessária uma análise da carta de Paulo escrita aos crentes da Galácia, que trata da eficácia da Lei.

Em Gálatas 2, Paulo informa que em Antioquia resistiu a Pedro na cara e o repreendeu publicamente. O fato era que Pedro, enquanto estava próximo aos gentios, agia como se fosse da incircuncisão; entretanto, quando Tiago, e outros judeus, chegaram até aquela cidade, Pedro se apartou dos gentios, para não ser envergonhado diante dos circuncisos. É interessante que a dissimulação de Pedro começa a influenciar Barnabé, o que faz com que Paulo o repreenda publicamente. Porém, tratando do assunto, Paulo traz uma brilhante elucidação aos gálatas acerca da justificação pela fé, e não pelas obras da Lei. Paulo, no capítulo 3 da carta aos Gálatas, inicia sua argumentação com a seguinte pergunta: “Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (v. 3). A realidade é que os crentes da Galácia estavam voltando às obras da Lei, fazendo com que muitos cressem que havia a necessidade da guarda completa do decálogo, e das demais leis verotestamentárias, para que houvesse salvação. Em seguida, no verso 5, Paulo levanta a seguinte questão: “Aquele, pois, que vos dá o Espírito, e que opera maravilhas entre vós, o faz pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?”. Ora, é evidente que a nossa justificação se dá pela fé. Por esse motivo foi que Deus, em Abraão, o qual foi justificado não por obras, mas pela fé, afirma que nele seriam benditas todas as nações (Gl 3.8; Gn 18.18; 22.18; 26.4). Tudo isso revela que a Lei, em si mesma, se mostra ineficaz para a salvação do homem. Na verdade, o propósito de Deus com a Lei era a imputação da justiça, que se deu por meio de Jesus Cristo. Deus cumpre a justiça em Cristo, pois Jesus cumpriu toda a Lei, para que a nossa fé no Filho de Deus nos fosse, de mesmo modo, reputado como justiça. Cristo homem, como descendência de Abraão, levou sobre si toda a maldição, e fez com que todos os que Nele cressem, fossem benditos.

Contudo, o que propõe a doutrina da “maldição hereditária”? Primeiramente, anula o sacrifício de Cristo na cruz do calvário, uma vez que é necessário um processo, um método, para que a maldição hereditária seja quebrada. Ora, não é o sacrifício de Jesus suficiente para quebrar toda a maldição? Vejamos a Palavra nos informa:

(Gl 3.13) - Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;

Logicamente, é necessário que o indivíduo creia no Senhor Jesus como único e suficiente salvador de sua vida (Mc 16.16), e olhe para o madeiro (Jo 3.14,15). Porém, a Palavra não nos revela outro método complexo de libertação. Toda a maldição, por mais hereditária que seja, fica anulada a partir do momento que a pessoa crê no Senhor Jesus (Is 53.4,5,6,8,10,11,12). Uma simples, porém verdadeira e convicta, oração de confissão, no momento em que a pessoa recebe a Cristo como seu único e suficiente salvador, crendo no coração, é suficiente para quebrar todas as cadeias e trazer libertação sobre o indivíduo. A partir daí, a pessoa começa a caminhar como salvo, tendo a mente renovada (Rm 12.2). Por que, pois, dificultar a libertação? Por acaso a Palavra não é suficiente?

Novamente, é necessária a análise do seguinte texto da apostila:

Libertação fala de ficarmos livres de algo que nos prendeu. Há maldições que nos acompanham e que nós temos que rejeitá-las. A maldição se infiltra por uma legalidade e abre portas para que demônios venham sobre a vida da pessoa. (Grifo nosso)

Onde, na Palavra, existe alguma passagem que confirma que nós temos que rejeitar as maldições para que sejamos libertos? A verdade é que, a partir do momento em que você recebe a Cristo como seu único e suficiente salvador, você por confissão já rejeitou toda a obra da carne em sua vida; ou seja, já não se conforma com o presente século. Na verdade, o que percebemos é que um grande número de crentes tem sido escravizado e destruído pela ignorância (Os 4.6). Temos em nossas mãos a Palavra da verdade que liberta (Jo 8.32; Lc 4.18,19; Mt 11.28), com acesso direto ao Pai por meio de Jesus Cristo, mas não nos lançamos em um estudo profundo dessa Palavra, e nos prendemos a fábulas e a superstições. Tudo isso nos leva mais e mais para um abismo de depressão e de insegurança, fazendo com que o poder de Deus seja anulado de nossas vidas, por nossa falta de fé. É por isso que vemos tantos crentes preocupados com “olho grande”, inveja, agouros etc. Todas essas coisas são superstições e, pelo poder da Palavra da Verdade, podemos ser libertos, e não por um método complexo de confissões e renúncias. Mais do que rejeitar às maldições, a Palavra nos exorta a rejeitarmos as fábulas profanas (1Tm 4.7).

Ainda na apostila temos o seguinte:

Jeremias 23: 10 - O povo da terra na qual repousa a maldição chora por isto. Há um complô no reino espiritual (das trevas), para que a Terra continue debaixo de maldições e, portanto, seja mantida infestada de demônios. (Grifo nosso)

Em relação a esse complô no reino espiritual, é evidente que existe (Ef 6.12). Aliás, se há uma notícia que muito desagrada os líderes da confissão positiva, é o fato de que esse mundo não vai melhorar por meio de nossas forças. Será necessária uma intervenção de Cristo para pôr fim a toda maldade e injustiça que operam sobre a face da Terra. O apóstolo João nos informa que este mundo está no maligno (1Jo 5.19). Em outras palavras, o domínio direto de todo este mundo, está nas mãos de Satanás; ele é o “deus deste século” (2Co 4.4) e o “príncipe das potestades do ar” (Ef 2.2). Acho interessante que o autor da apostila fez menção do texto de Jr 23.10, como base para o que queria dizer, mas esqueceu de mencionar que tal texto refere-se mais especificamente aos falsos profetas que se deixaram contaminar pelo presente século. Será que isto não tem acontecido nos dias de hoje? Temos percebido que, no lugar da Palavra da Verdade, muitos têm se deixado contaminar por invencionices e métodos complexos que complicam a verdade do evangelho. Temos visto muitos ministrando heresias e, mesmo sendo admoestados, continuam adeptos a tais falsos ensinamentos, tão somente por causa do quórum obtido. Choro ao ver o zelo que o profeta Jeremias tinha pela santa Palavra de Deus quando afirma: “Quanto aos profetas, já o meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como um homem embriagado, e como um homem vencido de vinho, por causa do Senhor, e por causa das suas santas palavras”. Não deveria ser esse o nosso zelo pela santa Palavra do Senhor?

Ora, toda esta Terra já está amaldiçoada. Isso se deu por conta da queda do primeiro Adão. Mas o último Adão nos promete novos Céus e nova Terra (Ap 21). Confiemos nas promessas advindas na Nova Aliança. Deixemos de lado o jugo da Lei e nos firmemos pela fé ao tempo da Graça, onde as maldições sobre a Terra ainda operam por um breve período, mas sobre as nossas vidas, já foi cortada pela loucura da pregação que nos revelou o evangelho da salvação. Estamos, pois, mortos para o pecado. Já estamos crucificados com Cristo, já não vivemos nós, Cristo vive em nós.

Todo pecado é uma quebra de comunhão com Deus. Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios; cada pecado atrai uma maldição. O pecado é que dá a legalidade para a ação de demônios (1 Pe 5:8; Gn 4:6-7). (Grifo nosso)

Fico boquiaberto com a criatividade do autor da apostila do encontro. Veja o quanto são trazidos conceitos extra-bíblicos: “Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios; cada pecado atrai uma maldição”. A Palavra nos exorta a não irmos além do que está escrito (1Co 4.6); logo, onde está escrito que cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios? Existe, por acaso, uma tabela informando: “Pecado nível 1 = 2 demônios; Pecado nível 2 = 5 demônios; etc.”? E também não é certa a afirmação de que cada pecado atrai uma maldição. Pelo contrário, a palavra nos informa que pelo pecado de um, veio o juízo; e pelas muitas ofensas veio o dom gratuito (Rm 5.16). É magnífico perceber que, tal qual uma única ofensa causou toda a maldição sobre a Terra, por meio de muitas ofensas veio a Graça de Deus. E onde abundou o pecado, superabunda a graça de Deus (Rm 5.20).

É evidente que o pecado é que faz separação entre Deus e os homens (Is 59.2). Entretanto, nós que somos salvos, temos um advogado que intercede por nós junto ao Pai, Jesus Cristo (1Jo 2.1). Não significa, porém, que podemos pecar à vontade. Paulo acerca disso, nos diz o seguinte: “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”. Contudo, fomos reconciliados a Deus, por meio de Jesus Cristo (2Co 5.18,19). Isso significa que já não somos inimigos de Deus; não pesando sobre nós a Sua terrível ira. Aquele homem que outrora era um inimigo mortal de Deus, agora tem paz para com Ele (Rm 5.1). Tal paz se dá, tão somente pela fé (Rm 5.2). Não há necessidade de se quebrar maldição por maldição, nem de outros métodos que complicam a vida cristã. Voltemos e permaneçamos na simplicidade do evangelho (1Co 15.1).

Não há, por meio do presente texto, oposição à admoestação que objetiva a mudança do caráter. Há ainda muitos crentes que continuam mentindo, adulterando e cometendo diversos tipos de pecados. Estes devem ser admoestados para que retornem ao caminho. Como dito no início da análise da presente ministração, o próprio apóstolo Pedro foi admoestado publicamente por Paulo em face de sua dissimulação. Isso é necessário. Uma ministração que trata de questões relacionadas ao caráter é imprescindível no seio da igreja. Contudo, o que levantamos contrariamente, é em desfavor da complicação e dos métodos extrabíblicos e até antibíblicos, relacionados à maldição hereditária e quebra de maldições. Tal como aos rituais de exorcismo praticados como se fosse um processo de libertação que encontra respaldo genuíno na Escritura. Ora, alguma vez Jesus ou algum dos apóstolos, iniciou algum método de libertação do modo que nós temos visto serem aplicados nos Encontros? Tal como Paulo nos relembra, não seria, antes de tudo, importante perguntarmos: “Entretanto, o que diz a Escritura?” (Gl 4.30).

Voltemos, pois, à análise da apostila:

A herança espiritual é uma realidade e satanás sempre aguarda uma brecha para vir e destruir sua vida. Aqui no Encontro toda herança maldita será renunciada, e todo o argumento do diabo será cancelado. (Grifo nosso)

Novamente voltamos ao ponto chave da maldição hereditária. A herança espiritual, realmente, é uma realidade. Nós herdamos de Adão toda a maldição proveniente da queda. A partir de Adão a natureza pecaminosa faz parte do homem (Sl 51.5). E o diabo aguarda um erro do cristão a fim de acusá-lo junto ao pai (Ap 12.10); o diabo está ao nosso derredor, buscando a quem possa tragar (1Pe 5.8). Porém, em Cristo, toda a maldição é quebrada. Façamos, pois, a leitura de 2Co 5.21 e Gl 3.13:

“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (Grifo nosso)
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;”

Ora, diante disso, faz-se necessária que toda a maldição seja renunciada? E o argumento de Satanás, não aguarda o momento certo para ser cancelado? Veja que em breve Satanás será precipitado à Terra, e já não haverá mais um acusador dos nossos irmãos (Ap 12.10). Por enquanto, ele [o diabo], acusa os crentes junto ao Pai, mas isso é apenas por um breve período. Vemos também que, uma vez que recebemos a Cristo como nosso único e suficiente Salvador, toda a maldição é lançada no madeiro. Isso se dá pela fé! Glórias ao nome do Senhor Jesus que levou toda a nossa maldição, e nos alcançou, não havendo mais necessidade de dependermos das obras da lei para que fôssemos libertos do jugo do pecado.

Bem, até aqui podemos ter uma breve noção acerca da validade da “maldição hereditária”, na vida do crente. A libertação se dá pela palavra. Não há necessidade de métodos e processos complexos. Entretanto, há castas de demônios que só saem com bastante jejum e oração. Isso demonstra que a autoridade para se expulsar demônios está também na vida particular do ministro, com Deus.

Por conseguinte, ainda dentro da ministração “Libertação”, falaremos sobre bendizer e maldizer os nossos irmãos.
Para ler a Parte 7a clique AQUI!