sexta-feira, 14 de abril de 2017

Deixa-me

 
Deixa-me

Deixa-me provar teus lábios, 
Tua doçura;
Deixa-me provar-te, e encher-te 
De ternura...
Deixa-me saber teus medos,
Tua loucura;
Deixa-me tocar tua nobre
Alma nua...
Deixa-me deitar-te em minha
Cama-tua;
Deixa-me olhar tua bela 
Face-lua...
Deixa-me sondar tuas vias,
Rotas, ruas;
Deixa-me perder-me em tuas
Sendas, curvas...
Deixa-me beber tua poção,
Tua cura;
Deixa-me encantar por tuas
Artes puras...
Deixa-me escalar teus seios,
Tuas alturas;
Deixa-me medir teu ventre,
Tua fundura...
Deixa-me abraçar-te em noites
Frias, turvas;
Deixa-me salvar-te nas fendas
Mais escuras...
Deixa-me sorrir, em tuas
Travessuras;
Deixa-me chorar, em tuas
Amarguras...
Deixa-me gozar tuas breves
Aventuras;
Deixa-me romper tua forte
Armadura...
Em sombras, à deriva, ou longe
De tua paz,
Deixa-me expressar um só
Desejo mais:
Que não me deixes ir, tampouco
Te deixar,
Posto que, condenado, minha sina
É te amar!

Em 14 de abril de 2017.

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